Scream! Welcome To The Game.
3 Capítulo 2 - Solicitação de serviços.
Notas iniciais
Agradecimentos especiais para minha beta Holly Robin que fez um ótimo trabalho. Obrigada! =D
Oooi!
Fico feliz que tenha gente acompanhando e comentando minha fic.
Narração: Beyond.
Boa leitura!
Capítulo 2 — Solicitação de serviços.
“Os olhos avermelhados do moreno não eram apagados da minha memória. Raramente coisas boas aconteciam em minha vida monótona, e ainda assim sempre vinham acompanhadas de coisas ruins. Eu quero encontrá-lo de novo. Não há nada de errado em conhecer pessoas novas. Pelo menos eu acho.”
O apartamento revestido com isolamento acústico foi uma péssima escolha. Sua privacidade pode até aumentar, mas pessoas que devem dinheiro à máfia deveriam pensar melhor antes de se privarem do mundo exterior. A respiração do outro já estava alterada e os ruídos vindos de sua garganta mostravam que estava seca. Enquanto ele corria, eu seguia em passos largos e calmos. Poupando minhas energias para o ponto auto da brincadeira.
O elevador* enguiçado bloqueava a única saída – segura – que a vítima tinha para fugir. A última opção seria a janela, mas se jogar da cobertura de um prédio de 25 andares não seria uma atitude muito inteligente, a menos que o ser em questão saiba voar.
Depois de uma fuga inútil, ele acabou tropeçando no pé da pequena mesa localizada no centro da sala. As paredes brancas com certeza ficariam com uma decoração exótica dentro de algumas horas e imaginar tal cena me fez dar um leve sorriso.
O homem a minha frente se arrastava pelo chão com uma expressão de pânico estampada em sua face. Em partes, sempre me divertia com esses passatempos extras, porém, as vítimas já foram melhores. Esboçava tédio, com uma cara vaga de poucos amigos.
— B. Q-qual é!? Nós somos a-amigos! — gaguejou, suando frio.
— Amigos? — perguntei, depositando um tiro com uma arma automática em sua perna direita. Mesmo com o isolamento acústico, achei prudente colocar um silenciador no objeto. Ouvi o grito estridente, acompanhado de alguns praguejamentos.
– Si-sim. Amigos. Você não se lembra? – Colocou a mão em cima do tiro, tentando inutilmente conter o sangramento. Mordeu os lábios inferiores para ver se conseguia distribuir a dor em outras partes do corpo. – No mês passado eu te ajudei a roubar milhares de potes de geleia. Amora... Jabuticaba... Frutas vermelhas... Morango... – Ele repetia os sabores pausadamente. – No último natal até te dei aquela faca maneira! – Suspendi meus passos, parando em sua frente.
Tirei a tal faca do cós da minha calça. Sem dúvidas foi um belo presente. A capa que a cobria brilhava devido ao couro cor de terra. A lâmina afiada refletia perfeitamente a imagem do meu rosto. O cabo da faca moldado a ouro dava o acabamento perfeito para minha belezinha preciosa.
– Ah! É mesmo! – Contornei um sorriso doce de compaixão. A vítima suspirou aliviada, acreditando em minha falsa ternura. Atirei em sua outra perna, voltando à minha expressão de sempre, ouvindo novamente o grito agudo. – Eu não tenho amigos! – Rosnei e em um movimento rápido, cortei sua garganta com total maestria, sentindo o sangue respingar no meu rosto.
Quente e viscoso.
Distribui várias facadas na extensão de seu peito até pouco acima da barriga. O sangue jorrava devido ao impacto da faca contra a pele da vítima. As paredes próximas ao corpo ficaram do jeito que eu imaginei, e o sofá de cor igualmente branca adquiriu a belíssima cor carmesim que dava vida àquele ambiente irritantemente claro. Lembrava-me quartos de hospitais psiquiátricos. Fiquei internado em um durante duas semanas quando ainda era pequeno.
Percebi depois de alguns minutos que o homem já estava morto. Os olhos arregalados e a boca semiaberta deixavam isso evidente. Limpei alguns respingos de sangue que estavam localizados perto da minha boca, passando a língua levemente entre os lábios, sentindo um gosto de ferrugem delicioso.
Levantei do chão, pegando o corpo pelas pernas, arrastando-o até o quarto. Joguei-o brutalmente em cima da cama, manchando instantaneamente os lençóis.
Meu serviço ainda não tinha terminado. Voltei à sala para pegar minha pequena mala de “utensílios”. Voltei ao quarto, arrumando o cadáver em uma posição favorável para o próximo passo. Abri a mala e tirei um machado médio. Despi as roupas da vítima, e comecei o trabalho logo em seguida. Dei impulso com o machado e cortei a cabeça do homem, que voou longe, e parou perto da porta do banheiro da suíte. O próximo passo seria cortar o corpo em pedaços, mas a madrugada já estava quase no fim, sendo engolida pelos indícios dos raios solares, ou seja, eu estava ficando sem tempo. Deixei o machado de lado e peguei um alicate de dentro da mala. Quebrei o maxilar da vítima, possibilitando que a boca ficasse aberta. Comecei a arrancar sua arcada dentária com um pouco de pressa, jogando-a dentro de uma pequena caixa. Ao terminar, peguei um galão de gasolina, espalhando o conteúdo por todo o apartamento.
Sem me contentar apenas com um incêndio tirei da minha mochila uma tesoura de pontas finas e uma caixa de costura. Fiz um furo um pouco acima do seu umbigo e iniciei um corte. Nada muito grande, só o suficiente para acomodar minha pequena obra de arte.
Os pontos ficaram desajeitados e o resto que sobrou da gasolina serviu para molhar o corpo gelado. As chamas da explosão se espalhariam fácil, fácil. Posso não ser um perito em bombas, mas tenho certeza de que essa será o suficiente para acabar com as evidências. Eu não podia correr riscos.
Juntei minhas coisas, olhando no relógio que disparava, anunciando as cinco horas da manhã.
— Droga! — disse a mim mesmo. Estava atrasado para os meus compromissos particulares.
Peguei meu celular, apertando o botão da discagem rápida. Depois do segundo toque, finalmente recebi um sinal de vida.
— Missão cumprida?
— Sim, venha logo. Tenho assuntos pendentes a tratar.
— O.K, fique próximo à janela.
Desliguei o aparelho telefônico, seguindo as instruções. Em menos de cinco minutos, ouvi o barulho do helicóptero que sobrevoava o local. Uma escada de corda marinheiro foi jogada em minha direção e eu entendi o que fazer. Saltei do parapeito da janela, me agarrando ao objeto. Podem achar que um helicóptero chamaria muita a atenção, porém, o horário não iria nos denunciar. A movimentação aérea é muito comum nessa região, principalmente nesse horário, devido aos telejornais.
Apertei um pequeno botão que estava preso em minha calça, ouvindo o barulho da explosão. Meu companheiro sorriu, e eu terminei de subir as escadas, adentrando o espaço coberto. Louco para me livrar das roupas sujas e seguir com meus compromissos.
— Ele quer falar com você. — fui surpreendido pela fala do moreno que me acompanhava.
— O quê? Por quê? — Questionei.
— Estou apenas seguindo ordens.
— Mas eu tenho outros compromissos! Quero ir para casa! Porra!
— Relaxa! — cometeu o primeiro erro ao tocar meu ombro. — Eu lhe deixo em casa depois.
Segurei sua mão e torci seu braço em uma posição de asa de frango. Chutei suas pernas, obrigando-o a se ajoelhar no chão. Ele não ousou revidar, até porque não possuía força e muito menos recursos.
— Não ouse me tocar novamente, Mikami. Não terei piedade se houver uma próxima vez.
Foi o suficiente para ele entender, e o caminho foi percorrido em total silêncio.
***
A base “secreta” ficava um pouco mais afastada da região de Kanto. Nas extremidades de Tókio, em uma área quase deserta. Ao contrário do galpão que eu possuía, a base ficava sob o solo, mas isso foi por sugestão minha. Um lugar subterrâneo é a melhor opção para pessoas descuidadas como meu “patrão”, assim contratempos podem ser evitados. Chegamos sem demora, e minha pressa de ir embora estava evidente. Entramos em um salão de jogos que cheirava a cigarros e a whisky, dos bem caros. Nela estavam cinco homens, tirando aquele que solicitou meus serviços.
— Nós já estamos aqui senhor. – Mikami disse ao homem de terno e gravata que segurava um taco de sinuca.
Mikami mostrava um imenso respeito pelo mais velho. Um homem de cabelos negros, mas em uma tonalidade um pouco mais clara que os meus. Os fios estavam sempre bem penteados e alinhados. As roupas caras eram acompanhadas dos sapatos engraxados e os anéis masculinos cravejados de pedras preciosas lhe proporcionavam uma aparência de poder ainda mais elevada.
— Oh! Que ótimo! — ele disse, virando-se de frente para mim.
— Vamos... O que você quer? Estou com pressa.
— Se acalme B. Quero saber se teve problemas ao realizar a missão.
— Não, eu não tive. Ta aí uma lembrancinha do seu amigo. – Disse tirando a caixa com os dentes do homem que havia matado a pouco, e joguei em sua direção.
— Perfeito! E como posso agradecer meu subordinado? Claro, além do pagamento de sempre.
Apenas ri com sua última frase e ele ficou confuso.
— Subordinado? Eu não trabalho para você Yonosuke! Apenas acho interessante matar e ter apoio para isso. Não confunda as coisas. – Ele ficou com cara de bosta, e eu olhei no relógio, que me indicava exatamente 5:30. Depois de alguns segundos pensativos, cheguei a uma conclusão. – Mas se quer saber, preciso de um banho e de uma carona. – O mais velho sorriu de canto, fazendo um gesto positivo com a cabeça.
***
Já estava de banho tomado, vestindo uma calça jeans levemente clara se comparada as que eu estou acostumado a usar; uma camisa de mangas compridas preta; coturnos escuros; um gorro vermelho e uma jaqueta preta para completar. Nada fora do comum.
Saí do quarto até o cômodo principal da base e encontrei minhas roupas sendo queimadas. Luvas, casaco, calça, peças íntimas e até meu tênis. Não fiquei surpreso e sim agradecido, pois de qualquer jeito esse seria o destino das minhas vestimentas.
— Já estou pronto. Vamos – disse, atraindo os olhares para mim. Yonosuke levantou-se de sua poltrona, e Mikami aguardou suas ordens, como um cachorrinho.
— Muito bem... Obrigado por hoje. O seu pagamento está com Mikami, e ele o levará para aonde você solicitar. Até a próxima vez, já que com certeza terá uma. Seus serviços são de primeira qualidade. – ele sorriu. Me senti desconfortável com a frase. Me fez parecer um garoto de programa.
— Tá...tá... Que seja, vamos logo.
***
Faltavam cinco minutos para as seis da manhã, e já me encontrava recebendo meu pagamento próximo à casa de Near. Sim, eu sabia onde ele morava. O segui desde o primeiro dia em que nos encontramos na semana passada, mas somente hoje consegui tempo para estudar sua rotina.
— Aqui está – Mikami entregou-me um envelope volumoso. – E este é um presente extra. – Peguei a segunda mala, um pouco maior que a minha, e pude perceber que estava recheada com geleia. O.K, se Yonosuke pretende me agradar, pode ter certeza de que está funcionando.
— Adeus.
Saí do carro, esperando Mikami sumir de vista. Segui a alguns metros até encontrar a casa do algodão. O bairro não é muito seguro, e a cada beco escuro um ruído diferente pode ser escutado. O cenário não me assustava.
Sua casa não era grande, mas era muito jeitosa. Uma cerca pequena de madeira gasta bloqueava a entrada para um jardim mal cuidado. Pulei por cima das fileiras de madeiras e me escondi atrás de uma árvore de cerejeira, tendo uma vista perfeita do seu quarto. Meu relógio de pulso apitou, indicando as seis horas da manhã, e em fração de segundos, Near acendeu a luz do cômodo, que para minha sorte, não possuía cortinas.
– Finalmente! O show vai começar!
Notas finais
E então? Ficou muito ruim?
A partir do capítulo três, o Near vai entrar com mais frequência.
Em breve, postarei o próximo.
Beijos!
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