Se descobrindo lentamente
5 Lost In Love
Notas iniciais
“Lost in love
And i don't know much
Was i'm thinkin
And i fell out of touch”
– Lost in love – Air Supply
Charlie's POV
Quando saímos da boate, dirigi até o apartamento de Sam, ela no banco carona. Logo ligou o rádio, me fazendo voltar no tempo, á seis anos antes, onde um episódio parecido acontecera, e dessa vez se repitira com outra música. Dessa vez era Friday i'm in love do the cure. Começamos a cantar juntos com a música, empolgados, quase gritando. O som estava bem alto. Sam colocou a cabeça para fora da janela, fechandos os olhos e sentindo o vento bater em seus rosto, enquanto seus cabelos cor de mel balançavam.
Eu dirigia, ora olhando para ela. Parecia animada, diferente da primeira vez em que eu a vi. Eu estava feliz por vê-la assim, por ter tido uma noite incrível com ela e o Patrick e admito, por tê-la beijado logo depois.
Alguns minutos depois, chegamos em seu apartamento. Ela se assustou ao me ver estacionar.
– Você não se esqueceu onde moro – ela disse, surpresa e rindo – isso é bom!
Sorri, a olhando, e ela sustentou, me olhando nos olhos.
Senti um frio na barriga, uma sensação anormal. Queria desviar o olhar mas não conseguia, era como se ela me prendesse pra si. Mesmo que estivéssimos bêbados, ou porque estivéssimos, eu não sei. Sabe quando fazemos uma coisa sem notar e quando vemos já fizemos? Não sei como foi, mas quando percebi, já estávamos com os lábios unidos em um beijo intenso. Era como se eu tivesse adormecido por um segundo e feito aquilo, eu realmente não sei.
Mas ali estávamos nós, nos beijando dentro do carro, sendo separados apenas pelo freio de mão que estava entre nós.
Cessei o beijo impaciente e tonto:
– Acho melhor te levar para dentro do apartamento, Sam, está tarde e você está tonta.
Sam riu e parecia ser de mim. Ergui a sombrancelha.
– Olha quem fala – ela respondeu entre o riso – sua voz está enrolada e você também está tonto. Ou seja, somos dois bêbados tontos.
Rimos juntos.
– Mas vamos pro meu apartamento – ela disse, abrindo a porta do carro, desajeitada – lá tem mais bebida e isso é muito bom.
Eu ri ao vê-la falando daquele jeito. Saí e a ajudei a sair também. Fomos, não sei como, até seu apartamento. Esbarramos em algumas paredes até finalmente chegar.
Sam abriu a porta e entramos, aliviados. Ela fechou novamente, enquanto eu me virava olhando o interior de seu apartamento, distraído. Como eu disse antes, era modesto, mas era bem arrumado e bonito.
Em seguida, me virei de volta para Sam e me deparei com seu rosto muito próximo ao meu. Ela tinha se aproximado ao ponto de nossos corpos se chocarem.
Ela levou uma mão a minha nuca e puxou em sua direção, enquanto eu facilitava indo em direção aos seus lábios rapidamente. O beijo foi quase que um tanto desesperado. Prendi Sam contra a porta da sala, enquanto nos beijávamos. Seus dedos entraram por entre meu cabelo, bagunçando-o enquanto ela passava as pernas em volta de minha cintura.
A apertei contra meu corpo, enquanto acelerávamos o beijo. Era torturante, eu não conseguia ter paciência, era como se nada fosse suficiente. E aqueles lábios, aquela pele...tudo era bom demais para ser verdade. Eu estava tonto sim, mas sentir sua pele macia encostar em mim me deixava ainda mais tonto.
Sam puxou minha jaqueta, tirando rapidamente, enquanto tentávamos continuar o beijo, um pouco falhado e ao mesmo tempo desesperado. Puxei sua coxa para mim, com força, a altura da minha cintura, subindo a mão em sua coxa, alcançando sua calçinha. Cessei sem avançar. Minha mão congelou quando Sam desceu os lábios ao meu pescoço e começou a beijá-lo. Meu corpo ficara arrepiado de forma torturante enquanto seus lábios quentes tocavam-no.
Apenas suspirei baixo, sentindo aquela sensação insana.
Segundos depois, Sam subiu os lábios até os meus, e puxou minha camisa muito rapidamente. Não pude ver com clareza, quando notei já estava sem camisa.
Uma das minhas mãos subiu, alcançando sua blusa e eu abri um a um os botões de sua blusa branca, enquanto ela mordia meu lábio inferior lentamente.
Ao terminar de desabotoar todos os botões, tirei a blusa de Sam, ainda a beijando. Beijá-la era incrivelmente bom, algo viciante. Suas mãos alcançavam cegamente o botão e o zíper da minha calça, desabotoando. Logo pude sentir uma de suas mãos dentro da minha calça.
Minha mão percorreu as costas dela, chegando até o botão do sutiã e desabotoando, de forma demorada mas anciosa.
Naquele momento, vi um lado diferente da Sam que eu não conhecia. Ela parecia impaciente, tanto quanto eu, mas seu rosto parecia pedir pra eu ir mais rápido, sem que precisasse se pronunciar. A livrei do sutiã. Seus seios estavam empinados em minha direção, claramente duros, naquela pele clara e macia. Levei uma das mãos, apalpando um de seus seios. Sam cessou o beijo, suspirando baixo, próximo ao meu rosto.
Desci meus lábios, beijando seu pescoço. Aquela pele incrivelmente macia e cheirosa. Como ela conseguia ser tão perfeita? A ouvi suspirar mais alto, enquanto sua pele arrepiava com o contato.
Subi os lábios, em direção aos dela, selando com pressa, enquanto eu descia sua saia, com pressa e ela me ajudava a tirá-la.
Ela fez o mesmo, tirando minha calça em seguida.
Voltamos a nos beijar com mais intensidade, e a puxei pela cintura, fazendo nossos corpos se tocarem de forma devastadora. Senti meu membro esbarrar em sua coxa com violência, nos fazendo falhar entre o beijo. Seus seios encostaram minha pele, seu corpo estava suando e ao mesmo tempo estava arrepiado. O meu também estava da mesma forma.
Enquanto eu estava a beijando impaciente, senti sua mão entrar dentro da minha boxer, tocando meu membro. Aquele choque foi dolosamente bom, suas mãos eram macias e delicadas. Respirei fundo, como se o ar que eu respirasse não estivesse sendo suficiente.
Voltamos a nos beijar enquanto chegávamos ao sofá, onde me sentei e Sam me olhou nos olhos, em pé, sustentei o olhar, sem dizer nada, e Sam desceu sua calcinha. Em seguida, se sentou no meu colo e voltamos a nos beijar, com ância e pressa. Eu estava impaciente, como se nada daquilo fosse suficiente, meu corpo pedia por mais.
A mão de Sam deslizou no meu peito enquanto nos beijávamos, e sem cessar, continuou descendo, repousando encima da minha boxer. Minha respiração ficou acelerada, assim como a dela.
Levei uma das mãos em seus seios, massageando devagar, enquanto ela levava a mão dentro da minha boxer, me fazendo irrigecer, falhando minha respiração.
Sua mão segurou meu membro para fora da boxer, enquanto ela me beijava devagar. Suspirei por entre o beijo, enquanto acariciava sua coxa, tentando conter a impaciência.
Cessamos o beijo e Sam me olhou nos olhos, como se dissesse algo pelo olhar, porém não pude identificar o recado e nem queria que pronunciasse, tive medo de que pudesse mudar de ideia e se levantasse daquele sofá a qualquer momento.
Eu estava sentindo meu corpo pegar fogo, á muito tempo não me sentia daquela forma, se é que já sentira alguma vez, porém eu estava latejando. Sam estava me causando aquilo.
Voltamos a nos beijar e segurei em sua cintura, puxando seu corpo para mim, ansioso. Nossos corpos se chocaram completamente e Sam suspirou mais alto quando seus seios tocaram meu corpo. De repente, nos olhamos nos olhos um do outro, calados. Sam segurou meu membro, sem desviar o olhar, enquanto levantava seu corpo em direção a ele, se encaixando devagar. Então deixou que entrasse dentro de si, lentamente. Estava sentada em meu colo, seu corpo encostado sobre o meu, cada parte. Aquilo me deixara alucinado, mesmo que estivesse muito bêbado, eu podia sentir tudo claramente, os arrepios, a impaciência, a vontade de tocar em cada parte de seu corpo...nada parecia menor naquele momento.
Respirei fundo, a olhando nos olhos enquanto ela se movimentava em meu colo, suspirando alto, fazendo meu membro entrar e sair completamente dentro dela. Uma de suas mãos passeou até minhas costas a fazendo ficar completamente colada á mim, enquanto se movimentava cada segundo mais rápido, fazendo seu suspiro ficar mais alto e ofegante. Nossa pele se encostara, fazendo-me tomar ciência de que não era o único a sentir o corpo pegar fogo naquele momento.
Apesar de já estar excitado e acreditar ser suficientemente bom, algo em meu corpo pareceu se desesperar a cada segundo, pedindo por mais, e ver Sam revirar os olhos, em êxtase excitou-me de tal forma que era inquestionável, era como se o prazer dela me causasse prazer instantaneamente. Nunca havia sentido isso com Jennifer.
Levei meus lábios até seus pescoço desesperadamente, beijando sua pele macia, como se aquilo fosse a melhor coisa, e realmente era, sentir seu cheiro era incrivelmente bom.
Levantei o rosto, em direção a sua orelha, mordendo o lóbulo e puxando com os dentes lentamente, enquanto a ouvia gemer baixinho perto do meu ouvido, se movimentando rápido e ofegante.
Seus seios subiam e desciam conforme ela se movimentava com rapidez encima de mim.
De repente, ouvi o início da música Losing My Religion do R.E.M, eram meu celular. Eu e Sam cessamos, nos olhando, um pouco ofegantes.
– É meu celular – falei, a olhando.
Ela suspirou, um pouco séria.
– Vai atender? – perguntou.
Voltei a beijá-la como resposta. Ela correspondeu, colando seu corpo no meu com mais intensidade e um pouco mais de violência. Tive a impressão que estava feliz por eu não ter atendido o telefone. Não que eu estivesse reclamando, isso me empolgou.
A beijei com tamanha intensidade mudando nossas posições no sofá rapidamente. Não sei como fiz, mas foi algo rápido. A deitei por baixo de mim no sofá, assumindo o controle. Puxei suas coxas para mim, com força e nossos corpos se encaixaram, feito um quebra-cabeças, fazendo-me penetrar nela com mais intensidade. Nos olhamos nos olhos por alguns segundos, sem dizer nada. Eu não podia saber o que Sam estava pensando, sua expressão não me davam muita vazão de entendimento, mas saberia se não quisesse estar ali comigo, eu realmente saberia.
Comecei a ir e vir, apoiando minhas mãos no braço do sofá, enquanto a olhava pender a cabeça para trás, gemendo baixo. Seu corpo se movimentava junto com o meu, como em uma sincronia que eu não poderia descrever, era como se o corpo dela fosse feito para o meu e vice e versa.
Suas mãos passearam pelas minhas costas enquanto eu estocava cada vez mais rápido, a vendo gemer mais alto, com as unhas penetrando a minha pele. Aquilo estranhamente me excitara ainda mais, perdendo a noção da rapidez em que eu estocava. Eu respirava de forma irregular enquanto ela gemia cada vez mais alto, me fazendo ficar cada vez mais louco. Ouví-la gemer me excitava, assim como vê-la revirar os olhos em êxtase.
Por alguns momentos, parte de mim temia machucá-la, porém ela não parecia se importar, implorando por mais sem precisar dizer algo, apenas estimulando-me de forma apressada.
Sam gemeu coisas inteligíveis antes de deixar escapar meu nome em seu timbre excitado e desesperado pelo ápice. Eu respirava fundo, procurando por uma lufada de ar, e ao mesmo tempo sem muito controle do meu corpo. Seus dedos deslizaram sobre minha pele suada e ela gritou, pendendo novamente a cabeça para trás quando chegou ao seu ápice após minha última estocada.
Ela respirou exausta, fechando os olhos por alguns segundos, a observei também ofegante, só então me dando conta de que estava encima dela ainda, por fim me levantei e ela segurou meu braço, abrindo os olhos.
– Fica aqui – disse, abrindo um sorriso.
A olhei, aquele sorriso paralisava cada parte do meu corpo, inclusive minhas cordas vocais. Não hesitei, embora não achasse justo ficar deitado encima dela, o sofá era estreito. Continuei onde estava, enquanto a olhava por baixo de mim, sustentar meu olhar, com um sorriso discreto.
Ficamos ali por um bom tempo, calados e pensativos, deitados. Estava bom, principalmente quando ela levou uma das mãos na minha cabeça fazendo-me cafuné, senti o sono chegar com violência fechando meus olhos rapidamente.
[…]
Uma luz forte invadiu minha visão me fazendo acordar assustado. Era algo típico pra quem tinha a cama do quarto de frente para a janela, porém eu nunca me acostumava.
Abri os olhos devagar, me dando conta de onde estava. Minha cabeça estava doendo muito e eu a sentia como se girasse. Me sentei confuso. Logo notei que estava deitado de bruços no sofá. Me lembrei da noite anterior rapidamente. Aquele era o sofá da casa de Sam. Mas como ela não estava ali, como não a senti se levantar se estava por baixo de mim? Sacudi a cabeça, confuso. Tinha bebido tanto que me sentia perdido ainda. Estava coberto por um lençol fino, verde oliva. Apenas isso.
Sam se aproximou, estava vestida com uma blusa simples, short e seus cabelos estavam molhados, segurando uma toalha de banho nas mãos, me olhou sorridente.
– Já acordou – disse, se sentando do meu lado, sorri de volta, ainda sonolento – Nem com ressaca você perde o costume de madrugar. Não é mesmo?
Ri junto com ela.
– Como está se sentindo? – perguntou, me olhando.
– Estou com dor de cabeça e muita sede – respondi, coçando a cabeça. De fato estava com muita sede, minha garganta desejava um copo de água bem gelada naquele momento – normal pra quem não bebe a tanto tempo.
Sam sorriu, um pouco sem jeito, dessa vez parecia hesitar entre me falar algo ou não, parecia pensativa. A olhei esperando se decidir.
– Charlie...
– Algum problema?
Ela me olhava com um sorriso, dessa vez desconsertado, confuso, pensativo, quase ofuscado. Eu estava ficando nervoso e curioso. Ela hesitou.
– Sam, pode falar – insisti, um pouco nervoso.
Ela respirou fundo.
– Seu celular tocou umas quinze vezes – ela respondeu, ficando séria – e todas as vezes em que o vi tocar, era a Jennifer ligando. Não atendi porque obviamente não seria a melhor coisa a fazer, e também não quis te chamar porque parecia dormir muito profundamente, sabia que estaria de ressaca. Eu... acho melhor você ligar pra ela. Deve estar muito preocupada.
Claro, Jennifer. De repente, voltei ao que parecia ser minha estranha realidade. Bufei, um pouco sério, sem responder.
– Desculpe – Sam notou e tentou se desculpar. A olhei por alguns segundos. Mas se desculpar pelo que exatamente? Por me fazer incrivelmente feliz noite passada?
– Pelo que, Sam? Você não fez nada – respondi, prendendo o lençol na cintura e me levantando do sofá – Você agiu certo em não atender, e tudo bem não ter me acordado. Vou dar um jeito.
Forcei um sorriso e peguei o celular, na mesa da sala. Ela sorriu de volta, gentilmente.
Liguei para o celular de Jennifer. Digamos que eu estava sem raciocínio lógico naquele momento e não sabia o que dizer exatamente, mas preferi não pensar muito antes de agir, pois sempre fazia isso e nunca tomava nenhuma atitude.
– Charlie, Graças a Deus! – a voz de Jennifer atendeu desesperadamente minha ligação.
– Hãn...Oi, Jennifer – respondi, como disse, um pouco sem raciocínio – O que houve?
– Como assim o que houve? Te liguei a madrugada inteira – ela disse, como se aquilo fosse absurdamente óbvio – Você não atendeu a nenhuma das minhas ligações, Charlie. Te liguei ás três da manhã e não atendia, tornei a te ligar de manhã e continuou sem atender. Quero saber o que aconteceu, onde esteve, porque não atendeu ao celular.
Respirei fundo. Essa era Jennifer, sempre exigente, observadora, perspicaz e tudo que de certa maneira me causava medo as vezes.
– Eu estou na casa do Patrick. Esqueceu? – respondi como se aquilo parecesse óbvio – Eu te falei que iria pra casa do meu amigo ontem. Por que o susto? Nós bebemos a noite toda, jogamos cartas e vimos filmes. Meu celular se perdeu nas garrafas de bebidas pela mesa e não o ouvi vibrar. Me desculpe se não escutei, e se não retornei. Ainda estou de ressaca.
Naquele momento admito que me assustei um pouco. Não sei de onde tive uma imaginação tão fértil de forma tão imediata. Nunca fiz isso. Já menti como todo mundo mas nada que me fizesse usar a imaginação dessa forma. Talvez porque nunca precisei. Sam também me olhou um pouco surpresa.
– Uau! Então ficou enchendo a cara com o amigão Patrick, hm? – ela respondeu, com a voz séria um autoritária – Podia pelo menos avisar que dormiria na casa dele, assim eu ficaria menos despreocupada.
Suspirei impaciente, porém me segurando. Não queria dizer algo naquele momento, nem teria condições. Jennifer costumava ser autoritária o tempo inteiro, essa definitivamente era uma parte que eu não gostava nela.
– Na próxima eu te aviso – respondi, um pouco seco.
– Certo, Charlie – a voz dela ainda estava séria – então depois conversamos.
Desliguei o celular e bufei, impaciente. Sam me olhava preocupada.
– Charlie...
– Está tudo bem – respondi, mais calmo – É que Jennifer costuma ser um pouco autoritária e me liga mais do que imagina. Ás vezes não atendo e ela fica desse jeito.
– E por que não atende? – Sam riu – Se bem que ligar quinze vezes não é algo muito normal.
– Exatamente – respondi – ela me liga o tempo todo, ou vai no meu apartamento o tempo todo. Não é sempre que posso atender as ligações dela ou rebecê-la. Meu trabalho é corrido, minha vida é corrida.
Sam riu novamente.
– Isso me lembrou as ligações frequentes da sua mãe – ela disse, me olhando – e você reclamava.
Respirei fundo.
– Sinceramente, eu preferia as ligações da minha mãe – respondi, rindo junto com Sam.
Me sentei novamente no sofá ao lado dela, pensativo. Ela encostou a cabeça no meu ombro. Seus cabelos molharam minha pele. Ficamos alguns minutos calados, provavelmente pensado na mesma coisa.
Nunca tinha traído Jennifer, sequer tive motivos pra isso. Não que eu a amasse demais para traí-la, mas nunca achei interessante fazer isso, até porque nunca parei para notar outras garotas, sempre tive uma vida corrida. Na época em que fazia faculdade, eu apenas estudava, e hoje em dia, eu tenho feito apenas duas coisas: estudar e trabalhar. Namorar Jennifer não foi uma escolha espontânea, até porque foi ela quem me pediu em namoro, e eu devo admitir que era uma linda garota, portanto não vi motivos pra negar seu pedido. Na verdade, eu não fazia escolhas espontâneas a muito tempo, digo escolher algo pela qual realmente anseio e desejo, o que fiz desde que nasci fora viver e viver, a única coisa intensa e verdadeira que realmente me apareceu foi Sam ao ápice dos meus dezessete anos, e desde então só tenho desejado vê-la novamente, talvez por isso não consegui me policiar em tê-la pra mim noite passada, e ela também não.
– Não deveríamos ter dormidos juntos, Charlie – ela disse de repente, me fazendo despertar dos pensamentos que me levaram ao mesmo assunto – isso foi loucura.
Suspirei sem responder. Discordava com o fato daquilo ser loucura. Não conseguira ver insanidade em dormir com alguém que eu gostava a seis anos.
– Por que acha que foi loucura? – perguntei como resposta. Eu já sabia obviamente o que ela me responderia, mas perguntei mesmo assim.
Sam levantou a cabeça e me olhou.
– Sério que está me perguntando isso? Você acabou de ligar pra sua namorada porque ela estava desesperada por você não atender as ligações dela, Charlie – Sam respondeu um pouco séria, me olhando nos meus olhos – não quero atrapalhar sua vida, seu namoro. Acho que esteve muito bem sem mim até agora, e não quero mudar as coisas.
A frase “Acho que esteve muito bem sem mim até agora, e não quero mudar as coisas” me causou um certo choque quando chegou aos meus ouvidos. A olhei indignado.
– Lembra quando namorei a Mary Elizabeth? Achou mesmo que eu estava feliz? – eu disse, com a voz séria e indignada – Eu não aguentava mais ter que pegar nos seios dela enquanto nos beijávamos, e não aguentava mais ouví-la me policiando, e ter que beijar ela o tempo todo, e um monte de outras coisas. Acha que sou feliz com a Jennifer? Acha que fui feliz nesses seis anos? Eu nunca mais fui o mesmo desde que desapareceu, Sam. É assim que eu me sinto.
Sam me olhou um pouco séria e assustada.
– Então por que namorou a Mary Elizabeth? – ela devolveu, com a voz fraca e triste – E a Jennifer?
De repente senti como se tivesse engolido um limão. Estávamos tendo uma conversa estranha, aquilo me deixava frustrado.
– A namorei porque...ela era uma garota legal, achei que eu poderia te esquecer, viver minha vida, sei lá – respondi, mas nem eu entendia o que estava falando – e a Jennifer é ainda mais diferente porque achei que nunca mais te veria, precisava ficar com alguém, e acho que a única pessoa que eu seria capaz de ficar depois de você seria ela.
Sam me olhou desanimada.
– Acha que se eu soubesse que te veria novamente, eu namoraria a Jennifer? Se eu tivesse que ficar com alguém que realmente gosto mas você nunca voltasse, eu iria morrer sozinho– desabafei, com um tom indignado – Antes da Jennifer ainda te esperei muito, não aceitei me envolver com ninguém, tive esperanças. Não faço isso porque sou um pervertido ou porque quero iludir alguém. Eu também não quis iludir a Mary Elizabeth. Não gosto disso.
Sam ficou me olhando, séria. Suspirei desanimando.
– Eu te conheço, Charlie – ela respondeu, de repente – só não quero confusões pra você.
– Mas não vai ter confusões – a olhei nos olhos. No fundo eu só não queria que ela fosse embora novamente. Só de pensar, aquilo me perturbava.
Ela se aproximou de mim, moldando nossos lábios com um certo desespero, e beijou rapidamente. Correspondi o beijo, que logo cessou e ela me olhou nos olhos, de um jeito preocupado.
Repentinamente, a porta atrás do sofá da sala se abriu. Sam e eu nos viramos para trás assustados e Patrick nos encarou, entrando sala a dentro, fechando a porta.
– Bom dia, crianças, o papai chegou! – ele disse, com o ar animado e histérico – Eu sabia que estava aqui, Charlie.
Ao se aproximar de nós, ele se assustou por me ver apenas com um lençol na cintura.
– Ops – ele disse, soltando uma gargalhada – Péssima hora pro tio Patrick chegar, não é?
Sam se levantou sem graça.
– Não, Patrick, esse é o seu ex apartamento e tem a chave daqui – Sam respondeu, abrindo um sorriso sem graça – se não tomei a sua chave é porque ainda pode vir quando quiser.
– Ok, obrigado então – ele respondeu, se jogando no sofá, do meu lado. Apesar do óbvio, eu não conseguia me sentir muito a vontade, apenas olhei calado.
– Vou na cozinha preparar um café pra gente – Sam disse, andando rapidamente até a cozinha.
Patrick olhou pra mim, como se me esperasse dizer algo.
– O que foi? – perguntei.
– Sério mesmo? Te vejo só de lençol do lado da Sam e não quer me contar nada? – ele disse, seguido de uma risada – Ok, também não quero detalhes. Mas pode ter certeza de que a Sam vai me contar tudo mais tarde.
Fiquei olhando. Tinha me esquecido de como eram amigos, além de meio irmãos.
– Desculpe por ontem – respondi – te deixamos sozinho.
Patrick riu freneticamente.
– Está tudo bem – ele respondeu e de repente desanimou, ficando calado.
– Aconteceu alguma coisa? – perguntei.
Patrick suspirou, abrindo um sorriso forçado.
– Meu namorado me traiu – ele respondeu, me olhando.
Fiquei assustado. Não esperava ouvir isso se ontem mesmo ele falava do tal namorado de forma tão animada.
– Espera – respondi, surpreso – mas como assim?
Conversamos durante um bom tempo, e Sam também entrou na conversa, com algumas canecas de café bem forte. Aquela manhã foi no mínimo reveladora. Patrick não estava nada bem.
[…]
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