Notas iniciais
oi aqui é a naaai de novo as ideias estão vindo!

Ele continuou a falar sem parar, conduzindo-a pelo corredor, mal parando para respirar e sem dar tempo para ela responder.

Ao chegarem ao estacionamento do hotel, dirigiram-se para o BMW branco de Klaus. Camille falava sem parar; com sua voz aveludada. Caroline se sentia excluída da conversa, apesar de não haver sinais evidentes. Resolveu controlar-se. Camille era apenas outra atriz egocêntrica entre as muitas que conhecia só se interessava por si. Mas nem por isto precisava deixar Caroline de fora. Afinal, Caroline não era páreo para ela. Sua imaginação devia estar trabalhando demais.

— Carol, querida. Sei que não vai se importar de ir atrás, não é? — Marianne disse, piscando os belos olhos verdes. — Desde criança, sempre preferi ir no banco da frente.

Caroline disse que não se importava e cuidou para não rir, ao ver a expressão zombeteira de Stefan.

— É melhor lembrar-se de suas falas melhor do que lembra o nome das pessoas — Stefan disse. — O nome dela é Caroline, não Carol.

Camille acomodou-se ao lado de Klaus, depois forçou um sorriso de desculpas: — Acho que me enganei. Mas seu nome é interessante. Sua família é irlandesa? — Não. Venho de uma cidadezinha bem ao norte da Escócia —Caroline informou.

— Não diga! —Camille comentou. — Visitar uma cidade grande deve ser muito interessante para você! Só trabalhou na Escócia, meu bem? Caroline não quis se deixar levar pelas alfinetadas da outra e falou sobre os trabalhos que tinha feito em várias emissoras de projeção. Camille fez um comentário qualquer e deu por encerrada a conversa com Caroline, virando-se para Klaus, a quem monopolizou o resto do caminho. Stefan murmurou para Caroline, num tom conspirador: — Não ligue para ela. Camille é sempre assim quando trabalha com Klaus, pois o julga propriedade exclusiva dela. Quer tê-lo só para si, sempre que tem a oportunidade.

Caroline sorriu, imaginando por que Stefan tinha se dado ao trabalho de explicar. Teria Klaus contado sobre o fim de semana que passaram juntos? Ela gelou ao pensar na possibilidade.

— Ora, eles devem ter muito assunto a pôr em dia — ela respondeu.

De vez em quando Klaus se virava para fazer algum comentário, ou mostrar algum lugar de interesse, mas Camille manobrava para fazê-lo voltar a dar atenção a ela, comentando algum fato que envolvesse os dois.

Ao chegarem ao restaurante aconchegante nos arredores da cidade, Caroline não pôde deixar de observar os olhares de admiração que todos os homens dirigiam a Camille quando ela passava. Não que fizesse algo para chamar a atenção, como Caroline reconheceu, pois seu rosto e corpo escultural eram o bastante. Quando foram sentar-se numa mesa de canto, Camille sentou-se depressa ao lado de Klaus, depois sorriu para Caroline.

— Desculpe. Queria sentar aqui?

— Não, obrigada. Aqui está ótimo — Caroline respondeu. Depois de fazerem os pedidos, a conversa se voltou para a peça e Camille perdeu o centro das atenções, enquanto Stefan falava de seu trabalho e o que esperava dele.

— A peça se passa no futuro — Stefan explicou. —Klaus faz o papel de comandante da estação espacial; uma figura de autoridade, mas que se preocupa muito com a fragilidade humana. Pode-se traçar um paralelo com a história de Sansão e Dalila. A tentadora, neste caso...

— Sou eu. — Camille interrompeu.

Virou-se para Klaus com ar provocante e Caroline se incomodou. Como um homem de sangue quente poderia ignorar as mensagens explícitas de Camille? Se ele não se sentisse tentado, como poderia fazer seu papel, noite após noite? Esforçou-se para não olhar na direção de Klaus, pois não suportaria ver o desejo por Camille estampado no rosto dele.

— Guarde seus encantos para a plateia. — Stefan disse, aborrecido com a maneira que fora interrompido. — Não precisa começar a ensaiar aqui, Camille.

— E quem disse que eu estava ensaiando? — a atriz fez biquinho. — Klaus e eu não precisamos ensaiar nossa paixão.

Ela olhou para Caroline, que conseguiu manter o rosto tranquilo.

— Como os ensaios começam amanhã — Stefan disse —, acho que é bom dormirmos bem antes que o caos comece. Vamos voltar ao hotel? Klaus tirou as chaves do carro do bolso e as colocou sobre a mesa.

— Quero voltar a pé — declarou. — Acho que um pouco de ar vai me fazer bem.

— Vou com você — Camille se ofereceu.

— Sinto, mas tem algumas coisinhas que preciso falar com você, hoje ainda — Stefan interveio. — Venha comigo no carro para podermos conversar; Os belos olhos mostraram irritação, mas ela abriu um sorriso afetado, dizendo: — Claro, Stefan. Vai ser bom para Klaus ficar sozinho um pouco. Afinal, a partir de amanhã vamos estar quase inseparáveis, para entrar na pele de nossos personagens.

Caroline sentiu que Camille lhe lançava indiretas. A bela atriz podia esconder suas verdadeiras intenções dos homens, mas não fazia o mesmo com Caroline. Estava deixando bem claro o que desejava e seria difícil que Klaus quisesse resistir.

— Não pretendia ir sozinho — Klaus disse. — O que acha de um passeio noturno, Caroline? Ela devia recusar. Ficar ao lado dele, mesmo nas ruas movimentadas da cidade podia ser mais do que podia suportar. Mas, quando ia negar com a cabeça, ouviu-se aceitando o convite, sentindo imenso prazer por ele ainda se dignar a querer a companhia dela: — Bem. — Camille disse, arrumando os cabelos sobre os ombros. — Sabe em que quarto estou,Klaus. Se quiser me ver depois, que não seja muito tarde. Preciso dormir, pelo menos um pouco, esta noite.

Ela jogou-lhe um beijo, rindo. Klaus sorriu de volta e Caroline sentiu ciúme, perdendo o prazer de um instante atrás. O que estava fazendo ali? Por que não tinha ido embora do teatro logo que descobrira que Klaus estava no elenco? O pensamento a manteve calada enquanto caminhava ao lado dele, forçada a apressar o passo para acompanhar as passadas largas de Klaus.