Notas iniciais
Boa tarde amores! Estou em feliz em ver como vocês tem aparecido. Viram como não dói? AHAHAHA Então, espero que não me matem com esse capítulo, e é isso aí!

Mahara Carter POV

A língua dele pediu passagem por entre meus lábios, e eu notei o que estávamos fazendo. Pus minhas mãos em seu peito e gentilmente empurrei-o para trás.

– O que nós estamos fazendo? – Perguntei confusa. Eu havia acabado de beijar meu melhor amigo? Não pode ser.

– E-Eu não sei... Isso não está certo... – Disse ele, tão nervoso e confuso quanto eu. – Você é minha m-melhor amiga. N-Não...

– Vamos fingir que nada aconteceu. – Eu disse, soando até mais firme do que imaginei que poderia soar. Dan assentiu, respirando fundo. – Boa noite, Dan.

– Boa noite, Mahara.

Virei-me para o outro lado, e com frio, puxei a coberta até minha orelha. Senti Dan se mexer e logo suas costas tocaram as minhas. Olhei para a parede da barraca, e fiquei pensando no que havia acabado de acontecer. Eu realmente havia beijado o meu melhor amigo, meu protegido, e isso definitivamente não poderia acontecer de maneira alguma. Parte de mim protestava, com vontade de beijá-lo, e isso me assustava. Não se sente atração pelo o melhor amigo, e disse para mim mesma, para essa parte protestante, que isso não voltaria a se repetir.

Ao mesmo tempo que não podia, não queria, eu queria, eu sabia que podia.

Entrei em um conflito interno contra mim mesma, e de tanto brigar, cansei e adormeci.

Dan Evans POV

Mas o que deu em mim para beijar a Mahara?

Era tudo o que eu conseguia me perguntar. Quando acordei, ela não estava mais na barraca, e a chuva havia parado. Levantei e encontrei-a do lado de fora, fazendo café na fogueira junto com Andie e Luke. Ela sorriu para mim e me cumprimentou como se nada houvesse acontecido – como combinamos na noite passada. Então, era desta forma. Esse beijo deveria ser esquecido.

Depois do café, começamos a jogar futebol (ou algo semelhante a isso) no gramado da clareira, enquanto Eleanor e Perrie ficavam conversando com os pés dentro da água e Sean era nosso “juiz” que entrava no jogo volta e meia, “substituindo” qualquer jogador, independentemente de times. Mahara jogou conosco, no time adversário. E tenho que admitir que ela joga bem. Ela driblou todos nós (eu, John, Andie) até um de nós recuperarmos a bola. Quando estávamos cansados e resolvemos parar de jogar, o time dela (Mahara, Luke, Jack) havia marcado dois gols, e o meu, um.

Enquanto descansávamos, sentei-me ao lado de John e sorri malicioso.

– Então... Como foi passar a noite com a Andie?

– Eu não passei a noite com a Andie, passei ao lado da Andie. – Disse ele, dando ênfase em “com” e “ao lado”.

– Não que esta fosse a sua vontade, claro. – Eu disse. Ele riu.

– Eu não quero ir tão rápido assim. Mas, se isso for satisfazer sua curiosidade, eu a beijei ontem à noite. – Disse John, e eu ri.

– O que há de tão engraçado?

– Eu jurava que isso iria acontecer mesmo. Vocês dois, passando a noite juntos na mesma barraca...

– Falando em passar a noite juntos na mesma barraca... – Começou John, com olhar e sorriso maliciosos e cruzando os braços. – Como foi passar a noite com a Mahara?

Lembrei do beijo, e sorri. Disfarcei com humor.

– Eu não passei a noite com a Mahara, passei ao lado da Mahara. – Eu disse, imitando-o, risonho. John riu e levantou as sobrancelhas incrédulo.

– Nem um beijinho?

– Não John. Ficou louco? Ela é só minha amiga. Apenas isso.

– “Somos só amigos...” E é assim que tudo se começa...

– Assim se começa o que? – Perguntou Mahara sentando-se ao nosso lado.

– Nada! – Respondemos em uníssono. Ela nos olhou desconfiada e mudou de assunto.

Depois, fizemos um almoço baseado em macarrão instantâneo e ficamos meia hora deitados conversando, olhando para o céu. Depois trocamos de roupa e fomos para a cachoeira, novamente, boiando, brincando dentro da água.

– Acho que dá para deixar isso mais emocionante. – Disse Mahara, nadando até as pedras que ficavam mais perto da queda de água. Ficamos todos a olhando, para ver o que ela iria fazer – mas eu tinha uma hipótese muito provável. Ela subiu nas pedras e caminhou até um trecho que parecia uma escada, e subiu lá também. Quando parou, estava a uns três ou quatro metros e meio de altura.

– O QUE VOCÊ VAI FAZER? – Perguntou Luke, gritando.

– Ela vai pular de lá. – Eu disse, preocupado. E se ela se machucasse?

Mahara pulou sorrindo. Seu corpo afundou dentro da água, e graças ao fato dela ser cristalina (como a água não ficou cheia de barro devido a chuva, não sei explicar), conseguimos vê-la por os pés no fundo, tomar impulso e retornar a tona, sorrindo alegre.

– Essa garota é louca. – Comentou John baixinho, ao meu lado.

– E só agora você notou? – Perguntei de volta, sorrindo. Ela nadou até onde eu estava, e parou sorridente.

– O que foi? É legal. Vocês deveriam tentar. Dá uma adrenalina gostosa. – Disse ela. – Fora que ficaria feio para vocês se somente eu fosse a corajosa, vocês ficariam como mariquinhas.

Nós rimos com gosto.

– Ok. Eu vou. – Disse Sean.

– Ei, toma cuidado. – Disse Eleanor. – Aquelas pedras são escorregadias, você pode cair.

– Não se preocupe, Ellie. – Disse ele, beijando-a levemente nos lábios e nadando até lá. Percorreu o mesmo percurso que Mahara e logo em seguida se lançou de lá de cima. Quando retornou a superfície, sorria.

– Mahara tem razão! É legal! – Exclamou ele.

– Eu disse...

Perrie logo tomou coragem e fez a mesma coisa; Luke foi o próximo; John também foi; Eleanor foi com Sean. Logo, só restou eu e Jack. E Jack não pularia de jeito algum devido ao seu medo de águas profundas.

– Vamos lá, Dan. – Disse Mahara. – Quer que eu vá com você?

Ponderei um minuto.

– Tudo bem. Você venceu. – Eu disse, suspirando. Ela sorriu animada. Nadamos até lá, e subimos nas pedras. No momento em que me levantei, se Mahara não tivesse me segurado, eu teria caído de volta na água novamente. Nós rimos juntos, e eu estava nervoso. Subimos a espécie de escadaria natural até o trecho de onde todo mundo pulou, e nos posicionamos. Mahara segurou a minha mão. Olhei-a. Ela sorria.

– No três, tudo bem?

– VAMOS LÁ, CASAL VINTE! – Gritou John, lá de baixo. Mahara corou levemente.

– Não dê ouvidos. Pronto?

Assenti.

– Um... Dois... Três!

Demos dois passos rápidos e pulamos. No meio da queda, minha mão soltou-se da de Mahara, e logo meu corpo chocou-se contra a água, causando um certo impacto. Meus pés tocaram o fundo da piscina natural, e me impulsionei para cima, voltando a superfície e encontrando ar fresco. Tomei ar e comecei a rir. Realmente fora divertido – a queda dá uma adrenalina, e quando você afunda na água, você entra em uma espécie de transe; é difícil explicar.

– Viu? Eu disse que era divertido! – Exclamou Mahara. Nadamos de volta para perto dos outros e continuamos nos divertindo na água até tarde.

Já tarde da noite, o céu estava limpo como se não tivesse caído uma mini tempestade na noite passada. Todos já haviam ido se deitar, e fui até a barraca me trocar, e Mahara ficou sozinha diante do fogo. Quando retornei, ela estava deitada em cima de uma toalha xadrez, olhando para o céu. Fui até ela e deitei-me ao seu lado.

– Por que você olha tanto para as estrelas?

– Gosto de apreciar seu brilho, que não é tão forte na cidade devido à quantidade de luz elétrica que emitimos em direção ao céu. Sabe, dei aquela lista de porquês aquela noite...

– E hoje tem um por quê em especial?

– Tem. Conforto interno.

– Aconteceu alguma coisa? – Perguntei preocupado.

– Não, estou bem. Juro. É só um daqueles momentos em que você fica chateado sem razões, mas logo passa.

– Você sabe que estarei aqui para qualquer coisa, não sabe? Afinal...

– É o que melhores amigos fazem. – Completou ela. Olhei-a, e vi que estava sorrindo. Em seus olhos refletiam-se o brilho das estrelas, e era uma cena bonita de se ver. Seus olhos azuis eram inigualáveis, e unidos ao brilho das estrelas... Sorri diante de seu sorriso. Voltei a olhar para o céu.

– Qual sua constelação favorita?

– Do hemisfério norte, a ursa maior. Mas do hemisfério sul, o cruzeiro do sul.

– Por que o cruzeiro do sul?

– Ele forma uma cruz. Exatamente uma cruz. E para os navegantes, serve de guia, como um norte em uma bússola. Guiou os navegadores durante as Grandes Navegações, o primeiro passo em rumo de um grande “progresso”, da criação das máquinas... Mas, como diria Chaplin: “Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura”. As estrelas nos dão essas impressões de virtudes... E o cruzeiro do sul, em especial, pode servir de guia para uma alma transtornada, por que não?

Fiquei em silêncio pensando nas palavras dela. Mahara tinha umas ideias e pensamentos que poderiam soar loucura, mas de certa forma, ela tinha razão. Nós é que nos tornamos insensíveis demais para notar pequenas – mas grandiosas – coisas como estas. Como o brilho das estrelas.

– Sabe, pessoas me chamam de louca quando digo o que eu penso. Você acha que eu sou assim? Louca?

– Louca! Louquinha! Mas vou te contar um segredo: as melhores pessoas são.

– Alice no País das Maravilhas. – Ela disse em tom risonho.

– É.

Ficamos em silêncio por um momento.

– Eu gosto dos seus pensamentos. Você é inteligente. És diferente. Se expressas de uma forma original, Mahara. Eu gosto disso. Poucas pessoas são como você.

Olhei-a. Ela sorria.

– Quando voltarmos te levarei a um lugar cheio de pessoas como eu. – Disse ela.

– Onde?

– Você verá quando formos. E se impressionará com a inteligência e pureza daquelas pessoas. – Sua voz estava cheia de carinho e ternura. Percebi nesse tom de voz como ela adorava, amava as pessoas das quais ela se referia, mesmo eu não fazendo ideia de quem sejam.

– Tenho certeza que irei adorá-las.

– Irá.

De repente, olhando-a, tão bela e serena, com aquele brilho no olhar, lembrei-me do que havia acontecido na noite passada. Parte de mim pediu para que aquilo se repetisse. A outra parte se horrorizou com o tal desejo. Eu briguei comigo mesmo, em silêncio, tentando aquietar essa parte insana que queria beijar minha melhor amiga. E a realidade é que isso havia me deixado extremamente confuso. Entretanto, não vou exteriorizar meus pensamentos. Mahara poderia entender errado e adeus a nossa amizade.

– Acho melhor irmos dormir, já está tarde. – Disse ela. – Amanhã será nosso último dia aqui e teremos que aproveitar bastante, antes de voltarmos para o turbilhão da nossa realidade. Quer dizer, da sua, já que a minha é bastante normal e tranquila, obrigada.

Ri levemente.

– Você está na minha realidade agora. Nada será normal e tranquilo para você.

– Isso seria uma espécie de aviso ameaçador? – Perguntou ela, sentando-se e me olhando com diversão no olhar.

– Se você quiser entender assim.

– Veremos, Senhor Evans. Veremos. — Disse ela, olhando-me com seu melhor olhar do gênero “vingativo desafiador” e depois riu. Levantamo-nos e fomos para a barraca dormir. E dormimos um de costas para o outro, novamente.


Notas finais
E aí, gostaram? No próximo teremos mais emoções!