Notas iniciais
Acabei postando um pouco mais tarde ;~; Eu acho que escrevi esse capítulo drogada, porque né~ Levei um tempão revisando, e como eu estou com sono, muito provavelmente deixei algo passar. TT Não me odeiem por esse capítulo~
E Rey, você ainda está aí? o.o /correndoporqueeudissequeiapostar00hs
-
Boa leitura ^^

Secret Love

Capítulo 30 – Amizade

Lee SungJong não sabia porque estava fazendo aquilo, mas seus pés seguiram retos até o garoto sentando em um dos bancos espalhados pelo campus. Aquele garoto, ele sabia, estava em perigo, assim como ele próprio, talvez. SungJong não era bobo, jamais fora. No primeiro momento em que sentira o insistente olhar de seu professor sobre si, ele sabia que tinha se tornado um alvo, e ele sabia disso porque ele sempre fora um. Sua aparência delicada era irritante na maioria das vezes, e ter pessoas o confundindo com uma garota já fazia parte de sua vida.

Mas ele não era o único assim. Choi MinKi era ainda mais bonito que ele, e o outro garoto, TaeMin, de longe possuía a personalidade mais simpática – e isso, combinada com sua aparência perfeita, fazia com que TaeMin também fosse um alvo. Queria poder avisar àquele garoto para ele não confiar no simpático professor, mas sabia que MinKi sempre observava o homem. Ele sabia, porque ele mesmo o observava, o vigiando de longe.

E foi em uma dessas vezes que ele vira JungSu caminhar apressado pelo campus, ajeitando a própria roupa amassada e o cabelo desarrumado. Naquela tarde, como todas as tarde que havia treino de futebol, SungJong estava jogado na grama, esperando seus amigos que participavam do time, mas decidiu ir para casa sozinho, tremendo e aterrorizado, quando viu um dos garotos do time carregar um desmaiado TaeMin para fora da escola. Ele sabia o que tinha acontecido.

Ele não queria que aquilo acontecesse de novo.

MinKi ergueu os olhos quando ele parou a sua frente, mas seu rosto se assemelhava à uma boneca de porcelana: era lindo e frágil, mas tão inexpressivo que SungJong queria saber o que se passava por trás daquele olhar vazio.

– Oi – falou.

– Oi – o garoto respondeu, ainda o olhando.

– Sou Lee SungJong, também sou do primeiro ano – ele continuo ali mesmo quando o outro apenas indicou que o reconhecia com um “hn” e voltou a baixar o rosto para o livro que lia anteriormente. – “Capítulo doze”, sua sala já está bem adiantada, nós ainda estamos no capítulo oito.

– Eu gosto de saber do conteúdo que vai ser mostrado em sala.

– Ah! – Sentou ao lado do loiro e observou os alunos que passavam não querendo olhar muito para o jovem com medo de que pudesse deixá-lo incomodado, mas ficou surpreso quando percebeu o olhar do outro sobre si. Apontou para o grosso livro. – É sua matéria favorita, História?

– Não, na verdade – baixou mais uma vez os olhos, mas SungJong pôde notar o leve rubor nas bochechas claras. Estreitou os olhos para aquilo, mas logo voltou a sorrir.

– É a minha! – falou feliz, ganhando a atenção do loiro mais uma vez. – Adoro História, mas nosso professor não leva a matéria muito a sério, você não acha?

– Não! – E pela primeira vez o garoto de cabelos castanhos viu algo nos olhos do loiro. Havia uma urgência de negar aquela informação. – LeeTeuk-sunsaeng é um ótimo professor!

– Ah, você acha? Ele me dá um pouco de medo, na verdade.

O loiro o encarou por alguns segundos antes de abrir a boca.

– Por quê?

– Você não soube? – forçou uma expressão de surpresa, ficando satisfeito com sua própria atuação. – Dizem que ele se envolveu com um antigo aluno e gostou tanto que agora ele tenta... você sabe... fazer isso com os alunos mais bonitos. Se eu fosse você eu tomaria cuidado – terminou, sorrindo de forma divertida, deixando evidente de que era uma brincadeira.

– Isso são boatos, você não devia acreditar neles.

– Eu acredito por pura precaução, afinal, eu não sou de se jogar fora – fez bico. – Eu não sou, não é?

Ficou satisfeito quando viu o outro sorrir, mesmo que minimante, mas podia perceber que seu cérebro estava trabalhando furiosamente. Queria acreditar que aquele garoto tinha entendido sua mensagem sutil.

Levantou-se quando ouviu o sinal soar por toda a propriedade.

– Vamos? – ele perguntou ao loiro, e o viu se levantar maquinalmente para então passarem a andar lado a lado. – Você não me disse seu nome.

– MinKi.

– MinKi – testou.

– Mas...

– Hn? – MinKi olhou para os próprios pés antes de voltar seus grandes olhos escuros em sua direção.

– “Ren”... Você pode me chamar assim.

SungJong abriu seu primeiro sorriso verdadeiro daquela manhã.

SL

– Eu sabia que não devia confiar em você, JongHyun! – O moreno virou para encarar o garoto loiro quando seu armário foi fechado com violência pelo mais novo. TaeMin o olhava com irritação e, JongHyun odiou aquilo, tão próximo que o moreno tinha que inclinar a cabeça para encará-lo.

O mais baixo o afastou com um empurrão, voltando a procurar o minúsculo livro que estavam usando na aula de literatura, e se irritando ainda mais por não achá-lo ali.

– Você contou a ele, JongHyun! Contou ao Key! Eu pensei que você estivesse me ajudando!

– Por isso mesmo que eu contei a ele, TaeMin – respondeu, ainda ocupado demais em sua busca. – Eu estava tentando ajudar você.

– Estava, o caralho! Você só estava querendo ferrar comigo.

– É mesmo? – JongHyun o olhou, indignado. – Não foi melhor assim? Eu vi vocês chegando juntos, pareciam bem.

– Isso não é graças a você, seu egoísta...

– Eu que sou egoísta?! – JongHyun o puxou e o empurrou contra o armário, batendo os punho fechados no mesmo, de cada lado do rosto do mais novo e os deixando ali. Ignorou alguns alunos que voltaram os olhos para os dois. – Você ferrou comigo, TaeMin! Aquele idiota do MinHo veio pra cima de mim por causa dessa mentira idiota. O Key achou que eu estava fodendo o irmãozinho dele quando eu continuava dizendo que tinha mudado por ele! – sibilou furioso, se aproximando ainda mais, baixando o tom de voz. – Eu que sou egoísta? Não foi você quem ficou calado só pra ninguém sentir pena de você? Não é por sua causa que agora um garotinho está em perigo? Não é você que é o egoísta aqui?

O loiro baixou os olhou, resignado. Queria gritar com JongHyun e dizer que ele estava errado, que ele estava apenas tentando se livrar da culpa, mas TaeMin aceitava cada palavra dita como verdade. Não podia negá-las. Sempre pensou em JongHyun como o vilão da história, mas e agora? Era verdade que o mais velho o ajudou, e continuou o ajudado mesmo quando ele não pediu por isso. E era verdade que ele sofreu por algo que não fez. Ergueu os olhos, ainda podendo ver as marcas quase inexistentes causadas pela briga com MinHo, e isso também o fez lembrar que KiBum voltou a odiá-lo mais uma vez. Mesmo que soubesse que Key não voltaria com ele, saber que a amizade que JongHyun reconquistara com tanto esforço foi perdida por causa de seu egoísmo o deixava mal.

Abriu a boca, pronto para deixar escapar um frustrado pedido de desculpas, mas JongHyun se afastou dele antes disso.

– Você adora uma cena, Jjong. Toda a escola acha que você é um maníaco que adora bater nesses irmãos. – Ouviu a voz de HeeChul e quase o agradeceu por aparecer ali. Viu o mais velho abraçar um irritado JongHyun por trás, tentando se manter ali mesmo quando o outro o puxava. – Oi, Tae.

– Oi, hyung – sorriu.

– Que bravinho, Jjong. – HeeChul riu mais uma vez, apertando ainda mais os braços em volta da cintura do outro. – Isso me lembra de quando brincávamos de cavalinho, você era tão selvagem. Que saudades.

TaeMin fez uma exagerada expressão de nojo, deixando JongHyun ruborizado e fazendo HeeChul rir ainda mais, se afastando do mais baixo apenas quando beijou seu pescoço rapidamente.

– Hyung! – JongHyun se indignou, limpando o local do beijo e correndo os olhos pelo corredor cheio de alunos, assustado. Esperava que o Onew não tivesse visto aquilo.

– Jjong anda muito casto ultimamente – o mais velho dos três fez um bico, abraçando TaeMin e descansando o queixo em seu ombro. – Isso é tão frustrante para as minhas noites de solidão.

– E quando que você está sozinho, hyung? Sua cama nunca soube o que é ter apenas você deitado nela...

– Jjong, assim você me ofende... – Mas seu rosto não demonstrava que ele estava ofendido. – Oh, alguém parece irritado.

JongHyun olhou para onde o mais velho apontava e viu Onew com a cara emburrada, olhando para ele. Suspirou, se perguntando se o amante o estivera observando por muito tempo, e seguiu até ele, deixando os outros dois para trás.

– Eles estão se pegando, certeza – HeeChul comentou, e TaeMin pôde apenas concordar. O mais velho se afastou do loiro para poder olhá-lo, encostando-se à parede e cruzando os braços. – Ele saiu com o MinKi ontem.

TaeMin sentiu seu corpo gelar apenas com a menção do nome do loiro. As palavras de acusação de JongHyun ainda estavam frescas em sua memória, e isso o fazia se sentir ainda mais culpado. MinKi estava em perigo por sua causa. O que ele faria se o garoto sofresse o mesmo que ele? Não poderia se perdoar por isso. Não podia nem mesmo pensar que isso poderia acontecer. Não queria pensar.

– Você não ouviu o pior – HeeChul continuou. – O MinKi parece estar gostando dele. Vi quando eles se beijaram, ele não pareceu querer impedir.

– Você está brincando comigo?! – TaeMin esganiçou, e logo olhou ao redor, voltando a baixar o tom de voz. – E quanto ao acordo de vocês dois?

O mais velho suspirou.

– Eu falei com ele, acho que fui o primeiro aluno a chegar aqui hoje. Disse que tinha o visto com o garoto, mas ele veio com “Ren está apaixonado por mim, seria maldade destruir seu coraçãozinho”... canalha!

– Então você não precisava mais fazer aquilo, hyung.

– Ainda há você, Tae. E há também os outros garotos, eu não posso deixar ele se aproximar de vocês.

O loiro baixou os olhos, sentindo todo peso da culpa ser jogado sobre seus ombros frágeis. Quantas pessoas tinham que pagar pelo seu egoísmo?

Sentiu as mãos macias do mais velho tocar seu rosto com gentileza, e suas testas se juntarem. Mesmo naquela situação, os cheios lábios de HeeChul estavam curvados em um sorriso.

– Eu disse que ia proteger você, não disse? – sussurrou. – Eu quero proteger seu sorriso, Tae, então sorria, ok?

– Hyung...

– Posso saber que intimidade toda é essa? – Os dois se separaram apenas para ver um emburrado KiBum e um incômodo MinHo encarando os dois.

HeeChul voltou a sorrir, lançando um rápido olhar a TaeMin apenas para ver se ele estava bem.

– Ora, se não é nosso disputado Key e nossa puríssima princesa. – Riu, ignorando o “hyung!” indignado de MinHo. – Vocês formam o casal mais estranho que eu conheço.

– Eu discordo, hyung – TaeMin se fez ouvir, e sorriu largamente quando a atenção dos três foi voltada a ele. – Acho que eles são estranhos – e indicou com o queixo o local onde JongHyun e Onew estavam, aparentemente discutindo baixinho.

– E desde quando eles estão juntos? – foi Key quem perguntou, levemente espantado.

– Ora, meu caro, você sabe que JongHyun traiu você com Onew, e tenho certeza que Onew traiu você com JongHyun. – Key bufou com aquilo. – Mas sabe, se eu estivesse no seu lugar e tivesse aqueles dois correndo atrás de mim, eu não deixaria passar, levaria os dois pra minha cama e faríamos um delicioso threesome.

O casal pareceu indignado àquele comentário, mas foi TaeMin quem falou primeiro.

– Hyung, meu irmão não é assim! – sorriu fofamente, encarando o irmão. – Ele levou um de cada vez.

– TaeMin!! – KiBum e MinHo gritaram juntos enquanto HeeChul concordava e gargalhava ruidosamente. O loiro teve que correr pelo corredor com seu irmão ao seu alcanço, vermelho e completamente envergonhado, mas não exatamente zangado, talvez um pouco surpreso pela ousadia do mais novo, mas apenas isso. Ele estava andando muito com HeeChul.

– Desculpe, hyung, desculpe!

– Yah, TaeMin!

– Jjong, me salve! – O loiro se escondeu às costas do rapaz mais velho que se surpreendeu com sua aproximação.

– Não adianta, TaeMin, eu vou pegar você!

– É estranho – MinHo comentou ao longe, vendo a cena dos irmãos que arrancava risada de vários alunos que passavam.

– O que é estranho além da sua questionável santidade? – HeeChul perguntou, não desviando os olhos do risonho TaeMin.

– Algum dia você pensou que isso poderia estar acontecendo, hyung? – MinHo perguntou, ignorando o comentário automático do mais velho, e passando agora a observar o rosto sereno do seu hyung. – Éramos desconhecidos e inimigos até um tempo atrás, e agora somo quase... amigos.

HeeChul permaneceu em silêncio. Observava como JongHyun sorria, segurando os pulsos de Key, o impedindo de avançar. Ele o apertava com força desmedida, marcando sua pele, mostrando o quão fraco o loiro era. KiBum ria em resposta, ainda tentando passar pelo forte ex-namorado. O rosto do loiro estava sempre vago, era sempre possível saber quando ele estivera chorando, e isso acontecia na maioria das vezes. TaeMin, achando que não estava mais protegido, agarrou-se ao pescoço de JinKi, buscando abrigo às suas costas enquanto o mais velho parecia tropeçar nos próprios pés, mas mesmo assim não deixava de sorrir. JinKi era “aquele garoto drogado que entrou em coma”, todos sabiam que ele não era capaz de sorrir, e ninguém queria se aproximar dele. Onew era invisível. TaeMin riu quando o irmão conseguiu alcançá-lo, e pareceu feliz quando ganhou um abraço no lugar de qualquer castigo.

Ele foi inocente, frágil e apaixonado. Ele sorria. Ele sentia. Agora Kim HeeChul estava quebrado, mas ainda podia ver o reflexo do seu passado naquele garoto.

– Eu posso bancar o sábio agora, MinHo? – ele perguntou, sorrindo sutilmente. Choi o olhou. – É impossível saber o que vai acontecer amanhã. Isso se chama vida.

SL

TaeMin apoiou o queixo na mão e suspirou. Tentou prestar atenção na aula de Física, mas nenhuma daquelas fórmulas entrava em sua cabeça repleta de pensamentos conflitantes. Tinha plena consciência de que não conseguira prestar atenção em nenhuma aula desde aquilo, e isso realmente o irritava. Queria fingir que nada aconteceu, mas cada vez mais isso parecia impossível; ele se lembrava disso sempre que encarava algum garoto bonito na escola, pensando que, talvez, aquele pudesse ser uma nova vítima.

Os raros momentos em que tudo fugia de sua mente eram quando ele estava com os amigos rindo de uma piada qualquer, ou ocupado demais pensando no quanto KiBum era sortudo.

Baixou os olhos para o caderno que estaria em branco se não fosse os desenhos espalhados pela folha. Terminou de rabiscar um MinHo com o rosto em erupção enquanto um pequeno e sorridente HeeChul com chifrinhos ria dele. Deixou que um sorriso contornasse seus lábios róseos. Enquanto o professor continuava de costas para os alunos, rabiscando rapidamente no quadro e falando sobre algo que TaeMin não entendia, ele espreguiçou-se, contendo um gemido de preguiça. Mesmo que não estivesse sentado ao lado da janela, ele pôde identificar a cabeça loira do garoto que vagava pelo jardim, andando perdida e lentamente.

TaeMin fechou o caderno e chamou a atenção do professor. Uma coisa boa que descobriu ao entrar no conselho da escola era que esses alunos que faziam parte dele eram privilegiados. Avisou que precisava ir ao banheiro e pôde perceber a expressão nada satisfeita do homem de meia idade por ter sido interrompido durante sua explicação.

Correu até se ver do lado de fora do prédio e, ainda no mesmo ritmo, seguiu até onde avistara MinKi. Iria tentar falar com ele de novo mesmo que o colega o tratasse de maneira fria mais uma vez. Ainda não podia acreditar que aquele garoto idiota caíra tão facilmente na conversa de JungSu, isso era um completo absurdo!, mas isso explicava o porquê de ele ter sido tratado de forma tão rude na última vez que tentara falar com ele.

Não demorou até que ele alcançasse o garoto que realmente era tão bonito quanto uma garota, e aparentava ser tão frágil quanto. Correu até ele, parando ao seu lado e percebendo que os dois tinham a mesma altura, talvez alguns centímetros de diferença, e que podia manter um contato visual com ele de frente. Não seria simpático, e nem tentaria; ele planejava dizer a verdade, mesmo que essa parecesse cruel ao outro.

O que TaeMin não sabia era que MinKi estava ali porque queria pensar no que lhe fora dito mais cedo. O garoto não aceitara aquilo como verdade, mas SungJong lhe parecera tão sincero, tão incapaz de criar mentiras que MinKi se pegou pensando que aquilo poderia não ser apenas um boato, mesmo que não aceitasse, de fato.

– Oi – TaeMin falou ao seu lado, notando o leve sobressalto do outro que fora pego de surpresa.

MinKi não respondeu, e fez questão de apressar o passo. Não gostava de TaeMin, nem daqueles grandes olhos castanhos e brilhantes, nem da expressão doce que agora não estava em seu rosto bonito e afável. MinKi pensou, com uma leve pontada de ciúmes, que ele era mais bonito que o outro, embora tinha que admitir que não possuía nem metade de sua simpatia.

– Hoje você vai me escutar? – TaeMin perguntou, e não recebendo resposta se colocou à frente do garoto. O menino o encarou antes de tentar desviar dele, mas TaeMin o segurou pelo braço, apertando os dedos no corpo frágil. – Não, você vai sim.

– O que você quer? – MinKi perguntou, virando o rosto na direção do outro.

– Avisar você – foi a resposta que recebeu. – Se afaste do JungSu.

– Por que eu deveria?

– Olha – TaeMin o soltou –, você pode até gostar dele, mas ele não merece isso. Ele vai pegar você desprevenido e vai o levar para alguma sala vazia e lá ele vai abusar de você até cansar com aquele sorriso no rosto enquanto fala coisas sujas. Foi o que ele fez comigo.

– Você está mentindo.

– Não, não estou – contra-atacou imediatamente. – Eu confiei nele, achei que ele fosse um bom professor – desabotoou a própria camisa dp uniforme enquanto continuava falando –, mas ele só queria me foder. Foi o que ele fez.

MinKi correu os olhos pelo peito magro que lhe era exposto, se sentindo amargurado. Todo o troco de TaeMin estava coberto por machas que já não eram tão visíveis, mas definitivamente estavam lá. Podia reconhecer marcas de dentes, e um de seus mamilos estava levemente arroxeado.

– Há mais nas costas, nas minhas pernas, nos braços – TaeMin lhe disse. – Foi ele quem fez isso, e eu fui idiota demais para não denunciar quando tive a chance, e agora ele está atrás de você.

– Isso não é verdade – MinKi tentou acreditar em suas próprias palavras, e TaeMin ficou irritado por não conseguir ver qualquer emoção em sua expressão vazia, embora os olhos escuros estivessem levemente trêmulos. – Ouvi que você estava saindo com um cara do time, igual o seu irmão... Foi ele quem fez isso, não foi? Você só está querendo me tirar do seu caminho! Aposto que você também gosta do LeeTeuk-sunsaeng.

TaeMin cerrou os dentes, odiando ouvir aquilo. Não era possível que alguém conseguisse ser tão idiota!

– Você me ouviu, MinKi – abotoou a camisa mais uma vez. – Eu avisei a você, eu não preciso mais me sentir culpado por sua causa. – O olhou, ficando ainda mais irritado ao observar aquele rosto de porcelana completamente livre de expressões. – Espero que você goste de sentir dor.

E passou reto pelo garoto que apenas observou suas costas até que elas sumissem na distância.

TaeMin se sentiu mal por ser tão pouco delicado, mas seu orgulho o impediu de voltar lá. Aquele mesmo orgulho que o faria se arrepender mais uma vez.

SL

Mesmo que TaeMin tivesse lhe parecido bastante convincente, MinKi achou que teria que tirar suas próprias conclusões, afinal, seu professor lhe dissera que também estava se sentindo confuso em relação ao que sentia por ele. Se JungSu fosse mesmo um violador de alunos, ele não o teria atacado quando tivera oportunidade? Os dois saíram juntos, jantaram juntos e, mais tarde, os dois se beijaram. MinKi não conseguia ver aquele homem que TaeMin descreva no professor por quem ele se apaixonara. Não, definitivamente não.

Esbarrou em alguém quando se virou para voltar à sala, e para sua crescente surpresa, seus olhos se encontraram com os pequenos e simpáticos de seu professor de História. Por um momento sentiu medo, mas esse sentimento logo sumiu quando o homem lhe sorriu.

– Matando aula, Ren? – o homem perguntou, e ele sentiu seu rosto corar. – Está tudo bem, eu não vou entregar você.

– Obrigado.

– Vi que você estava com TaeMin –comentou.

– Ele... Ele veio me avisar que a aula de música do primeiro ano vai ser hoje – mentiu, embora ninguém pudesse dizer o contrário.

– Entendo. Você parece um tanto desconfortável – o professor insistiu, colocando a mão no ombro do garoto, o guiando para que andassem juntos. – Eu não devia tocar no assunto, mas... O beijo de ontem... Aquilo foi um erro, Ren.

O loiro o olhou, parando de andar no mesmo instante.

– Não! Você disse que gostava de mim também!

– Eu disse que estava confuso, e eu ainda estou, mas você tem que entender que é errado.

– Não, não é! Eu gosto do senhor, professor, e eu sei que você também gosta de mim.

JungSu olhou para os lados, forçando uma expressão de dúvida e dor.

– Não devemos conversar isso aqui, venha comigo.

E MinKi foi, esquecendo completamente o que tanto TaeMin quanto SungJong lhe disseram sobre aquele homem. Seu coração estava batendo forte com medo de perder o outro. Não poderia aceitar que o professor se afastasse de si. Mesmo que fosse errado, mesmo que aquela relação fosse mal vista aos olhos de muitos, MinKi acreditava que daria certo, afinal, o homem que o levava até uma sala perdida atrás do prédio principal também o amava... não era?

Ele correu os olhos pelo lugar no momento em que entrou. Percebeu vagamente o professor fechar a pesada porta, embora não tivesse a trancando. Ouviu o homem xingar baixinho, mas ignorou isso no momento em que ele seguiu em sua direção. O homem tocou seu rosto, afagando sua bochecha levemente.

– Isso é tão proibido, mas... – aproximou-se, tocando os lábios avermelhados que se separaram para aceitar sua língua. Ah, aquele garoto era maravilhoso.

MinKi retribuiu o beijo, feliz por o outro ter lhe entendido, mas quando as mãos de JungSu deslizaram pela lateral de seu corpo e apertaram suas nádegas com força, ele se lembrou do que SungJong havia lhe dito. Sentiu seu corpo ser facilmente erguido e então separou o beijo, tentando se soltar dos braços fortes.

– Professor...!

– O quê? – o mais velho perguntou inocentemente enquanto beijava o pescoço branquinho.

– O que você está fazendo? – remexeu-se, incomodado com aquela posição exageradamente intima.

Nós estamos fazendo o que os casais fazem, Ren – explicou, mordendo o pescoço, agora marcado, com força.

– Não, nós não devemos fazer isso tão cedo!

– É claro que devemos – disse, e o beijou mais uma vez, jogando o corpo magro contra a parede.

“Ele vai pegar você desprevenido e vai o levar para alguma sala vazia...”.

MinKi se afastou quando o professor o colocou no chão, mas foi logo puxado de volta, sendo forçando a deitar no chão sujo. Seus olhos correram desesperados pela sala vazia, percebendo que essa era distante demais das outras para alguém ouvir qualquer coisa. Mesmo se debatendo, empurrando as mãos fortes e sentindo as lágrimas escorrerem pelo seu rosto, ele não gritava. Sentia que não poderia dizer uma palavra sequer. Sua voz sumira completamente.

– Ah, MinKi, eu pensei que você estivesse de acordo com isso – o homem falou, e logo mordeu sua orelha enquanto suas mãos arrancavam os botões da camisa do loiro. – Se você tentar se livrar assim, eu vou ter que ser mau. Eu não sou tão violento quando vocês são bonzinhos.

MinKi mordeu o lábio, virando o rosto para não encarar aquele sorriso que permanecia intacto na face do outro.

“... e lá ele vai abusar de você até cansar com aquele sorriso no rosto enquanto fala coisas sujas”.

MinKi não poderia dizer quantos minutos se passaram desde que fora jogado no chão, mas agora podia sentir todo o seu corpo dolorido em razão às mordias que recebera em cada cantinho. E mesmo agora, quando o professor entrara nele, MinKi não gritava, nem mesmo chorava mais. Ele era apenas um boneco sem vida, esperando que tudo terminasse logo.

Sentiu seu corpo ser virado e forçado a permanecer de quatro, seus joelhos arranhando no chão grosseiro a cada investida violenta. As mãos sujas deslizavam pelo seu corpo suado e aquilo lhe causava náuseas. Mais mordidas eram distribuídas em suas costas e ele podia apenas cerrar os dentes por causa da dor.

– Foi aqui... – o professor falou entre gemidos – Foi aqui que eu comi o Tae... ele foi melhor que você, Ren... Ele gemia pra mim... Gritava e pedia pra parar... Por que você não geme pra mim?

Mas MinKi não o fez. Mesmo quando o professor passou investir com brutalidade contra ele, o mordendo com mais força, batendo em seu corpo. Mesmo quando ele sentiu algo escorrer por sua coxa e, baixando os olhos, percebendo que era sangue, mesmo assim MinKi se recusou a deixar qualquer som escapar de seus lábios.

E quando o professor se derramou dentro dele, ele ficou satisfeito em saber que tinha acabado. O resultado de sua ingenuidade havia chegado ao fim.

Viu o homem ajeitar a própria roupa e se inclinar mais uma vez sobre ele, beijando seus lábios mais uma vez.

– Não teve graça com você, Ren. Talvez eu volte a procurar o TaeMin, com ele sim foi divertido. – Sorriu, e saiu da sala escura e silenciosa.

Choi MinKi voltou a chorar.

SL

Quando Lee SungJong percebeu que todos os alunos tinham saído da sala após o sinal soar, e Ren não havia saído e sua mochila ainda estava lá, ele sentiu medo. O primeiro lugar que pensou em seguir foi até o depósito, e correu naquela direção, implorando mudamente que não tivesse acontecido o que ele estava pensando.

Mas sentiu seu coração doer quando um Choi MinKi com roupas sujas e mal colocadas saiu dali andando com dificuldade. Correu em sua direção, segurando o corpo delicado antes que este caísse. O loiro virou o rosto em sua direção e aquela foi a primeira vez que alguém naquele lugar viu uma verdadeira expressão na face daquele garoto, e SungJong desejou jamais tê-la visto. A tristeza estampada ali fez com que ele abraçasse o garoto, chorando com ele, tentando tomar para si um pouco daquilo e livrar o outro daquele sofrimento.

– Me desculpa – Ren disse calmo, passando os braços pela cintura fina do colega. – Eu não quis ouvir o que você disse.

– Vai ficar tudo bem, Ren. Você vai ver, tudo vai ficar bem – respondeu aos prantos, quase sendo consolado por aquele a quem a dor pertencia.

– Você vem comigo?

– Vou – respondeu, não se importando em perguntar para onde eles iam.

– Eu vou denunciar ele enquanto eu ainda posso – o loiro falou em sua voz calma mais uma vez, ainda derramando suas silenciosas lágrimas no ombro do outro garoto. – Isso tem que acabar. Ele vai atrás do TaeMin de novo... e de você. Eu não posso deixar.

Em resposta, SungJong apenas apertou ainda mais aquele abraço, fazendo MinKi se sentir bem. Fazendo com que o jovem loiro se perguntasse se aquele garoto era o que as pessoas chamavam de “amigo”.

A resposta era “sim”.

Notas finais
Eu sei, esse capítulo ficou MUITO cansativo. Eu percebi isso quando reli ;u;
Não me matem por causa do Ren TT /corre
Reviews amor? *3*