Scream! Welcome To The Game.
8 Capítulo 7 - Sequestro.
Notas iniciais
Acho que eu me atrasei... Desculpem...
Chegamos ao sequestro! *0*
Não tenho muito o que ressaltar nas notas iniciais. O importante mesmo são as notas finais. Esse foi o maior capítulo até agora!
Espero que o capítulo tenha ficado ao agrado de vocês. Se encontrarem erros, por favor me avisem. O capítulo não foi betado, apenas brevemente revisado porque a senhorita Amane dormiu cedo(uma e meia da manhã), e quem atendeu o celular foi a mãe dela!
Narração: Beyond.
Boa Leitura!!
Capítulo 7 — Sequestro.
“ – Sinto lhe informar mas já não podemos fazer mais nada por ela. Dou um mês de vida, no máximo. Agora cabe a você decidir se ela ficará aqui ou se você gostaria de levá-la para passar os últimos dias em casa.
Que neto seria eu se deixasse minha avó morrer em uma cama de hospital? Minha única família. Meu único porto seguro. Foi à única que me restou, que cuidou de mim e me amou incondicionalmente desde que tudo aquilo aconteceu. Mergulhado em um estado de nostalgia viciante consigo me lembrar das histórias que meu avô me contava e de como minha avó as interferia me contando a verdade e censurando-o a cada causo louco que eu inocentemente imaginava maravilhado. O cheiro da comida aos domingos e o café moído na hora ainda estão presentes em minha memória. Lembro-me também de quando meu avô ficou doente. Ah, foram tempos difíceis aqueles... Ele morreu no hospital e minha avó me fez jurar que quando chegasse a hora dela eu iria deixá-la morrer no conforto de sua casa. Na época recusei-me a imaginar tal cena, porém, concordei com o pedido. Infelizmente chegou a hora de cumpri-lo. Mesmo com os olhos tomados por lágrimas tenho que atender ao seu último desejo.
- Como assim ele não vem trabalhar hoje? – perguntei incrédulo e a alteração repentina em minha voz fez com que Raito se assustasse.
- Foi o que ele disse por telefone. De início também tive a mesma reação, mas o coitado explicou a situação e foi o suficiente para me comover a deixá-lo afastado do serviço por um tempo. – o tom de preocupação em sua voz me lembrou da cena do shopping com Near.
- Mas o que aconteceu exatamente?
- Você sabe que ele mora somente com a avó, certo? – assenti. – Então, Kiyo san tinha colocado um frango para assar a pedido de Near, com a finalidade de adiantar o jantar, mas ela acabou indo para a sala e cochilando no sofá. Ela acordou desesperada e já com falta de ar devido a fumaça. Infelizmente só deu tempo de ligar para a emergência e logo em seguida ela perdeu a consciência. A inalação da fumaça agravou o quadro de DPOC* e Near agora deverá dedicar todo o seu tempo à avó até que... Você sabe.
Mantive minha expressão de indiferença conforme ele contava, mas o fato de dedicar a atenção toda a uma velha que está entre a vida e a morte não me agradou. Raito me encarava como se esperasse uma resposta ou até mesmo uma reação. Não tive alternativa se não à de imitar um falso apelo de condolência.
- Oh, Isso é horrível! Espero que ele esteja bem emocionalmente.
- Near? Bem emocionalmente? Já indiquei alguns psicólogos, mas ele se recusa a ir. Essa mania de se esconder e de se privar do mundo... Não acho que seja algo normal. – ele apoiou os cotovelos no balcão e apoiou o queixo nas palmas das mãos.
- Acho que ele consegue ser bem confiante quando quer. Não vejo isso como um problema. Ser discreto e reservado é algo bom, mas às vezes pode ser muito...
- Irritante! – ele cortou minha fala impondo o adjetivo perfeito.
- Exato. Pode me informar que horas são?
- 13h00min. – já?
- Sinto muito, mas preciso ir.
Não esperei sua resposta. Preciso cumprir tudo no prazo. Separar cada etapa parte por parte, em horas exatas e realizar cada coisa no momento certo, nenhum minuto a mais, nenhum minuto a menos.
***
1º — Arrumar o galpão. Limpar cada canto e ferramenta. Ver se os aparelhos estão funcionando perfeitamente. Pretendo fazer isso até três horas da tarde.
2º — Comprar mantimentos, roupas de banho e cama e o que mais for necessário para garantir meu bem estar, prazer e diversão. Impossível levar mais de uma hora para comprar coisas tão simples.
3º-Checar meu estoque de Éter*. Caso não tenha, precisarei urgentemente recorrer a quem eu menos quero no momento: Yonosuke.
4º- Passar novamente na lanchonete antes de seguir para a casa de Near e esperar pacientemente pela madrugada.
***
O galpão estava um nojo. Não gosto de trabalhar com novas vítimas aguentando o cheiro dos restos mortais de vítimas passadas.
Lavei todas as peças de lâminas que encontrei. Esfreguei cada canto do chão com cloro e desinfetante. Prateleiras livres de pó e cada coisa organizada. Por sorte, todas as máquinas e lâmpadas estavam funcionando perfeitamente, ou seja, menos uma dor de cabeça para me preocupar. Caso faltasse alguma coisa teria que recorrer a lojas de conveniência em Kanagawa*. Não poderia correr o risco de ser visto em Tóquio depois que o plano entrar em ação.
O galpão era dividido em cômodos. Possuía dois quartos, dois banheiros, uma pequena cozinha improvisada e a sala reservada para a máquina que era usada para o fim da maioria dos corpos, tendo um espaço principal que abrigava meus “brinquedos” e duas mesas de aço inoxidável. O local já estava praticamente construído quando eu o encontrei, precisei somente realizar algumas reformas e adicionar energia elétrica.
Quanto à velha... Não preciso me preocupar. Se ela tem DPOC e já está à beira da morte, tudo indica que ela está dependendo da ajuda de aparelhos de oxigênio para respirar. Eliminando também esse assunto posso passar para a fase dois com tempo de sobra.
Fui até o shopping mais próximo para concluir a pior etapa de todas. Devido à distância fui obrigado a usar o carro que ganhei por recompensa em um dos meus serviços. Evitava usar o veículo por puro orgulho, mas também por nojo da pessoa que me presenteou, sem mencionar o fato de ficar parado nesse trânsito infernal. Só estou “aturando” isso porque no caso em questão, é extremamente necessário.
Não fiz questão nenhuma de demorar. Jogava sacos de salgadinhos, comidas congeladas e potes de geleias no carrinho de compras sem me importar em avaliar diferenças nos produtos. Fiz o mesmo quando fui comprar os lençóis e toalhas. Comprei jogos de cama, toalhas de rosto e banho e até mesmo alguns perfumes para ambiente. Uma das atendentes já estava me fazendo perder a paciência tagarelando sobre qualidade de produtos e promoções de leve três e pague dois.
***
Geralmente deixo comprimidos e inalantes em minha própria casa. O acesso e o controle de validade ficam bem mais fáceis. Por sorte, ainda tinha bastante Éter, então a única coisa que preciso fazer aqui além de tomar um banho é escrever uma carta de despedida e para ser sincero não sei o que devo escrever.
***
Fiz uma mala com roupas e peguei uma pequena mochila para deixar alguns panos e dois vidros do inalante. Nela coloquei uma pistola COLT Double Eagle em aço inox e minha famosa faca. Não vi necessidade de colocá-la no cós da minha calça jeans por enquanto.
Peguei o envelope com a carta já pronta e fui em direção à porta. Todo aquele momento já estava me deixando ansioso. Pequenas cargas elétricas me faziam tremer e meu coração batia a cada passo em direção ao carro. Minha boca salivava e minhas mãos estavam frias o suficiente para se assemelhar as mãos de um cadáver. Meu estomago revirava e toda essa sensação só me incentivava mais a continuar. Sim, é para isso que eu vivo.
Em poucos minutos cheguei até a lanchonete. Passavam-se das seis horas e Raito limpava as últimas mesas do ambiente. Ele estava de costas para a porta de entrada. O som do sino ecoou no lugar já sem clientes.
- Desculpe, nós já estamos fechados. – falou ele sem se virar.
- Não tem tempo nem para atender um amigo? – brinquei. Ao ouvir minha voz ele se virou com um sorriso simpático.
- Ah, é você, B! Quer alguma coisa?
- Na verdade preciso de um favor. – me aproximei dele, entregando o envelope. Ele encarou o papel e o pegou logo em seguida. – Pode entregar isso aqui ao Near? Infelizmente estou indo para o aeroporto hoje. Vou sair do Japão por motivos de trabalho e não vou ter tempo de me despedir.
- Ao Near? Há quanto tempo são tão próximos? – malditas perguntas.
- Não somos próximos, mas achei legal deixar uma carta para ele. Com tudo isso que o coitadinho está passando... Não é nada fácil. E aproveitei para me despedir de você também!
- Ah, entendo. Eu entrego sim, pode deixar! – ele foi ao meu encontro para me dar um abraço, retribuí, dando um sorriso sem que ele percebesse. – Parabéns! E boa sorte!
- Obrigado, Raito.
***
Uma hora da manhã.
Estudei a planta da casa com cuidado há um tempo. Uma das janelas da cozinha não tem mais trava então era só forçar um pouco e adentrar sem maiores problemas. Near tinha um sono leve então eu teria que primeiro sedá-lo para depois desligar o oxigênio da velha. Ela provavelmente irá fazer ruídos na esperança de conseguir ajuda e isso seria um problema.
Me movimentei em passos totalmente silenciosos e cuidadosos até o quarto do albino. Sua expressão era cansada, mas ainda assim angelical. Já estava com o pano embebido com Éter e rapidamente tapei seu nariz. Com maestria, subi em cima de seu pequeno corpo imobilizando seus braços com os joelhos. Ele respirou forte por conta do susto e em poucos segundos perdeu a consciência.
Minha respiração estava ofegante e um suor frio molhava minha testa. Sem perder tempo, o amordacei com um pano e vendei seus olhos com uma máscara de dormir. Rumei até o quarto de sua avó. A velha estava com os olhos abertos, provavelmente tinha ouvido os barulhos. Ela se assustou e tentou gritar por socorro, mas tudo o que saía eram ruídos irritantes de sua garganta. Afaguei seus cabelos, imitando o gesto que Near vivia fazendo e em seguida fiz em mim mesmo. Cheguei perto do seu ouvido, sussurrando.
- Ele é meu agora. – me afastei sorrindo e desliguei o aparelho de oxigênio. – Morra.
Ela se debatia e tentava alcançar o botão para ligar o aparelho novamente. Para garantir, arranquei os tubos que estavam em seu nariz e como de costume, fiz dois cortes em seu braço direito.
- Eu realmente queria ficar para te ver morrer, mas infelizmente tenho que ir.
***
Acelerava o carro com a respiração ofegante. Eu tremia com a adrenalina ainda sendo liberada em meu corpo. Por algum motivo, senti a necessidade de levá-lo para minha casa e não direto para o galpão. Os efeitos do Éter estavam passando, porém sua consciência não tinha voltado totalmente.
Estacionei o carro de qualquer jeito e tirei o albino do porta-malas. Encontrei uma algema no porta-luvas e a usei para imobilizar as mãos do menor, guardando as chaves no meu bolso. Ao tentar levar o menor para a varanda de casa acabei derrubando uma lata de lixo, fazendo um barulho alto na rua já deserta. Levantei-a as pressas, rumando até a varanda. Ouvi barulhos de chaves e uma porta sendo aberta. Quando me dei conta, Chiyo me olhava incrédula. Não me importei e entrei as pressas junto com o albino, trancando a porta da casa. Era uma questão de tempo até ela chamar a polícia.
Peguei meu celular que estava no bolso da minha calça discando um número que já havia decorado.
- B, é você? – a voz embriagada de sono atendeu após o terceiro toque. Eu só recorria a ele quando era extremamente necessário.
- Hayato, preciso da sua ajuda. – disse ainda ofegante.
- O que houve?
- Eu... Eu fiz merda! Venha rápido!
Ele não respondeu. Entendia que a situação era crítica.
Hayato não era bem um amigo. Quando algo dava errado eu sabia que poderia chamá-lo, mas somente em casos de urgência. Como não morávamos longe um do outro não demoraria mais que seis minutos exatos para ele chegar. Nosso contato era restrito exatamente para situações como essa.
Comecei a tirar a roupa suja, colocando-as em um saco de lixo. Lavei o rosto manchado de sangue e baguncei os cabelos e a cama de meu quarto. Amassei o pijama e liguei a TV do quarto em um canal pornográfico qualquer. O albino jogado no chão da sala resmungava coisas sem nexo. Ouvi três batidas na porta dos fundos da cozinha e sabia exatamente quem era.
- Rápido. Leve ele até o galpão junto com essas roupas. Cuide dessa chave com cuidado, pois é ela que abre as algemas. – entreguei tudo a ele. Hayato era o único que sabia a localidade do galpão.
- B, você nunca falha. – isso parecia incomum até para Hayato.
- Eu sei! – exclamei irritado. – Agora vá! E depois, livre-se de um corpo que está nesse endereço. – entreguei a ele um papel. – Entre pela janela da cozinha.
Sem mais perguntas ele seguiu minhas ordens. O tempo foi suficiente para que eu conseguisse subir as escadas e aguardar os policiais chegarem o que demorou uns três minutos no máximo.
***
- Você tem certeza do que viu? – uma paramédica perguntou a Chiyo. A velha tremia e estava com uma expressão de pânico. Eu e mais dois policiais estávamos a sua volta.
- S-sim. Ele! – apontou em minha direção. – Havia sangue e... Outra pessoa... E-eu... Eu não entendo...
- Olha, já revistamos tudo, não encontramos nenhuma evidência. – um dos policiais explicava com calma, mas o outro já mostrava sinais de impaciência e eu posso me aproveitar disso.
- Com licença, será que posso falar com o senhor? – chamei o policial impaciente e nos afastamos dos demais. – Essa senhora mora sozinha e acredito que a idade pode causar problemas desse tipo. Não seria melhor encaminhá-la a um lar para idosos? – sugeri com doçura e paciência. O policial chamou seu companheiro e os dois concordaram comigo.
- Vamos Chiyo san. – um deles puxou-a de leve pelo ombro caminhando até a ambulância. – Passe esta noite no hospital, certo? – eles se viraram de costas, mas a velha insistiu em olhar para trás. Acenei de um jeito provocativo e sorri vitorioso, o que a fez gritar de medo.
Essa foi por pouco. Por muito pouco.
Notas finais
Éter*: Pesquisei muito sobre esse inalante. Não é tão simples comprá-lo em farmácias, mas o B usou um pouco na composição da bomba caseira e quem forneceu para ele foi o Yonosuke.
Kanagawa*: Gente faz de conta que próximo à "divisa" entre Tóquio e Kanagawa tenha uma "floresta" abandonada, e é ali que fica o galpão do B. Eu não sei bem como é o local geográfico exato dessa divisa. Tentei procurar no google imagens, mas não achei. Provavelmente é por alguma avenida ou algo parecido.
O sequestro! Ta-na-na-na....
Esse foi o capítulo mais divertido e difícil de escrever até agora. E agora eu pergunto: O que vocês acharam? O modo como tudo aconteceu foi satisfatório?
Eu pesquisei bastante sobre psicopatas e transtornos de personalidade para não escrever baboseiras sem sentido e espero que eu tenha conseguido atingir as expectativas de vocês.
Bom, o Beyond da fic é do tipo discreto que usa e abusa de sua inteligência e charme para conseguir tudo o que deseja e passar despercebido socialmente, aparentando ser um cara comum, mas em quatro paredes se transforma em um monstro sádico e perverso que você não imaginaria nem em seus piores pesadelos. Não acho que fugi das características próprias dele (pelo menos foi isso que tentei arrumar desdo capítulo um), a única coisa que acredito ter "fugido" um pouco é o fato do personagem em questão ser "estranho" o tempo todo. Esse comportamento social comum em frente a outras pessoas não é muito usual em fics que o envolvam, mas para o desenvolvimento do meu enredo achei legal criar esse lance distinto.
Em relação às emoções, pode-se dizer que estão ligadas a sociopatia, onde a pessoa demonstra emoções rasas para conseguir benefício próprio e conquistar a confiança de outras pessoas, mas na parte em que ele se mostra "triste" com a notícia da avó do Near, ele está sendo um psicopata de primeira imitando uma emoção, já que esta ele não consegue sentir.
O próximo capítulo não será narrado pelo B. ^^ Porém, todas as outras narrações estarão de certa forma, ligadas a ele principalmente para entendermos melhor o passado dele na história.
Por favor, me avisem se não gostarem. Vou tentar melhorar ao máximo.
Beijos! Até o próximo capítulo! *-*
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