Second Chance

6 Não temos mais o controle de Nárnia.


Notas iniciais
Oieeee amores tudo bem? Me perdoe pela demora, os dias estão corridos e eu queria também dar uma adiantada na nova história. Espero que gostem do capitulo, ele está narrado pelo Cas, para ele poder falar um pouco da dor dele! ♥

Pov Caspian

Naquela noite mal consegui dormir, só conseguia imaginar Susana perto de nós de novo, ela finalmente tinha aceitado ajudar Nárnia, nosso país poderá ser salvo e o nosso amor também, pensei, enquanto relembrava o nosso primeiro beijo. Pela manhã, me troquei rapidamente, usar aquelas roupas estranhas às vezes me deixava desconfortável, queria voltar a minha era, meu reino, minhas roupas, entretanto ainda não era possível.

— Caspian meu filho, você não dormiu? – disse Ed chegando acompanhado de Pedro ao salão central.

— Não consegui pregar o olho. – respondi tentando conter o nervosismo.

— Te entendo, algo dentro de mim está pulando de felicidade. – completou Pedro me dando tapinhas nas costas.

— Ai Lu, eu acho ele lindo! – disse Lili também chegando ao salão junto de Lucia.

— Quem você acha lindo senhorita? – Ed afinou sua voz, tentando se passar por mulher.

— Jace, o irmão da Rainha.

— Eu acho aquele cara um grosso! – Lili ficou desanimada com o comentário do Ed, Lucia para repreender o irmão lhe deu um beliscão nele.

— Lili você está gostando dele? – perguntei sorrindo, eu sabia bem como era amar, quando me apaixonei pela Susana e até hoje o meu melhor momento do dia é quando penso nela, na pele, no olhar, no sorriso e nos beijos.

— Não sei se é gostar Cas, mas me sinto nervosa perto dele, parece que algo dança dentro de mim. – conforme ela ia falando suas bochechas iam corando, todos riram da cena.

— Isso se chama borboletas no estomago Lili. – Lucia a abraçou sorrindo.

— É, mas tome cuidado Lili, Jace e Susana tem uma ligação muito da estranha. – completou Pedro com uma expressão pensativa. De fato estranhava o jeito que Jace cuidava e olhava a Su, porém não achava que ele poderia amar a irmã como mulher.

Ninguém disse mais nada, estávamos todos tensos, os minutos passavam e nada dela chegar, começava a pensar que ela estava apenas brincando com a nossa cara, querendo se vingar da dor que nós causamos a ela. Não Caspian, a Susana não é assim, pensei.

— Nós não podemos mesmo tomar café? – perguntou Ed colocando a mão no estomago. – Estou azul de fome!

— Edmundo mais um comentário seu...

— Vocês chegaram cedo mesmo! – disse Susana interrompendo Lucia, ela estava suada, usava uma calça justa e algo pequeno que só cobria seus seios, por alguns segundos eu não consegui falar nem pensar. Ver corpos de mulheres assim tão expostos em Nárnia era algo impossível, agora ver o corpo da mulher que eu amo, tão nítido para mim, era algo surreal.

— Terra chamando Rei Caspian. – sussurrou Pedro percebendo minha expressão. – Aqui é normal esse tipo de roupa, mas entendo seu espanto, minha irmã é uma mulher linda.

— Muito linda. – completei, admirando a pele branca dela, no ombro junto das marcas negras, ela tinha algumas pintinhas, as mesmas se repetiam na fina cintura.

— Venham! Vamos conversar na sala de treinamento. – disse ela nos dando as costas, fazendo a gente acompanha-la.

Depois de um tempo andando chegamos a um salão com sacos pendurados, espadas e bastões para todos os lados, Susana se sentou no chão acenando com a cabeça para que todos nos fizéssemos o mesmo. – Primeiro, me desculpe pelo atraso, às vezes quando começo a treinar esqueço a vida.

— Você não come antes de treinar Su? – perguntou Lucia preocupada.

— Não preciso disso!

— Como não? – perguntou Edmundo espantado. Ela nos explicou que graças às runas, ela poderia ficar um tempo maior sem comer. – Mas o que são as runas Su?

— Bom, as runas, são o que compõem um caçador de sombras, elas são parte do nosso corpo, perder uma runa é a mesma coisa que perder uma parte importante do seu corpo. Elas possuem a função de nos ajudar na batalha e no dia a dia. – conforme a Susana ia falando, ela ia apontando para algumas das marcas em seu corpo.

— Mas Rainha como elas surgiram? – perguntou Rip se aproximando dela.

— Todas as runas vem do Anjo Raziel, elas ficam registradas no livro Cinza, é um livro especial dos Caçadores das Sombras. Desde pequenos aprendemos a desenha-las e seus significados e usando da nossa estela as desenhamos no nosso corpo.

— Elas são encantadoras, Rainha. – Rip passava as patinhas nas marcas, abrindo um largo sorriso. Todos queriam passar a mão conhecer melhor aquela cultura tão diferente da nossa.

— Podem passar a mão se quiserem. – disse Susana vendo a admiração em nosso olhar.

Cada um de nos se aproximou e passou a mão, primeiro Lucia, depois Edmundo, Liliandil, Pedro e por ultimo eu, quando me aproximei dela, nossos olhos se encontraram, sua expressão mudou, ela estava assustada, aproximei meus dedos do seu braço, sem parar de observa-la, quando toquei um leve choque percorreu meu dedos, perdi a noção do tempo e do espaço, estar tão próxima dela, estava fazendo minha cabeça criar cenas de amor, Susana suspirou baixo e me direcionou um olhar de dor.

— Já deu Caspian, volte pro seu lugar. – disse ela se afastando de mim.

— Bem longe dela de preferencia. – uma voz rouca e grossa completou a frase de Susana, olhei em direção a porta e lá estava ele, sem camisa parado na porta me encarrando com ódio.

— Jace o que faz aqui? – perguntou ela se levantando e indo até ele. Suspirei me sentindo derrotado, olhando os dois conversarem isolados, porém o cutucão do Pedro me distraiu.

— Olha a maneira que ele está olhando para o corpo dela. – encarrei Pedro confuso, porém virei meu olhar novamente para Jace e Susana, e de fato o olhar dele nervoso em ver a Su com pouca roupa, não era um olhar de irmão. – Que Aslam me perdoe pelo julgamento, mas Jace sente algo a mais por ela!– continuou Pedro sussurrando.

Ela voltou para perto de nós, fazendo o assunto morrer entre eu e Pedro, mas no meu coração uma confusão e ódio se estalavam, era errado ele sentir algo por ela e se ela sentisse também? Eu não teria mais chance nenhuma.

Jace se sentou ao lado dela observando a expressão de cada um, ele só sorriu quando percebeu Lili vermelha de vergonha por ver ele sem camisa, tenho certeza que mais tarde ela estaria sorrindo largo falando dele para Lucia.

— Desculpa, mas vocês não tem roupa? – perguntou Edmundo apontando para o corpo dos dois caçadores.

— Estávamos treinando Edmundo, todos os caçadores treinam assim. – respondeu Susana revirando os olhos.

— Desse jeito se você se distrair seu companheiro vai te atacar e consequentemente à dor será maior e você aprenderá a ficar esperto. – completou Jace sorrindo de lado para Susana.

— Mas vamos ao ponto, me contem como estão as coisas em Nárnia. – perguntou ela endireitando a postura e me analisando seria.

— Bom... – comecei procurando as palavras certas. – Perdemos o controle de Nárnia!

— Como? – gritou ela. – Nárnia tinha três reis e uma rainha, pessoas suficientes para governar. – cada palavra dela eu sentia uma facada em meu coração, ela me odiava e ainda me achava um Rei incompetente.

— As coisas saíram do controle Rainha. – Rip caminhava lentamente em direção a ela. – Falhamos sim, mas a força do nosso inimigo é muito grande, eles veem das trevas. – nesse momento Susana olhou assustada para Jace, o mesmo apenas acenou com a cabeça.

— Rip me conta melhor o que houve!

— Tudo começou com uma escuridão. – ele sentou no colo da Rainha Gentil e começou a contar a historia. — Ela era pequena, atingia algumas casas, os ataques sempre aconteciam com distancias de tempo grande, nós achávamos que o próprio povo da aldeia poderia conter, porém ela foi criando um tamanho assustador, aldeias estavam sendo dominadas por elas, e não era mais uma simples escuridão, ela possuía tons de laranja e vermelho, alguns homens que sobrevieram falaram que ela vinha acompanhada de bichos com cabeças deformadas e garras enormes, eles sentiam o prazer em ouvir os gritos de dor dos narnianos, quanto mais lágrimas e corações partidos iam acontecendo mais eles iam mantando.

Quando a primeira aldeia foi derrubada, tentamos ir ao encontro desta escuridão, mas estávamos atrasados e nunca na história de Nárnia houve bichos como aqueles. Não sabíamos como lutar, quando atacávamos no Norte, ela atacava no Sul, quando íamos para o Sul, ela e seus bichos iam para ao Oeste, sempre um passo a nossa frente, sempre deixando um rastro enorme de preto. Nós ignoramos os fatos e ela começou a nos ignorar. Por todo o lugar que ela passava só era encontrado, dor, destruição, fogo e mortes. Os que sobreviveram nós levamos para o castelo central, alguns familiares falaram que as crianças foram levadas como escravos.

— E agora Nárnia não tem mais nada sobre o comando de vocês? – perguntou Susana indignada, a cada palavra de Rip, eu me sentia um verdadeiro incompetente, eu havia ignorado o começo e hoje mais de metade do meu povo está morto.

— Só a área do castelo.

— E não sabemos por quanto tempo. – completou Pedro.

— Como estão as regiões que a escuridão passou?

— Completamente morta Rainha. – disse Lili com os olhos cheios de lágrimas.

— Su, você está pensando o mesmo que eu? – Jace não olhava para nada, estava apenas de cabeça baixa, como se tivesse arquitetando um plano.

— Se for que eles foram uns grandes irresponsáveis de merda? Sim eu estou pensando! – ela estava de pé e andava de um lado para o outro segurando a mão com raiva. – Vocês sabem o que a ignorância de vocês causou? Vocês sabem o que vai acontecer com as crianças? Não vocês não sabem né? – ela estava com o dedo na nossa cara, nunca tinha visto Susana brava daquela maneira. – Vocês acham que sabem de tudo, mas o que deveriam saber não sabem. Daqui trinta minutos vamos sair e eu espero pra consciência de vocês que possamos salvar todas aquelas pequenas vidas. Já que o país vocês deixaram morrer. – ela não esperou resposta de ninguém apenas deu as costas e saiu correndo, Jace ficou parado nos olhando com um sorriso de diversão no rosto.

— Ela acabou com a gente. – disse Edmundo abraçando Lucia que estava com os olhos cheios de lágrimas.

— Ela tem razão, eu falhei como Rei. – respondi suspirando, Lili se aproximou de mim me abraçando de lado.

— Sim você falhou! – quando o rapaz loiro disse aquilo não contive a raiva e caminhei até ele, pronto para enfrentá-lo, porém ele desviou e começou a andar em circulo. – Você falhou como Rei e até como homem, afinal de contas perdeu a Susana. – ele tocou no meu ponto fraco, a perca do amor da Susana. – Porém agora ela vai tentar arrumar as coisas para vocês e um ponto importante é que ela não os acha incompetentes. – agora ele tinha parado estava distante de mim, encarrando a todos. – Eu acho vocês uns merdas, mas ela não. Ela só está assim, porque sabe o mesmo que eu. Nárnia foi atacada por demônios e esse tipo de demônio adora possuir e fecundar almas puras.

Quando ele disse aquilo um frio percorreu minha espinha, imaginar pequenas crianças sendo possuídas e até amantes de demônios fazia meu sangue ferver, eu não podia ter permitido aquilo, eu fui um inútil, eu deixei crianças inocentes serem levada, tudo porque estava ocupado demais imaginando maneiras de esquecer Susana. Agora não tenho reino, fiz mal ao meu povo e perdi a mulher da minha vida.

— Susana mesmo já passou por isso! – completou ele, cruzando os braços enquanto me encarrava.

— Como assim? – Lucia se soltou do Ed e caminhou se aproximando dele.

— Assim que a Su chegou, na primeira missão dela, ela acabou trancada num galpão e um demônio desse tipo tentou violentar ela. – ele falava com calmo, mas pela mão fechada em forma de punho, podia sentir a raiva dele. – Esse é outro motivo que ela odeia esses tipos de demônios.

— Caspian seu burro! – disse a mim mesmo socando uns dos sacos, enquanto via Jace saindo da sala.

— Caspian, a culpa não foi só sua, todos nos estávamos lá, todos nós erramos. – Pedro colocou a mão no meu ombro tentando me demonstrar confiança. — Vamos vencer essa batalha!

— Mas será que ainda podemos salvar aqueles que se foram?

— Eu espero que sim Ed! – Lucia abraçou o irmão e encarrando o chão de maneira pensativa.

Ficamos um tempo parados, apenas remoendo a culpa que cada um carregava em seu coração, eu precisava lutar, mas já não possuía forças. – Ei, todos vocês, a Rainha Gentil deve estar esperando, levantem essas cabeças e vão encontra-la, ela vai nos ajudar, podemos vencer! – disse Lili nos puxando pela mão.

Começamos a andar todos em direção ao salão central, ninguém falava nada, apenas andava, até que Ed parou e olhou para Lili. – Por que você falou de uma maneira que não iria conosco?

—Simples, não gosto de violências, tenho receio e até medo e a ultima aventura que a Rainha levou vocês teve muito disso e também estou pensando em tentar entender um pouco desse mundo.

— Desse mundo ou do irmão chato da Su? –perguntou Ed fazendo cosquinha nela.

— Ah Meu caríssimo Rei, com todo respeito, mas fique calado! – ela tentou se fazer de durona, mas todos nós estávamos sorrindo, chegamos ao salão tão rápido que nem percebemos. Susana já nos esperava, ela estava com os cabelos soltos, cores marcantes no rosto, aquela calça justa e uma blusa normal, suas botas tinham salto e suas espadas estavam pressas a um cinto na cintura e outro na coxa.

— Achei que as madames iam demorar um pouco mais. – disse ela seca nos encarrando de maneira dura.

— Desculpa Su! – Lucia se aproximou da irmã relando nos cabelos brilhosos dela. – Seus cabelos estão enormes Su, eles estão magníficos.

— Obrigada Lu, os seus também. – respondeu ela sorrindo para irmã, pelo olhar de Lucia pude perceber que aquele simples comentário fez seu coração se encher de alegria.

— Para onde vamos Su? – perguntou Pedro, tentando se aproximar dela.

— Procurar os irmãos do silencio. Eles tudo sabem sobre nossos mundos. – ela estava se virando para sair, mas a segurei pelo braço.

— Su me desculpa, eu falhei como Rei. – ela me olhava confusa e assustada. – Mas prometo te ajudar em tudo que puder, vou redimir meu erro salvando junto a você nosso povo. – ela ficou um tempo em silencio me olhando, até que suspirou e fechou os olhos.

— Isso é o mínimo que você poderia fazer depois de tudo Caspian. – ela se soltou de mim. – Agora pare de conversinha e vamos, temos muito que resolver!

Notas finais
Espero que tenham gostado, quem puder comenta, por favor! Qualquer critica, duvida, comentário, elogio, ou até um bom dia é só perguntar! Beijoooooooos ♥