Secrets Of Angel

6 Terror na Biblioteca


Notas iniciais
Oi gente, espero que gostem desse cap, e n esqueçam de comentar o que achou

gritei e me abaixei do lado dela, a estátua havia caído nas suas pernas, elas sangravam muito.
– Charly, fala comigo, Charly!! — A chamei mas ela fechava os olhos lentamente. Eu estava chorando, horrorizada, eu sabia o que aquilo significava. A Ambulância havia chegado e estavam carregando ela pra dentro, a diretora ligava pros pais dela, mas eles não chegaram de viagem. Eu chorava muito, Harry me abraçou.
– Não podemos contar pra ninguém. — Ele disse e eu assenti.
Depois de muito tempo na sala de espera do hospital o médico apareceu.
– Como ela está? — Perguntei assim que o vi. Na sala de esperava estava eu, Harry e a diretora. — Está tudo bem com ela, conseguimos tirar os cacos de vidros que entraram na perna dela, mas ela terá que ficar aqui de repouso por uns dias. — Ele falou e eu me senti aliviada.
– Posso vê-lá doutor?
– Claro, ela já acordou. — Ele disse e eu fui até o quarto em que ela estava. Entrei e ela estava com a perna enfaixada.
– Charly? — A chamei sentando na cama.
– Oi..- Ela respondeu com a voz fraca.
– Como se sente?
– Com sono, deve ter sido esses comprimidos.- Ela disse e apontou pra mesinha em que eles estavam.
– O que houve? — Perguntei
– Aquela porcaria de estátua. — Ela falou irritada.
– Caiu em você, eu sei.
– Caiu? ah não, ela foi empurrada. — Ela falou e eu senti mais uma vez aquele arrepio.
– Empurrada?
– Sim, vi alguém lá em cima, alguém empurrou ela quando eu estava passando.
– Você se lembra quem era?
– Não, a pessoa estava encapuzada.
– Você acha que tem algo a ver com Olívio e Jack?
– Não sei, mas sinto medo.
– Eu também. — Falei. Aquilo era culpa minha, Charly não tem nada a ver com eles, era a mim que eles queriam, e estão afetando ela pra me provocar.
– A hora de visita acabou.. — A enfermeira disse e eu me despedi dela. Cheguei na sala e o Harry estava sentado, se levantou quando me viu.
– Como ela está? — Perguntou
– Bem. Ela disse que a estátua não caiu, e sim foi empurrada. — Falei e ele não pareceu surpreso.
– Eu sei. Vamos, você precisa ir pra casa.

Entrei no carro, meu estômago estava implorando por algo, me sentia fraca e com dor de cabeça. Já era 18h00 e eu não havia comido nada. Coloquei o cinto e arrumei o cabelo pelo vidro do retrovisor. Harry ligou o carro e dirigia.
– Charly viu alguém lá em cima quando a estátua de anjo caiu..- Falei e ele ficou em silêncio por uns minutos.
– Foi Jack. — Ele disse finalmente.
– Jack? achei que fosse Olívio.. — Falei.
– Eles estão juntos. Quando um não faz o trabalho direito o outro faz. — Falou sério
– Como você sabe disso? — Perguntei.
– Acho que Olívio iria fazer algo contra você hoje, mas eu cheguei antes, então ele foi embora. — Ele falou ignorando minha pergunta. Resolvi deixar quieto e tentar descobrir o motivo disso tudo. Dois caras me perseguindo e eu não sei o porque.
– Ele estava encapuzado? — Perguntei.
– Não. — Respondeu.
– Harry, por que eles estão atrás de mim? e por que ele machucou a Charly? Você me disse que ele nao quer ela. — Falei e ele acelerou.
– E não quer. Ele fez isso como um aviso. Não devemos contar pra ninguém. — Ele falou. "Como não contar" pensei.
– Se eu não contar, corro o risco. Harry eu preciso de ajuda, não posso enfrentar eles. — Falei me referindo a viatura da polícia que passava por nós.
– Acha que isso vai resolver? Jack é esperto, ele não brinca no trabalho. E além do mais eu vou te proteger. Já disse.
– Ele falou ainda com a expressão seria. Que tipo de trabalho era aquele? por que comigo? confesso que senti um frio na barriga quando ele disse "Eu vou te proteger".
– Por que vai me proteger? — Perguntei e ele desviou a atenção da estrada me olhando.
– Por que sou o único que pode fazer isso. — Disse e desligou o carro, tínhamos chegado.
– Valeu pela carona. — Agradeci tirando o cinto de segurança.
– Você está sozinha? — Perguntou olhando pra dentro de casa.
– Sim, provavelmente minha mãe já chegou e saiu de novo. — Falei abrindo a porta.
– Mas ela quase não sai. — Ele disse e parei, como ele sabia disso?
– Como sabe disso?
– Eu.. Nas vezes em que trouxe você ela sempre estava em casa.. — Falou e eu sai do carro.
– Tá. Então.. tchau.
– Se cuida. — Falou e eu entrei. Coloquei as chaves na mesa de centro e deixei as portas e janelas trancadas como estavam. Liguei a televisão e fiz algo pra comer. Eu estava me sentindo sozinha, não podia ligar pra Charly pois ela não estava bem. A enfermeira falou que os pais dela estavam voltando de viagem devido ao que aconteceu. Tomei outro banho e vesti uma calça jeans e uma blusa de frio, o tempo havia esfriado do nada. Pensei em ligar pra minha mãe mas não queria atrapalhar as coisas. Olhei no meu celular e vi que tinha um sms dela, abri.
"Filha está tudo bem? Espero que dê tudo certo na prova. Vai pra casa da Charly se não quiser ficar sozinha. Te amo." Pensei em responder mas não queria preocupar ela e estragar a noite. Percebi que havia mais um sms, número desconhecido. "Preciso falar com você, me encontre na biblioteca da escola hoje as 20h00, por favor não me faça esperar. -Harry." Como ele descobriu meu número? de qualquer forma ele era muito misterioso pra me responder algo.

O tempo passou e já era 19h40. Resolvi que iria. Peguei minha bolsa e coloquei um spray de pimenta, um canivete que eu ganhei do meu primo quando tinha catorze anos, e o coloquei dentro da bolsa caso algo acontecesse.
Depois de tudo isso eu aprendi a desconfiar de todos.
Desliguei as luzes e sai. Lá fora ventava muito forte. Peguei um táxi e fui pra escola. Nem morta eu iria de a pé por aquelas ruas escuras e desertas. Fiquei pensando o que ele estaria fazendo lá hoje de tarde.. E por que me encontrar às 20h00? Ele sabia que a escola fecharia devido as provas. Talvez seja algo muito sério, que ninguém pudesse ouvir além de nós. Cheguei na escola e tudo estava escuro. O portão estava trancado, como eu iria entrar? o táxi já tinha partido. Talvez eu pudesse entrar pelo estacionamento. Fui até lá mas estava fechado. Quase fui embora mas vi um enorme buraco no arame que "protegia a escola". Passei por ele e caminhei até lá dentro. A porta estava aberta. Os corredores estavam silencioso e escuros. Subi as escadas a procura da biblioteca. Por sorte encontrei, entrei e estava escuro. Procurei pela luz mas não achei. Olhei mais uma vez o sms e só ai percebi que havia sido enviado às 15h00, isso foi antes de me encontrar com Harry.. Pensei em ligar para o número antes de ir, mas o meu medo era o suficiente pra deixar aquilo e sair correndo. Tudo parecia suspeito e eu não iria ficar ali. Escutei um barulho e desviei meu olhar do celular, percebi que alguém tinha fechado a porta. Isso não podia estar acontecendo. Fui até a porta e girei a maçaneta mas estava trancada. Meu medo tomava conta de mim, eu estava tremendo. Escutei um livro cair me virei rapidamente.
– Quem está aí? — Perguntei com a voz trêmula. Nenhuma resposta. — Me deixa sair! — Gritei batendo na porta. Comecei a me desesperar, vi que a janela não estava trancada, eu poderia pular, mas era muito alto. Caminhei silenciosamente até a janela mas antes de chegar escutei uma risada, ela vinha de trás de mim, uma risada grossa e fria. Hesitei mas virei. E lá estava ele, Olívio.
– Olá de novo docinho. — Ele falou sorrindo.
– O que você quer comigo? — Perguntei, eu tremia.
– Acertar as coisas, terminar de fazer o que eu devia.
– Me estuprar? — Perguntei e ele riu.
– Não. Esse não é meu trabalho. — Ele falou se aproximando de vagar.
– Mas você tentou, da última vez você tentou. — Falei tentando ganhar tempo.
– Eu só queria me divertir antes, você é muito bonita. Harry tem sorte. — Ele disse cada vez mais próximo.
– Ele não é meu namorado. — Falei, na verdade eu queria que fosse.
– Sorte sua. — Ele falou, me encarava com aqueles olhos azuis frios, era como se eles fossem infelizes, como se fossem feitos pra matar. Passei a mão na minha bolsa disfarçadamente abrindo-a.
– Por que está atrás de mim? Você vai me matar? — Perguntei, ele chegava mais perto. Coloquei a mão na bolsa e pegue o spray de pimenta. O escondi, mas preparada.
– Você escolhe, ou eu, ou ele. Te recomendo morrer nos meus braços, vai ser menos doloroso.- Ele sorriu. Agora era definitivamente, eles queriam me matar.
– Ele quem?
– Ah, você sabe quem ele é, não se faça de otária. — Ele chegou mais perto, passava a mão nos meus cabelos, então dei um passo pra trás e ele segurou meu braço. Não pensei duas vezes, joguei spray de pimenta nos olhos dele e corri para a janela.
– Ah..Sua.. Ah..- Ele gemia de dor, estava ajoelhado com as mãos nos olhos. Puxei a janela mas estava emperrada. Eu estava frita, agora que eu iria morrer.
– Me deixa sair, por favor, eu não tenho nada pra te dar! — Falei chorando, eu estava desesperada.
– Você que pensa. — Ele disse se levantando, abriu os olhos, eles estavam vermelhos e lagrimejando. Ele se aproximava novamente, eu só tinha uma opção: Se esconder. Corri para o meio da biblioteca, ele corria atrás, entrei em uma fileira e sai na outra, percebi que estava longe, eu conseguiria me esconder se fosse rápida. Avistei o balcão onde a bibliotecária ficava, me enfiei em baixo dele fazendo o máximo de silêncio possível.
– Não adianta se esconder Ariel, eu vou atrás de você. — Ele falava, sua voz gerava ecos na biblioteca, como se ela tivesse sido abandonada. Tentei ligar pra minha mãe. Eu não conseguia discar certo devido as minhas mãos tremendo
– Eu vou te pegar Ariel, vou matar você, vou entregar seu corpo a uma pessoa, vou usar você como tortura pra alguém. — Ele falava rindo. Quem ele queria atingir me usando? De repente fez se um silêncio. Os passos haviam parado, resolvi olhar, me inclinei devagar pelo balcão, deixando só a cabeça a mostra. Olhei e não vi ninguém. Soltei um berro quando senti alguém me puxando pra baixo, era ele.
– Te peguei. — Ele ria. Ele segurava meus braços, estava por cima de mim. Gritei. — Shiu, silêncio. — Ele falava calmamente tampando minha boca, eu não conseguia me mexer, ele era muito forte. Mordi a mão dele, mas aquilo fez ele me apertar mais. E então ele se levantou me levando pra janela, ainda me apertando forte e tampando minha boca.
– Fica calminha amor, não vai doer nada. — Ele me levava pra janela, o que ele iria fazer comigo? me jogar de lá? Senti suas mãos no meu pescoço, me sufocando. Pensei no Harry. "Preciso de você, me ajuda" pensei desesperada. Olhei pra porta e vi que alguém tentava entrar, percebi que estava destrancando ela, e então a maçaneta girou, Olívio parecia surpreso. A porta se abriu e Harry entrou correndo.
– MAIS UM PASSO E EU A JOGO. — Olívio gritou e Harry parou. Então era isso, ele iria me jogar de lá.
– Não se atreva Olívio. — Harry disse olhando pra mim.
– A não? e quem é você pra me impedir? você não é nada Harry, você foi banido. — Olívio falou rindo, então não conseguia entender, banido da onde? de uma escola? cidade? país?
– Ele também foi Olívio, e você está ajudando ele. — Ele respondeu, parecia calmo.
– Eu vou ter uma recompensa, você sabe Harry, você sempre quis isso. — Ele disse sorrindo, me apertando cada vez mais.
– Você não vai, você sabe que não é um..- Ele parou, e olhou pra mim, Olívio também olhou.
– Termina a frase Harry, deixe ela saber quem você é. — Ele disse sorrindo, quem ele era? o que ele me escondia? eu não conseguia entender, apenas chorava.
– Não tenho nada pra esconder Olívio, solte a menina, ela não vai te dar o que você quer. — Ele disse me encarando.
– Ah vai sim. Por que está fazendo isso Harry? Você sabe que jamais vai ficar com ela, se lembra? você não pode, por que você é um..- Harry o interrompeu com um grito.
– JÁ CHEGA! — Ele gritou e pulou pra cima dele, Harry grudou em seu pescoço fazendo ele me soltar, cai no chão sufocada, tentando recuperar o ar, respirando e inspirando, o chão girava, eu queria vomitar, estava passando mal, estava preste a desmaiar novamente, mas eu não podia, eu precisava saber o que ia acontecer.
– Me solta seu traidor! — Olívio lutava com Harry que apertava forte seu pescoço o inclinando para a janela.
– Isso é por mentir. — Ele disse e deu um soco na boca do Olívio, que imediatamente começou a sangrar.
– Isso é por ajudar ele! — Disse e deu outro soco, só que dessa vez no olho.
– E isso é por se aproximar dela! — Falou e fez uma coisa que eu não conseguia acreditar, ele jogou Olívio pela janela, e observava ele cair, eu só ouvia os gritos, e finalmente a queda.
– Harry.. oh meu Deus Harry você.. — Falei me levantando. E então ele me olhou.
– Vamos, temos que sair antes.. — E então se fez um barulho onde Olívio havia caído, parecia o som de um pássaro, um pássaro enorme batendo as asas.
– Vamos, temos que correr! — Ele disse me puxando, mas eu não tinha forças pra correr, mal conseguia recuperar o ar. Ele parecia ter percebido isso, e então me levantou e me pegou no seu colo, abriu a porta e correu. Senti seu cheiro, seu perfume era encantador. Ele era quente, sua pele era macia, o abracei me segurando e fechei os olhos. Minha cabeça doía, eu sentia muita falta de ar, meu pescoço latejava de tanta dor. Ele corria em direção ao estacionamento, foi ai que percebi que seu carro estava estacionado. Ele abriu a porta e me colocou no banco de trás e entrou, ligou o carro e saiu na maior velocidade. Apertou um botão no controle remoto, e o portão da escola abriu. Fiquei me perguntando onde ele arrumou aquilo, o portão fechou e conseguimos sair.
– Finalmente! — Falou, ele estava 180 por hora.
– Você.. você o jogou da janela.. — Falei lembrando a cena.
– Você queria que eu fizesse o que pra te salvar? Aliás, por que diabos você foi lá na escola a essa hora? — Perguntou, ele estava bravo.
– Recebi uma mensagem assinada por você, dizendo que queria falar comigo. — Falei e mostrei a ele.
– Esse não é o meu número. Você podia ter morrido se eu não estivesse lá, você sabe o perigo que está correndo, por que você se entrega de mãos beijadas?! — Ele gritava.
– O que você estava fazendo lá? — Perguntei, minha voz estava fraca.
– Eu arrumei um trabalho, vou substituir a bibliotecária. Você foi a pé até a escola? — Ele falava rápido.
– Peguei um táxi..- Respondi, meu pescoço doía tanto, passei um dedo e quase gritei de tanta dor.
– Você não deveria ter feito isso, você poderia morrer, você tem noção? VOCÊ IA MORRER! — Ele gritou e parecia que alguém estava dando uma paulada na minha cabeça.
– HARRY CALA ESSA BOCA! — Gritei de volta e ele ficou quieto, continuei. — Minha cabeça está explodindo, meu pescoço dói tanto que mal consigo respirar, minhas mãos estão tremendo e dormentes, será que da pra você fechar essa porcaria de boca? — Falei irritada. Ele ficou em silêncio por uns minutos.
– Desculpa.. eu esqueci de perguntar se você está bem.. mas o que você fez foi..- Eu o interrompi.
– Foi idiotice eu sei, e obrigado por ter aparecido, mas já aconteceu e ficar me condenando não vai adiantar. — Falei chorando, sei que eu tinha sido idiota, sei que quase me matei, mas toda aquela dor que eu estava sentindo já estava me matando.