Secrets and Illusions
23 Capitulo 23
Notas iniciais
N/Caroline
Camille jogou-lhe um beijo, rindo. Klaus sorriu de volta e eu senti uma pontada de ciúme, perdi o prazer de um instante atrás. O que eu estava fazendo ali? Por que não tinha ido embora do teatro logo que descobrira que Klaus estava no elenco?
O pensamento me manteve calada enquanto caminhava ao lado dele, forçada a apressar o passo para acompanhar as passadas largas de Klaus.
Por que teria feito o diretor me convidar? Nada fazia sentido, os pedaços não se encaixavam. Tudo deveria ter terminado com a fuga de Glenshee. . . Por que Klaus estava fazendo aquilo comigo?
Quando chegamos ao hotel, ele me acompanhou até o meu quarto e eu agradeci, com o máximo de formalidade, por uma noite agradável.
– Foi um prazer -Klaus disse , sorrindo, sem disfarçar o quanto estava achando graça.
–Conhece Camille há muito tempo? — perguntei, como se não me importasse.
– Há anos. Fizemos juntos a escola de arte dramática.
–Vocês parecem bem. . . íntimos.
– Isto é uma forma disfarçada de perguntar o quanto somos íntimos?
– Acho que não é da minha conta — respondi, odiando-me pelo comentário.
–Tem razão. Não é.
Fiquei triste e zangada com a resposta seca. O que Klaus estava tentando fazer? Eu só estava ali por causa dele, que agora parecia querer manter-me de lado. O que significava tudo aquilo?
– Estou cansada, Klaus. É melhor irmos dormir.
Ele pegou a chave da minha mão , abriu a porta e eu fiquei horrorizada.
Klaus teria interpretado as minha palavras como um convite? A cama surgiu a poucos passos e eu o olhei, confusa. Klaus sorriu.
– Não precisa fazer a cena de medo, Caroline Forbes. Não vou concretizar a sua fantasia, pegando-a no colo e levando-a para a cama.
– Minha fantasia? Do que está falando? — eu disse, sem acreditar no que ouvia.Ele se aproximou, prendendo-me contra a porta e falou com voz suave, mas carregada de ironia:
– Acho que não preciso explicar, minha puritanazinha assustada. Vi como olhava para Camille esta noite. Não gosta dela, não é mesmo? Não gosta de Camille porque ela é uma mulher sem medo de mostrar o que quer.
–Você está sendo ridículo — respondi, incomodada com a proximidade dele.
– Não. Acho que você quer exatamente o mesmo que ela, mas você se esconde atrás dos pilares de gelo de seu palácio, fingindo ser inatingível. O que faria se alguém destruísse os pilares,Car? Iria gritar, protestar e dizer que foi tudo contra a sua vontade?
Klaus estava tão perto que eu sentia o hálito quente sobre a pele. Para me defender, desafiei:
–Você jamais conseguiria quebrá-los!
– Será que não? Vamos ver se muda de idéia,Caroline Forbes.
Klaus baixou a cabeça e eu me preparei para outro beijo cruel, sabendo que qualquer tentativa de fuga seria inútil.
Mas quando os lábios dele tocaram os meus, foram suaves, acariciantes e eu senti os joelhos moles. Por minha vontade, abri os lábios para receber com prazer a língua invasora e quente. Nos braços dele, junto ao corpo másculo e forte que jamais conseguira apagar de minha mente, esqueci de tudo além dele, desconhecendo tudo que não a enorme alegria de estar em seus braços.
As mãos firmes começaram a subir pela minha cintura e, esperando que ele me tocasse os seios, deixei escapar um gemido. Klaus porém, se afastou de mim ,eu o olhava, desconcertada, com o corpo desejando as carícias dele.
– Você tem um corpo doce, pronto para se entregar Car. Quando eu a toco, você não consegue me negar nada. Pena que este corpo carregue uma mente tão fechada.
Klaus foi embora e precisei apoiar-me contra o batente da porta, abalada pela força do desejo que ele tinha despertado, desnorteada pela fraqueza que tinha demonstrado.
Klaus nem olhou para trás e eu senti meus olhos cheios de lágrimas. Ele devia estar indo para os braços de Camille , a mulher que o acolheria sem restrições. Uma mulher que não tinha medo do amor.
Os ensaios começaram no dia seguinte, deixando-me mais ocupada a cada dia. Estava feliz por me restar pouco tempo para pensar em outras coisas. Mas não tão ocupada para deixar de perceber que Camille manteve sua promessa, sempre encontrando um motivo para monopolizar Klaus.
O que eu mais detestava, era que Camille parecia surgir de lugar nenhum, nos momentos mais inesperados e que sempre conseguia carregar Klaus consigo.
Fiquei com mais trabalho ainda quando a costureira adoeceu e eu me prontifiquei a ajudar na prova dos trajes. Naquele dia, Camille estava tendo trabalho para fechar o zíper do traje prateado.
– Acho que a roupa está muito justa — comenteu. — Vou soltar um pouco dos lados.
Fale com o autor