Secrets and Illusions
25 Capitulo 25
Notas iniciais
Ele tinha baixado a cabeça e murmurava junto ao ouvido dela.
Caroline fechou os olhos, sentindo-se indefesa contra o poder daquela voz grave e aveludada.
— Por que faz isto, Klaus? Você não precisa de mim.
— Mas quero você — ele disse. — E vou tê-la.
— Nunca! — ela protestou.
— A batalha já está perdida. Apesar de sua mente dizer que não, seu corpo me quer... E vai acabar vencendo, você vai ver — ele sussurrava, acariciando lhe os seios.
— Está vendo, Caroline? O corpo não mente.
— O corpo não pensa — ela respondeu entre os dentes. — Apenas sente e demonstra desejo, luxúria, até. Mas isto não significa nada! Klaus deslizou a mão sobre o seio de Caroline, desceu pela cintura, até chegar às pernas ela fechou os olhos, tentando repelir a onda de calor que o toque dele provocava.
— Seu corpo reage assim a qualquer outro homem? Ele perguntou baixinho.
— Seu corpo anseia deste modo pela carícia de algum outro amante? Caroline sentia-se perdida, presa pela mágica das mãos dele e da voz hipnótica e persuasiva. Sem perceber o que estava fazendo, ela correu os dedos sobre o peito de Klaus, deliciando-se ao sentir os pelos sedosos que o cobriam.
— Responda Caroline.
— Não! — ela respondeu.
— Mas você é um homem experiente, já fez amor com muitas, muitas mulheres. Como pode esperar que eu não sentisse nada? Klaus levantou-lhe a cabeça, fazendo-a observar os belos traços do rosto dele, enquanto acariciava o lábio inferior de Caroline com a ponta do polegar.
— Não, não é isto, amor. Está mentindo para si mesma outra vez, se acha que seu corpo reage assim por causa da minha experiência. Eu poderia olhar para você numa sala cheia de gente e mesmo assim enchê-la de desejo.
— Como Você é convencido! — ela disse.
— Acha-se o máximo... Irresistível! Zangada com a arrogância dele, Caroline quis se soltar, mas ele estava preparado, segurando-a sem esforço.
— Você tenta se defender com palavras, mas elas são vazias, sem sentido — ele continuou. — Sabe por quê? Porque você é minha. Você me pertence. É por isto posso esperar, até que você venha para mim, cheia de vontade, feliz, por decisão sua.
— Vai esperar o resto de sua vida! — Tem certeza de que suas defesas contra mim são invioláveis? — ele desafiou. — Então prove.
— O que disse? — Ouviu bem. Prove para mim e talvez para você, também, que não sente nada quando está comigo.
— Como? — ela perguntou, preparando-se para o que poderia vir.
— Nada tão difícil. Saia comigo esta noite... Sem o resto do pessoal do teatro, sozinha comigo.
— Por quê? — perguntou, desconfiada.
— Por que não? — Ele sorriu. — Tem medo? Para dizer a verdade, ela sentia muito mais do que medo, mas jamais admitiria isso só o faria mais cheio de si.
— Não seja ridículo. Está bem Klaus, vou sair com você. Mas do jeito que sairia com qualquer outro amigo.
Ele sorriu, mas não contrariou o que ela disse.
— Está bem. Encontro você no saguão do hotel.
Klaus baixou a cabeça para ela e, num instante de suspense, Caroline pensou que ia beijá-la. Apesar de tudo o que tinha dito, fechou os olhos, entreabrindo os lábios num mudo convite, mas, no momento final, ele apenas riu baixinho.
— Hoje à noite, Amor. Hoje à noite.
Caroline sentou-se na cama, pensando no que poderia usar para sair com Klaus naquela noite. Já tinha olhado as roupas no armário, sem encontrar nada que a agradasse. Sabia que estava se preocupando demais. Na verdade, deveria vestir qualquer coisa, quanto mais sem graça, melhor, uma vez que desejava convencer Klaus que não o queria. O orgulho, porém, exigia que ela fizesse ao menos um esforço.
Olhou-se no espelho e praguejou baixinho. Não adiantava querer se iludir. Queria parecer bem para Klaus porque atendia o velho instinto de qualquer mulher, a necessidade de ficar bonita para o seu homem.
— Só que Klaus não é meu homem, droga! Não é nada para mim, nada! — repetiu, procurando convencer-se.
Teve vontade de rir com o absurdo da situação. Saltou da cama e pegou a primeira roupa que viu à frente no guarda-roupa. Ter de enfrentar aquela noite já seria difícil o suficiente, para se descabelar por causa da roupa. Logo depois, examinou-se no espelho, vendo uma mulher pequena, esbelta, vestida com uma saia que chegava até o joelho, uma blusa de seda e sapatos de salto alto os cabelos loiros caíam soltos sobre os ombros. Ninguém poderia acusá-la de estar provocante, ao menos.
Mesmo assim, os olhos de Klaus brilharam com admiração quando ela o encontrou no saguão e, incomodada, sentiu-se satisfeita com aquele olhar.
— Está ótima — Klaus comentou. — É a primeira vez que a vejo vestindo alguma coisa que não sejam jeans ou macacões. — Ele sorriu. — A não ser por aquela vez, quando não estava vestindo nada.
Ela ficou vermelha com a lembrança e reagiu: — Prefiro esquecer que algum dia aconteceu.
— Como queira. Podemos ir? Contrariada pela noite não ter começado bem, Caroline foi saindo com ele e irritou-se ao perceber o sorriso que a recepcionista lhes dirigia.
— Aquela mulher me olha de forma estranha, desde que cheguei. Deve estar pensando que estamos dormindo juntos, pois não é comum o ator principal fazer reservas para uma maquiadora sem importância.
— Não acha que isto é um pouco de paranoia,Caroline? — ele se exasperou. — Se fosse para você dormir comigo, eu teria pedido um quarto de casal.
— Ela não sabe disto.
— Nem precisa saber. O que eu faço, ou com quem faço, só é da minha conta.
Caroline permaneceu em silêncio enquanto desciam a rua juntos. Para ele era fácil. Com o ar arrogante que tinha sempre, não daria margem à especulação da recepcionista. Mesmo que sentisse que isto estava acontecendo, não daria a mínima importância. Com Caroline, no entanto, era diferente. Na companhia dele, sentia-se sempre em evidência; os olhares curiosos a deixavam embaraçada. Sabia que era um reflexo da infância, quando ela e a mãe se obrigavam a passar de cabeça erguida, fingindo ignorar os dedos que apontavam para elas. A mãe realmente os ignorava, mas Caroline nem sempre conseguia.
— Chegamos — Klaus anunciou.
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