Notas iniciais
Oi meninas aqui é a Taissa

Não! ela exclamou, segurando-o pelo braço.

Ele acariciou-lhe os cabelos, franzindo a testa ao sentir que ela ficou tensa.

O que é Caroline? Ainda é virgem? Não tenha medo, eu jamais iria magoar você.

Você não entende. . .

Então fale comigo, Caroline ele pediu. Diga por quê.

Não posso ela respondeu, sacudindo a cabeça.

Conte o que é.

Não posso!

Caroline ele disse, segurando-a pelos ombros. Olhe para mim.

Ela estava em pânico e tentou soltar-se, mas ele a segurava com firmeza.

Por que não me deixa em paz? — A voz de Caroline trazia a angústia reprimida durante anos e uma sombra cobriu os olhos dele, enquanto examinava-lhe o rosto torturado pela dor.

O que foi, Caroline? ele murmurou. O que aconteceu em sua vida para deixá-la assim?

A compaixão dele a tocou e ela não conseguiu mais conter as lágrimas que há muito vinha reprimindo. Sacudida por soluços, quis se soltar, mas ele a tomou nos braços, aninhando o corpo dela contra o seu e acariciando-lhe os cabelos.

Quando a tormenta passou, continuou colada a ele, cansada demais para lutar. Klaus estava quieto, mas Caroline sentia algo ferver dentro dele e imaginou se estaria zangado com ela.

Estaria com raiva por ter chegado até aquele ponto com ele e depois mudado de idéia no último instante? Ela não poderia culpá-lo por isto, apesar de não ter planejado nada do que tinha acontecido.

Mantinha a cabeça baixa, envergonhada por sua fraqueza, assustada por ser tão vulnerável. Suas defesas tinham desmoronado sob o mar de lágrimas e agora estava nos braços dele, com o corpo e a alma nus. Se ele começasse a fazer perguntas, não haveria nada para protegê-la da curiosidade dele.

Caroline?

A voz dele era suave, ela enrijeceu, tensa, esperando um interrogatório.

Pode relaxar. Solte-se. Não vou deixar que nada magoe você, agora.

Caroline sentiu os olhos cheios de lágrimas e uma gostosa sensação lhe invadiu o corpo. Encostou o rosto no ombro dele, sem conseguir expressar a gratidão que sentia por sua compreensão. Suspirou e aninhou-se junto dele, maravilhada ao sentir, pela primeira vez na vida, que estava segura.

Acordou no meio da noite, desorientada, sem saber onde estava. Ouvindo uma respiração ritmada, percebeu que Klaus estava dormindo a seu lado.

Ao lembrar-se do que tinha acontecido, sentiu uma depressão próxima ao desespero, apagando a segurança que experimentara antes. Não podia ter se exposto daquele modo, jamais devia ter chorado com tanto desespero nos braços dele.

Apesar de Klaus não fazer idéia do que tinha se passado com ela, agora sabia que algo tinha lhe causado uma grande dor na vida e isto a perturbava.

O pior era reconhecer que quase tinha feito amor com ele. Assim como a mãe, tinha se deixado levar pelos encantos e palavras doces de um homem.

Sempre havia se considerado forte, imune às tentações da carne, mas naquela noite descobrira a profundidade de sua paixão e estava abalada. Não tinha sido apenas desejo carnal, reconheceu com tristeza, pois poderia ter controlado o desejo.

Os braços fortes de Klaus tinham liberado um desejo, uma necessidade que não era apenas de satisfação física, mas de algo muito, muito maior.

Caroline fechou os olhos com força, como se isto afastasse a verdade cruel. O desejo que ele tinha despertado era pelo amor. . . pelo amor dele.

De repente, sentiu que não poderia mais ficar ali estando tão vulnerável. . . Não podia esperar pela eterna compreensão de Klaus.

Ele podia ter sido educado, bom até, mas suas palavras não eram mais do que uma capa de indiferença; afinal, agora pertencia à legião de mulheres que o queriam.

Não tinham feito amor, mas para Klaus a batalha já estava vencida, ela não ofereceria mais resistência. Não querendo ver a indiferença dos olhos dele, Caroline sentiu que tinha de partir, fugir dele mais uma vez.

Só que desta vez tinha de ser para valer.Com o máximo cuidado, saiu de debaixo das cobertas e se vestiu, feliz por ter deixado um conjunto de malha sobre a cadeira, sem zíperes para fazer barulho.

Klaus murmurou algo e ela gelou, mas ele apenas mudou de posição e Caroline pôde respirar, aliviada ao constatar, pela respiração ritmada, que ele continuava a dormir. Por sorte, as roupas já estavam na mala.Na porta, Caroline olhou para trás, querendo ver o rosto dele uma última vez.

A lua, entrando pela janela, iluminava-lhe o belo perfil e lágrimas vieram aos olhos dela.Ele agora morava em seu coração, marcado a fogo em sua alma.

Adeus, amor ela sussurrou. Nunca vou esquecer-me de você.

Desceu os degraus na ponta dos pés, mal ousando respirar até chegar à porta. Sentia um enorme peso no coração, esmagando as esperanças que ela, sem perceber, tinha deixado nascer. Deixar que florescessem só iria causar dor. . . uma dor maior do que a que sentia naquele momento, apesar de não poder imaginar dor maior.Entrou no carro e partiu para a noite fria, observando as montanhas nevadas por trás de um véu de lágrimas.

O apartamento lhe pareceu gelado e vazio quando chegou, horas mais tarde.

A voz amiga de Bonnie na secretária eletrônica não conseguiu aliviar a depressão que a envolvia como uma nuvem negra. Depois, uma voz educada informava que uma produtora independ ente de televisão desejava os serviços dela para uma peça sobre as plataformas de petróleo em Aberdeen, no mar do Norte.

A voz pedia que ela entrasse em contato o mais rápido possível.Pegando o bloco de recados, ela tocou novamente a mensagem para anotar o número. Se pudesse escolher, iria trabalhar na Mongólia ou Timbuktu.

Ficando bem longe de Klaus, talvez fosse mais fácil esquecê-lo.Quem estava tentando enganar, afinal? Sorriu com amargura.

Mesmo se fosse para Marte, não faria a mínima diferença. Klaus Mikaelson tinha tomado conta de seu coração, para sempre. Distância nenhuma poderia mudar o que sentia por ele.

Caroline acordou com o rosto banhado em lágrimas, por causa do mesmo sonho que vinha atormentando seu sono nas últimas três semanas.

No sonho, via-se num belo e perfumado jardim cheio de cores. Ela sorria e abria os braços para um homem alto, lindo e de olhos verdes, mas o sorriso se apagava ao perceber que ele não podia vê-la. Caroline abria a boca para chamá-lo, mas nenhum som saía. Tentava atravessar o gramado verde para alcançá-lo, mas seus pés estavam fixos no chão.

Então aquele mundo maravilhoso começava a de-saparecer, deixando-a só, chorando pela crueldade de ter um paraíso nas mãos e não poder segurá-lo.Não era preciso um psicanalista para explicar o significado do sonho, ela pensou, indo para o minúsculo banheiro do quarto de hotel. Era uma forma inconsciente de chorar por um amor que, por tolice, tinha deixado florescer em seu coração, para depois sufocá-lo.

Afinal, o que sentia por Klaus ainda estava bem vivo, mesmo depois de fazer três semanas que tinha fugido do pequeno chalé em Glenshee.

Normalmente teria gostado do trabalho, pois os atores e técnicos formavam um grupo simpático e ela sempre gostou de Aberdeen.

Parecia que nada, porém, conseguia afastar seu pensamento de Klaus por muito tempo. Ele parecia estar nos cantos de sua mente, como um falcão pronto a mergulhar sobre a presa.

Buscando algum alívio, Caroline dava longas caminhadas solitárias pelas praias douradas, agasalhada com um casaco de lã de carneiro para proteger-se do vento gelado do mar do Norte.

Quando isto não a satisfazia, saía para jantar com os animados colegas de trabalho, mas isto apenas disfarçava a dor.

Ao acordar de manhã, percebia que o coração continuava a doer, tão forte como no dia anterior.Aquele seria seu último dia de trabalho lá.

Em geral, estaria um pouco melancólica, por não se acostumar às freqüentes despedidas, que eram inevitáveis em seu ambiente de trabalho. Agora, porém, sentia o mesmo peso no coração que a deprimia e fazia tudo o mais não ter importância.

Examinou o rosto no espelho, observando as olheiras.

Tinha perdido peso naquelas três semanas e estava pálida. Se Bonnie a visse, ficaria horrorizada e a obrigaria a fazer uma dieta nutritiva.

Ela sorriu com a idéia. A culpa de tudo aquilo era de Bonnie. Se ela não tivesse quebrado a promessa de ir a Glenshee, Klaus jamais teria ido ao encontro de Caroline.

Apesar de toda dor, não desejava esquecer. Ficar com Klaus a tinha feito mudar; sentia-se enriquecida, apesar do que estava sofrendo.

Vestiu-se rápido, sem se importar com maquilagem. Cosméticos poderiam disfarçar a palidez, mas não apagariam a tristeza de seus olhos. Examinou-se mais uma vez diante do espelho e suspirou. Nunca tinha se considerado nenhuma beldade, mas agora sentia-se um lixo.

E tudo por causa de Klaus.

Naquele último dia, os colegas de trabalho estavam alegres e o entusiasmo foi contagiante. Enquanto esperavam pela ordem do diretor para filmar a última cena, o chefe de imagem comentou:

Sabe que é a primeira vez que a vejo rir? Será que é tão deprimente assim trabalhar conosco?

Não, não é verdade ela respondeu.

É que ando com a cabeça meio confusa, é só.

Deve ser por causa de alguma coisa bem triste, Caroline. Gostaria de falar sobre isto?

Não. Mas não se preocupe. Posso dar um jeito sozinha.

Não se deve esconder tudo, mocinha Jack Bryson aconselhou. Não se pode carregar todo o peso do mundo nas costas.

Obrigada, Jack ela disse, agradecida. Não é nada sério.

Jack não parecia convencido mas, para alívio dela, ele não insistiu e mudou de assunto:

Para onde vai agora? Vai tirar férias?

Até pensei no caso ela respondeu. Mas recebi um chamado insistente de um diretor em Sheffield. Por algum motivo que não conheço, ele quer que eu faça a maquiagem da peça que ele está montando.

Já fez muitos trabalhos em teatro? Jack quis saber.

Não o bastante para me tornar conhecida na área ela admitiu. Mas quem sou eu para recusar trabalho?

Depois de terminadas as filmagens, Jack a convidou para celebrar com os colegas. Caroline, porém, só passou na festa para se despedir, pois tinha muita estrada pela frente.

Os ensaios em Sheffield só iriam começar dali a dois dias, mas ela tinha prometido ir assim que pudesse, para discutir a maquiagem com o diretor.

O trabalho parecia interessante: era um drama futurístico e o diretor disse que teria a oportunidade de exercitar a criatividade.

Vai ter carta branca o diretor tinha dito no telefone. Só vou lhe dar o conceito geral da peça; fica ao seu encargo interpretá-la como quiser.

Caroline não acreditou muito nas palavras dele, pois sua experiência lhe dizia que muito poucos diretores dão "carta branca" à equipe técnica. Mesmo assim, o desafio era fascinante e, como nunca tinha estado em Sheffield, teria a oportunidade de ver mais um pouco do mundo.

Na verdade, não ligava muito para onde estava indo, pois o único lugar onde queria estar era ao lado de Klaus, mas isto estava fora de questão.

Notas finais
CoMeNtArIoS?