Secrets Of Angel
8 Completa.
Notas iniciais
Cheguei em casa e minha mãe já havia saído, tomei banho e me troquei, fiquei a espera do Harry. Comecei a pensar, por qual motivo ele não poderia namorar? e por qual motivo ele estava aqui? ele mal me conhece e já quer se responsabilizar por mim..Era difícil pensar que eu estava mesmo apaixonada por ele. Eu já havia gostado de outros meninos, mas com ele é diferente, e não é o tipo de diferença que todos vivem dizendo, é uma diferença única, uma coisa que só ele consegue despertar em mim. Incrível como eu fico totalmente caída por ele. Incrível como ele pode me ter nas palmas das mãos. É como se de alguma forma ele tivesse aparecido na minha vida pra ficar comigo. Mesmo ele não querendo a mim, eu o queria, mais do que qualquer coisa. Eu queria poder toca-lo e despertar o mesmo sentimento que ele despertava em mim. Mas eu não podia, ele podia me tocar e eu ficava toda nervosa e cheia de paixão, já eu não podia toca-lo. Ele não sentiria nada. Uma dor se acomodou dentro do meu coração por uns dias, desde quando o conheci eu senti aquilo. Aquilo que não consigo explicar, mas que é forte e intenso. Eu gostaria de poder contar isso a ele, mas não estava pronta, sem contar que ele jamais ficaria comigo.
Escutei uma buzina e corri na janela, lá estava o carro dele. Tranquei as portas e fui até lá.
– Entra aí! — Ele disse abaixando o vidro quando me aproximei, abrindo um enorme sorriso. Eu amava aquele sorriso.
– Como você tá? — Perguntei disfarçando meu constrangimento.
– Estou legal. Olha me desculpa mais uma vez, eu juro que não sei o que deu em mim..
– Ele falava encarando as mãos. Senti que ele estava dizendo a verdade.
– Vamos esquecer Harry, tudo bem? — Falei e ele ligou o carro.
– ok.
Ele dirigiu até a sua casa. Lembrei da noite em que tinha vindo aqui, estava escuro e a casa parecia assustadora. Mas agora estava de dia, e tudo estava bem. Percebi por um instante que estava fazendo sol, o que era raro de uns dias pra cá em Los Angeles. Ele tirou o cinto de segurança e abriu minha porta, desci.
– Valeu.
– Por nada, vem. — Ele disse trancando o carro e caminhando em direção a porta. Entramos, a casa estava com um cheiro bom, ele devia ter limpado. Caminhamos até a cozinha e então ele abriu as portas do fundo.
– Você ainda não conheceu o quintal do fundo. — Ele disse abrindo a porta. Saímos pra fora e vi que o quintal era diferente da casa. Era totalmente anti assustador, a grama era limpa e cortada, havia várias árvores, em uma delas tinha dois balanços. Na parte mais bonita do quintal havia uma mesa com as comidas, a toalha lilás, e as cadeiras de madeira combinando com a mesa.
– Uau, é lindo! — Falei observando as flores.
– Eu andei cuidando delas desde quando cheguei, gosto de passar o tempo aqui. — Ele disse puxando a cadeira pra mim sentar.
– Parabéns, você fez um bom trabalho. — Falei e ele sorriu. Sentamos na mesa e ele serviu a comida, que era macarrão com lagostas.
– Gostou? — Perguntou comendo.
– Amei. Sério, aqui é bem bonito. — Falei bebendo o suco.
– Eu cuidaria do resto da casa, se ela fosse minha.
– É de quem? — Perguntei finalmente.
– De um tio. Ele me deixou passar uns tempos aqui.
– Aonde você morava?
– Nova Jersey, com meus pais. — Ele disse meio sem graça, pensei em parar de fazer perguntas, mas aquela era a hora ideal pra tirar minhas dúvidas.
– E seus pais? — Perguntei e ele ficou em silêncio por uns minutos.
– Meu pai abandonou eu e minha mãe quando eu nasci. — Ele falou, eu tinha que parar de falar, me sentia péssima fazendo essas perguntas, mas aquilo era mais forte que eu.
– E a sua mãe? — Perguntei e ele ficou em silêncio mais uma vez, percebi que seus olhos estavam enchendo de lágrimas. "O que foi que eu disse?" pensei.
– Ela.. Se sacrificou por mim. Pra me salvar.
– Harry eu.. sinto muito. — Falei, eu realmente sentia. Deve ter sido difícil pra ele ficar sem os pais, me senti péssima. Eu queria poder perguntar do que ela salvou ele, mas não tinha coragem.
– Meu pai também me abandonou quando eu nasci, eu e a minha mãe. — Falei.
– Deve ter sido difícil pra vocês.
– É, desculpe a pergunta mas.. Você tinha quantos anos quando sua mãe se foi? — Perguntei e ele sorriu.
– Eu tinha 17 anos, lembro até hoje quando ela me forçava a ir no meu.último ano da escola. — Ele falava.
– O que acha de mudarmos de assunto? — Perguntei e ele assentiu com a cabeça.
– Pode perguntar.
– Perguntar o que?
– Sei que você tem muitas dúvidas sobre mim, eu irei responder.- Ele falou e eu me sentia meio aliviada. Dessa vez iria prestar atenção na hora de falar.
– Ah, ok. Você tem vinte anos certo?
– Sim.
– Você tinha algum emprego fixo antes de vim pra cá? — Perguntei e ele pareceu pensar.
– Nunca tive. Sempre fiquei de um emprego a outro.
– Nunca pensou em fazer faculdade?
– Não.
– Como se imagina daqui vinte anos?
– Magro, com todos os fios de cabelo na cabeça, e jovem como sempre. — Ele falou e eu ri.
– Digo profissionalmente.
– Bom.. Eu não sei, talvez eu seja apresentador de televisão.
– Gosta disso?
– Não. — Respondeu e eu ri.
– Quantas namoradas já teve?
– Dez. — Ele respondeu piscando pra mim.
– Sério?
– Não. — Falou e riu.
– Aposto que é verdade. Você tem cara de ser mulherengo.
– Só tive uma namorada. — Ele disse e eu pensei "Até aparece." Jamais ele teria só uma namorada. Ele era lindo de mais e sem contar que quase todas as meninas dão bola pra ele.
– Fala sério!
– Estou falando, juro.
– Quem era ela? Como se conheceram?
– Ela se parecia com você. — Ele disse e eu devo ter corado.
– Conheci ela há muito tempo, mas não podíamos ficar juntos.
– Por que?
– Era proibido, não me pergunte o motivo.
– Tá mas.. Como ficaram juntos?
– Fugimos. Mas ela.. me deixou.- Ele disse com uma certa tristeza na voz.
– Pra ficar com outro?
– Ela se matou. — Ele respondeu e eu quase engasguei.
– Ela o que? Por que? — Falei e ele ficou em silêncio. — Me desculpe, estou falando de mais, não precisa responder.
– Tudo bem, eu não ligo. Estávamos sendo perseguidos pelo fato da gente ter ido embora. Eu disse que ia proteger ela, mas falhei. Ela se matou enquanto eu dormia. Não aguentou tudo aquilo. Ela não confiou em mim. — Ele disse lentamente. Eu não sabia o que falar.
– Sinto muito mais uma vez.. — Falei, eu estava quase chorando. A vida dele foi definitivamente pior que a minha. Ele ficou sem família, sem o amor, sozinho.
– Tudo bem, éramos jovens, eu superei. — Ele disse e eu sorri. Ficamos em silêncio durante uns minutos.
– Ariel..- Ele me chamou.
– O que?
– Você confia em mim? — Ele perguntou e meu coração disparou. Talvez ele estava com medo de que acontecesse o mesmo comigo. Ele amava ela, mas e a mim? o que ele sentia por mim? Eu não o conhecia realmente. Mal sabia o que ele fazia ali. Eu não sabia o que eu fazia ali. Eu não entendia o motivo por ter que me esconder de Olívio e Jack. A verdade é que tudo isso começou depois que eu o conheci. Não sabia se devia confiar nele. Mas até agora ele havia me provado que não mentia. Ele me ajudou todas as vezes em que eu corria perigo. Talvez eu devesse tirar férias com minha mãe, deixar ele e tudo isso pra lá, conseguir ter paz. Talvez eu devesse dizer a ele tudo que eu sentia, e obriga-lo a me contar tudo que eu precisava saber. Talvez eu devesse sair dali agora mesmo, me afastar dele.
– Eu confio. — Falei, de alguma forma não conseguia ir embora, eu realmente gostava dele, me sentia segura e protegida. Eu confiava nele mais do que em mim mesma.
– Eu não vou falhar dessa vez. — Ele disse sorrindo.
– Falhar em que? e por que está aqui? por que quer me proteger?
– Por favor Ariel, não me faça te contar.
– Por que? por que é tão difícil me dizer o motivo de tudo isso?
– Existem segredos que podem te proteger, e existem verdades que podem te matar. — Ele disse e eu fiquei em silêncio. Não sabia o que aquilo significava realmente, mas não iria estragar tudo, pela primeira vez eu tinha paz.
– Tá bom. O que vamos fazer agora? — Perguntei, já tínhamos comido.
– Quero que me conheça melhor.- Ele disse e sorriu, senti um frio na barriga. Havia vários significados pro que ele queria dizer, poderia ser um "Se vamos ser amigos temos que nos conhecer melhor." ou um "Se eu vou ficar com você, precisa me conhecer melhor." desconsiderei minha segunda ideia.
– Por que? — Perguntei e ele se levantou levando os pratos, ajudei a carregar.
– Você vive dizendo que não sabe nada sobre mim. — Falou colocando os pratos na pia, me lembro de ter dito aquilo uma vez pra ele, mas concordei em o conhecer melhor, afinal eu queria muito isso.
– Quero te levar em um lugar. — Ele disse trancando as portas.
– Que lugar? — Perguntei.
– Você vai saber, agora vamos. — Falou e eu entrei no carro. Ele dirigiu até a floresta e então estacionou o carro próximo a rua.
– Harry o que estamos fazendo? Nunca ninguém entrou nessa floresta. — Falei, aquela floresta era totalmente assustadora, jamais eu iria entrar lá.
– Claro que já entraram, eu já entrei.
– Mas ela parece ser aterrorizante, não vou entrar aí.
– Larga de ser medrosa. Além do mais está de dia, não tem nada de aterrorizante, vamos. — Ele falou me puxando, me segurei na porta do carro mas vi que não iria adiantar.
– Tá bom, eu vou, mas se algo acontecer a culpa é toda sua. — Falei e ele riu.
– Não precisa se preocupar, você está comigo. — Falou e passou o braço sobre meu ombro, o segurando. Não consegui conter o sorriso e ele percebeu.
– O que foi? — Perguntou, estávamos entrando na floresta.
– Nada. Só acho legal esse seu jeito protetor. — Falei e ele sorriu. Entramos na floresta e seguimos uma trilha.
– Não vai me contar pra onde estamos indo?- Perguntei, já estávamos andando fazia vinte minutos.
– Estamos chegando. — Ele disse e então avistei uma trilha enorme que ligava a um morro também enorme.
– Não me diga que vamos subir lá em cima?! — Falei e ele riu.
– Claro que vamos.
– Você está maluco? Deve levar uma hora só pra subir tudo aquilo, sem contar que eu tenho medo de altura. — Falei.
– Já falei que não precisa se preocupar, agora vamos, quero que veja como é lindo o pôr do sol de lá. — Falou me puxando.
– Quantas vezes você já veio aqui? — Desde quando me mudei. — Ele disse e então começamos a subir a trilha.
Depois de alguns minutos conseguirmos finalmente chegar no topo.
– Minhas pernas estão me matando.
– Você se cansa muito rápido. — Falou e então percebi o quanto era perfeito aquilo. Lá de cima dava pra ver a praia inteira, a metade da cidade, e o mar, era realmente incrível aquela vista.
– É lindo! — Falei observando cada detalhe, também tinha como ver a floresta inteira.
– Eu sei, é meu lugar preferido. — Ele disse sentando no chão, sentei do seu lado.
– Deve ser lindo observar as estrelas e a lua daqui.
– Não aconselho vim a noite. A floresta pode ser perigosa, por isso só venho de dia e fico até escurecer um pouco. — Ele disse. A história sobre a ex namorada dele me chamou atenção. Eu queria saber por qual motivo eles estavam sendo perseguidos, por quem, e por que não podiam ficar juntos? Eu também queria saber como ela se suicidou. Minha vontade de perguntar aumentava a cada minuto. Eu sabia que não devia fazer aquilo, era difícil pra ele falar, mas minha curiosidade era maior, sem contar que ele disse que já havia superado, talvez não ficaria bravo se eu perguntasse.
– Harry.. Posso te fazer uma pergunta não tão delicada?
– Claro.
– Como sua namorada se matou? — Soltei e ele não pareceu incomodado. Encarava o mar com os braços passados sobre o seu joelho, apoiando seu queixo.
– Ela se afogou. — Ele disse finalmente.
– Qual era o nome dela? — Perguntei e ele fechou os olhos.
– Rebeca.
– Bonito. — Falei e ele concordou com a cabeça.
– Você...disse que ela se parecia comigo..- Falei e ele me encarou por uns minutos. Estávamos bem próximos e toda vez que isso acontecia meu batimento cardíaco acelerava.
– E se parecia. Mas você tem uma expressão diferente dela.
– Como assim? — Me senti um pouco incomodada, será que aquilo era algo bom ou ruim?
– O jeito que você fica quando falam algo que você não quer ouvir. Sua expressão forçando totalmente o sorriso, fingindo que aquilo não te incomodou. Quando você é observada, sua expressão de nervosismo e insegurança. Sua expressão quando está com medo, demonstrando força e controle, quando na verdade está tremendo. O jeito que você olha pra alguém que gosta, você encara os olhos da pessoa profundamente, encara os lábios com uma expressão de desejo e medo. Tudo isso era diferente dela. — Ele disse e eu devo ter corado. Eu estava totalmente constrangida. Como ele conseguia perceber tudo isso? quando na verdade demonstrava que não ligava. E aquilo sobre "O jeito que você olha pra alguém que gosta" Era o mesmo jeito que eu olhava pra ele.
– Parece que você percebe bem as coisas. Eu também percebo.
– Então quais são as minhas expressões?
– Bem... Você não é de demonstrar reações, mas por dentro tem mais do que deveria. O seu jeito durão serve pra querer afastar alguém, ou evitar algum tipo de sentimento inadequado. O jeito que você finge não se importar com algo, mas na verdade se importa até de mais. Sua expressão de quando você se sente deslocado é totalmente desconfortável. Você muitas vezes se sente diferente e inormal perto de algumas pessoas. Mas quando está com alguém que gosta, se sente em casa. Você é um molenga por dentro. — Falei e me surpreendi com aquilo. Eu jamais conseguiria descrever alguém assim tão bem. Mas parecia que eu o conhecia a anos.
– Uau. Você errou todas. — Ele disse e eu ri.
– Você sabe que eu estou dizendo a verdade.
– Tá.. Um pouco. — Ele disse rindo.
– Por que você veio pra cá? — Perguntei mudando de assunto.
– Alguém daqui precisava de mim.
– Quem? — Sussurrei. Mas ele piscou e ficou em silêncio. Aquilo tinha sido para mim? Era estranho saber porque tudo começou assim que ele chegou. E parece que não era comigo a briga. Tinha tantas outras coisas que eu queria saber sobre ele que me sufocava. Mas eu sabia que eram perguntas que não deveriam ser respondidas. Ou até deveriam, mas que não fosse a hora. A maior dúvidas de todas agora era: Qual seria a hora certa pra ele me contar tudo que eu preciso saber?
– Olha, o sol está se pondo. — Ele disse apontando. O sol se retirava formando a vista um paraíso. Ele refletia no mar, e o céu estava alaranjado. Parecia um sonho, eu e ele sentados juntos assistindo ao pôr do sol.
– É perfeito. — Falei. E então apoiei minha cabeça no seu ombro. Quando isso aconteceu ele me abraçou de lado. E eu me senti completa.
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