Scritto Nelle Stelle
11 Acampamento
Notas iniciais
Mahara Carter POV
Eu havia pintado os olhos dele exatamente iguais ao que são realmente, e sem conhecê-lo. Sem saber que ele seria parte do próximo caso em que eu trabalharia. Sem saber que ele era o famoso Dan Evans da The Hurricane que incrivelmente eu nunca ouvira falar.
Mas por quê? Como?
Eu lembro perfeitamente do dia em que o pintei. Era meu dia de folga, e algum tempo depois de pintá-lo, descobri que Dan seria meu protegido. E eu não podia estar enganada de que olhar era aquele. Não há nenhum olhar igual ao de Dan.
Suspirei, baguncei meus cabelos, confusa, e saí do ateliê, indo dormir.
Uma semana e meia depois.
– Você está apaixonada por ele! – Exclamou Andie. – Eu sabia que isso aconteceria!
– Eu não posso estar, você está enganada, Andie.
– Então arrume outra explicação para tudo o que você disse sentir quando chega perto dele. A tremedeira, os choques elétricos, os batimentos cardíacos acelerados, o suor nas mãos, a timidez, blábláblá. – Ela cruzou os braços e ergueu as sobrancelhas interrogativa. Estávamos esperando os meninos virem nos buscar para irmos acampar, e estávamos tendo esse tipo de conversa. Andie White conseguia me deixar sem palavras, as vezes.
O pior era eu achar que ela tinha toda e completa razão. Suspirei.
– Viu! Eu estou certa!
– Ok, Andie! Mas prometa uma coisa: não irás contar nada a ele ou a ninguém sobre isso, nem tramar nada para nós dois, ok?
– Ok, ok. – Ela ergueu as mãos em sinal de rendição. – Eu não preciso fazer nada. Vocês vão se resolver sozinhos ainda mesmo nesse final de semana.
– Você é o que, vidente, agora?
– Algo desse tipo.
Andie me olhou misteriosa, e me vi obrigada a rir. A campainha tocou, e eu me levantei para abrir a porta, encontrando Dan parado sorrindo para mim – e as sensações voltaram a acontecer, junto com as malditas borboletas no estômago.
– Olá, pequena. – Disse ele, suave e carinhosamente.
– Olá grandão!
Abraçamo-nos e ele entrou, reparando nas mochilas que estavam no meio da sala.
– Prontas, então?
– Prontas.
– Só uma pergunta... Onde está Mathai e Florence? – Perguntou Dan, notando a ausência de uma jabuti preguiçosa andando pela sala e de uma cacatua barulhenta.
– Deixei na casa da mãe de Andie, que ama as duas. Elas vão ficar bem.
Ele sorriu.
– Vamos, então.
Pegamos as mochilas e descemos até a van que nos esperava, com os meninos e suas garotas conversando. Cumprimentamo-nos e então partimos para a reserva florestal onde acamparíamos. Depois de uma hora e meia, chegamos lá. Pegamos nossas mochilas e fomos pela trilha que o guia, amigo meu, indicou.
A trilha serpenteava nas margens de um riacho cheio de pedras, subindo colina acima. Devagar quase parando, fomos subindo a trilha, divididos entre os dois lados do riacho. Dan caminhava exatamente na mesma reta que eu, do outro lado do riacho. Íamos todos conversando e rindo animadamente.
Em certo momento, o caminho do meu lado da trilha ficou bloqueado e eu teria que passar para o outro lado.
– Mahara, coloca o pé naquela pedra e salta para cá. – Disse Dan. Fiz o que ele disse, entretanto, quando meus pés tocaram a pedra grande onde ele estava, desequilibrei, e teria caído se não fosse Dan a me segurar pela cintura. Ficamos com os rostos bem próximos – eu conseguia sentir sua respiração batendo em minha face. Olhamos nos olhos, e por um momento esqueci-me de que não estávamos sozinhos. Eu só conseguia olhar dentro de suas íris acastanhadas e perder-me no seu infinito.
John limpou a garganta de propósito, fazendo aquele barulho que eu pessoalmente achava irritante. Serviu para despertar-me do transe em que eu me encontrava. Distanciei-me de Dan, corando furiosamente, ignorando os olhares maliciosos que todos lançavam a nós.
– Obrigada. – Eu disse baixinho. – Eu estaria na água se não fosse você.
– Não há de quê. – Respondeu ele, sorrindo tímido.
– O casal vinte, que tal continuarmos andando? Daqui a pouco escurece e não estou a fim de ficar andando em trilhas a noite! – Exclamou Sean. Assentimos, e continuamos andando. Dan e eu lado a lado, constrangidos.
Meia hora depois, chegamos na clareira. Era espaçosa, cheia de grama recém amparada. Era rodeada por árvores altas, algumas frutíferas, outras não. Ocupando bom espaço na clareira, estava a cachoeira, imponente e alta, de uns sete metros e meio de altura. Havia uma pequena piscina natural onde a água que caía chegava, e a água era intensamente cristalina – dava para ver as pedras no fundo. A clareira terminava em um paredão de pedras, onde haviam vários arbustos pendurados lá e acolá. Passarinhos cantavam e havia um pequeno arco-íris se formando nas águas da cachoeira. Era lindo.
– Uau... Aqui é lindo. – Eleanor disse. Assentimos em concordância.
– Ótima escolha virmos aqui. – Disse Luke.
– Já está começando a escurecer... Que tal montarmos a barraca e acendermos uma fogueira? – Perguntei animada. Eles assentiram em concordância, em igual animação. Começamos a trabalhar, e em uma hora todas as barracas estavam prontas, e Jack se atrapalhava para acender a fogueira, até que Luke tirou os fósforos e o álcool da mão dele, e acendeu sozinho e rapidamente.
– Fez mechas loiras e perdeu parte da inteligência. – Disse Luke, resmungando.
– Você não tem muita moral para falar de mim, Sr. Todo Loiro.
– Eu pintei meu cabelo todo, mas não perdi minha inteligência por aí.
– Claro, você não tinha nenhuma!
Luke deu um pedala na cabeça de Jack, e ambos começaram a rir. Logo estávamos sentados em volta da fogueira, assando marshmellows e conversando. Depois, Luke pegou seu violão e começou a tocar, e ficamos cantando até tarde, quando todos resolveram ir dormir. Jack e Perrie dividiriam a barraca, Sean e Eleanor também. Luke, John e Dan dormiriam em barracas sozinhos, e Andie e eu dividiríamos uma.
Dan Evans POV
Acordei pela manhã e saí da barraca, encontrando Mahara sentada diante das brasas da fogueira, colocando um pouco de lenha pra acendê-la novamente.
– Acordada, já? – Perguntei baixinho, assustando-a.
– Ah, Liam! – Ela sorriu. – Bom dia! Já sim, faz tempo.
– Que horas são?
– Seis e meia da manhã. – Disse ela, olhando no celular. – Acho eu que já está na hora de acordar os outros, sabe, se quisermos aproveitar bem o dia...
Mahara sorriu maquiavelicamente e olhou para as panelas. Com um olhar, entendi o que ela queria dizer. Cada um de nós pegou uma panela e um talher grande, sorrimos um para o outro e começamos a gritar e a bater nas panelas.
– ACORDA! DONZELAS ACORDEM! TÁ NA HORA!
– ACORDA MARIA BONITA, LEVANTA VEM FAZER O CAFÉ... – Cantei em plenos pulmões. Andei até a lateral da barraca de John e comecei a batucar onde eu sabia que se encontrava sua cabeça, sem parar de gritar. Mahara passeava por entre as barracas, gritando. Fui de barraca em barraca, até que Eleanor colocou a cabeça para fora da barraca.
– Vão dormir, vocês dois! – Gritou ela, e voltou para dentro da barraca. Começamos a rir. John foi o próximo a dar sinal de vida, saindo de sua barraca mau humorado.
– Seus insensíveis sem coração, acordando pessoas inocentes dessa forma! – Exclamou ele. Nós rimos sarcasticamente. John sorriu. – Me dá uma panela, vamos acordar o resto.
Logo John estava gritando em plenos pulmões junto conosco, fazendo Luke e Andie darem sinais de vida, também. Sean e Eleanor foram os próximos a sair das barracas, e só restaram Perrie e Jack dentro da deles. Olhamo-nos maquiavélicos. Caminhamos em silêncio até lá, e abrimos a barraca de supetão.
Jack dormia completamente alheio à barulheira. Perrie nos olhava mal humorada.
– Deem um jeito de acordá-lo, pelo amor de Deus. Acho que morreu. – Disse ela, rindo levemente. John se jogou para dentro da barraca, mais precisamente em cima de Jack, e o mesmo grunhiu. John tomou ar e...
– ACORDA MARIA BONITA! LEVANTA E VEM FAZER O CAFÉ! QUE O DIA JÁ RAIOU, E A POLÍCIA JÁ ESTÁ DE PÉ! – Gritou John.
– Cale-se, John! – Resmungou Jack, e nós começamos a gritar ao mesmo tempo.
– Está vivo! Aleluia! – Gritou Sean.
– Jackzinho está vivo! Perrie deve ter o cansado muito ontem a noite, porque né... – Disse John. Perrie corou furiosamente.
– Nós ouvimos os gemidos, sabe... Por isso acordamos tão cedo. Aliás, nem acordamos, porque não conseguimos dormir! – Disse eu, entrando no jogo, sorrindo malicioso. Mahara deu um tapa em sua própria testa, rindo com o que nós estavam dizendo.
– Gemidos? Mais pareciam gritos! – Exclamou Luke. – Eu não sei como consegui dormir! Acho que só consegui depois das quatro da manhã, onde parecia que já haviam se cansado...
– Coisa que eles deram a entender duas vezes antes. E como estávamos enganados! Logo a gemedeira começou de novo. Vocês tem fogo, hein? – Disse Sean.
Perrie não sabia onde colocava a cara. Nós não havíamos escutado absolutamente nada, mas pela reação dela... Alguma coisa tinha acontecido. Não que fosse de nossa conta, claro. Jack levantou a cabeça, nos olhou sério, mostrou o dedo do meio e voltou a pousar a cabeça no travesseiro. Nós caímos na gargalhada, e puxamos a coberta de cima dele.
– Anda logo, Jack! – Exclamou John.
– Tá, tá, já vou, já vou... – Disse ele, sonolento, se sentando.
– Aleluia! – Exclamamos praticamente em uníssono.
Dispersamo-nos, e Mahara voltou a fogueira. Sentei-me ao lado dela e ficamos conversando enquanto ela preparava café para nós. Depois de pronto, todos tomamos café, e trocamos nossas roupas por roupas de banho, e logo estávamos dentro da piscina natural, brincando, conversando, rindo.
Menos Mahara, que ainda estava perto de sua barraca, usando um vestido leve branco, e seu biquíni verde aparecia levemente por trás do tecido.
– Mahara, você não vem? – Perguntei. Ela assentiu, e puxou o vestido para cima. Eu era apenas eu melhor amigo, mas eu ainda sou um homem e posso dizer: Mahara é linda pra caramba. Suas curvas são bem delineadas, de dar inveja a qualquer garota. E as duas tatuagens que tinha nas laterais de seu corpo apenas a deixavam mais bonita – se isso é possível.
– Ei, Dan, não encara a garota desse jeito. Vai assustá-la. – Disse Luke, cruzando os braços.
– E limpa aqui que a baba está escorrendo. – Debochou John.
– Vão à merda, vocês. – Eu disse, e eles riram divertidos.
– Depois vai negar que está apaixonado por ela. – Comentou Sean.
– Quem está apaixonado por quem? – Perguntou Mahara, entrando na água ao meu lado.
– Ninguém. – Aprecei-me em responder. Eles deram sorrisinhos.
– Ah. – Disse ela, levantando as sobrancelhas, não convencida. Entretanto não disse mais nada, e logo mudamos de assunto.
E tudo o que eu conseguia pensar era se Sean tinha razão: eu estou apaixonado por Mahara?
Mahara Carter POV
Já era noite e estávamos reunidos em volta da fogueira, comendo besteiras e conversando. Pouco a pouco, cada um foi indo dormir, voltando para suas barracas, até que sobrou somente eu e Dan, sentados um de frente para o outro. Ele se levantou e foi se sentar na beirada da piscina natural, pondo seus pés dentro da água, que aquele horário deveria estar muito fria. Fui até lá e sentei-me ao seu lado, também colocando meus pés dentro da água.
– O que você está pensando? – Perguntei.
– Nada. – Respondeu, com o tom de voz triste.
– Eu sei que há algo detrás disso. Danielle?
Surpreendi-me ao constatar que ao dizer o nome dela, da ex-namorada de Dan, meu peito doeu em protesto – ciúmes.
– Não. Eu juro, Mahara, não é nada.
Olhei para o céu e admirei as estrelas, que esta noite brilhavam intensamente.
– Olhe para as estrelas. Veja como elas brilham para você. – Eu disse, olhando-o. Dan ergueu a cabeça.
– E por que brilhariam para mim? Sou apenas um em sete bilhões de humanos.
– As estrelas brilham para quem souber apreciar sua beleza, Dan. Para aqueles apaixonados distantes possam olhá-las e dizer “que saudade”. Para que sejam um refúgio para quando estamos tristes... Poderia listar uma lista de “porquês”. – Dan sorriu ao ouvir.
– Está vendo aquela estrela grande, ali, no centro? Cercada de outras estrelas, mas com um pouco menos de brilho?
– Sim.
– Eu daria seu nome a ela.
– Por quê?
– Pois ela é a mais bonita, em minha opinião. Destaca-se das outras, com um brilho maior... E cercada de pessoas também lindas, que gostam dela.
Sorri tímida. Dan me deixou sem palavras. Baixei meu olhar para meu colo, e de canto vi ele aproximar sua mão da minha, inseguro, até sobrepô-la sobre a minha. Entrelacei meus dedos aos dele, e ousei olhá-lo. Ele levantou a cabeça e me olhou, sorrindo de canto, tímido.
Olhávamos um nos olhos do outro, sem nada dizer, sem conseguir desviar. Inconscientemente, fomos nos aproximando devagar. Meu coração começou a bater mais forte, e eu jurava que Dan conseguiria ouvir. Minha testa estava quase junto a dele.
– Ei, onde está a garrafa de água? – Perguntou Luke, e nós nos distanciamos rapidamente, nos virando para trás. – É... Ahn....
– Junto das panelas, dentro da caixa de isopor, Luke. – Respondi calmamente. Ele se abaixou, pegou a garrafa de seiscentas ml e saiu.
– Boa noite! – Disse ele, entrando na barraca.
– Boa noite! – Dissemos eu e Dan, em uníssono. Olhamo-nos.
– Então... Acho melhor irmos deitar. – Eu disse. – Amanhã vamos acordar cedo novamente...
– É...
Nos levantamos, e nos olhamos novamente.
– Boa noite, Mahara. – Dan beijou minha bochecha.
– Boa noite, Dan.
Sorri para ele e fui até a minha barraca, espremendo Andie em um canto.
Notas finais
Ah, nesse capítulo não teve muita emoção, e no próximo não vai haver muita também, mas vai acontecer algo legal. E no próximo depois deste, irá acontecer uma cena legal demais. E querida Hangover linda, obrigada, cê me fez ter ideias legais. Percebo que usei muitas vezes a palavra legal nessas notas finais. So... Tchau!
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