Notas iniciais
Bom dia amores! Tudo bem com vocês? Então, eu resolvi postar hoje, um pouco mais cedo, porque provavelmente amanhã não terei tempo, por causa das provas. E também porque fiquei contente com os reviews que me deixaram, mas, é claro, que mais gente poderia aparecer, afinal, apenas 8 leitores comentando, sendo que vocês já são mais de 40 lindões? Podem aparecer, gente, eu não mordo não! AHAHA Ai, tá, vou parar de mendigar review e deixar vocês lerem esse capítulo porque ele ficou bem legal. Pelo menos, eu gostei...

Mahara Carter POV

Acordamos cedo e fomos andar na continuação da trilha, que andava ao lado do paredão de pedras até uma colina mais baixa e segura, até o topo do paredão. Andávamos em dois em dois, e Andie ia ao meu lado.

– O que aconteceu ontem à noite? – Perguntou ela baixinho, para que apenas eu ouvisse. Dan estava mais a frente, caminhando ao lado de Luke. – Depois que eu fui para a barraca?

– Nada, Andie.

– Pelo jeito que você entrou ontem, algo havia acontecido. Você estava calada, corada e constrangida. Agora me diga, o que houve?

– Nada, Andie! Que coisa! – Exclamei. Ela deu de ombros.

– Tudo bem então. Mas me diga...

– O quê? – Perguntei já meio irritadiça.

– John está solteiro, não está?

– Está. Por quê?

– Por que eu não me importaria em esquentá-lo nestas noites frias que tem dado, dentro da nossa barraca fria...

– Andie! – Repreendi-a, e baixei mais a voz. – Você sabe que não podemos nos relacionar com ninguém que tenha a ver com o trabalho.

– E quem disse que alguém tem que ficar sabendo? Ah, qual é, você acha mesmo que eu não iria reparar nele? Que eu não ia me interessar? E nem você por ninguém? Me poupe, Flor do Campo.

– Não me chama assim.

– Seu nome é este. – Ela riu.

– Não é, não, meu nome é Mahara...

– Que significa Flor do Campo em havaiano. Eu sei, eu sei.

Revirei os olhos e continuamos caminhando colina acima. O caminho era ladeado, de um lado, pelo paredão de pedras, e pelo outro, pelas árvores altas e cheias de folhas bem verdes e flores, que faziam sombra no chão. Os passarinhos cantavam incessantemente, e ás vezes uma borboleta aparecia e cruzava nosso caminho. Eu acreditava que borboletas eram uma espécie de presságio: quando uma branca aparecia, era sinal de paz; quando uma vermelha aparecia, era sinal de amor; e quando uma preta aparecia, era sinal de desgraças a caminho.

Subimos a colina por mais uns quinze minutos, até que chegamos ao topo. Era lindo. Dali, tínhamos vista para a reserva inteira, e bem ao longe, podíamos ver os contornos dos prédios da cidade. A cachoeira caía abaixo de nós, com seu som estrondoso; e ali haviam mais e árvores fazendo sombra nas margens do rio, e nos cantos da pequena “clareira” – pois ali tinha um intervalo de árvores – haviam arbustos floridos. Cansados, nos sentamos abaixo de uma das árvores, na sombra.

Encostei-me ao tronco da árvore e fiquei olhando para o céu, bem parada. Os outros também não falaram nada, só ficaram parados, respirando, tentando recuperar o fôlego. Eu estava distraída, olhando para um bando de aves voando ao longe, quando notei algo tocar minha mão. Olhei para baixo e vi uma borboleta vermelha pousada nas costas de minha mão direita. Lentamente, ergui a mão e trouxe a borboleta até a linha de meus olhos, e sorri.

– Que fofa. – Ouvi Eleanor dizer. Olhei para ela e notei que todos estavam me olhando com a borboleta, que imediatamente levantou voo. Acompanhei-a com o olhar, sorrindo.

– Bati uma foto sua com a borboleta, achei fofa demais a cena. – Disse Dan. Apenas sorri em concordância. Começamos a conversar, e Dan e eu agíamos como se nada tivesse acontecido. Bem, não aconteceu mesmo. Quase aconteceu. Ou era fruto da minha imaginação fértil.

Fizemos um piquenique ali em cima, almoçando feito vegetarianos fazendo dieta, e meia hora após o almoço, resolvemos retornar. Descendo a colina, notei que vinham nuvens escuras em direção onde estávamos.

– Acho que irá chover hoje a noite. – Comentei.

– Não pode chover... Pode estragar com nossos planos! – Disse Perrie.

– Talvez sejam apenas nuvens escuras, mesmo. – Disse Sean.

– Andie, só para garantir, nossa barraca é impermeável, não é?

– Pode ficar tranquila, é sim.

Continuamos caminhando até retornarmos ao acampamento, e resolvemos cair na piscina natural novamente.

– Mahara, você tem duas tatuagens, mas não consegui entender o que elas dizem... O que são? – Perguntou Dan, aproximando-se e sentando-se ao meu lado, acima da pedra submersa.

– Esta aqui – Apontei para minha lateral esquerda, logo abaixo da linha do tecido do biquíni, onde estava escrito “famiglia sono angeli senza ali” – Significa “família são anjos sem asas”.

– Bonito significado.

Sorri, corando levemente. Que raiva de mim, corando fácil com qualquer coisa que Dan me diga! Apontei para a tatuagem na minha lateral direita, também abaixo da linha do tecido do biquíni.

– E esta significa “ao infinito e além” em havaiano nativo.

– São bonitas. Eu gostei. – Disse ele, me olhando sorrindo. – Você nunca disse que tinha tatuagens.

– Você nunca perguntou se eu tinha...

Ele riu e assentiu. Ficamos conversando e brincando na água até escurecer, quando fizemos reacendemos a fogueira e fizemos algo melhor para comermos. O céu estava muito, muito escuro – parecia que a minha previsão do tempo iria se realizar. Mas já que Andie disse que a barraca era impermeável, eu estava tranquila.

Algumas horas depois.

Um trovão ribombou no céu e eu acordei com a chuva molhando nossa barraca inteira, e consequentemente, a gente.

– ANDIE! – Gritei, para ser ouvida através do barulho da chuva e da ventania. – VOCÊ DISSE QUE A BARRACA ERA IMPERMEÁVEL!

– MAS ERA! EU PEGUEI A BARRACA DO MEU IRMÃO ENGANADA!

– DROGA, VOU SAIR DAQUI!

Abri a barraca e saí correndo, sem pensar duas vezes. A barraca mais próxima era a de Dan, e foi para lá que fui, inconscientemente.

– DAN! DAN! ABRE! ACORDA! ABRE! – Gritei desesperada, sacudindo a barraca mais do que o vento a sacudia. Uma luz se acendeu ali dentro e a portinha da barraca foi aberta, e sem pensar me joguei dentro dela, atropelando um Dan que, assustado, caiu, mas rapidamente levantou e fechou a porta antes que a chuva molhasse tudo ali dentro.

– Mahara! O que houve? – Perguntou ele. – Você está encharcada!

– A b-barraca não e-era impermeável coisa alguma. – Eu disse, gaguejando devido ao meu queixo que tremia.

– Meu Deus, você está tremendo de frio... Coloca uma roupa minha para te esquentar... – Ele disse, preocupado, pegando sua mochila e tirando uma camisa azul marinho e uma... Cueca boxer preta de lá de dentro. – Veste.

– Vestir a sua cueca?! – Perguntei incrédula.

– Está limpa, ok? E é melhor do que você ficar com esse seu short curto e ensopado.

Suspirei.

– Tudo bem... Vire-se, não vou me trocar na sua frente.

Ele riu e se virou, ficando de costas para mim. Olhando para ele, tirei minha blusa e coloquei a dele, que tinha seu perfume. Fiz um esforço e uma espécie de contorcionismo e consegui colocar sua cueca e tirar meu short e lingerie molhados. Quando terminei, fiquei olhando para ele. Seus cabelos estavam bagunçados – ele devia estar dormindo; sua nuca de pele clara, com uma pintinha marrom; seus ombros largos... Até de costas ele era bonito.

– Pronta? – Perguntou ele.

– Pronta. – Respondi suavemente. Ele se virou e me olhou. Sorriu.

– Ficou linda com a minha roupa.

Corei absurdamente. Ele riu, constrangido.

– E Andie... Será que ela conseguiu entrar na barraca de alguém...? – Perguntei.

– Pelo “silêncio”, sim. Mas se ela entrou na barraca onde eu acho que entrou, pode ser que esse “silêncio” não dure tanto assim. – Disse Dan, rindo malicioso.

– O que você quer dizer com isso?

– John está afim dela. – Disse ele. – E se ela foi até a barraca dele, ele iria recebê-la bem feliz.

Rimos juntos.

– Acho que mesmo que ela entrasse lá e acontecesse isso, não iríamos ouvir por causa da chuva. – Comentei.

– Tem razão. Por isso eles devem estar aproveitando a situação. Mas não quero saber disso, não!

– Nem eu!

Rimos mais uma vez. Dan se deitou e fez sinal para que eu me deitasse ao seu lado, e foi o que eu fiz. Ele passou o cobertor por cima de nós dois, e apagou a luz. Ainda sim, eu conseguia vê-lo nitidamente.

– Boa noite, Mahara.

– Boa noite, Dan.

Sorrimos um para o outro e ele fechou os olhos, em seguida, fechei os meus. Por um bom tempo, tudo o que eu ouvia era a chuva lá fora, o vento e a respiração de Dan. Eu não conseguia pegar no sono, mas fiquei na mesma posição, sem nada dizer, esperando o sono chegar. Parecia que depois do susto, e de ter parado ali junto de Dan, usando as roupas dele, o meu sono fora completamente embora.

– Tão linda... – Ouvi a voz de Dan dizer, baixinho. Fingi que dormia, e fiquei quieta. Senti sua mão tocar minha bochecha e acariciá-la levemente. – I must be in heaven, cause I'm looking at na angel...

– Whose staring back at me, his eyes so heavenly… — Continuei a cantarolar a música, abrindo os olhos e olhando-o. Dan arregalou os olhos, e mesmo com a escuridão, vi que ele corou. Nenhum de nós disse nada, só ficamos nos olhando. Dan foi aproximando nossos rostos devagar, e eu nada fiz contra isso. Parte de mim – grande parte, e assustadora parte – queria que ele se aproximasse mais, e fizesse o que queria fazer.

Fechei meus olhos por antecipação, esperando o toque dos lábios dele. Meu coração devia estar batendo a milhares de batimentos por segundo, tão rápido e tão alto que jurava que ele poderia escutar mesmo com o barulho da chuva – mas nem isso eu conseguia escutar mais.

Os lábios dele encontraram os meus.


Notas finais
E aí, o que me dizem a respeito?