Scream! Welcome To The Game.

7 Capítulo 6 - Imprevisível.


Notas iniciais
Yo!
Mais uma atualização! o/
Nesse capítulo as coisas vão começar(eu disse COMEÇAR!) a evoluir e favorecer o B. Já estava na hora, né? :s
Espero que gostem.

Betagem feita pela Amane Misa!! E devo agradecer a Carina Hoch por me ajudar a colocar o nome do capítulo. Obrigada!!

Narração: Beyond. (as partes em itálico no capítulo serão os flashbacks.)

Boa Leitura! (Leiam as notas finais)

Capítulo 6 — Imprevisível.

“ B; o cara mais seguro do mundo. Nunca me passou pela cabeça a hipótese de que um assunto tão comum poderia deixá-lo tão abalado. Sei que nas circunstâncias atuais, pensar em nossa última conversa pode ser um tanto imprudente. Um caso até egoísta. Minha avó internada, em um estado crítico entre vida e morte e meus pensamentos voam longe pela sala de espera; os olhos rolando o ambiente em um gesto nervoso; os dedos que se entrelaçavam e se soltavam de segundo em segundo; as palavras pensadas e escolhidas com cuidado para responder minhas perguntas e as pernas que balançavam em baixo da mesa da praça de alimentação. Isso aconteceu realmente ou foi somente uma impressão causada pelo meu próprio subconsciente inseguro?”


Eu cresci. Aliás, fui obrigado a crescer assim como obriguei a mim mesmo a esquecer de tudo que envolva a minha “infância”. As coisas que fiz na minha adolescência me acompanham até hoje. Eu escolhi essa vida e não posso fugir dela.

Quando marcava encontros casuais com as minhas vítimas passadas, nenhuma delas costumava fazer esse tipo de pergunta pessoal. Preferiam tagarelar sobre assuntos entediantes de suas vidas chatas e monotonamente comuns. Minha aparência favorecia afinal quem se preocupa em bisbilhotar a vida de uma pessoa se ela tiver um rostinho bonito? Ninguém. E talvez seja essa uma das coisas que mais me enoja nos seres humanos.

O albino com certeza está sendo o meu maior desafio até agora. Um desafio que consegue até mesmo fazer com que eu subestime minha cautela, astúcia e inteligência.

“De onde você veio? Sempre morou aqui em Tóquio?”, “Você mora sozinho?”, “Tem família? Pai? Mãe? Parentes? Filhos?”, “Você faz faculdade?”, “Trabalha?”... Perguntas e mais perguntas. Aquele “interrogatório” estava me tirando do sério. Minhas mãos suavam frio e estava tentando fazer o possível para manter a calma e não acabar gritando com ele. Não que mentir fosse um problema. Saídas estratégicas através de mentiras são um clássico, mas Near é esperto até de mais para engoli-las sem desconfiar de nada. O fato de relembrar momentos da minha infância também não ajudou. Por mais que isso não me afete tanto, eu tive que superar tudo sozinho. Não tive acompanhamento psicológico e nenhuma merda semelhante a isso. Eu nunca precisei.

– A última pergunta, eu juro! – Near colocou as mãos para o alto e esticou os dedos para me transmitir um gesto de confiança. Assenti com os cotovelos apoiados na mesa e com uma das mãos em cima dos meus lábios. – Por que os seus... – sua fala foi interrompida pelo toque do celular. Ele encarou a tela arqueando uma das sobrancelhas, atendendo logo em seguida.

Agradeci mentalmente a seja lá quem que está nos céus e encarei o albino a minha frente que mudou drasticamente a expressão facial.

– Em que hospital? – ele perguntou com a voz trêmula. – O.K, eu já estou indo.

Near desligou o aparelho com dificuldade devido a uma tremedeira repentina. Juntou as sacolas as pressas e começou a caminhar apressado, mas o segui e segurei forte em seu braço antes que ele saísse do estabelecimento.

– Me solte!

– O que aconteceu?

– É a minha avó. – soluçou. – Ela está no hospital.

– Como assim? – perguntei calmo. Não via motivos para tanto drama.

– Ela está no hospital, oras! Que parte não entendeu? – ele estava alterado e seu coração acelerado o suficiente para sentir com um toque no pulso.

– A parte de como ela foi parar lá. – ele suspirou e fechou os olhos, deixando algumas lágrimas escorrerem.

– Minha vizinha, uma amiga da minha avó acabou de...* — Near parou de falar e me encarou. – Eu não devo satisfações a você! – rosnou e a atitude me fez apertar ainda mais seu pulso. – Apenas me solte e me deixe ir!

Não me sobraram alternativas e acabei soltando o braço dele. Bipolaridade? Não. Não combina nem um pouco com a personalidade do albino. Mas então por que tanta pressa? Quando recebi a noticia de que meu pai estava internado eu não consegui engendrar nenhum sentimento de aflição ou desalento. Família, ou o que sobrou dela, é tão importante assim para o menor?

***

Deixei que um sorriso escapasse dos meus lábios involuntariamente ao me lembrar dos meus últimos momentos com Near no shopping atraindo os olhares de Mikami e consequentemente o de Yonosuke, que interrompeu seu entediante discurso.

– ... Está prestando atenção? Esse assunto é sério.

– Eu estou entendendo tudo perfeitamente bem, mas o que quer que eu faça? Talvez se você fosse mais cuidadoso nada disso estaria acontecendo.

Yonosuke bateu as mãos sobre a mesa derrubando um copo com um conteúdo forte o suficiente para exalar cheiro. Mikami abaixou a cabeça e massageou as têmporas como se me repreendesse mentalmente.

– B. Entenda uma coisa: Se nós dançarmos, você também dança. – pobre homem ingênuo... Como se eu já não tivesse minhas “cartas na manga”. – Você conhece o detetive então sabe como ele trabalha, certo? – certo.

– Errado. Desculpe, mas perdi o contato com meu “irmão” há muito tempo. As únicas informações que estão ao meu alcance são as seguintes: Ele é um gênio e é cem por cento discreto. Bom, nem sempre, mas às vezes realiza atos tão óbvios que é quase impossível de desconfiar. Não o subestime. Porém, como todo ser humano, ele também comete erros. – Yonosuke estava atento a cada palavra como uma criança sedenta pelas informações de uma gincana para adquirir alguns doces grátis. Estava me segurando para não rir.

– Prossiga...

– Isso é tudo.

– Como assim isso é tudo? Nada a acrescentar? Identidade, aparência, pontos fracos... – seu desespero era reconfortante. Há anos esperava poder ver essa cena de novo.

– Não. Nada. Como eu já disse, perdi o contato com o meu irmão faz tempo... – ele esfregou as mãos no rosto soltando o ar pesadamente. – Você precisa ser mais cuidadoso.

– Eu? – sorriu transbordando veneno. – E você? Tenho certeza que aquele assassinato envolvendo um garoto do colegial tem algo haver com seus “assuntos particulares”. – gargalhou de um modo forçado.

– Não sei do que está falando. Mas já que mencionou... – tirei minha faca do cós da minha calça com total maestria e em um gesto rápido perfurei o crânio de um dos comparsas de Yonosuke que estava um pouco mais a minha frente. Todos observaram incrédulos – Porque colocou gente para me investigar? Acha que eu não percebi?

O mafioso tentou esconder o pânico sorrindo, mas o suor frio de seu rosto deixava transparecer o quão frango Yonosuke consegue ser quando se expõe a perigos.

– Parabéns, B. – aplaudiu.

– Me diga o intuito antes que mais alguém acabe com uma faca na cabeça.

– O que está acontecendo com você ultimamente? Demora para entrar em contato, desliga chamadas restritas, sorri sem motivos se dispersando de assuntos importantes e sempre tem pressa para ir embora.

– Assuntos da minha vida pessoal e você não tem o direito de se meter.

– Me diz respeito a partir do momento em que eles afetam o seu trabalho aqui.

– E alguma vez eu já te decepcionei? Nada disso está afetando o seu... Negócio.

– Temo que isso possa afetar tragicamente no futuro. Está planejando alguma coisa? – arqueou uma das sobrancelhas fazendo um gesto para que o cadáver fosse retirado do cômodo.

– Tipo...?

– É o que eu quero saber. Está pensando em se aliar ao inimigo ou até mesmo se envolver com outras pessoas do ramo? Pois se é isso que planeja acredite: é uma péssima ideia.

A vontade de rir me dominava a cada instante, mas precisava manter uma postura entediada e feições monótonas para se adequar ao momento fastidioso.

– Yonosuke, minha vida pessoal não irá em nenhum momento se misturar a isso que eu chamo de trabalho. Eu lhe garanto. Mas não vou ser gentil se descobrir que você colocou outra pessoa para me espionar.

– Tudo bem, mas quero que você se concentre mais em relação a tudo que está acontecendo.

– Isso foi uma ordem?

– Um pedido.

– Ótimo, agora se me dá licença... – me virei para ir embora colocando minha pequena mochila em um dos ombros.

– Só mais uma coisa. – a voz de Yonosuke me fez cessar os passos – Vou precisar de você na semana que vem. Te envio os detalhes daqui a dois dias. – apenas assenti dispensando palavras ou até mesmo gestos formais.

Pobre homem ingênuo... Mal sabe ele quais as minhas verdadeiras intenções. É deplorável... Chega a ser chato e desmotivador montar um jogo com jogadores cujas diferenças intelectuais são tão grandes.

Agora, mais do que nunca, estou a alguns passos de concluir meu objetivo e ter em mãos um dos mais difíceis tesouros que eu já ansiei possuir. Com a estada da velha no hospital, meu trabalho será facilitado e daqui a um curto tempo ele será meu, finalmente.



Notas finais
- Minha vizinha, uma amiga da minha avó acabou de...* = Então gente, deixe-me esclarecer esta parte. A avó do Near, apesar de doente, ela ainda consegue se movimentar. Pois então, nesse capítulo ela passou mal e conseguiu ligar para a emergência. Uma vizinha, que irá aparecer em um capítulo próximo,(amiga da avó do Near) ouviu o barulho da ambulância e é claro, foi ajudar. E foi assim que a vovó foi parar no hospital. ^^ Não achei importante colocar isso na história do capítulo pois ficaria sem noção mas ainda assim achei legal ressaltar aqui para não ficar sem sentido, aquela coisa meio que: "Ué, e como a véia foi parar lá?". (:

E então?? Gente, estou com alguns leitores fantasmas. o.O Não sei se fico feliz ou "triste". É bom saber que tem gente acompanhando, mas fica complicado já que eu não sei se vocês estão gostando e isso me dá um medinho... =/ Mandem pelo menos um "Oi"! =D

Vamos conversar? ( da última vez que fiz isso algumas leitoras saíram do anonimato! Espero que dê certo dessa vez )
- Como vão as férias de vocês? ^^