Secrets and Illusions
15 Capitulo 15
Notas iniciais
– Quanto tempo você tem de conhecer u ma pessoa para considerá-la amiga, afinal?
– Ora, é algo que não se mede pelo tempo -ela respondeu, ocupando-se com a xícara.
– Outros fatores contam, como empatia, compreensão e confiança.
– Ah, confiança! Aí é que está o problema. Algo me diz que esta é a palavra-chave da sua vida — falou ele.
– E não é igual com todo o mundo? — ela perguntou, incomodada com o tom da voz dele.
–Talvez — ele respondeu, — Mas há pessoas que preferem começar confiando, em vez de esperar que se conquiste a confiança.
A resposta que Caroline deu a seguir surpreendeu aos dois:
– Pois são loucos. Estão procurando encrenca. . . desilusão, pelo menos, mais provavelmente traição.
Sentindo lágrimas nos olhos, desviou o rosto, recusando-se a deixar-se ver num momento de fraqueza.
–O que aconteceu na sua vida que a deixou com tanto medo? — ele perguntou, desconcertando-a com seu tom de voz suave.
– Não sou medrosa — ela respondeu, ríspida. -Apenas realista.
–Por baixo do verniz de realismo, é fácil encontrar almas atormentadas pelo medo.
– Sabe de uma coisa? Se quiser me chamar de Carol, Rin-Tin-Tin, ou outra coisa, esteja à vontade. Só não me venha com implicações psicológicas sobre isto tudo.
Ele ficou calado algum tempo, observando-a, depois perguntou:
–Você confia em mim?
Esquecendo da decisão de não se confrontar mais com ele, Caroline riu.
– Ainda tem coragem de perguntar depois do que aconteceu hoje?
–O que aconteceu?
–Como "o que aconteceu?". Você não estava lá, Klaus? Deixe que eu conte: um homem que eu mal conheço me beijou a força lá na neve. Foi isto que aconteceu.
A fúria dela só parecia diverti-lo.
– A força? -ele sorriu, — Então diga, minha casta virgenzinha, o que você fez para merecer algo tão terrível?
–Nada — ela disse entre os dentes. — Nada, mesmo.
– Ah, fez, sim -ele retrucou. — Acho que pediu por tudo o que recebeu, e muito mais. Além disto, estava aproveitando cada segundinho, até que sua mente puritana reagiu em protesto.
–Esta é a melhor explicação que encontrou para eu não querer fazer amor com você? -ela atacou, furiosa. — Já lhe ocorreu que eu o acho repulsivo e que prefiro beijar um lagarto a beijar você?
– Como consegue mentir para você mesma! Mas seu corpo não mentiu para mim esta tarde. Por alguns instantes tive uma mulher de verdade, uma mulher de sangue quente nos braços.
Ela estava de costas para Klaus, com a dolorosa consciência de que ele estava dizendo a verdade, quando murmurou:
–Você me atacou de surpresa.
– Não ataquei -ele respondeu depressa. — Só aceitei o que me ofereceu. . . de livre e espontânea vontade.
– Espero que tenha aproveitado, então, sr. Mikaelson. . . porque jamais vai ser oferecido outra vez — ela disse, respirando fundo para se acalmar. — Agora, se me dá licença, vou para cima.
Klaus ainda estava na porta e Caroline chegou a pensar que não fosse lhe dar passagem. Mas ele logo se afastou, fazendo uma reverência exagerada para ela passar.
– Bons sonhos em sua fria cama virginal, Srta. Forbes. Doces sonhos.
Só quando chegou ao quarto, Caroline percebeu que não tinha bebido o leite que preparara. Nada neste mundo a faria voltar à cozinha, por mais que tivesse vontade. Mas nem um balde de leite quente a ajudaria a dormir naquela noite, agitada como estava.
Sentou-se diante da penteadeira e ia começar a escovar os cabelos, mas parou para observar-se, olhando-se como se fosse uma estranha. O que havia nela que pudesse atraí-lo? Não se achava nenhuma beldade celebrada, apesar de reconhecer que havia algo atraente no rosto delicado.
Os olhos grandes, cor do céu, sempre tinham sido seu melhor traço, mas estavam mais fundos naquela noite. Seriam as sombras do passado ou de tristezas recentes?
Caroline escovou os cabelos com força. Nada do que lhe acontecia recentemente tinha lhe causado dor. Irritação, raiva, talvez, mas não dor. Por que seu coração doía, então? Para ser sincera, era porque estava rejeitando algo que queria muito, mas não se permitia ter. Seria simples cair nos braços de Klaus, já havia experimentado, naquela tarde, na neve. Mas daí ela seria apenas mais um nome na lista de Klaus.
Era com isto que não se conformava: de ser apenas mais uma mulher, da qual logo ele talvez nem lembrasse mais o nome. O melhor seria mantê-lo a uma boa distância e rezar para não cair em tentação enquanto estivessem sitiados pela neve.
– As estradas já estão desimpedidas.
Caroline afastou-se da janela, surpresa por ter ouvido o som inesperado da voz dele. Perdida em seus pensamentos, parecia estar voltando de uma viagem intergaláctica.
–Ah, é? Como ficou sabendo?
– Ouvi o rádio e dei uma olhada na estradinha que contorna a montanha, para confirmar. Os limpa-neve fizeram um bom serviço.
Ela olhou para o chão, imaginando por que a notícia não a deixava mais satisfeita. Podia ir embora, agora, para longe de Klaus, voltar para a casa, para sua realidade.
Não havia motivo para ficar, na verdade.
–Vou arrumar minhas coisas, então.
–Para quê? O aluguel do chalé só vence amanhã — ele protestou.
Caroline o olhou, confusa. Esperava que estivesse feliz por ela ir embora.
– Depois de vir até aqui, vai querer ir embora, sem experimentar o que aprendeu numa pista apropriada? — Dane perguntou.
–Acho que não aprendi tanto assim- ela respondeu, forçando um sorriso. — Fica para outra vez.
–Trocando em miúdos, você vai fugir de novo.
– Fugir de quê?
– De mim.
–Não seja ridículo! Por que eu faria isto?
Klaus deu um passo a frente e ela um para trás.
–Por que está com medo, Caroline?
– De você? E a coisa mais doida que já ouvi!
– Então está com medo de você. . . medo de não conseguir reprimir sua parte humana.
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