Secrets Of Angel

1 Um estranho na estrada


Notas iniciais
Esse é o primeiro cap, eu espero que gostem, a fanfic será cheia de surpresas e suspense, se gostar comente e favorite. Se poder mostrar pra uma amiga, ou ajudar a divulgar eu agradeço muito.

Eu estava a caminho de casa as 23hs da noite, sabia que iria levar bronca da minha mãe se chegasse depois dela, ela voltaria do trabalho as 23h30, talvez desse tempo de chegar antes se eu andasse rápido. "Idiota, você sabia que não deveria ter cedido aos pedidos da charly, agora quem vai ficar de castigo é você!" falei comigo mesma. Eu não poderia nem sonhar em ficar de castigo "e a festa da praia q vai ter na Domingo? todos vão estar lá." pensei. Eu estava andando o mais rápido que podia, não só pra chegar antes das 23h30 mas também pra não correr o risco de ser estuprada ou assaltada ou mesmo morta em uma rua deserta e escura assim.

Eu estava me convencendo que iria dar tempo de chegar lá sem que minha mãe percebesse quando começou a chover. "Ótimo, agora vou ter que arrumar uma explicação por estar molhada dentro de casa, até porque não vai dar tempo de me trocar." pensei. E os pingos iam engrossando cada vez mais, quando percebi já estava totalmente encharcada, e ainda faltava muito pra chegar em casa. Comecei a correr. Parei quando ouvi um barulho de carro, olhei pra trás e enxerguei -ou pelo menos tentei devido ao nível da chuva- um carro prateado, apressei os passos. O carro passou por mim e eu fiquei aliviada por não ter sido assaltada, mas o alívio durou pouco quando o carro parou e começou a dar ré "Que maravilha, vou morrer com dezesseis anos, ainda tinha tanta coisa q eu gostaria de fazer, mas não dá, vou morrer, arma ou facada?" pensei com o coração a mil, o carro parou a um metro de distância de mim e então o vidro do passageiro abriu. Eu estava me sentindo uma idiota, estava me entregando a morte, eu poderia correr, gritar, fazer algo, mas ao invés disso fui até o carro e olhei pela janela. Havia um cara de cabelos cacheados, pele clara, incrivelmente sarado e encantador. "Ser morta por um cara assim vale a pena" pensei e me senti uma otaria logo depois.
- Vai entrar ou vai ficar na chuva mesmo? — Ele disse, sua voz era rouca, senti um frio enorme na barriga, eu não poderia entrar no carro dele, eu mal o conhecia.
- Eu não te conheço, não confio em você pra entrar no seu carro!- Tive que gritar pois a chuva estava tão forte que mal dava pra ouvir.
- Fica tranquila, não sou nenhum estuprador, apenas um cara gentil, vai aceitar a carona ou não? — Ele perguntou impaciente, pra um cara gentil ele estava agindo errado. Minha próxima atitude foi totalmente burra, mas pra quem estava na chuva, precisando urgente chegar em casa antes das 23h30 para não correr o risco de ficar de castigo e não ir a festa na praia, uma carona parecia ótimo. Entrei no carro.
- Obrigado. — Coloquei o sinto e me ajeitei no banco.
- Por nada, pra onde você está indo?- Ele perguntou firme, ele parecia aqueles caras perigosos que estupram garotas molhadas da chuva, mas ao mesmo tempo a sua beleza fazia o parecer doce, era estranho aquela sensação.
- Qual seu nome? — Perguntei ignorando sua pergunta.
- Olha moça, se você não me dizer pra onde está indo não tem como te dar a carona. — Ele disse me encarando sério, pelo jeito que ele falava, eu deveria sentir medo, mas por algum motivo eu não sentia medo, então disse pra onde eu iria. Fomos o caminho inteiro em silêncio, tentei puxar papo perguntando o nome dele e informações pessoais, mas ele ignorava todas as minhas perguntas.
- Você não estava ocupado? Quero dizer, você não estava indo pra algum lugar? — Perguntei sem jeito, eu já esperava ser ignorada de novo, mas dessa vez ele falou:
- Não. — Respondeu seco.
- Então por que estava dirigindo? — Perguntei secamente.
- Porque tive uma discussão com uma pessoa, então sai pra esfriar a cabeça, e vi você na chuva, então resolvi ajudar. Agora pode me deixar dirigir e parar de fazer perguntas? — Respondeu sem tirar os olhos da rua. Tive vontade de lhe dar um murro, mas me controlei. "Que sujeito mais mal educado, quem ele pensa que é pra falar comigo dessa maneira?" pensei. Manti minha boca fechada o caminho inteiro. Então percebi que ele estava parando o carro, ainda não estava perto de casa.
- O que está fazendo? — Perguntei e o carro parou.
- Merda! — Ele bateu a mão no volante, só ai percebi que estávamos sem gasolina.
- Como assim sem gasolina? como você sai de casa com o tanque quase vazio? — Perguntei nervosa, agora se eu desse sorte chegaria no mínimo as duas da manhã, e talvez minha mãe pensasse se me deixaria sobreviver.
- Escuta, tem um posto aqui perto, vou buscar gasolina, você fica e cuida do carro. — Ele disse girando as chaves e colocando sua jaqueta de couro.
- O que? Não posso..- Mas ele já tinha saído.
- Droga! — Falei em voz alta. — onde eu fui me meter, não acredito. — Peguei o celular da bolsa, que ainda bem não estava encharcado igual a ela. A hora marcava 23h27, não daria pra chegar antes da minha mãe nem que eu saísse voando agora. Talvez se eu tivesse ido a pé chegaria mais rápido que isso, afinal por que diabos esse garoto vai me levar pra casa se ele nem me conhece? Comecei a ficar com raiva. "Vouvou pra casa andando." falei em voz alta. E então lembrei que ele tinha dito que eu deveria ficar e cuidar do carro. Eu deveria sair, mas algo me prendia ali, senti que não deveria fazer isso com ele, e se o carro fosse roubado? Sei que não fazia muita diferença eu estando ali, até porque uma molenga como eu não mudaria nada se algum cara me assaltasse. Comecei a olhar as coisas dele no porta- luva, havia vários papéis, e uma foto, parecia ser ele e a mãe, ela era igualzinha a ele, cabelos cacheados, olhos azuis, pele clara, linda inclusive. Guardei tudo e tentei ligar em casa, mas estava sem sinal. Levei um susto quando vi ele abrindo a porta, pensei que fosse um bandido, quase acertei seu rosto.
- Vai com calma, sou eu.- Ele disse ainda abrindo a porta. — Deveria avisar, quase tive um infarto
- Virei os olhos e ele foi abastecer o carro, estava com a gasolina na mão. Esperei. Ouvi outras vozes, a chuva já estava passando, olhei pelo retrovisor e vi que ele estava conversando com mais três caras, pra falar a verdade, eles estavam discutindo. Fiquei com medo, sou medrosa por natureza, mas naquele momento eu tinha todo o direito de ficar nervosa, "olha a hora" pensei, o relógio marcava 23h50, minha mãe já deveria ter chegado, percebi que demorando ou não eu estaria frita do mesmo jeito, então "parei" de me preocupar com a hora e desci pra ver o que estava acontecendo.
Havia três caras como eu disse, o do meio era alto, cabelos cacheados castanhos claro, vestia uma jaqueta preta, calças jeans preta, sarado. o do lado esquerdo era forte, careca, parecia ser mais velho, tinha uma cicatriz do lado da boca, estava com o mesmo estilo de roupa que o do meio, o do lado direito também.
- Ora Ora, arrumou uma namorada Harry? ela é gata. — O do meio disse quando eu me aproximei. "então o nome dele é Harry..." pensei.
- Não é minha namorada Jack, não faça piadas. — Ele respondeu irritado, juro que senti até medo.
- É mesmo? então não se importa de eu ficar com ela?! — Ele disse me puxando pelo braço, pensei "opa, como assim ficar comigo?" tentei lutar contra seus braços, mas a força dele era muito grande, ou eu estava muito fraca, ou esse cara andou treinando muito.
Ele me segurou contra seu corpo tampando minha boca, comecei a me desesperar.

- Solta ela! ela não tem nada a ver com isso! — Harry gritou. Eu tentava de tudo pra me soltar, ele estava me apertando tão forte que eu não conseguia respirar.
- Eu não vou solta-lá, você acha que me engana? Sabe o que isso quer dizer harry? — Ele disse com um sorriso cruel no rosto enquanto os outros panacas riam, eu não conseguia respirar definitivamente agora.
- Não tenho nada com ela, e se não soltar irei fazer um estrago no seu rosto. — Ele disse sério, comecei a me debater, não iria aguentar por muito tempo.
- Tente. — Ele retrucou rindo, então de repente senti seus braços me soltando, fui atingida na parede com toda a força. Bati a cabeça tão forte que tive a impressão que estava sangrando. Não conseguia ouvir nada, minha visão estava escurecendo, só pude ouvir gritos, e o som do meu coração, batendo cada vez mais forte, e então tudo apagou.

Acordei com a cabeça estourando de tanta dor, olhei ao meu redor e eu estava deitada na minha cama. "Acho que tudo não passou de um sonho" pensei, então percebi que estava usando a jaqueta de couro do Harry, então tudo foi real, mas como ele me trouxe aqui? levantei da cama e olhei o relógio: 1h50, minha mãe devia ter chegado. Fui até a sala me apoiando nos móveis, pois minha cabeça doía tanto que fiquei com medo de desmaiar. E lá estava ela, com seus cabelos negros iguais aos meus, camisola e chinelos.
- Mãe? — A chamei, ela estava na cozinha perto da pia.
- Estou preparando seu remédio, vá ser deitar, você pode se machucar de novo.- Ela disse e comecei a pensar se ela sabia de tudo.
- Como cheguei aqui? — Perguntei.
- Como assim? Você caiu da escada filha, não lembra? — Ela me olhou confusa me entregando o remédio.
- Ah, não muito.. mãe.. como você sabe que eu.. eu cai da escada? — Disse, eu estava nervosa, não estava entendendo mais nada.
- Porque quando eu cheguei você estava na escada caída, tem que tomar mais cuidado, sorte sua que eu cheguei a tempo.
- Que horas você chegou? — Perguntei
- As 0h00, atrasei um pouco, agora vai se deitar, o médico já veio aqui e você precisa descansar. — Ela disse me levando até o quarto, tomei o remédio e me deitei, percebi que estava de pijama.
- Mãe, só mais uma pergunta, quando você chegou eu já estava de pijama? — Perguntei "por favor diz que não" "não" "não por favor" torci.
- Já estava sim filha, agora boa noite, eu te amo. — Ela me beijou e fechou a porta. Naquele momento minha cabeça estava virada do avesso, como ele me trouxe aqui tão rápido? o que será que aconteceu com os três panacas? e o pior de tudo, por qual motivo ele me vestiu? ele..me viu pelada. Uma onda de vergonha e raiva me percorreu, ele não deveria ter tirado a minha roupa, quem ele pensa que é?tudo bem que ele teve boas intenções por ter me levado até em casa e me ajudado na rua com aqueles caras, mas me trocar? eu não sou nenhuma criança. Fechei os olhos e tentei relaxar, não demorou muito pra eu pegar no sono.