Secrets and Illusions
16 Capitulo 16
Notas iniciais
N/Caroline
–Então está com medo de você. . . medo de não conseguir reprimir sua parte humana. ..
–Não é verdade.
– Não? Então prove e fique mais um dia. Venha esquiar comigo -ele convidou, armando um sorriso. — Vai haver muita gente por perto, vai estar bem protegida.
Concordei, pois já estava cansada de discutir. Talvez, com mais gente em volta, conseguissemis passar um dia inteiro sem brigar. Assim, pelo menos, teria algo bom para lembrar daquele fim de semana louco.
– Vá se preparar, Caroline. Espero você aqui em dez minutos.
Como ele tinha previsto, as pistas de esqui estavam repletas de gente. Eu observava, maravilhada e invejosa, os esquiadores experientes que ziguezagueavam pela neve, mais parecendo borboletas, por causa das roupas coloridas e da leveza das manobras.
–Aquele lá é incrível! — comentei, ao ver um esquiador descer uma rampa em alta velocidade.
– Bom, sim. Mas já vi melhores.
– Incluindo você? — provoquei.
Logo fiquei zangada comigo mesma. Por que não o deixava em paz? Talvez porque eu ja tinha percebido uma porção de mulheres olhando-o, mesmo não o tendo reconhecido naquelas roupas, sentiam-se atraídas pelo corpo másculo e pelo magnetismo que dele emanava. Não havia como disfarçar o que havia de bom nele.
– Ainda decidida a fazer o papel de megera! — Klaus protestou.
Senti vergonha pelo tom de voz dele, mas fingi não ter me alterado.
–Só estava fazendo uma pergunta. Você esquia melhor do que ele?
– Sim.
– Então não deixe que eu o prenda aqui na pista dos iniciantes. Aposto que está louco para ir lá para cima, com os deuses do esqui.
Os olhos verdes me fitaram com irritação.
– Por que, toda vez que abre esta linda boquinha, é uma víbora quem fala? -ele perguntou, zangado. — Não consegue ser simplesmente agradável? Vou, sim, lá para cima, mas não porque tenha de provar alguma coisa. . . nem para você nem para ninguém. E que, na verdade, vai ser um prazer ficar longe de você um pouco.
Enquanto ele se dirigia ao teleférico, fiquei imaginando por que tinha sido tão rude, no fundo, desejava que ele me fizesse companhia? Foi quando percebi, com tristeza, que tê-lo contra mim era a única defesa que tinha.
Senti-me na corda bamba: um movimento em falso e sofreria uma queda fatal. Fiquei onde estava, esperando para vê-lo nas pistas mais difíceis. Assim que o vi em sua roupa preta, quase perdi o fôlego. Klaus tinha razão; esquiava bem melhor do que o homem que eu tinha visto antes.
Movendo-se sobre a neve, mais parecia um pássaro, fazendo manobras sem o menor esforço, em harmonia com os elementos. Não sabia por que, mas meus olhos se encheram de lágrimas; só sei que aquele momento ficaria para sempre gravado em minha memória.
– Olhe aquele lá!
Perdida em meus pensamentos,me assustei com a voz ao meu lado, mas, virando-me, percebi que não estavam falando comigo. Quem falava era uma garota alta e loira, de belas pernas compridas, que não tirava os olhos de Klaus. Ao lado dela havia outras duas mulheres, tão encantadas com ele quanto à amiga.
–E a coisa mais linda que já vi sobre esquis- a morena comentou.
– É lindo até sem esquis -a loira contrapôs.
–Quando já viram homem mais bonito?
– Talvez na última vez que fui ao cinema — a mais baixa respondeu. — Não me digam que não reconheceram quem é?
–Não faça suspense, Suzie. Quem é? — a loira quis saber.
– Eu cruzei com ele junto ao teleférico, há pouco -Suzie informou. -Ele tinha tirado os óculos. Eu reconheceria aqueles olhos verdes em qualquer lugar!
– Não enrole! -a morena protestou. -Diga logo quem é!
Criando um pouco de suspense, a mais baixa abriu um sorriso maroto, antes de informar que era Klaus Mikaelson.
– Você está brincando! — a loira exclamou. -Sou louca por ele desde a primeira vez que o vi.
– Você e milhares de outras mulheres — Suzie ironizou. — Mostre uma mulher que não trema nas bases diante dele e eu lhe mostrarei uma mentirosa!
– Olhem! — a loira disse. — Ele vai entrar na fila outra vez. Vamos lá!
–Será? -Suzie hesitou. -Não acha que ele merece um descanso? Talvez queira ficar sozinho.
–Que bobagem! Ele é homem, não é? Aposto que gosta de mulheres como todas gostam dele.
As três partiram, rindo e conversando, observadas por mim. Queria olhar para outro lado, mas meu olhos pareciam grudados na cena. Com certeza ele seria simpático com elas. Tinha fama de ser agradável com os fãs, por piores que fossem. Para que se enganar, afinal? Depois dos dois dias passados comigo, receberia Suzie e as belas amigas de braços abertos.As três o cercaram e, depois da surpresa inicial, ele sorriu. Apesar de esperar aquele sorriso, senti um punhal cravar-se em meu coração.
Klaus jamais tinha sorrido para mim daquele modo.Dei as costas para a cena, indignada, mesmo sabendo que devia estar aliviada. Eu o tinha perdido. . . Podia até esquecer que estava lá e quem poderia culpá-lo? Assim era melhor. No final do dia, voltariam ao chalé e eu iria para casa.
Passar mais uma noite com ele era mais do que podia suportar. O que não devia nem ter começado, estaria encerrado de uma vez por todas.
Mais tarde, estava no café, com as costas voltadas para a janela enorme, quando uma mão pousou sobre meu ombro, assustando-me.
– Vamos para o chalé.
–Já? — perguntei, olhando para Klaus — Você começou a esquiar há pouco tempo. Não acredito que já tenha cansado.
– De esquiar, não me cansei ele sorriu. -Digamos apenas que a companhia está ficando demais para o meu gosto.
Era ridículo, mas fiquei feliz e tive de me conter para não abrir um enorme sorriso.
– Não me diga que prefere a minha companhia! E se eu disser que quero ficar mais um pouco? — provoquei.
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