Sede de Sangue
13 Lua cheia Parte 1
Notas iniciais
De fato aquela não parecia ser uma sexta feira comum. Primeiro porque Megan tinha brigado com Kevin e isso a deixava pra baixo, e segundo porque nesta sexta haverá a festa do aniversário da cidade, não que Megan esteja animada para isto.
Tudo o que queria era que seus pensamentos parassem de torturá-la, mas isso não parecia ser possível. E mesmo com todas as coisas ruins acontecendo, Megan tinha que se esforçar para ser uma boa aluna, pois amava Marcela, e nada a deixava mais feliz do que fazê-la feliz.
–Ficar ai parada na frente do espelho não vai resolver seus problemas. –Diz Marcela entrando no quarto.
–Eu só estava me olhando pela ultima vez antes de sair.
–Você quer mesmo ir à escola hoje?
–Não posso passar o resto da vida evitando Kevin mãe.
–Tem razão. –Marcela a abraça. –Tenha uma boa aula.
Megan sai do quarto, desce as escadas e começa seu percurso até a escola. No meio do caminho o tempo parecia aos poucos se fechar, era provável que ao final da tarde cairia uma tempestade. O dia estava começando a ficar gelado, e Meg já estava pensando em como seria ficar com frio o dia todo. Já que não se lembrava se havia ou não deixado um agasalho no armário da escola.
Seus pensamentos acabaram fazendo com ela quase fosse atropelada por um caminhão que passava pela rua logo a frente da escola. Paralisada, Megan imaginou qual seria a reação de Kevin ao vê-la morta, caída no chão... Será que ele ao menos sentiria sua falta?
–Meu Deus! Tome cuidado Megan. –Diz Betty atravessando a rua ao seu lado.
–Eu estava distraída... -Megan responde.
–Se distraia longe da rua.
–Claro...
–Mas então, é verdade?
–Sobre...?
–Você e Kevin.
–Bom... Nós brigamos.
–E?
–E o que?
–Nenhum telefonema, nenhuma mensagem, nada?
–É eu estava... Evitando ele.
–Ok. Mas e agora, como vocês ficam?
–Eu também não sei... Talvez a gente nem fique.
–E tudo isso por causa do Max... -As duas passam pelo corredor, e depois param em frente aos armarios-Porque acha que juntar ele e Luna o faria mudar Megan?
–Porque eu sei que ele a ama... E quando amamos alguém a gente muda por essa pessoa.
–Pode ser. –Betty dez prendendo o cabelo. –Mas isso só iria piorar as coisas.
–Por quê?
–Porque todos nós vivemos em um mundo de vampiros Megan... E nesse mundo não podemos mudar de lado assim tão fácil.
–E quem disse que seria fácil? –Kevin diz vindo de trás de Megan, fazendo com que ela olhasse para trás, e então o acompanhasse até que ele parasse em frente das duas. –Não podemos pensar em facilidade. Temos que pensar que é melhor ter mais um amigo do que mais um inimigo.
Kevin olha para Megan, fazendo-a olhar de volta. Ela sorri disfarçadamente, depois olha para baixo e em seguida olha para Betty, que respira fundo e continua andando até o fim do corredor.
–Oi. –Kevin diz com um pequeno sorriso estampado no rosto.
–Oi... –Megan encosta-se ao armário.
–Então você está me evitando...?
–Eu não deveria estar? –Megan responde. –Olha eu tenho aula de Frances então... –Ela começa a andar em direção ao final do corredor. Kevin segura seu braço e diz.
–Eu sei, eu fui um idiota... Não deveria ter duvidado de você...
–Não, não devia.
–Então aceita minhas desculpas?
–Acha mesmo que merece?
–Não faça com que eu me sinta ainda pior Megan.
–E como acha que eu me sinto? Sabe, é horrível quando alguém que você ama duvida de você.
–Mas eu me arrependi, e eu pedi desculpas. O que mais eu tenho que fazer?
–A pergunta é o que você não tem que fazer... Você só tem que parar de duvidar de mim.
–Eu prometo.
Megan o abraça.
–Eu também amo você. –Ela diz abrindo o armário e colocando seu casaco. -Mas infelizmente tenho que ir pra aula de Frances.
Em seguida ela beija Kevin e vai para a sala de aula. Chegando lá a aula já havia começado, e ela tem que se sentar na segunda cadeira da terceira fileira, o que a deixava quase na frente da professora.
Megan tira da bolsa seu material de Frances, e depois coloca a bolsa no chão e se vira para frente. Betty sentava na penúltima cadeira, o que deixava Megan sem ninguém pra conversar.
Assim que começa a copiar aquele grande texto que estava no quadro seu celular toca, fazendo com que a maioria dos alunos olhasse para ela. Rapidamente Megan desliga o celular e o coloca no bolso do casaco, quando retira sua mão, uma folha de papel amassada que estava dentro do bolso cai no chão.
Megan se abaixa e a pega. Depois se reajusta em sua cadeira, então olha para a professora, ao ver que ela nem se quer olhava em sua direção Meg abre a folha de papel.
Em seu interior havia uma foice desenhada, definitivamente aquilo não pertencia a Megan, estava obvio que alguém tinha colocado em seu casaco... Mas mesmo assim Meg não deu importância, pois pensou que fosse uma brincadeira de mau gosto.
–Você desenha bem. -Disse o menino que estava sentado na sua frente.
–Ah não, isso não... Isso não é meu. -Megan responde.
–A propósito, sou César. -Ele diz sorrindo.
–Sou Megan.
César tinha o cabelo preto e um tanto ondulado, seus olhos eram cor de mel, sua pele era um tanto bronzeada e ele se vestia como... Um "menino de ouro" Em outras palavras, ele parecia ser um nerd, não que ele não tivesse uma boa aparência, muito pelo contrário, ele era muito bonito. O unico problema eram as listras em sua camisa, que o deixava com um ar de seriedade, que não cabia em sua idade.
–Você vai vir a festa hoje? -César pergunta.
–Ainda não decidi. -Megan diz copiando a ultima parte do quadro negro.
–Deveria vir, a presença na festa vale a metade da nota.
–Sério?
–Sim... Se você não tiver companhia eu posso...
–Eu namoro.
–Jura?
–Aham.
–Nunca viu ela com Kevin? -Diz a menina que sentava ao lado de César.
–Megan essa é Vivian, a intrometida. -Diz o menino
–Oi Vivian... Porque vocês não vão juntos à festa? -Megan pergunta.
–Eu prefiro ficar e repetir de ano. -Diz César.
Megan sorri, depois arruma seu material e em seguida vai para a aula de geografia, chegando lá a professora pede para que todos façam silêncio, Megan senta-se ao lado de Luna. E tira seu material da bolsa.
–Então o que eu perdi? -Megan diz em um tom baixo.
–Só o bigode da professora falando com a gente. -Luna responde.
As duas dão risada, rapidamente uma grande régua do quadro negro bate na carteira de Megan.
–Estou atrapalhando vocês?
–Não. -As duas respondem quase ao mesmo tempo.
–Então, FECHEM A BOCA.
As duas olham uma para outra, e assim que a professora se vira elas sorriem.
–Como todos sabem -A professora começa a falar. -Hoje a cidade completa 298 anos, ela já passou por vários acontecimentos históricos, vários fatos curiosos e também uma série de...
–Blá blá blá, posso ir ao banheiro? -Luna pergunta.
–Vá e não volte, minha paciência com você está esgotada senhorita Armstrong.
Luna sai da sala e logo em seguida a professora volta a falar, mas antes que completasse uma frase se quer um aluno novo entra na sala, ele era alto e muito bonito, tinha os olhos verdes tão resplandecentes que parecia que se olhasse para o sol eles pegariam fogo. Sua pele era palida e parecia ser sensivel, sua boca era um tanto corada e seu cabelo era extremamente preto, o que dava mais destaque a seus olhos. Assim que ele entra, vai em direção a professora e mostra um papel.
Logo após um sorriso da professora, ele olha para sala e vai em direção a um lugar vazio em frente a Megan, pouco tempo antes de se sentar ele sorri para ela... Simpaticamente Meg o corresponde.
–ATENÇÃO... -Diz a professora. -Como eu ia dizendo, Groovery Born foi marcada a mais ou menos um seculo atrás por uma série de homicidios. Haviam muitos assassinos cruéis nesta cidade, entre eles um dos fundadores, John Horkfield...
–Horkfield? -Megan pergunta.
–Sim Megan, talvez você tenha algum parentesco... Ou então só o sobrenome igual... Mas o importânte é que John foi... -O aluno novo interrompe.
–Ele foi enforcado, e depois quimado numa grande fogueira no centro da cidade...
–Sim... Como sabe? -Diz a professora.
–Sou um fã da história local professora... Mas pra falar a verdade John não era o "vilão da história"...
–Ele matou muitas pessoas... Porque acha que ele não era o "vilão".
–Pra falar a verdade ele tinha um irmão... Que se chamava Peter, era outro assassino cruel, ele sim era o vilão, pois foi ele quem motivou John a matar.
Sim, o novato estava falando do pai de Megan, uma furia terrivel cresceu dentro dela, e sua vontade era de se levantar e "limpar o chão" com a cabeça do menino. Mas ao invés disso Megan apenas se encostou direito na cadeira, arqueou a sobrancelha direita e por fim disse.
–Não sei de onde tirou isso, mas está completamente enganado... Se alguém motivou alguém em toda essa história com certeza foi John, porque ele era quem matava pessoas por prazer e não Peter.
O garoto se vira para trás e depois diz em um tom extremamente irônico.
–Não sei que livros anda lendo, mas acho melhor prestar mais antenção nas palavras.
Megan entorta a boca e fecha com força sua mão, algo dentro dela sentia vontade de mata-lo, não era no sentido figurado, mas sim de verdade, uma furia imensa parecia domina-la, mesmo assim ela não pensou muito e disse.
–O que te faz pensar que John era melhor do que Peter?
–Talvez apenas o fato de que John sempre lutou para preservar está cidade.
–Cite algo que ele fez por está cidade.
–Ele mesmo fundou o conselho onde discutiam sobre as necessidades dos moradores, ele dava água, comida, roupas e tudo o que precisassem podiam falar com ele e ele iria fazer o possivel para arranjar.
–Claro, e depois disse ele desceu do céu em um trenó puxado por renas encantadas cheias de purpurina magica.
Todos na sala dão risada, então o garoto faz um ar de rir, porém segundos depois recupera sua pose de "sabe tudo " e volta a falar.
–Então me diga você o que tem de tão especial em Peter.
–Não sei... Mas embora fosse um piscicopata, acima de tudo ele não era mentiroso.
–Não era mentiroso? Então como acha que ele matou aquela mulher no beco... Já que não mentia ele deve ter dito "Vamos até ali dar uma morridinha".
Novamente os alunos riem, Megan se mantém de "cara fechada" E não esboça reação a piadinha que ele havia soltado.
–Não -Megan diz. — Ele deve ter pensado para falar e então dito algo mais inteligente, afinal nâo era idiota o suficiente para ser pego, enforcado e depois cremado no centro da cidade.
–GENTE... -A professora interrompe- Pra que tanta discussão, ambos eram assassinos piscicóticos, nenhum tem mais razão que o outro.
–Concordo, mas tente dizer isso para ela professora. -Diz o aluno novo se virando para frente e deixando Megan mais irritada ainda.
–Bom... Não temos muito tempo -A professora fala. -A festa começa as seis e meia, e termina meia noite... Mas é obvio que vocês adolescentes já devem ter combinado uma outra festa para a madrugada... Então divirtam-se e estão dispensados.
Todos pegam as mochilas e se levantam do lugar, quando estão quase saindo a professora volta a falar.
–Ah e não se esqueçam, a festa vale metade da nota, se eu fosse vocês não faltaria... E não apareçam aqui sem um par.
Megan continua andando até a porta da saída, quando chega lá sem querer derruba um de seus livros, mas antes que se abaixasse para apanha-lo o aluno novo o pega do chão e diz.
–Oi, eu sou Joseph Welt.
–Sou Megan Horkfield. -Depois de apertar as mãos de Meg o menino volta a falar.
–Então é parente de John e Peter?
–Não, não... Quer dizer eles morreram... Acho meio impossível existir um parente vivo ou algo do tipo, não é?
–Nunca se sabe... Olha eu tenho que ir, mas a gente se vê na festa, ok?
–Ok.
Megan abre a porta e então sai da escola, ela não vê Kevin e nenhum dos outros, sendo assim começa a caminhar até sua casa. Depois de andar por umas três ruas seu celular toca.
–Kev? -Megan diz.
–Oi Meg, então você vai a festa? -Kevin responde.
–Sim, eu acho que sim...
–Sua mãe e meu tio vão juntos... O que você acha?
–Por mim tudo bem.
–Ok, então eu passo ai umas seis horas, tudo bem?
–Tudo.
–Ok, Beijo.
–Beijo.
Megan desliga o celular e o guarda no bolso, ao olhar para a calçada vê um sapo... O estranho é que ele parecia estar olhando para ela, o tempo escurece, e rapidamente gostas de água caem do céu, Meg olha para cima, e em seguida volta a olhar para a calçada, porém o sapo havia sumido.
Rapidamente Megan começa a correr até a sua casa, chegando lá vê o vidro da janela quebrado, e a cortina balançava ao vento, mesmo tentando se acalmar Megan achava que havia alguém lá dentro. Com passos lentos e sutis ela se dirige a cozinha e pega uma faca, depois continua andando e vai para o corredor.
Ao chegar perto de uma mesa que apoiava um abajour (não o apoiava naquele momento, porque ele estava quebrado caído no chão) Megan vê uma folha de papel, ela se aproxima e então a segura nas mãos a folha.
Era uma folha do celêndario que ficava no quarto de Marcela, nele estava circulada a data de hoje... E foi nesse momento que a ficha de Megan caiu, hoje era Lua cheia. Em seguida ela vira a folha, e então pode ver o que estava desenhado em seu verso, era o mesmo desenho que estava no bolso de seu casaco.
Megan se desespera e sobe as escadas até o quarto de Marcela. Assim que chega lá vê tudo revirado. Um pânico toma conta de si e ela começa a chorar, então com as mãos trêmulas ela pega o celular e tenta ligar para sua mãe. Porém não consegue.
Lá fora a chuva só aumentava, aquela era uma tempestade terrível, Megan não tinha idéia do que deveria fazer... Mas então se senta na cama e tenta se acalmar, logo em seguida ela segura o celular e liga para Kevin.
Fale com o autor