Sede de Sangue
14 Lua Cheia Parte 2
Ainda sentada na cama Megan ouvia pela terceira vez a voz eletrônica que dizia que o celular de Kevin estava fora de área, com muito medo pelo que poderia ter acontecido com sua mãe, Megan procurou em seu celular o numero do hospital... Não encontrou, então se lembrou das várias vezes em que sua mãe havia pedido para que ela o anotasse.
Com a cabeça a mil, ela desceu as escadas, driblando toda aquela parafernalha que estava no chão e indo para o a mesa do abajour que ficava no corredor, ela abriu uma das velhas gavetas da mesa e pegou uma agenda de telefones,ela esperava encontrar o número do hospital. Com as mãos tremulas folheou rapidamente a agenda até que encontrou, "hospital Groovery Born".
Ela arrancou a folha da agenda, e então foi até o telefone. Digitou o número corretamente, ela tinha a plena certeza disso, porém nem chamava... Alguma coisa havia acontecido com o telefone do hospital. Essa suposição só deixava Megan mais assustada. Então nesse momento, esbarrando em tudo que estava no chão, Megan pegou sua mais grossa blusa de frio com capus, colocou seu celular no bolso, e então desceu as escadas, antes que saisse da casa acabou pisando no vidro da janela quebrada. Mesmo assim isso não a atrasou, ela continuou em frente.
Ela sai correndo de casa, corre varios quarteirões até chegar no hospital. Ao chegar na rua mais próxima, vê várias ambulâncias paradas, então por um segundo ela congela, fica estatica, e começa a pensar que uma tragédia muito grande poderia ter acontecido, ela pensa no fato de tudo estar normal, em que um acidente que envolveu muitos carros pode ter acontecido, por isso ninguém atendeu quando ela ligou e sua casa revirada poderia ser apenas uma terrivel conhecidência.
Mas segundos depois ela voltou em si, abriu a porta dupla do hospital, então tirou seu capus. Haviam umas onze pessoas na sala de espera, todas olharam para Megan, fazendo com que seu rosto corasse, porém ela sabia que aquilo não era importante. Então ela respirou fundo e se dirigiu até as suas recepcionistas gordas que estavam sentadas atras de uma grande bancada.
–Oi, eu preciso saber se a... -Uma delas interrompe Megan.
–Olá -Ela diz com um sorriso exageradamente largo. -Você é Megan não é!? A filha de Marcela, é um prazer conhece-la, eu sou Amélia, e essa é Cora...
–Ok desculpe, é um prazer conhecer vocês duas mas eu preciso mesmo ir direto ao assunto...
–Então fale. -Cora diz.
–A minha mãe, sabe onde ela está?
–Ela deve estar fazendo exames em um homem que chegou há uma hora mais ou menos -Responde Amélia, visivelmente mais amavel que Cora- ...Você não soube? Foi horrivel, ele gritava como louco.
–E o que ele têm?
–Querida. -Diz Cora com uma voz um tanto amarga. -Somos apenas as recepcionistas, quer encontrar sua mãe não quer? Então vá procura-la na sala de exames.
Megan levanta uma das sobrancelhas e depois acente com a cabeça. Os corredores frios do hospital ficavam mais frios ainda quando se estava com um moleton completamente encharcado... Megan chegava a bater os dentes, chegou a pensar que nunca encontraria a sala de exames, porém foi só olhar pra cima "EXAMES", estava escrito na placa acima da porta, sem qualquer permissão, ou sem saber o que encontraria lá dentro Megan colocou a mão na maçaneta da porta, e por fim a girou.
Por um segundo um sentimento de pânico perseverou, e algo dentro dela dizia pra fechar a porta e sair correndo... Mas Megan não deu impotância a isso, entrou na sala sorrateiramente, tudo estava em seu devido lugar... Arrumado como sempre, não havia ninguém.
–Ei, você não pode ficar aqui menina. -Disse a enfermeira.
–Desculpe, procuro pela Marcela.
–Megan não é? Prazer em conhecer você.
Era incrivel como todos no hospital sabiam seu nome...
–Obrigado -Responde Meg. -Mas preciso mesmo encontrar a minha mãe.
–Pelo que sei ela está no leito... -A enfermeira faz uma pequena pausa olhando em sua prancheta. -Leito 362. Siga até o final deste corredor, então vira direita, é o segundo quarto.
–Ok.Obrigado.
Megan volta andar pelo hospital, desta vez muito mais depressa, até que chega a frente da porta do quarto 362, ela não exita, abre a porta um tanto rude e entra. No quarto estava tudo limpo, porém diferente da sala de exames neste quarto havia um hoemem deitado na cama. Megan se lembra de Clarice naquele hospital... Em todo o esforço dos médicos para salva-la, porém ela volta a realidade quando o homem que estava deitado diz com a voz fraca e distante.
–Quem é você?
Megan se aproxima.
–Sou Megan, desculpe estou procurando minha mãe, você a viu?
–Megan? Eles falaram seu nome...
–Eles... Eles quem!?
–Megan? -Diz o médico entrando no quarto. -Sua mãe falou muito de você.
O homem volta a dormir, deixando Megan ainda mais confusa, ela olha para o médico e por fim diz rapidamente.
–Eu sinto muito mas não tenho muito tempo... Aonde está minha mãe?
–Estou me fazendo a mesma pergunta a mais ou menos meia hora... Eu pedi pra que ela fosse buscar um analgésico para o nosso paciente- Ele diz apontando o homem com a cabeça. -Mas ela ainda não voltou... Deve ter surgido uma emergência em casa, já procurou ela por lá?
Megan abaixa a cabeça e se desespera completamente, ela sai do quarto descontrolada, corre pelos corredores que havia passado antes, e então segue até a recepção, Amélia diz alguma coisa voltando a ela, porém Megan não escuta, ela sai do hospital. A chuva havia aumentado, como era possivel?
Ao continuar correndo ela esbarra em um homem alto, ela levanta a cabeça para se desculpar, porém assim que o faz, percebe que é Max.
–Porque tanta pressa? Viu um fantasma coração?
–Você tem que me ajudar. -Megan diz chorando. -A minha mãe...
Antes que pudesse terminar Luna "surge" atrás dela.
–Não diga nada a ele Megan. Eu ouvi você dentro do hospital... Marcela sumiu... Mas quem garante que esse traidor não tem algo a ver com isso! Venha comigo...
As duas começam a andar e entram no carro de Luna.
–Luna -Diz Max batendo no vidro, ela olha para ele.
–Eu juro que eu... -Ele tenta falar, porém ela acelera e o deixa sozinho.
O silêncio no carro prevaleceu por umas duas ruas, o tempo que Megan demorou para colocar o sinto de segurança com suas mãos tremulas e geladas. Ela sentou-se corretamente no banco e então começou a chorar e em seguida falar rapidamente, quase rapido bastante para que Luna não entendesse.
–Minha mãe, o que vamos fazer? Nós precisamos fazer alguma coisa, aonde ela está, quem a levou e porque... -Antes que Megan terminasse Luna disse em um tom um tanto alto.
–Se acalme Megan... Em primeiro lugar vamos até a casa de Frank nos encontrar com os outros.
–Isso não está acontecendo! -Diz Megan deslizando no banco.
Luna dirige rapidamente, e chega na casa de Frank o mais rapido possível. Megan abre a porta antes mesmo do carro parar. Assim que desce Kevin vem em sua direção a abraçando.
–Achei que eu nunca mais ia ver você...
–O que quer dizer com isso!? -Diz Megan aflita.
–Conversaremos lá dentro. Agora entrem todos vocês.
Kevin coloca o braço sobre o ombro de Megan a levando pra dentro, Luna já estava a frente. Assim que eles chegam na sala de estar, Betty aparece com sua "superproteção".
–Oh meu Deus! Pegue este cobertor Meg, você deve estar congelando, pode pegar uma pneumonia e até... -Antes que ela terminasse, Kevin a olha com um ar intimidador.
Pouco tempo depois Megan se senta no sofá segurando uma xícara de chá quente que Frank havia preparado.
–Está mais calma? -Frank pergunta com sua voz calma.
–Sim... Eu acho que sim.
–Megan. -Luna começa a falar. -Precisamos te contar uma coisa... Mostrar na verdade... -Ela vai em direção a Meg com um livro antigo e empoeirado, com uma capa preta. Ela o abaixa. -Já viu este símbolo?
–Sim... Sim, eu vi... Hoje, em uma folha em meu casaco... e depois quando cheguei em casa, vi essa foice duas vezes...
–Megan esse é o símbolo de uma alcatéia de lobisomens... São de longe a mais perigosa e cruel alcatéia existente... Existem há séculos, eles sempre se mudam... Migram de um lugar para o outro...
–Ta, mas em que isso ajuda a encontrar minha mãe?
–Megan -Diz Mike- Achamos que eles levaram sua mãe... Eles queriam levar você, mas não te encontraram... Então foram atrás dela.
Uma lágrima fria escorre na face de Megan, rapidamente ela enchuga, e então surgem forças dentro dela que nem ao mesmo ela mesma sabia que existiam.
–A minha casa...
–O que tem? -Frank pergunta.
–Ela estava toda revirada... Se eles queriam levar eu ou minha mãe, porque reviraram a casa?
–Não sei Meg...
–Talvez você tenha algo que eles queiram. -Mike diz encostado a estante.
–Algo como o que?
–Não faço idéia, é só uma suposição... Mas isso não importa agora. O que importa é que se não a acharmos rapido... -Antes que ele terminasse Betty o belisca fazendo-o parar.
–O que? Eles vão mata-la? -Megan se levanta desesperada.
–Você tem que se acalmar Meg -Diz Frank -Sente-se e beba seu chá...
–EU NÃO QUERO CHÁ, EU QUERO ENCONTRAR A MINHA MÃE, VOCÊS TÊM QUE ME AJUDAR, EU NÃO QUERO SENTAR E OUVIR UMA HISTÓRIA SOBRE LOBOS, EU QUERO SAIR E ENCONTRAR MINHA MÃE... E EU QUERO TAMBÉM QUE VOCÊS PAREM DE ME TRATAR COMO SE EU PRECISA-SE DE UMA BABÁ... EU NÃO SOU CRIANÇA!!!
Megan se dirige a porta, porém Kevin usa sua velocidade, e para na frente dela.
–Aonde vai? Não é seguro lá fora Megan. Estou apenas te protegendo.
–Ah é Kevin, como meu pai mandou? Quer saber o que eu acho? Se ele quiser me proteger que ele venha aqui pessoalmente e faça isso.
Megan passa por Kevin e abre a porta. Assim que o faz vê um homem parado, estatico, olhando diretamente para a sala de estar e para os vampiros que nela estavam. Em nenhum momento o olhar dele se encontra com o dela. O homem era muito alto, com cabelos pretos bem arrumados, os olhos dele também eram pretos, sua pele extremamente clara... De fato Megan se assemelhava a ele.
Ainda parada na porta, Megan viu o homem passar ao seu lado, no mesmo momento um calafrio tomou conta de todo o corpo de Megan, e algo extremamente estranho aos olhos dela aconteceu, ela sentia uma força sobrenatural crescer dentro de sí.
O homem anda até o centro da sala, com passos lentos e elegantes como sua roupa, um bélissimo terno preto. Existia algo nele, diferente de todas as pessoas... Vampiros e Lobisomens que Megan já havia conhecido, ele parecia ser sábio, saber todos os segredos do mundo, era mais que isso, ele parecia ter vivido todos eles.
Megan fecha a porta discretamente e então cruza os braços. Kevin e os outros se juntam... Seja lá quem aquele homem fosse, eles demonstram respeito.
–Vocês realmente são o cumulo da incompetência... -Ele falava como se fosse perfeito, e nunca tivesse cometido nenhum erro — Até você Frank... Até mesmo você conseguiu me irritar até a ultima gota. Eu dei uma ordem a vocês, vocês NÃO podiam ter falhado.
–Pedimos desculpas senhor, mas nós não podemos evitar... -Frank tenta se explicar mas é interrompido friamente.
–Eu ainda não acabei, além da total incompetência de vocês... Fora eles terem levado Marcela... Eles quase pegaram a chave!
–Chave!? -Diz Frank espantado.
–É Frank, a porcaria da chave... E agora? O que pretendem fazer sobre isso?
–Antes de você chegar estavamos planejando. -Diz Luna.
–Ah é? -Ele chega perto dela. -E eu posso saber o que vocês já tem?
Luna olha um tanto assustada para Kevin, e por fim responde.
–Nada ainda senhor.
–Ah qual é Peter, nós sentimos muito mas a gente não pode fazer nada. -Diz Betty.
–EU NÃO QUERO SABER!
Naquele instânte Megan congelou, uma vertigem tomou conta de sua cabeça e foi difícil parar em pé. Aquele homem era seu pai, o homem que ela sempre odiou, ou amou e não queria adimitir, o homem que a abandonou ainda bebê, ele estava á poucos centimetros de distância dela. Porém ela não sabia o que fazer. Parte dela queria abraça-lo, mas havia uma outra parte que dizia para ela se controlar, afinal ela não sabia se ele a considerava de alguma forma, ou ela era apenas outra humana insignificante para ele.
Kevin se virou, e olhou para Megan, ele percebeu que ela estava excessivamente pálida, então sem intenção interrompeu a discussão que ainda estava acontecendo entre Peter e os outros e se dirigiu a Megan. Ela ainda estava congelada olhando para Peter.
–Megan! -Kevin diz fazendo todos olharem para Meg.
Ela permanece imóvel, porém Kevin toca em seu braço a fazendo acordar daquele "transe".
–Oi... -Ela diz gaguejando.
–Está tudo bem?
–Eu só estou um pouco...
Antes que terminasse a frase Megan desmaia, e caí nos braços de Kevin fazendo todos na sala ficarem extremamente aflitos...
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