Secrets
10 Mudança.
Notas iniciais
Oi. Me chamo Gabriel, e eu estou aqui para falar de um dia maravilhoso que uma mulher chamada Carla sofreu.
Carla é uma mulher que se via em meio a um dilema: sua vida não tem emoção. Ela nunca se joga de vez em algo, levando isso até o fim. Precisava de aventura em sua vida. Precisava de algo para poder se orgulhar de si mesma. E achou que uma trilha no meio da floresta perto da BR seria algo muito bom para se aventurar.
Naquele dia de manhã, Carla deixou seu carro numa estrada de terra no meio da floresta e adentrou nela, andando e vendo tudo que aparecia por lá. Não achou muito legal tudo aquilo, e achou que talvez precisasse de outro hobby.
Mas algo mudou. Antes de Carla voltar, ela tropeçou em algo na floresta e caiu. Olhou para trás e viu algo como se fosse uma pedra, mas era diferente. Parecia enterrado.
Assim, Carla cavou e cavou, tirando o que ela achou que tinha tropeçado e olhou bem. Carla viu minha cabeça em decomposição.
Naquele dia, Carla se viu no meio de um desespero que ela nunca havia tido antes. Nunca havia visto uma cabeça em decomposição ao vivo, e nesse dia Carla correu para seu carro, ligou para a polícia e saiu á mais alta velocidade possível. Uma coisa era certa: Carla, naquele dia, desistira de achar um hobby.
Não demorou muito para os jornais noticiarem que um corpo em decomposição fora encontrado em plena floresta. Era algo surpreendente, parece um filme de suspense ou policial ou uma série de mistério estilo Hannibal ou Pretty Little Liars. Ah, como eu adorei esse tipo de atenção. Até quando morto eu consigo ser o centro das atenções, claro, nada parecido com o fato de que quando eu chegava nos lugares cada mulher olhava para mim querendo meu corpo nu ou quando eu ia para alguma festa social e recebia sexo oral de mais de cinco meninas diferentes. Mas, atenção é atenção, não é mesmo?
Naquele dia, a filha da puta da Natália, que é a pessoa que me manteve preso no seu porão por meses, estava naquela sexta-feira á noite sentada em seu sofá vendo a novela que ela odeia porém não tem forças emocionais para pensar em quanto a odeia, então fica assistindo. Natália estava ao lado de sua avó mongoloide, enquanto ela se esquecia o nome de sua neta.
Depois de um tempo, a novela acabou e Natália continuava a pensar em mim. Ah, essa menina é uma louca! Se eu estivesse vivo e ela não fosse tipo, uma total psicopata obcecada por mim, eu provavelmente comeria ela. Amo meninas obcecadas por mim, elas são as mais assanhadas na hora do sexo.
Quando o jornal começara e as manchetes foram apresentadas, Natália pôde ouvir a voz de William Bonner falar:
⁃ Um corpo foi encontrado próximo á BR-232, polícia e legistas estão empenhados em identifica-lo.
Naquele momento, Natália tomou um susto. Pensava que era aquilo, que haviam descoberto Ricardo. Sabia que seria seu fim se descobrissem seu envolvimento no assassinato do padrasto de sua amiga. Mas Natalia tinha que se recompor. Tinha que ver a reportagem. E para sua sorte, era a primeira a ser apresentada:
⁃ Um corpo em decomposição fora achado próximo á BR-232 e legistas se empenham em tentar identifica-lo. Mais informações com a repórter Maria Luiza Albuquerque que está lá nesse exato momento.
⁃ É, William, hoje cedo uma mulher que estava fazendo trilha na floresta encontrou um corpo. O que os legistas dizem é que era um adolescente de sexo masculino, com cabelos de cor loira. E aqui eles estão tentando ligar as impressões digitais do corpo para identificá-lo. Mas, de qualquer forma, essa já é uma trama de assassinato muito chocante. Bonner.
Natalia não quis ver o resto. A televisão estava ligada, mas não prestava atenção. Aquilo era horrível. Não acharam o corpo do padrasto de Karine, acharam outro corpo que ela estava envolvida naquela semana: o meu.
Ela não parou para pensar quando se levantou e foi pegar seu celular, pronta para ligar para a única pessoa também ligada á mim: Luan.
Mas Luan não estava em seus melhores momentos ao atender o telefone. Na verdade, ele estava na casa de sua avó antes de poder saber o que ia fazer com os filhos da puta que mataram sua mãe quando o celular tocou.
⁃ Luan? — falou Natalia, assustada e obviamente apavorada. — Acharam o corpo do Gabriel.
– Sério? Que... Horrível. — falou ele, sem ligar muito para a situação, tendo outra muito mais grave para lidar com.
⁃ Horrível? É terrível! Vamos ser pegos! — fala Natalia, desesperada. — E o que vai ser de nós? Eu já estou consumida com o que...
Mas naquele momento, Luan desligou o telefone. Mesma coisa que eu faria, para falar a verdade, deixando Natalia falando sozinha.
Naquele momento, Natalia viu uma mensagem em seu WhatsApp e a abriu:
"Não podemos falar no celular. Se a polícia nos ligar ao corpo, podem pedir para a operadora as gravações das conversas. Fique na sua até ligarem-nos ao corpo, e se não o fizerem, tente manter sua boca fechada."
Natalia respondera com apenas um "ok.", e naquele momento se deitou, chorando.
Ah, eu poderia sentir pena dessa vadia se ela não fosse o motivo de eu ter me matado em primeiro lugar. Ela é uma louca perturbada psicótica que merece tudo que acontece com ela! É, eu posso ser mal ás vezes, mas ela também foi. Vai ver fomos feitos um para o outro.
Depois que se deitou, Natalia estava em estado de transe. Foi para seu banheiro e pegou a lâmina que usa para raspar as pernas, cortando seus pulsos. E naquela semana, mais sangue fora derramado.
Nesse momento, Luan recebeu outro telefonema. Ele estava muito irritado e furioso com Thor. Mas tinha que se recompor. Tinha que ter sua cabeça no lugar. Gosto de gente assim, devo dizer.
⁃ Alô? — falou Luan
⁃ Senhor Luan Pereira? — perguntou a mulher do outro lado do telefone.
⁃ Sou eu.
⁃ Chamo-me Maria Eduarda Oliveira, trabalho na receita federal e estava olhando o atestado de orbito de sua mãe, assim como suas ações jurídicas e legislativas nos últimos tempos. E vi aqui que ela o emancipou a pouco mais de dois meses, o senhor estava ciente disso?
Luan não acreditou no que ouviu da mulher. Sua mãe simplesmente pensa em tudo. Já sabia que Luan era capaz de tomar conta de si mesmo, e era mala para esse tipo de coisa. Isso que ele mais adorava em sua mãe. É nesse momento que ele se emociona, e fala, chorando:
⁃ Não, eu não sabia.
⁃ Pois bem, ela o emancipou, então todos os bens dela serão transferidos para você. — fala a moça. — Já estou realizando o processo de mudança de nome.
⁃ Obrigado, Maria Eduarda. — fala Luan, chorando.
⁃ Por nada, senhor. Tenha uma boa noite.
Naquela noite Luan teve o único momento de alegria de sua semana conturbada. Ah, como eu queria ter esse momento de alegria em uma época conturbada enquanto eu estava preso pela puta da Natalia.
Naquele dia, a real amiga puta de Natalia, Juliana, estava esperando em seu taxi indo para a casa de seu cliente quando pensou no baile de natal que teria naquela semana na escola. Todos seus amigos pareciam. Querer ir, e nenhum deles parecia muito abalado pelos eventos dessa semana conturbada. É, Juliana ia para esse baile.
Ah, como eu sinto falta de estar vivo. Claro, estar morto é bom para caralho. Você vê tudo como um filme, mas participar desse filme é algo muito diferente, sentir a emoção de poder ter seus segredos revelados á cada instante. Isso eu sinto falta. Meus segredos eram muito horríveis.
Para começar, eu já estuprei, já me droguei e já matei um filhote de gato afogado. É, eu não sou um menino muito bom. Mas meus segredos não interessam nessa história, e sim dos amigos de Matheus. Vai ver eu realmente mereci toda aquela tortura de Natalia. Bem, adorei narrar esse dia, mas narrar é bem mais cansativo do que simplesmente ver como um filme, então vamos deixar o trabalho de narrador com o Matheus, ok? Falou, até mais otários vivos!
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