Scream! Welcome To The Game.

2 Capítulo 1 - Prazer em conhecê-lo.


Notas iniciais
- Capítulo repostado!
Agradecimentos para minha beta Holly Robin que me ajudou muito e me deu várias dicas! *-*

Olá!

Vou dar alguns avisos para que o entendimento do capítulo fique mais claro.
- O primeiro trecho no começo de cada capítulo escrito em negrito serão pequenas narrações do segundo personagem que logo ao final desse capítulo vocês vão descobrir.
- A grande maioria dos capítulos serão narrado pelo B. Mas sempre avisarei no inicio de cada capítulo.

Espero que gostem!
Boa leitura!

Capítulo 1- Prazer em conhecê-lo

“A rotina repetitiva da minha vida não é nada agradável. Meu emprego também não é lá grande coisa, mas foi o melhor que consegui arrumar em tão pouco tempo. Minha avó está muito doente e os remédios que ela necessita tomar são caríssimos. A quarta-feira acaba de ser anunciada com o barulho irritante do meu despertador. Vamos lá!”

Imaginem uma criança cujos sonhos foram destruídos. Imaginem uma infância totalmente podre, sem dinheiro, sem roupas novas, sem comida farta na mesa. Sozinha, tendo que aturar uma mãe viciada em heroína e um pai alcoólatra com sérios problemas judiciais.

Por enquanto, dispenso apresentações formais. Não há necessidade alguma em contar meu passado em detalhes. A prioridade no momento é saciar meu paladar sádico o mais depressa possível. Sabe aquela sensação de ir à uma confeitaria, e apreciar milhares de bolos imaginando o gosto único que cada um deles deve possuir? Até que finalmente você pousa o olhar em um deles e decide: É esse!

Com as pessoas, a seleção é parecida, porém, a exigência e o cuidado de escolher minha mais nova presa são bem maiores do que escolher um simples bolo (ou geleias, no meu caso). Tenho percorrido as ruas nas duas últimas semanas, rolando os olhos por cada canto, atento aos míseros detalhes, como um leão faminto. Todas as tentativas foram inúteis. Não consegui achar nada que fosse digno de receber minha atenção. Isso é frustrante.

E agora, sem mais delongas,

Prazer em conhecê-lo.

Eu sou Beyond Birthday.

***

A grossa camada de neve cobria os telhados das casas. O inverno rigoroso finalmente chegou em Kanto, colorindo a paisagem em camadas e mais camadas brancas. Ainda deitado em minha cama, olhei pela janela. Algo dentro de mim dizia que o dia preparava algumas surpresas. A atmosfera estava diferente. Senti uma sensação horrível no estômago; como se ele desse voltas e mais voltas dentro de mim. Choquinhosde adrenalina se expandiam por todo meu corpo. O relógio me indicava oito horas exatas. Joguei meus lençóis para o lado e fui para o banheiro. Liguei o chuveiro e entrei debaixo da água fria.

Sim, nós estamos em pleno inverno, mas tomar duchas frias é como uma tortura particular. Meu corpo implora por alguma coisa que possa esquentá-lo e assim travo uma batalha viciante entre minha mente e meus sentidos. Já parei no hospital algumas vezes por conta dessa pequena brincadeira, mas isso não importa.

O jeito que as gotas de água tocavam minha pele ainda quente era maravilhoso.

Terminei minha higiene e me agasalhei, sentindo uma sensação de bem estar. Rumei até a cozinha logo em seguida para ver se encontrava algo descente para comer. Bisbilhotei os armários e a geladeira, mas tudo estava completamente vazio. Até meu estoque de geleias tinha acabado. Precisava fazer algumas compras.

Peguei minha carteira e as chaves da casa, que estavam no chaveiro ao lado da porta de entrada. Minha residência não é muito diferente das que você encontra pelo Japão. Localizada em um bairro de classe média, decoração interior sofisticada e não poderia me esquecer do paisagismo com uma grama bem verdinha. Como consigo dinheiro para me manter? Bom, isso já não é da sua conta.

A vizinhança por aqui é calma. Nunca tive problemas sérios e não tenho muito do que reclamar, exceto por um pequeno incômodo. Uma velha de uns 70 anos chamada Chiyo*. Há uns dois meses matei o gato dela. Já estava cansado de todo dia encontrar minhas latas de lixo reviradas e como chumbinho não faz meu estilo excepcional, pensei em algo bem mais criativo para me livrar do bichano. Lembro-me bem desse dia. Era manhã de quinta-feira. Fui colocar o lixo para fora, quando ouvi alguns brados vindos de dentro da casa vizinha. A velha gritava pelo nome do gato que se não me engano era Guiodai. Direcionei-me até minha varanda e continuei ouvindo os berros com um leve sorriso. Percebi depois de alguns instantes que ela estava destrancando a fechadura para procurar o animal de estimação no quintal. Sua cara de espanto ao abrir a porta e olhar para o tapete manchado de sangue fez com que o meu dia ficasse um pouco mais... Interessante. Infelizmente o sangue do tapete e o (meio) presente deixado à mostra no varal não foram suficientes para causar um infarto naquela mulher.

***

Caminhava sem pressa pela calçada. Algumas flores roxas estavam caídas sobre a neve. A aglomeração de pessoas diminuíra se comparada entre seis e meia e oito da manhã. Vários trabalhadores honestos saíam de suas casas para mais um dia de trabalho, e pensar que um deles seria totalmente arrancado de sua rotina habitual para vivenciar as mais intensas brincadeiras ao meu lado.

Cheguei à uma lanchonete. A comida era boa e eu tinha certa amizade com o filho do dono, que agora se tornara proprietário. Costumávamos brincar juntos quando crianças, até eu ser proibido de visitá-lo. Sentei em uma mesa afastada, perto da vidraça que dava vista para rua. Eu gosto de janelas, elas me ajudam a pensar.

Alguém se aproximou da mesa, mas ignorei e continuei encarando a paisagem.

—Posso ajudar? – uma voz masculina extremamente doce atingiu meus ouvidos.

Olhei para o cardápio, rolando os olhos até a seção de comida americana.

— Sim. Vou querer um cappuccino de caramelo acompanhado com panquecas. — direcionei meu olhar ao ser que anotava meu pedido em um bloquinho.

Tive a sensação de olhar para um fantasma. Cabelos brancos, pele pálida e o uniforme da mesma cor. Encarei seus olhos, que tinham uma cor oposta e diferenciada: Negros. Como os fios do meu cabelo. O garoto parecia um floco de neve com um par de botões nos olhos. Seus lábios levemente rosados ficaram semiabertos ao me encarar e por alguns instantes, foi como se eu visse os pelos de sua pele branca se arrepiando.

— S-só isso? — ele gaguejou um pouco ao perguntar.

— Por enquanto só.

Ele se retirou. Não parecia muito seguro de si. Sua expressão infantil combinava perfeitamente com a voz aveludada, quase indecifrável devido ao som do ambiente. Julgo que seja o tipo de pessoa fraca e vulnerável, com medo de encarar a realidade a sua volta.

Meu pedido não demorou a chegar. Avistei Raito, meu colega de infância, limpando o balcão principal e acenei. O floco de neve deixou meu pedido sobre a mesa. Estava um tanto atrapalhado e quase derrubou meu cappuccino. Ri pelo nariz.

— Prontinho. Panquecas e um cappuccino de caramelo. Precisa de mais alguma coisa?

Encarei seus olhos negros por alguns instantes e sorri de um jeito levemente malicioso. Não sei ao certo se o que eu estou prestes a dizer vai ser legal, mas gosto de correr riscos, por mais insignificantes que eles sejam.

— Como você se chama? – perguntei.

— Near. Me chame de Near.

Sorri com o jeito que ele pronunciou as palavras, em um tom quase inaudível. Voltei à minha expressão séria, encarando o cardápio como se estivesse escolhendo alguma coisa.

— Humm, desculpe, mas não vejo seu nome no cardápio.

Ele levou alguns instantes para entender, e corou. Tentei manter a seriedade, mas foi em vão. Não consegui conter a risada vendo sua dificuldade para tentar responder minha cantada imbecil.

— Isso foi brincadeira! – ri novamente com o tamanho da minha idiotice e ele soltou uma risada tímida e sem graça para descontrair. – Por favor, me traga geleia. Muita geleia, de framboesa.

Near ficou com uma expressão confusa, mas assentiu. Discretamente percorri com os olhos o trajeto perfeito de seu corpo. O crachá pendurado em seu pescoço me chamou a atenção. Nele estava escrito: Nate River.

— Nate? – perguntei, encarando o objeto.

— É... Nate é o meu nome... Nome verdadeiro. Mas prefiro que me chamem de Near. – ele aparentou ter ficado sem graça.

— Ah.

— Agora, se me der licença, vou buscar a geleia, de framboesa!

Sorri, e o observei indo para o balcão.

Nate River...

Near...

Finalmente!

Sorri maliciosamente ao completar meus pensamentos. Agora tenho muito trabalho pela frente.

Notas finais
Chiyo* - Quanta originalidade, né? Me desculpem pela falta de criatividade, mas não consegui colocar um nome descente na personagem. Mas não se preocupem, vou evitar misturar nomes de personagens de outros animes.

E que cantada mais idiota foi aquela? o.O

O que acharam? Estou com medo de parecer que eu estou apressando muito as coisas.
Até o próximo capítulo!

Beijos!