Secrets and Illusions
10 Capitulo 10
— Você nunca devia ter vindo aqui — ela murmurou, baixando os olhos para a caneca.
— Se eu soubesse que estava lidando com uma louca, não teria vindo, de jeito nenhum! — Por que veio, então? Ninguém o convidou. — Talvez eu só quisesse descobrir se existe uma mulher de carne e osso por baixo deste arzinho engomado — ele riu. — Pois eu aposto que você não suporta a ideia de que exista uma mulher que não desmonte toda vez que você sorri para ela. — Caroline disse. — Não é verdade que você achou em mim um desafio, alguém mais difícil do que as outras? No final você me descartaria como o resto, mas sua lista de conquistas não ficaria manchada por uma derrota. Ele deixou cair o pé que massageava, assustando-a. — Ah, não. Eu jamais cometeria o erro de pensar que você é como as outras mulheres; elas têm sangue correndo nas veias, sangue vermelho e quente. Você parece não ter mais do que água gelada! — Você não sabe nada sobre mim! — ela reagiu, magoada. — Nada, nada! — Tem razão. Talvez meu verdadeiro erro tenha sido pensar que havia alguém para conhecer e não apenas um recorte de papelão — ele disse, levantando-se. — Bem, agora já sei. Vá para seu quarto, Caroline Quando acordar de manhã, já terei ido embora. Aí você pode ficar feliz no seu reino de gelo. Acho que não existe lugar mais apropriado para você. Caroline levantou-se devagar. A bebida e o fogo tinham lhe aquecido o corpo, mas dentro dela havia um vazio gelado, criado pelas palavras cruéis que Klaus tinha dito. Ela começava a subir a escadas, quando ele disse: — E melhor você dormir na minha cama.Caroline ficou vermelha, sentindo a raiva voltar. Depois de tudo o que tinha dito como podia achar que dormiria com ele? — Não se preocupe Caroline. Não espero que você faça algo tão humano quanto ficar na mesma cama que eu. Só queria dizer que a minha ainda deve estar um pouco quente, pois ninguém usou a sua, ainda. — Não é preciso — ela retrucou, sentindo o rosto quente ao pensar em deitar onde ele tinha se deitado. — Não me provoque mais — Klaus falou num tom que não admitia argumento. — Pelo menos uma vez na vida, faça o que lhe pedem. Mesmo subindo a escada, ela pensava num bom motivo para não dormir na cama dele, mas, ao chegar ao último degrau, olhou para o quarto dele resignada, cansada demais para continuar discutindo. Via-se forçada a admitir, enquanto se aninhava sob as cobertas ainda quentes, que a cama dele era bem melhor do que a cama fria do quarto dela. Tentava não pensar que há pouco tempo estivera presa junto ao corpo dele, mas, ao encostar a cabeça sobre o travesseiro, sentiu-se embriagada pelo cheiro dele, um perfume másculo, limpo e inebriante. Deitada naquela cama viu-se atormentada por loucas imagens sensuais entre os braços dele. Tentando afastar aqueles pensamentos, seu corpo se aquecia com a lembrança do beijo que ele tinha lhe dado na sala de maquiagem. — Essa não, Caroline — ela murmurou consigo. — Você não é nada diferente das outras. Está se deixando levar por um desejo que é apenas físico. Bastava lembrar-se dos olhos tristes de sua mãe para saber a dor e a destruição a que um relacionamento daqueles poderia levar. A mãe negava que tivesse se deixado levar pela atração física. Insistia em viver a mentira de que seu caso tinha sido uma história de amor fadada ao desastre. Caroline jamais acreditara nisto. Quando criança tinha visto uma fotografia do pai e ficara maravilhada com a beleza dele. Quando ficou mais velha, pouco a pouco foi compreendendo como uma mulher sensata como sua mãe tinha se deixado levar por um encanto a que não estava acostumada. Com esta compreensão, Caroline decidiu nunca cair na mesma armadilha. Jamais se deixaria levar pelas tolices do coração. Contrariada, virou o travesseiro. Mesmo com tudo o que sabia os sentimentos que a invadiam ali na cama de Klaus eram totalmente novos... Não sabia como lidar com eles, muito menos como livrar-se deles. Mas já não importava. Na manhã seguinte ele teria ido embora e aquela loucura se encerraria de uma vez por todas. Os sonhos de Caroline foram assombrados por enormes flocos de neve que rodopiavam e por um homem que aparecia entre a tempestade branca com os olhos azuis faiscando de fúria. Ao levantar, de manhã, lembrou-se que a bolsa de maquiagem ainda estava no carro. Normalmente, usava poucos cosméticos, mas, naquela manhã, desejou usar o bastão corretivo para disfarçar as olheiras e um pouco de blush para a palidez. Prendeu os cabelos como sempre, mas como o penteado apenas enfatizava seu cansaço resolveu deixar os cabelos soltos. Seria bem mais prático cortá-los bem curtos, mas a verdade era que gostava de sentir a massa sedosa sobre a pele. Ao descer as escadas, imaginava por que não sentia o coração leve. Klaus tinha prometido ir embora assim que acordasse e, apesar de tudo, julgava que ele fosse homem de palavra. Caroline agora podia escolher se ficaria no chalé durante todo o fim de semana, como tinha planejado, ou se voltaria para casa. Resolveu pensar com calma durante o café.
Parou ao entrar na cozinha e ver Klaus ao lado do fogão. Usando jeans e uma camisa de flanela, ele parecia bem à vontade em seu papel de cozinheiro e, por um instante, ela se sentiu atraída por ele. Jamais poderia esperar que um viking tivesse dotes culinários. Foi então que lembrou que ele não devia mais estar ali e o sorriso desapareceu dos lábios dela. — E eu que pensei que podia confiar na sua palavra! — ela acusou. — Bom dia para você, também — ele respondeu, sem tirar os olhos do que estava fazendo.
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