Secrets Of Angel
5 Maldito aviso.
Notas iniciais
Quando acordei fui ao banheiro, lavei o rosto e vi a minha imagem no espelho: Olheiras, cabelo péssimo, pele péssima. Com tudo que aconteceu nesses dias, mal tive tempo pra me cuidar. Escovei meus cabelos negros, e joguei os pro lado. Passei um creme hidratante na pele e um pó compacto. Em seguida pensei "Por que estou fazendo isso?" ou seria melhor, "Pra quem?" Nunca fui de me preocupar com minha aparência, mas agora ando preocupada. Sinto como se tivesse que ser bonita, como se tivesse que ter um corpo perfeito. Talvez seja pra ele. "Não!" pensei. Eu não sei nada sobre ele, conheci ele em poucos dias, e o único dia que ele me tratou bem foi ontem. Hoje ele voltou a ser o que era antes, grosso, frio, ignorante. Eu não entendia como ele podia fazer isso, como podia agir assim comigo? eu mal o conhecia, e nem ele me conhecia, por qual motivo d ser grosseirao? independe da grosseria dele, uma coisa estava certa: Eu me sentia atraída por ele. Eu sentia vontade de ve-lo. Porque quando eu estou com ele, tudo passa, todas as sensações, vibrações ruins, passavam. Eu me sentia forte de alguma maneira, mas era só ele abrir a boca e me tratar daquele jeito que me sentia fraca novamente, era como se eu fosse tão pequena, tão indefesa, tão envergonhada. Eu não conseguia entender aquilo. Eu apenas queria que ele me tratasse bem, mas eu não iria implorar isso. Vesti uma roupa confortável e desci pro café. Minha mãe estava na mesa falando com alguém no telefone.
– Eu te ligo depois. Eu também, ah para. — Ela riu — Tchau, beijos. — E desligou suspirando. Eu não a via rindo assim à muito tempo.
– Quem era mãe? — Perguntei curiosa. Comi as torradas que ele deixou na mesa.
– Trabalho. Filha hoje a noite vou sair, tudo bem? — Ela disse me servindo suco, parecia feliz.
– Claro mãe, mas pra onde você vai hein? — Perguntei imitando ela quando eu pedia pra sair.
– Arrumei uma amiga, no trabalho, vou sair com ela, fica tranquila e não precisa me esperar acordada. — Ela falou toda sorridente e foi lavar a louça.
– Deixa que eu lavo mãe. Já que você vai sair, você precisa fazer as unhas, cabelo, comprar roupa, anda vai lá, deixa que eu limpo aqui. — Falei, eu sabia exatamente que não era com uma "amiga" que ela ia sair.
– Pra que tudo isso filha? — Ela perguntou me tirando da pia e voltando a lavar a louça.
– Mãe olha pra mim. — Falei e ela olhou, segurei as mãos delas olhando diretamente nos seus olhos. — Quero que você tire uma folga. Vai se arrumar, cuidar da aparência, não que você precise, mas é sempre bom, eu sei que você tem um dinheiro aí, vai no salão. E deixa que eu arrumo a casa, eu entro na escola só as 15h00, vai lá. — Falei e ela abriu um sorriso.
– você é a melhor filha do mundo. Obrigada meu anjo, vou fazer isso. — Ela falou secando as mãos.
– Você merece mãe, vai logo. — Falei rindo. Eu estava muito feliz por ela, espero que o cara a trate bem. Ela foi se arrumar pra ir no salão e eu terminei de lavar a louça. Minutos depois ela avisou que estava saindo, aproveitei e limpei a casa toda. Tomei banho e me arrumei pra escola, ouvi meu celular tocar.
– Alô? — Atendi, era um número desconhecido.
– Ariel? sou eu, Charly!
– Oi, por que tá ligando de outro celular? tá tudo bem?
– Nao! Você não vai acreditar no que me aconteceu! — Ela dizia desesperada.
– O que houve?
– Quando eu acordei hoje de manhã, percebi que haviam roubado meu celular! — Ela disse e meu coração parou. "Droga!" xinguei sentando na cadeira. Não estava acreditando.
– COMO ASSIM VOCÊ FOI ROUBADA? OH MEU DEUS EU NÃO ACREDITO! EU SABIA QUE NÃO ERA VOCÊ, AH QUE DROGA! — Berrei, acho que eu estava mais desesperada que ela.
– Por que? eu não estou entendendo nada!
– Charly, enviaram uma mensagem pelo seu celular hoje de manhã, e eu contei tudo o que o Harry havia me falado, sobre Jack e tudo mais. — Expliquei. Eu sabia que tudo aquilo estava mal contado, e agora ela foi roubada, não pode ser.
– Meu Deus!
– Preciso avisar o Harry!
– Quem você acha que.. pode ter roubado? — Ela sussurrou.
– A mesma pessoa que você desconfia que roubou.
– Jack? — Falou
– Sim, se não for ele, obviamente foi o Olívio.
– Amiga, está na hora de contar pra alguém, o que você acha?
– Antes preciso consultar o Harry.
– Por que tudo "Harry"?
– Por que sim, te vejo na aula, preciso desligar. — Disse e ela falou tchau. Desliguei e peguei minha mochila, tranquei a casa e fui pra escola. Moramos em Los Angeles, e no meu bairro a escola não é longe de casa, mesmo assim esperei o ônibus já que minha mãe foi ao salão e não poderia me levar. O ônibus chegou e eu ia entrar quando vi um carro estacionado bem ao lado, era o carro do Harry. Eu tinha duas opções , entrar no ônibus e ir pra escola, ou pedir uma carona pro Harry e correr o risco de levar um "Não" na cara e perder o ônibus e a escola. Fui até o Harry.
– Oi? — Falei batendo na janela, logo ela se abriu.
– Oi, entra. — Ele falou se olhando no espelho do retrovisor, nem ao menos olhou pra mim.
– Vai me dar uma carona até a escola? — Perguntei e ele me olhou irônico. -
Ah, não, eu vim até a sua casa pra olhar a decoração dela por fora. — Falou e abriu a porta, caminhou até mim e abriu a porta do passageiro.
– Vai entrar ou não? — Perguntou segurando a porta. Ele estava com uma calça jeans azul escura, uma blusa preta, e por incrível que pareça estava sem jaqueta de couro. Estava com os cabelos penteados, os cachos estavam desmanchados, e seus olhos me encaravam profundamente como sempre fazia.
– Na verdade não. — Disse, eu não iria ficar me humilhando.
– Não? — Repetiu
– Não Harry, não sou nenhuma otária que você pode mandar e desmandar. Não vou entrar no seu carro. — Falei e me virei, o ônibus havia ido embora, mas eu chegaria a tempo na escola se andasse rápido.
– Eu preciso falar com você, pode parar de drama? — Falou segurando meu braço.
– Drama? E você pode parar com a sua grosseria? Eu não vou entrar na porcaria do seu carro, agora me solta se não eu vou fazer um escândalo. — Falei seria. Eu queria muito entrar, queria saber o que ele tinha pra me contar, mas estava cansada daquela ignorância toda. Ele hesitou um pouco mas me soltou, permaneceu em silêncio enquanto eu saia em direção a escola. Escutei o barulho do carro dele e ele passou por mim na maior velocidade.
– Imbecil. — Falei e ele desapareceu.
Cheguei na escola atrasada, entrei na sala e estavam todos sentados com os exames nas carteiras. Avistei Charly no outro lado da sala, parecia estar com os olhos inchados, acho que andou chorando por terem roubado o iPhone dela.
– Posso saber o motivo do atraso senhorita Matchell? — O velho professor de história disse se referindo a mim.
– Desculpe professor, acabei perdendo o ônibus. — Falei tentando ser educada ao máximo, eu nunca havia chegado atrasada, meu histórico na escola era exemplar, mas mesmo assim esse velho idiota implicava comigo.
– Vai se sentar antes que eu desista de te passar a prova. — Disse grosso e eu tive que obedecer. Sentei perto da Charly e ele me entregou a prova. Tentei me manter concentrada na prova e acho que me dei bem, pela cara da Charly ela também havia achado a prova fácil. Entregamos e recebemos outra prova.
– Boa sorte. — Sussurrei pra ela.
– Estou precisando de sorte em tudo. — Disse e eu concordei. O tempo se passou e o sinal do intervalo bateu, iriamos embora depois do intervalo. Eu estava morrendo de fome.
– Vamos Charly, meu estômago não para de roncar. — Falei puxando o braço dela pra que ela andasse mais de pressa.
– Acho que seu estômago vai ter que esperar. Olha quem vem aí. — Ela disse e eu me virei.
– Harry? — Sussurrei
– O que ele está fazendo aqui? Ele não estuda aqui. — Ela sussurrou de volta. Ele vinha em minha direção, pude ver umas garotas querendo se atirar pra cima dele, senti raiva.
– Posso falar com você? — Falou quando chegou onde estávamos.
– Oi, essa é a Charly.- Falei seca. Ele olhou pra ela e voltou a atenção em mim.
– Você tem um tempo? — Perguntou impaciente.
– Claro, pode falar. — Falei e ele encarou a Charly.
– Quer que ela saia? Ah não, fale o que tiver que falar na frente dela. — Falei e ele parecia irritado.
– Olha Ariel. — Ele falava lentamente, senti um frio na barriga quando ele disse meu nome. — É urgente. Você quer que eu me ajoelhe aqui? — Falou. Ele estava muito próximo a mim, eu podia sentir seu cheiro, seu perfume.
– Vai amiga, vou guardar seu lugar na fila. — Charly disse me empurrando.
– Tudo bem. — Bufei e fui com ele. Ele me levou dentro do laboratório de química.
– Por que estamos aqui? — Perguntei.
– Acho que estamos sendo observados. — Ele disse e trancou a porta. Me arrepiei.
– Observados? — repeti.
– Sim, e não é só o Jack. — Falou se sentando na mesa de frente pra mim.
– Quem mais? — Perguntei. Senti um certo calor quando ele se aproximou, não estranhei pois sempre sentia isso.
– Olívio. — Ele sussurrou.
– Como você sabe disso?
– Eu o vi quando fui até a sua casa hoje de tarde. Ele estava saindo do seu jardim. — Falou, eu estava arrepiada dos pés a cabeça, como esse imbecil estava me vigiando? senti medo.
– Ele.. ele saiu do meu jardim? — Repeti, eu não havia escutado nada.
– Sim, era por isso que eu queria falar com você, Saber se você estava com ele.
– Por que eu ficaria com alguém que queria me estuprar? — Falei e ele ignorou.
–Tem algo que precisa me contar? — Perguntou e ai lembrei sobre o celular da Charly.
– Sim. — Falei e contei tudo a ele. Ele parecia pensativo, mas não preocupado.
– Olívio. tenho certeza. — Falou.
– Agora ele sabe que a gente desconfia deles.
– Eu não desconfio, eu tenho minhas certezas.
– Charly acha que devemos contar isso pra alguém, eu também acho. — Falei e imediatamente e se fez um enorme barulho lá em baixo, gritos e vidros quebrados. Corri e abri a porta, Harry estava bem atrás de mim, descemos as escadas e chegamos no pátio. Charly estava caída cheia de sangue, parece que a pequena estátua de anjo que tinha pendurada na parede despencou em cima dela. Corri
– CHARLY, SOCORRO ALGUÉM AJUDA! — Gritei..
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