Secrets Of Angel

7 Me agarrando na sala de química.


Notas iniciais
OEEE, espero que gostem

– Tem razão. Olha.. você quer ir pra minha casa? — Perguntou calmo.
– Não precisa, valeu mas prefiro ficar em casa. — Falei, só de lembrar a casa dele já me dava um arrepio, aquela casa era medonha.
– Mas você não pode ficar sozinha, depois de tudo isso eles vão ir atrás de você, eu tenho certeza. — Ele disse reduzindo a velocidade.
– Você podia ficar.. Minha mãe só chega pela manhã, você pode dormir no sofá..- Falei ele hesitou mas aceitou.
– Tá.. eu fico. — Falou e eu deixei escapar um sorriso. virei o rosto pro lado e fechei os olhos. Estava quase dormindo quando lembrei de tudo que Olívio e Harry falavam. "Você não pode ficar com ela porque você é um.." um o que? fugitivo pela polícia? primo? não, jamais, minha mãe teria me falado. Tínhamos chegado. Ele abriu a porta e me levou no colo. Não tinha necessidade porque eu estava um pouco melhor, mas mesmo assim não disse nada. Entreguei as chaves e ele abriu a porta e trancou de volta. Ele subiu as escadas e me colocou na minha cama.
– Obrigada...- Falei tirando os sapatos. Ele pegou um cobertor que estava do lado da cama e me cobriu.
– Tudo bem com seu pescoço? — Ele perguntou e só ai percebi que havia marcas roxas, as marcas dos dedos de Olívio. Senti um ódio me percorrer.
– Aquele idiota.. olha o que ele me fez! — Falei e Harry passou a mão, mas não senti dor, parecia que estava amenizando ela.
– Vou pegar um remédio e gelo pra colocar aí. — Ele disse descendo as escadas e apagando a luz, apenas deixando a do abajur ligada. Pensei em dizer onde ficava o remédio mas ele parecia de alguma forma saber. Relaxei um pouco e dentro de uns minutos ele trouxe o remédio e o gelo. Me sentei na cama.
– Toma. — Ele disse me entregando e eu tomei.
– Obrigada.- Agradeci e ele me deu o gelo, coloquei no pescoço deixando por uns minutos.
– Não precisa agradecer.- Ele falou se sentando na cama, bem próximo a mim.
– Harry, sobre o que você e o Olívio estavam falando? — Perguntei colocando o copo em cima do criado mudo.
– Não era nada..- Ele falou encarando as mãos.
– Era sim. Harry já está mais que na hora de me contar as coisas.
– Olha Ariel, eu não posso. Quero que respeite isso, é um segredo muito forte, não posso.. entende? — Ele falou me encarando.
– Eu não sei nada sobre você. E parece que você sabe o suficiente sobre mim. — Falei e ele sorriu.
– Vai fazer algo amanhã? — Falou, tive a impressão de que ele queria me chamar pra sair.
– Não, eu vou pra aula cedo, depois vou visitar a Charly no hospital, contar sobre hoje e mais nada. — Falei.
– Quem sabe a gente podia ir almoçar na minha casa.. Eu posso te contar mais sobre mim, mas só o suficiente. — Ele falou e piscou pra mim.
– Claro, eu vou sim. — Falei, desconsiderei o meu medo de ir na casa dele, afinal estaria de dia. — Então combinado. — Ele falou e sorriu. Seu sorriso era tão perfeito. Eu não me cansava de admira-lo. Era estranho o jeito que eu me sentia, era como se eu o conhecesse à tanto tempo, como se ele de alguma forma pertencesse a mim. Eu sei que existe um garoto sensível e doce dentro dele, por trás de toda essa pinta de durão e misterioso. A gente ficou se olhando por uns minutos. Senti uma vontade louca de beija-lo, de senti-lo, de toca-lo. Mas não queria assusta-lo. Aquele desejo de beija-lo só aumentava a cada dia que eu o via, eu realmente estava me apaixonando por ele.
– Boa noite, vou ficar no sofá, qualquer coisa me chama. — Ele falou e desligou o abajur.
–Tá. Boa noite.. — falei e ele saiu, virei pro outro lado e dormir depois desse longo dia.

– Filha, acorda, você precisa entrar no site da escola pra saber como se saiu nos testes, anda!- Acordei com a minha mãe me chamando, e então lembrei do Harry.
– Ah, ok mãe, tudo bem?- Levantei em um pulo e fui em direção a sala, por sorte ele não estava mais lá, havia ido embora, acho que bem cedo.
– Eu to mas o que você está procurando? — Ela perguntou se juntando a mim.
– Ah... Nada mãe, vou tomar banho e vou visitar a Charly. — Falei entrando no banheiro.
– Tá, não esquece de ver suas notas. — Ela disse e eu fechei a porta depois de balançar a cabeça em forma de um "sim, tudo bem." Deixei a água cair sobre meus cabelos e meu corpo, a água quente percorria me protegendo do frio de fora. Comecei a imaginar como seria meu dia, visitar a Charly, ver o resultado dos testes da escola e almoçar com o Harry. Só de pensar nele já sinto um frio na barriga. Comecei a me preocupar com o que havia acontecido ontem, será que Jack e Olívio voltariam pra se vingar dele? ou de mim.. Resolvi esquecer aquilo por um minuto e me apressar. Troquei de roupa e me arrumei, peguei o carro e dirigi até o hospital em que a charly estava.
Ao chegar lá a enfermeira me guiou até o quarto que ela estava. Abri a porta e ela me abriu um enorme sorriso ao me ver, correspondi.
– Ariel! — Ela me chamou estendendo a mão, peguei.
– Charly! — Disse e ela me puxou pra um abraço. Era tão triste ver que ela estava naquela situação por minha causa, era tão ruim ter que lidar com tudo isso sem ao menos entender o motivo.
– Eu senti sua falta, sei que não ficamos muito tempo sem se falar, mas mesmo assim senti sua falta. — Ela falou me soltando.
– Eu também, senti muita sua falta, e tenho muitas coisas pra te contar. — Falei e ela percebeu que eu estava de cachecol.
– Por que está usando isso? você mesma me falou que é ruim porque incomoda. — Ela disse puxando antes que eu pudesse impedir, a verdade era que eu odiava cachecol mas tinha que usar por causa da marca dos dedos do Olívio.
– Ariel.. O que é isso? — Ela disse apontando pras marcas.
– Era exatamente isso que eu precisava falar com você. — Contei tudo a ela.
– Então.. o Olívio foi jogado da janela? mas.. Ele está bem? — Ela perguntou parecendo preocupada.
– Sim, eu espero. Mas por que? não me diga que você se importa.- Falei e ela ficou em silêncio. — Charly! — Olha me desculpa ok? Acontece que eu sou e sempre fui apaixonada por ele, desde quando eu o conheci, e isso faz muito tempo. — Ela falou encarando as mãos.
– Eu não to acreditando que você ainda gosta dele depois de tudo que ele fez! — Falei e ela parecia querer chorar.
– Desculpe! Eu sei que tudo que ele está fazendo é errado, é péssimo! Mas eu não consigo evitar meus sentimentos Ariel, eu juro que se pudesse evitaria. — Ela disse chorando e eu entendi ela, eu também gostaria de evitar meus sentimentos mas não é tão simples assim, imagino como ela se sente se apaixonando pelo Olívio, justo por ele.
– Eu sei, mas não fique perto dele, tente controlar, não deixe ele chegar perto da gente, o Olívio não está brincando, ainda mais agora depois do que o Harry fez, ele vai voltar Charly, e ainda pior. — Falei abraçando ela.
– Mudando de assunto.. Meus pais voltaram de viagem ontem, inclusive eu vou pra casa hoje a tarde, mas ainda tenho que ficar de repouso.
– Que ótimo, eu passo lá quando você sair, mas agora tenho que ir ver os testes da escola. — Falei, percebi que já era 6h30 e eu teria que ser rápida por que as aulas começariam as 7h00. — Tá bom, vê se eu me sai bem também, tchau se cuida. — Ela disse e eu a abracei.
– Tá, você também.- Falei e sai, peguei o carro e dirigi até em casa.

As ruas estavam vazias como sempre, o céu estava nublado e com neblinas no ar. Passei na lanchonete que ficava perto de casa e comprei um café. Voltei para o carro atenta a minha volta, não havia sinal de perseguição, observação e barulhos estranhos, a barra estava limpa. Consegui relaxar, liguei a radio do carro e continuei dirigindo. Cheguei em casa e fui direto ligar o computador, minha mãe estava na sala.
– Como ela está? — Ela perguntou.
– Bem. Como foi ontem? — Perguntei enquanto entrava no site da escola, percebi que ela havia abrido um sorriso.
– Bem legal, minha amiga me chamou pra ir ao cinema hoje. — Ela falou, até quando ela iria mentir? Uma hora ou outra ela teria que contar que essa amiga era na verdade um namorado.
– E você disse? — Perguntei.
– Que não, claro.
– O que? como assim mãe? por que?
– Eu não posso te deixar sozinha de novo filha. — Ela falou.
– Mãe se você não sair com ela quem vai ficar sozinha vai ser você, porque hoje a Charly sai do hospital e eu vou visitar ela. — Falei e ela ficou pensativa.
– Será que eu vou? — Ela perguntou.
– Obviu mãe, já está mais que na hora de você se divertir. — Falei, minha mãe era nova como eu disse, é bonita, e se chama Helena que na minha opinião é um belo nome, o que mais falta?
– Mas eu estou sem dinheiro. — Ela falou e eu pensei "Isso falta."
– Mãe eu tenho aqui, posso te emprestar. — Falei pegando minha bolsa.
– Aonde você arrumou tudo isso?
– Se lembra quando a diretora me chamou pra trabalhar na cantina da escola? Eu guardei o salário. — Disse passando o suficiente pra ela ir ao cinema e comer.
– Filha eu não vou aceitar seu dinheiro, não posso.
– Mãe, é um presente ok? vou ficar triste se não aceitar.
– Mas..- Ela hesitou mas acabou pegando. — Juro que te pago quando eu receber, obrigada filha. — Ela falou me abraçando.
– Tá tudo bem, agora liga lá na sua amiga pra marcar enquanto eu vejo minha nota aqui. — Falei e ela concordou deixando a sala. Entrei no site e vi que minhas notas estavam boas, tirei um B em quase todas as provas, Charly também. Escutei uma buzina em frente de casa, olhei pelas janelas e vi que era o carro do Harry, peguei minha mochila me despedi da minha mãe e sai.
– Oi! — Falei e ele abriu os vidros. Ele estava usando uma jaqueta de couro preta como sempre, uma calça jeans azul escura rasgada nos joelhos e uma bota preta cheia de fivelas.
– Oi, entra. — Ele falou e eu entrei, coloquei o sinto de segurança.
– Eai? — Puxei papo.
– Tudo limpo? — Ele perguntou dirigindo.
– Sim, algum sinal deles? — Perguntei.
– Não, mas temos que ficar atentos.
– Ainda tá de pé o plano da gente almoçar? — Perguntei, logo depois me senti uma idiota, pois era ele quem devia falar isso, afinal ele que me convidou.
– Claro, tudo certo pra você? — Perguntou e eu fiquei aliviada por não ter levado um bolo.
– Tudo. — Respondi sorrindo mais do que queria.

Chegamos na escola. Estava tudo normal, a estátua havia sido tirada de lá, todos estavam rindo e agindo normalmente. Caminhamos até a biblioteca pra saber se estava tudo bem por lá, e estava.
– Você vai trabalhar aqui até quando? — Perguntei olhando os livros.
– Até quando der. — Ele disse se aproximando.
– Que tipo de livro você gosta de ler? — Falou bem próximo a mim. Só consegui encarar seus olhos e seus lábios que estavam tão perto dos meus. Seu perfume era muito bom, seus cabelos fazendo cócegas na minha testa, tive a impressão que ele estava tão próximo assim pra me provocar. Virei o rosto e continuei encarando os livros, ele fez o mesmo.
– Romance, suspense, aventura, drama, tudo, e você? — Perguntei tentando demonstrar normalidade na minha voz nervosa.
– Gosto de ler sobre fantasias.- Respondeu no meu ouvido. Me afastei andando pra outra fileira de livros.
– Que tipo de fantasia? — Perguntei e ele se aproximava novamente.
– Ah não sei, talvez de anjos caídos. — Ele sussurrou no meu ouvido e eu me arrepiei inteira, senti um calafrio estranho me percorrer, me afastei novamente.
– Por que? — Perguntei indo pra outra prateleira de livros, ele continuava atrás de mim.
– Acho interessante.- Falou calmo, me virei e ficamos tão próximos que senti que ele iria me beijar. As suas mãos apoiando seu corpo na prateleira dos livros, seus olhos me encarado fixamente, encaravam meu corpo de cima a baixo, meus olhos, e minha boca. Eu só conseguia olhar seus olhos verdes me encarando, ele mordeu os lábios e se aproximava mais da minha boca, senti que ele iria me beijar, eu estava tremendo, minha boca estava seca, a biblioteca estava tão silenciosa que pude ouvir meus batimentos cardíacos cada vez mais rápidos. Fechei os olhos.
– Como se saiu nas provas? — Ele falou me tirando do transe, abri os olhos e ele estava sentado na mesa da bibliotecária.
– Ah.. Bem..- Gaguejei, como ele pode sair de perto? Ele iria me beijar, estava tão próximo, me senti idiota por ter fechado os olhos, obviamente ele estava rindo por dentro. "Que abusado." pensei.
– Tenho que ir, as aulas vão começar dentro de cinco minutos. — Falei pegando a mochila que estava no chão.
– Tchau, eu venho falar com você no intervalo. — Ele disse e eu sai. Andei até a sala de aula, pensando no que havia acontecido, meu coração ainda batia forte, parei pra beber água. Senti que ainda estava tremendo, eu sei que ele iria me beijar, mas ele não beijou, porque ele sabe que a qualquer hora pode fazer isso, ele sabe que eu estou apaixonada por ele, e está brincando comigo. Senti raiva. Por qual motivo ele queria fazer isso? Pra depois me jogar fora? Me machucar? Resolvi que ele não iria conseguir isso. "A partir de agora não vou mais dar mole pra ele." Pensei. Entrei na sala de aula e me sentei. A cadeira da charly estava ocupada por uma garota da sala. Eu me sentia sozinha, não tinha nenhuma amiga além da Charly, nunca fui muito social, as pessoas costumam olhar pra mim de uma maneira estranha, como se não gostassem de mim, o que eu não consigo é entender, afinal eu nunca fiz nada pra ninguém. O professor entrou na sala e já começou a passar uma redação no quadro.

O tempo passou e o sinal bateu para o intervalo. Eu estava morrendo de fome então comprei um suco na cantina. Fiquei olhando para todos os lados mas não havia sinal do Harry. Ele tinha dito que iria me procurar. Tentei me conter, eu não devia ir atrás dele. Mas e se algo tivesse acontecido? Eu precisava saber, afinal não posso ficar sozinha, a qualquer momento Olívio e Jack poderiam aparecer. Decidi que iria até a biblioteca procurar por ele. Subi as escadas e caminhei até la. Quando estava me aproximando ouvi vozes femininas. Entrei na biblioteca e me dei de cara com três garotas dando em cima dele.
– Ah... Harry? — Perguntei batendo na porta. Ele estava sentado na cadeira mostrando uma pilha de livros a elas, que estavam sentadas na mesa, isso mesmo na mesa. Uma onda de ódio me percorreu, senti vontade de joga-las pra fora pelos cabelos e dar um soco nele por dar mole pra essas oferecidas.
– Oi, eu estava mostrando uns livros pra elas. — Ele respondeu se levantando.
– Tá.. Não vou atrapalhar, tchau. — Falei fria e sai. Ouvi ele caminhando atrás de mim, entrei no banheiro feminino. Sentei no chão da cabine e coloquei as mãos na cabeça. Eu estava fazendo drama, que idiotice, eu estava chorando de ódio. Nunca senti isso, nem mesmo quando a Charly me deixou de lado na festa de aniversário dela pra ficar com as outras amigas. Mas com ele era diferente, me senti uma idiota por gostar dele, ele não estava nem ligando pra mim. Aquelas garotas estavam quase arrancando o resto de roupa delas, e ele rindo. Como ele pode? "Ele não gosta de você sua trouxa'' Pensei. Levantei e lavei o rosto, retoquei a pouca maquiagem que eu havia passado e sai do banheiro. Senti alguém segurar meu braço.
– Ei! — Harry me puxou pra sala de química que ficava bem ao lado do banheiro.
– Me solta, a gente não pode ficar aqui. — Falei tentando sair mas ele ficou encostado na porta. — O que foi? — Ele perguntou rindo.
– Como assim? — Perguntei revirando os olhos.
– Eu sei que você está com ciúmes. — Ele falou ainda rindo, senti vontade de dar um chute nas partes íntimas daquele idiota.
– Não seja ridículo Harry. — Falei cruzando os braços.
– Por que saiu daquele jeito então? — Perguntou.
– Por que não queria atrapalhar, agora me deixa sair.
– Atrapalhar o que? Você acha que eu estou aqui pra namorar? — Ele perguntei e eu não sabia se aquelas palavras me agradavam ou não.
– Eu nem sei porque você está aqui. — Falei e ele fechou o rosto.
– Pra namorar que não é, então fica tranquila.- Ele disse e eu forcei o riso.
– Tranquila? Se toca cara, você não é tudo isso. — Falei e ele se aproximou.
– Mas você gosta de mim.- Ele falou me puxando pela cintura deixando nossos rostos muito próximos, senti seu membro encostar em mim.
– Eu..Você está brincando não é? — Falei tentando me soltar, mas ele me pressionava contra ele.
– Você sabe que eu digo a verdade. — Ele falou passando a língua entre os dentes, senti meu coração disparar totalmente, ele conseguia despertar um prazer imenso em mim. Eu estava segurando seus braços e ele me pressionado cada vez mais pela cintura, e sua outra mão acariciava meu rosto. Eu estava perdida, não conseguia resistir aquilo.
– Sei que você é um imbecil convencido.- Falei lentamente, encarando seus olhos.
– Você gosta de cara imbecil?! — Ele riu e começou a beijar meu pescoço, meu corpo estava todo arrepiado, eu não tinha forças pra lutar contra aquilo, mas não podia me entregar. Seus lábios abriam lentamente sobre meu pescoço e então comecei a senti dor, lembrei das marcas que Olívio havia deixado e consegui me recuperar. Empurrei ele e consegui me soltar.
– Qual é o seu problema? — Perguntei abrindo a porta. Ele apenas me encarava em silêncio, sua expressão era preocupada, como se tivesse feito algo muito ruim, e ele iria fazer se eu não me soltasse.
– Ah, eu.. é. .desculpa, eu..- Ele gaguejou, não esperei ele terminar de falar e sai pela porta em direção ao pátio. Passei a mão no meu pescoço, já não sentia mais dor, era estranho.

A aula havia terminado mais cedo, e o Harry só sairia do "trabalho" no horário normal junto com o encerramento das aulas. Ou seja, eu iria ter que ir embora de ônibus. Por sorte o ônibus estava passando bem na frente da escola, corri e entrei. Fiquei pensando até chegar em casa no que aconteceu. Em um dia ele me evita e me trata super mal, no outro ele tenta me agarrar? Será que ele gostava de mim ou apenas queria se aproveitar? Eu não sabia se iria almoçar na casa dele, era estranho ficar com ele agora, depois do que ele quase fez. É claro que eu estava gostando, eu sou apaixonada por ele, mas não é por isso que eu tenho que aceitar que ele me use. Não sou nenhuma idiota. Iria almoçar sozinha, já havia decidido até receber um sms dele.
"Oi.. Me desculpa pelo que aconteceu, odeio ter admitir mas estou carente ultimamente, é uma coisa boba, inclusive já passou. Eu sei que você não gosta de mim, só estava te provocando. Sei que a gente podemos ser grandes amigos. — Harry." Grandes amigos? Não sabia o que pensar. Eu realmente gostava dele, não queria ser apenas uma amiga, mas não queria ser mais que isso se ele não gostasse de mim como eu gostava dele. Mas era mais que óbvio que um cara bonito igual a ele não iria gostar de mim.
"Tá."
Respondi a ele. Não sabia o que mais dizer. Eu estava confusa. Eu precisaria dele, ele queria que eu precisasse dele, ele queria me proteger. Mas eu não queria ter que depender dele, queria poder me proteger sozinha, mas eu nem sabia do que eu devia me proteger.
"O almoço ainda tá de pé?" Ele enviou outro sms.
" Sim, vamos esquecer isso." Respondi, e era isso que eu iria fazer, esquecer.