Notas iniciais
Oi meninas,boa leitura Taissa

N/Caroline

Na verdade, não ligava muito para onde estava indo, pois o único lugar onde queria estar era ao lado de Klaus, mas isto estava fora de questão.

No dia seguinte, estava dirigindo em Sheffield, com um olho no trânsito e outro nas instruções escritas num pedaço de papel.

O diretor informara que técnicos e atores estavam no mesmo hotel e havia um quarto reservado para mim. Só faltava encontrar o hotel, naquele momento.

– Eureka! -murmurei ao encontrá-lo, por fim, entrei no estacionamento.- Meu nome é Caroline Forbes -falei à recepcionista. — Há uma reserva em meu nome.

A recepcionista me examinou com certa curiosidade imaginei por quê.

–Sim, aqui está sua reserva -a moça disse, examinando a lista. — É o quarto de número vinte e sete, no segundo andar.

Assinei o registro e peguei a chave, ainda intrigada com o olhar da recepcionista. Devia estar imaginando coisas! Talvez fosse só o jeito da moça.

Chegando ao segundo andar, fiquei ainda mais intrigada, examinando o ambiente. O hotel era bom, não exatamente de luxo, mas muito melhor dos que eu costumava ficar a trabalho. Vou verificar o preço mais tarde, não valeria a pena viver com tanto conforto durante algumas semanas, se isto fosse consumir boa parte de meus ganhos.

Meu quarto não era muito grande, mas tinha uma bela mobília e sorri ao ver as flores sobre a penteadeira. O trabalho seria muito agradável se o diretor continuasse a ter esta consideração.Desfiz as malas depressa e, depois de uma ducha rápida, vesti jeans, uma malha, prende os cabelos e voltei à recepção para me informar onde era o teatro.

– Fica a uns cem metros rua abaixo — a recepcionista informou. — Dá para ir a pé.

–Deve ser por isto que todos os atores e técnicos estão hospedados aqui, não é?

– Só alguns estão hospedados aqui — a moça respondeu, com um sorriso.

– Mas eu pensei. . . Bem, não importa. O diretor não fez todas as reservas aqui?

–O diretor? Não.

– O assistente, então? — insisti, achando que alguém estava brincando comigo.

– Ninguém fez reserva em bloco aqui -a moça respondeu, intrigada. — Que eu saiba, cada ator fez sua própria escolha.

Dei de ombros, desistindo de compreender. Devia estar procurando mistérios onde não existiam. O diretor deveria ter feito reserva para mim ali naquela noite, esperando que depois escolhesse algo mais apropriado a seu bolso.

Estava na porta do teatro logo depois. Dei meu nome ao porteiro, que disse:

– Estão esperando a senhora. Pode entrar.

Havia algo no ambiente do teatro que sempre mexia comigo. Mesmo agora, caminhando por corredores quase vazios, parecia trazer ecos e sombras das pessoas que tinham passado por ali, das personagens que tinham interpretado.

Encontrando a sala de maquiagem, entrei, sorrindo ao examinar o ambiente. Simples, precisando de uma pintura, mas que despertava em mim emoções que não saberia explicar.

Vi um papel sobre a mesa, fui ver se era alguma mensagem para mim. Ao examiná-lo, fiquei pálida.

Era um folheto anunciando a peça na qual eu ia trabalhar,trazia uma fotografia colorida dominada pelos olhos verdes e os belos traços do ator principal.

Um movimento na porta me chamou a atenção e eu me virou, ainda empalidecida.

– Olá,Caroline.

–Klaus?

Mesmo ele estando diante de mim, a pouca distância, mal podia acreditar no que via.

–Em carne e osso — ele respondeu.

Fiquei olhando para ele um momento, depois sacudi a cabeça, como se quisesse pôr a mente em ordem e falei:

– Você não parece surpreso em me ver.

–E não estou.

– O diretor disse a você que me contrataria?

– Não.

– Então, como. . .

–Eu pedi a ele que contratasse você.

–O que disse?

–Você ouviu bem.

–Ouvi, mas acho que não acreditei no que ouvi -mumurmurei, examinando o rosto dele sem encontrar as pistas que procurava. — Por que Klaus?

– Talvez porque eu não goste de coisas inacabadas — ele respondeu, com um brilho estranho nos olhos.

– Qualquer coisa que pudesse haver entre nós já está acabada — disse, sentindo o ar me faltar.

– Para mim, não. O que fez você pensar que tinha o direito de desaparecer, sem deixar rastro?

Klaus estava ainda mais bonito do que eu me lembrava. Tentei rir, mas não consegui.

–Não seja ridículo, Klaus.

– Ridículo?

Ele agarrou o meu braço e eu me retrai, tentando impedir o contato.

– Klaus, por favor, está me machucando!

Fiquei surpresa pela ira dele, mas também por descobrir o quanto desejava se jogar nos braços dele.

Apesar de ser uma situação embaraçosa, era a primeira vez que me sentia realmente viva, desde que eu voltara de Glenshee.

– Não tanto quanto eu gostaria — ele respondeu, inflexível.-Como se atreve a fugir de mim?

– Está zangado porque uma de suas conquistas foi embora? — provoquei. — Feri seu orgulho machista por não ter ido até o fim? Desculpe se não fui mais um troféu na sua lista, mas veja o lado bom disto: livrei você de ter de fazer um discurso bonito antes de me dispensar. Eu sabia que estávamos cometendo um erro desde quando. . . quando. . .

– Quando começamos a fazer amor? -ele perguntou, com um sorriso irônico.

–Não estávamos fazendo amor — reagi. — Era sexo puro e eu não devia ter sido tão louca! E pensar que quase me entreguei a você!

– Nossa! Mais parece heroína de melodrama puritano. Se bem me lembro, você me quis tanto quanto eu a desejei.

– Não passou de aberração mental da minha parte, Klaus! — respondi, furiosa. -Foi um momento de loucura que nunca, jamais vai se repetir.

Notas finais
CoMeNtArIoS?