Scream! Welcome To The Game.
4 Capítulo 3 - Rotina.
Notas iniciais
Yo minna!
Como vão??
Capítulo novinho!!
Esse capítulo foi uma chatice total para escrever. '-' Espero que não fique tão tedioso para vocês, mas ele é essencial para o enredo e também para não apressar de mais as coisas.
Narração: Beyond.
Boa Leitura!
Capítulo 3 — Rotina
“O final de semana, recheado de trabalhos escolares passou voando. O último ano escolar realmente é o mais puxado, e administrá-lo junto a outras responsabilidades como emprego e o cuidado com uma pessoa idosa não é uma tarefa fácil, mas tento fazer o meu melhor. O despertador anunciava outro começo de semana. Confesso que a desmotivação nunca foi tão forte como hoje.”
O gramado escondido por alguns vestígios brancos de neve incomodava um pouco minhas partes baixas, mas não havia outro lugar para sentar enquanto esperava pacientemente pelo albino. Ele tinha se levantado a mais ou menos meia hora atrás. Tentei procurar uma janela, mas infelizmente a única que dava vista para o banheiro da casa estava um pouco alta e eu não obtive sucesso em minha busca desesperada por algo que pudesse me deixar mais alto.
Mas valeu a pena esperar.Valeu muito a pena.
Near voltou para o quarto, tendo suas partes íntimas cobertas somente por uma toalha. Seus cabelos estavam molhados e bagunçados. Sua cara inocente o deixava ainda maisirresistível.
Minha pele, mesmo com o frio, ficou úmida e quente. Quase dominado pelo desejo, fechei os olhos e inclinei a cabeça um pouco para trás. Tentei desviar a atenção do corpo do menor sendo acariciado pela toalha de banho na esperança de conter minha sanidade. Não poderia colocar tudo a perder. Neste plano não poderia haver contratempos ou problemas antes do prazo. Assim, quando chegar a hora certa, vou estar mergulhado em um estado de prazer profundo, como um viciado em séria abstinência, o que só vai deixar as coisas ainda mais excitantes e divertidas.
Ele pegou uma cueca Box em sua gaveta, a do lado direito de sua cômoda para ser mais exato; retirou a toalha do corpo, deixando seu traseiro redondinho e sexy virado diretamente em minha direção. Lambi o lábio inferior, imaginando o momento em que teria a chance de apalpar e distribuir tapas por toda aquela região. Sem demora, ele retirou de seu guarda-roupa uma camiseta branca, uma calça da mesma cor e uma jaqueta acinzentada. Vestiu-se rápido, como se estivesse atrasado, e devido a isso, mal pude aproveitar aquele corpo nu totalmente à mostra.
A casa possuía uma quantidade boa de janelas, o que facilitava minha vista. Ele saiu do quarto e voltou para o banheiro, que era, infelizmente, um dos cômodos da casa que eu não conseguia ver. Pelo barulho do secador, deduzi que estava secando os cabelos, e por serem curtos, não demorou muito para sair.
As manhãs eram bem agitadas para ele. Sempre se movia às pressas de um lado para o outro, pegando vários ingredientes na cozinha e os misturando em uma panela. A expressão cansada de uma noite mal dormida era evidentemente estampada em sua face. Pegou uma tigela em um dos armários, e despejou um pouco do conteúdo da panela dentro. Pela cor branca, parecia ser mingau. Ele deixou o objeto sobre a mesa e seguiu para outro cômodo, que não consegui ver devido à minha localidade. Não tive tempo para estudar a casa, já que os planos da minha última “aventura” se atrasaram um pouco, então não sabia se existiam outras janelas que poderiam me denunciar. Decidi mais uma vez esperá-lo, o que não demorou muito. Ele voltou para a cozinha com algo que me deixou levemente surpreso.
Uma pessoa.
Uma velha que se apoiava nele para conseguir andar.
Eu não sabia que ele tinha companhia, e isso muda parte do plano. Quantas mais haveria ali?
Com muita dificuldade a velha sentou-se na cadeira e tomou em mãos uma colher, comendo pausadamente o mingau. Near afagava seus cabelos e sorria cansado. Sumiu da cozinha por mais alguns instantes e voltou com uma bengala em mãos, deixando-a ao lado da grisalha. Ela sorriu, e os dois começaram a conversar, porém não conseguia escutá-los.
Em seguida, ele pegou leite e cereal, misturou em uma tigela e comeu rapidamente. A velha ainda comia, e Near seguiu para o banheiro. Quando voltou, ajudou a mulher a se levantar, e então ela seguiu sozinha até o sofá.
Com um beijo no rosto, se afastou da grisalha, indo para a porta de entrada. Calçou um tênis e saiu. Segui-lo discretamente seria meu próximo passo.
***
Chegou exatamente às 7:20 na lanchonete. Raito o esperava de braços cruzados e com uma cara de poucos amigos. Ora, não era culpa do Near, era culpa da velha maldita que o incomodava! Talvez... Se eu o livrasse do peso morto... Ele me agradeceria, não?
– Quantas vezes preciso repetir?! Seu expediente começa as SETE! – Deu ênfase no horário. – Não às sete e vinte!
– Gomen Raito-san. Já lhe expliquei a minha...
– NÃO QUERO SABER DE DESCULPAS! – Raito o interrompeu, alterando o tom de voz. Near abaixou a cabeça, envergonhado. – Vá colocar seu uniforme, não quero mais ouvir sua voz por hoje.
Raito-kun era um cara legal, mas quando ficava nervoso, seu temperamento explodia. Ele odiava quando as coisas não saíam do jeito que planejava.
Adentrei o estabelecimento quando vi Near atrás do balcão, esperando para atender algum cliente. Sentei na mesma mesa da última vez, observando a expressão de surpresa do menor. Ele não se mexeu. Ficou parado por alguns instantes me encarando, até receber um cutucão de Raito.
– O que está olhando? Um cliente acabou de chegar! Vá atendê-lo.
Raito sorriu para mim, acenando de leve. Near veio em passos lentos até minha mesa, como se estivesse prestes a se aproximar da jaula do leão.
– Ohayo Near! – O menor corou, e logo em seguida tentou esconder o rosto para evitar que eu percebesse. Tarde demais.
– Ohayo... – Ele tentou formular algo a mais já que não sabia o meu nome.
– B – disse, o interrompendo.
– B?
– Isso. Me chame de B. – Ele me olhou confuso.
– Você me entende, não é? O lance de manter o verdadeiro nome em “sigilo”. Coisa que não funciona muito bem para você, Nate River. – Soltei uma risada para descontrair, e ele fez o mesmo.
– Vai pedir alguma coisa? – Perguntou.
– Um cappuccino para viagem.
– O.K. Retire o pedido no caixa. – Ele saiu, e eu me levantei logo atrás, indo para o caixa.
A movimentação ainda era pequena. Near estava de costas para mim, pregando o pedido em uma espécie de varal que ficava do lado de dentro da cozinha. Ele se virou, levando um susto.
– Bu! – Ironizei a situação. – Hey! Eu que deveria me assustar!
– D-desculpa, é que... Você... Estava lá, e agora... – Ele gaguejava levemente ofegante, mostrando sua personalidade insegura com mais intensidade.
– Você não precisa dar explicações para tudo! – O repreendi.
– Gomen... É que... – Encarei-o no objetivo de fazê-lo perceber que ele estava fazendo a mesma coisa. Ele se calou, e começou a limpar o balcão.
Precisava descobrir mais sobre ele, e principalmente quem era aquela velha hospedada em sua casa. Por que os olhos dele brilhavam ao observá-la? Por que ele cuidava dela com tanta ternura? Isso não está certo.
– Você parece ser bem novo, Near... – Perguntei discreto. Ele me encarou. – Quantos anos têm?
– 17. – Respondeu.
– Hum... Lembro-me bem dos meus 17 anos...
– E você, B?
– 22.
Ele pareceu desapontado com a minha resposta. Esbocei um sorriso leve no canto dos lábios.
– Então você ainda estuda. Certo? – Ele assentiu. – Você parece ser um garoto inteligente. Seus pais devem ter muito orgulho de você. – BINGO!
Near abaixou a cabeça, e seus olhos se encheram de lágrimas, mas mesmo assim ele não deixou que nenhuma caísse. Fiquei inexpressivo. Não consegui sentir nada no momento. Absolutamente nada.
– Eu não tenho pais. – Disse baixo, como um sussurro.
– Ah, então você mora sozinho? – Ele me olhou de um jeito estranho. O quê? Eu estava sendo mal-educado?
– Não. Moro com a minha avó.
Avó? Legal, isso é tudo o que eu preciso saber.
Meu pedido ficou pronto. Near me entregou o cappuccino e voltou a fazer seus afazeres no balcão com uma expressão séria.
– Então... Eu vou indo. Tenho muita coisa para fazer hoje.
Ele não disse nada, apenas fez um gesto com a cabeça e foi atender outros pedidos.
Por que ele estava daquele jeito? Foi algo que eu disse?
Não posso me preocupar com isso agora, tenho muito que observar.
***
7:20 às 17:50 – Near fica no trabalho aturando Raito e suas reclamações. Se desculpa por atrasos nos pedidos, esbarrões acidentais, tropeções nas cadeiras dos clientes e por tudo que se possa imaginar. Daqui a pouco vai pedir desculpas até por respirar.
17:50 – Near sai do trabalho e percorre as ruas até chegar a sua casa. Cumprimenta sua avó e prepara uma canja de galinha para ela.
18:40 – Near segue para o banheiro e demora exatamente 10 minutos.
19:00 – Near se despede da avó, mas antes a ajuda ir para o quarto. Depois sai de casa e segue até uma escola que fica perto de sua residência.
19:30 – Chega à escola e vai direto para a sala.
Toda a segunda-feira de Near está anotada em um caderno. A rotina do adolescente não é nada estranha, tirando o fato dele cuidar da própria avó.
Não tinha acesso à escola, o que era uma pena, mas logo avistei Near sentando próximo a janela de uma das salas do segundo andar. Todos estavam conversando entre si e alguns arruaceiros tacando bolinhas de cola no teto. Near permanecia calado, olhando pela janela. Pelo menos não teria que me preocupar com os amigos dele interferindo no caminho.
Alguns minutos se passaram e pude ver um ser loiro se aproximando da carteira de Near. Estava sendo acompanhado por um garoto esquisito de cabelos vermelhos e goggles no meio da cara. Junto aos dois, uma garota loira logo apareceu. O ser não identificado usava roupas pretas e comia uma barra de chocolate. Não conseguia distinguir se aquilo era um garoto ou uma garota, mas o corte do cabelo lembra muito a Madonna, então vamos chamá-lo assim.
Near ficou desconfortável com a aproximação da Madonna e tentou se levantar, mas foi impedido com um soco no estômago. Meu sangue ferveu ao ver a cena. Ele ameaçou dar outro soco, mas foi impedido pelo professor que adentrou a sala.
A Madonna olhou com um olhar ameaçador para Near e em seguida murmurou algumas palavras próximas a seu ouvido. Depois da intimidação, saiu despreocupado, rumando até o fundo da sala, sendo acompanhado pela loira, que ria histericamente. O ruivo permaneceu por mais alguns instantes e o observou, com pena, mas nada fez e logo foi ao encontro dos demais colegas.
Acho melhor isso não acontecer de novo. Ninguém tem o direito de encostar um dedo sequer em nada que me pertence. Near é meu agora.
Ele é meu.
Notas finais
(Tenho até medo dos comentários)
Será que vocês ainda vão esperar pelo próximo capítulo? rs
Deixem reviews! Elas me motivam bastante!!
Beijos, até o próximo.
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