Scream - Survival 2
22 Who
Notas iniciais
Sentados impacientes naquele cômodo. Aguardavam pelo mágico retorno de Lizzie ou alguma resposta dela. Claire assistia ao restante do filme de olhos arregalados, nem piscava. Por mais que ainda não confiasse em Kirstin, adorava "Cemitério Maldito" e ter algo pra se distrair era bom. Melhor que ficar olhando para Paul mexendo no Celular quieto, sem servir de coisa alguma. Fazia caretas de vez em quando enquanto assistia o filme, mas não por medo ou aflição, mas sim pelos sussurros chatos de Ed e Kirstin, que, deitados na cama conversavam baixinho entre si pareciam muito mais interessados em outra coisa.. Isso a irritava profundamente.. não só por serem os dois ali, mas também porque detestava que pessoas conversassem durante um filme. Bufou umas 20 vezes de olhos grudados na tela, observando os dois pelo canto do olho deitados abraçadinhos. Notava alguns sorrisos entre as baixinhas e incompreendíveis conversas, parece que finalmente estavam se acertando.
No fim, não adiantou quantos cortes em tendões de aquiles ou bebês encapetados o filme tivesse a oferecer. Aquilo já estava a aborrecendo em níveis extremos, tinha que fazer alguma coisa. Foi quando de relance notou as cabecinhas dos dois pombinhos se aproximarem em extremo aconchego e seus ombros se movimentarem. Ficaram mais colados um no outro e a Diaba não estava mais aguentando. Enfim, houve um estalo pequeno e sutil. Era o som de lábios se tocando e línguas em ação. Os dois estavam se beijando bem ali ao seu lado. Pigarrear? Não mesmo. Claire Ripley encontrou outra solução para parar o casalzinho idiota:
—Primeira regra do terror, otários.. -Comentou emburrada.
Os dois pararam imediatamente, virando seus olhares a ela, que, fingindo prestar 100% de atenção no filme, proferiu:
—Não dá pra fazer sacanagem em cenário de terror. Você morre. Achei que soubessem disso. Além do mais, não estou aqui pra segurar vela, hein! Que isso seja um aviso.
Eles se entre olharam de modo sem graça, parando com as carícias e puxando de volta os braços que usavam para se abraçar. O Clima estava quebrado graças a Ripley, que cínica, disse:
—Obrigada.
A porta do quarto se abriu depressa chamando a atenção repentina dos quatro presentes, que encararam a pessoa que entrara. Suada, ofegante, e bem cansada... Era Lizzie, que freou uma corrida interminável dando de cara com todos, congelando na entrada ainda segurando a maçaneta:
—..Gente... -Disse com dificuldade.
—Lizzie! -Exclamou Kirstin soltando Edward, ficando sentada na cama fingindo que nada estava acontecendo.
—O Que aconteceu? -Claire se levantou fitando-a seriamente, já imperando que a garota falasse de uma vez, sua impaciência estava a flor da pele.
Paul pelo menos desgrudou do celular, levantando-se num pulo de expressão curiosa olhando para a menina esperando ansiosamente por uma resposta.
—Vocês não estão sabendo?! -Lizzie apresentou uma certa indignação.
—Não, mas vamos saber se você abrir a matraca. Desembucha, cacete! -Ordenou Claire.
—Catherine Morreu!
—O QUÊ?! -Os quatro exclamaram em Coro.
—Aham.. e isso não é nem a metade. O Heitor voltou, Reese está puta da vida e está te procurando Claire! E tem mais.. lá embaixo tá o maior escândalo! Tá cheio de Vans de Reportagem e polícia para todo lado... a coisa foi feia!
—Puta que pariu... -Ripley ficou sem ar. Virou-se encarando Edward, que, estático parecia ler a sua mente. E Assim ele fez A PERGUNTA:
—E o Kenny?.. Onde ele está?
—Mal.. muito mal.. acharam ele caído no chão do lado do corpo da Cath.. os dois foram atacados.
—Atacados onde?!! -Paul a agarrou pelos ombros dando um sacode na garota, que segurou os pulsos do Atleta para contê-lo.
—No seu quarto, Paul... -Disse com medo da reação do menino.
—Merda!!! E Agora? -Gritou ele soltando-a e se virando a todos como se os questionasse.
Não houve resposta por parte de ninguém. Todos abaixaram as cabeças um a um, não sabendo como agir.
—Pessoal.. e agora, o que eu faço?!
—Que foi, Paul? -Perguntou Claire.
—Eu to ferrado! Tim estava ficando comigo no meu quarto! Agora com certeza vão interditar o local e.. onde eu vou ficar? Onde o Tim vai ficar? Vão remover "Os moradores" daquele dormitório, vão nos colocar em outro quarto, Clarice obviamente vai notar porque vamos estar juntos no mesmo quarto sendo que eu falei pra ela que só o Kenny tava lá comigo. Puta Merda.. a Clarice vai descobrir tudo..
—Descobrir o quê, garoto? -Claire mostrou revolta. -Ah, dá licença! Eu tenho mais o que fazer e não to com cabeça pra cuidar desse "Crepúsculo" de vocês três aí não. Se recomponha "Cullen"! Se assume, caralho.
Ele não respondeu, dava pra ver como estava aflito pelo modo que tremia. Guardou o celular no bolso da calça as pressas e levantou as mãos em sinal de desistência fitando a todos:
—Inacreditável... ninguém tem uma ideia?!...
Claire não conseguiu segurar o sarcasmo. Sério que ele estava preocupado com isso quando a notícia sobre um novo assassinato chegou? Ela ergueu uma sobrancelha cruzando os braços o olhando com deboche e falou:
—"Disapointed, But Not Surprised"? Ninguém liga.
—Que se dane! -Exclamou nervoso dando as costas retirando-se do recinto rapidamente.
—Gente... -A Diaba olhou em volta. -A bicha tá brava.. Que se dane digo eu! Lizzie, tem como descer ou tá muito tumulto lá embaixo?
—Não acredito que você tá pensando em ir lá, Claire. -Comentou Edward.
—E por que não? Acho que estou bem para aparecer de frente as câmeras. Afinal, isso pode ser o começo do nosso plano dando certo. Esse era o objetivo, não? Trazer a imprensa, armar um barraco, cancelar as aulas.. Agora se me dão licença, eu vou tentar difamar a imagem do Heitor e tentar achar a Reese.
Dirigiu-se em direção a saída de queixo erguido jogando os cabelos e de repente parou assim que pisou no corredor, virando-se a eles:
—Ah! Só mais um detalhe.. o assassino estava bem aqui nesse prédio e acabou de matar alguém a 4 andares abaixo do nosso.. eu não faria sexo hoje se fosse vocês.. -Apontou para Kirstin e Edward antes de se retirar e desaparecer corredor a fora. Sua voz pôde ser ouvida ecoando distante aos berros: -Lizzie, você vem comigo!!!
—Tá bom!! -Gritou a garota dando meia volta depressa passando a seguir a direção onde a mesma fora.
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Rachel estava diante ao espelho cheio de marcas de dedos do banheiro enxugando os cabelos com uma toalha em volta de todo aquele vapor quente. Coberta por um roupão branco, esforçava-se para secar os cachos tentando de tudo para que não embaraçassem. Que tarefa ardilosa, e ainda tinha que prestar atenção no que Quinn dizia escutando-a perambular pelo quarto e dizendo um monte de coisas:
—Eu não acredito! Dá pra acreditar nisso? E nós pensamos que era só uma suruba! Como pudemos ser tão idiotas?!!
—Na próxima, é só chamar a segurança do campus. E Falando nisso, por que não fizemos isso? -Rachel cobriu a cabeça com a toalha, esfregando-a como se fosse uma lâmpada mágica de onde um gênio sairia ou algo assim, tamanho era eu ritmo frenético.
—Eu sei! Deus.. eu estou morrendo de remorso.
—Não é culpa nossa. Ué, a gente por acaso ia saber que o escândalo aí do lado podia ser alguma coisa séria?
—Tem razão... Não tinha como saber..
—Quinn, eu fui sarcástica. Deu pra ouvir os gritos.. qual é.. tava na cara que tinha alguma coisa errada.
—E Você diz isso agora?!! Quer me fazer ter um derrame? Eu já to toda me tremendo, mulher!
—Calma! Não foi isso que eu quis dizer.. é que.. deu pra ouvir que tava rolando sacanagem aí do lado. Mas depois que a barulheira toda começou, eu sei lá.. pensei que o sexo tinha se transformado em briga.
—Ah, tá.. entendi. Mas tipo, ninguém bateu na porta.. ninguém foi lá ver o que aconteceu! Por quê, gente?
—Deixa eu te fazer uma pergunta. Você teria ido até lá?
—Nem morta!
—Então pronto. Olha, vamos ter que lidar com isso de qualquer jeito. Senão, seremos tão culpadas quanto todos os outros que moram nesse corredor.
—Você tem razão.. mas eu estou apavorada.
—Isso é normal. Te chamaria de louca se não estivesse.
—Mas eu acho que to ficando louca.. to tendo umas ideias...
—Tipo o quê? -Rachel retirou a toalha da cabeça, procurando escutar melhor o que Quinn iria dizer.
—Ah.. melhor deixar quieto.
—Ah, não! Você tem essa mania chata de fugir do assunto toda vez que a coisa aperta. Fala...
—Você não vai querer saber. -Respondeu temerosa.
—Amiga, se eu estou interessada.. acredite.. eu vou querer saber!
—Ai meu Deus..
—Vem até aqui.
—Tá bom.
O Espelho se enchera de vapor novamente embaçando o reflexo. Rachel habilmente passou a mão no mesmo, clareando a vista podendo ver a si mesma e Quinn já encostada na porta atrás de si. Quinn Estava com o coração na mão para não dizer outra coisa. Super apreensiva e cabisbaixa, mexendo nos próprios dedos como expressão de insegurança. Fitou Rachel por um segundo através do reflexo desviando o olhar assim que a mesma olhou diretamente para ela no espelho.
A Goleira respirou fundo tentando passar uma imagem calma. Não queria causar mais desconforto ou desespero na amiga, e assim manteve um semblante carismático, preparando-se para amansar a voz e poder levar uma conversa civilizada, sem causar escândalo por parte de Quinn. Chamou-lhe com um olhar de pena vendo-a através do espelho:
—Amiga..
Ela respondeu levantando a cabeça parecendo vir de algum devaneio distante, encontrando no reflexo os olhos doces de Rachel. Isso não a confortou de modo algum. Mas fingiu que sim embora estivesse para ter um colapso, temendo a reação da Morena.
—Pode falar.. não se preocupe. Não vou pensar que você é louca.
—Sério?
—Sério. Se me disser que tem um plano envolvendo pôneis voadores eu vou te apoiar.
Quinn sorriu vendo a oportunidade em forma de permissão para se expressar. Não aguentava mais segurar a verdade ou esconder coisas de Rachel. E não importa o tamanho do seu medo de fazer a amiga odiá-la para sempre. Ela tinha que contar.
—Aconteceram algumas coisas.. -Hesitou.
A Morena percebeu que ela ainda estava com medo de falar, e agiu.
—Está tudo bem...
Um suspiro saiu da menina aflita, que continuou:
—Aconteceram algumas coisas... e.. eu não sei muito bem como lidar com isso.
—Certo...
Ela desviava o olhar sempre que podia, temendo encarar Rachel olho no olho.
—Ah.. e.. é claro que eu estou com medo.. mas eu estava com medo desde o começo. E eu não sei mais o que fazer.
—Calma.. respira.. não tenha medo.. estou aqui. Pro que der e vier.
—Tá bem... eu não sei o que fazer... Mas a Claire sabe.
—Claire?!
—Ah, droga eu sabia que você ia reagir assim. Esquece! Esquece o que eu disse! -Resmungou chateada dando as costas.
—Não, não, não!! Não foi isso o que eu quis dizer.. desculpa.
Quinn parou, sentindo-se ainda insegura. Mas dentro de si sabia que por bem ou por mal.. em alguma hora teria de ter essa conversa. E Se Rachel estava disposta a deixar isso acontecer agora.. bem, Pros Diabos então!
—Tá.. -Disse recompondo-se encostando no batente da porta do banheiro voltando a fitar a amiga pelo reflexo. -Claire. Ela já passou por isso antes..
—Eu sei. -Disse com naturalidade pegando da pia do banheiro, uma escova de cabelo.
—Sabe? -Perguntou chocada.
—Relaxa, Quinn... todo mundo sabe.
—Ah. Ok. Então.. eu acho que vou ser a próxima.
—Você tá me assustando..
—Eu sei... é que.. eu recebi umas mensagens muito macabras.
—Tá falando das fotos da Zeta Beta? Eu também recebi. Minnie também. E Garanto que muita gente também recebeu aquilo. Não acho que devia ficar tão preocupada.
—Bem.. eu deveria sim.. se o assassino tivesse continuado me mandado coisas e avisando que ia matar uma de nós.
(SPLAT!) -A Escova caiu das mãos da Morena atingindo a pia. Quinn até tremeu de susto neste instante, paralisando temendo a reação da garota, que com voz lenta e baixa, perguntou:
—O Que você disse?...
—Ele continuou me mandando coisas.. e recebi um aviso de morte.. na noite em que Minnie.. -Parou de falar ao perceber o queixo caído de Rachel, que sem reação, parecia estar com a alma saindo do corpo. Vendo que ela não conseguiria dizer mais nada, Quinn foi em frente: -E.. ele sabia onde Minnie estava.. porque ele estava na casa naquela noite.
—Vo.. vo.. você diz.. na "Casa".. na nossa casa???
—Sim..
—Mas.. como? Como você sabia disso e não me contou?!
—É que.. eu tava apavorada... -Lágrimas passaram a escorrer entre suas bochechas. E logo, os olhos de Rachel também foram ficando brilhantes por conta do choro que se anunciava. -Eu.. eu achei que ele vinha me matar naquela noite, então eu implorei pra que ele não fizesse isso.. e aí.. ele foi atrás da Minnie assim que ela saiu... é tudo culpa minha! Eu sou uma idiota!..
Rachel já estava de boca tampada, segurando os soluços frente ao espelho. Falar de Minnie, era muito doloroso a ela. Isso a fazia retornar a sua experiência traumática no refeitório. E vendo como sua amiga estava em ruínas carregando um fardo que não merecia, eram coisas demais para aguentar. Foi quando as lágrimas repentina se mostraram e elas a fizeram desbancar e mergulhar num choro pavoroso de tremeliques ouvindo a voz chorosa de Quinn em seu discurso agudo e desesperado:
—E.. Claire e Edward tentaram nos salvar.. é por isso estavam lá, Rachel! Claire achou que o assassino estava atacando as fraternidades.. ela foi lá para nos avisar.. ela, ela conseguiu espantar o assassino ou sei lá.. e ele deixou a casa em paz mas foi direto para Minnie que tinha acabado de sair.. eu.. eu sinto muito!...
—E..então... que.. quer dizer que.. Claire foi até lá.. para nos "salvar"?...
—É!..
—Meu Deus.. e eu fui uma vaca com ela hoje!
—Olha.. olha pra mim, eu estou acabada! E esse pervertido tá me aterrorizando desde aquele dia que nos mandaram a foto daquela garota morta... Rachel, eu não quero acabar como ela!
—E não vai! E não vai! -Disse aos prantos virando-se para abraçá-la.
Quinn soluçava feito uma criança sendo envolvida por seus braços, e Rachel tinha em vista uma nova responsabilidade. Via a missão de consertar as coisas. E dar um jeito de tirar de Quinn esse pensamento negativo de morte que a assolava.
—O que você acha que devemos fazer, Quinn? -Perguntou ela durante o abraço, dando-a conforto e compreensão, arrependendo-se da maneira como havia agido hoje cedo com Claire.
—Eu.. eu acho.. -A Menina tentou segurar os soluços. -Que devemos ir falar com a Claire.. ela tá investigando isso. E ela conhece esse tipo de coisa, pode ajudar.. quem sabe?..
—Eu faço qualquer coisa por você. Se você quer ver a Claire, então é isso o que vamos fazer.
—Obrigada!
—Shh!... Não fica desesperada, por favor.. senão você me leva junto!
—Tá.. Tá bem.. -Dizia assentindo com a cabeça, limpando as lágrimas de olhos vermelhos e coçando a ponta do nariz sendo libertada do abraço de Rachel. -Obrigada, amiga..
—Escuta. Você não é a próxima. E mesmo se fosse.. você iria acabar com a raça dele.
—Pare..
—É Sério.. se serve de consolo. Você detesta filmes de terror.. sabe como eles são idiotas. Esse Nerd não teria a menor chance contra você.
—Agradeço, mas isso não tá ajudando. -Riu de lado coçando os olhos ainda inchados.
—Tá... Foi mal. Não sou muito boa com essas coisas.. Mas então é isso. Estava com tanto medo assim de me contar?
—É..
—Não devia. -Rachel sorriu limpando o canto dos olhos impedindo mais uma lágrima de escorrer. -O Que eu não faço por você?...
—Nada.
—Exatamente. Não há nada, que você não possa contar comigo.
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Assim que adentrou ao quarto, com expressão exausta, Clarice foi arrebatada por um furioso olhar de Daniel, que, sentado na cama fitando-a de olhos cerrados.. julgava cada parte de seu corpo. Jogando a mochila no chão em um canto qualquer como de costume, Clarice percebeu o que Daniel fazia, ficando terrivelmente desconfortada.
Não disse nada enquanto o olhou de canto fingindo não prestar atenção indo em direção a sua própria cama, parando na beira da mesma colocando a ponta dos pés contra o calcanhar, retirando forçadamente os tênis um após o outro. Por um milésimo de segundos ainda voltou o olhar de canto a Daniel acreditando que não o estava deixando perceber, que estava sendo sutil.
Ele ainda a julgava com expressão cínica, como se lhe cobrasse alguma coisa. Estava com raiva, isso era nítido. Uma verdadeira raridade ver um garoto tão palhaço ser o dono de um semblante tão pesado. Era de dar arrepios. Clarice continuou a fingir que não se sentia incomodada. E ainda por cima dava a entender que nem sequer percebera o gesto estático e fixo do garoto, mostrando o quanto ele era indiferente para ela. Querendo por dentro que ele pensasse que, se ele estivesse triste, feliz ou com raiva.. ela não dava a mínima e esperava desesperadamente que ele parasse de olhar e se tocasse que ela não embarcaria em sua loucura momentânea, pois afinal, ela é indiferente a ele.. certo?..
Sentou-se na cama desviando o olhar a todo momento. Mas incrível como vacilou por uma rápida ocasião deixando explícito a aqueles olho negros fixos que ela de fato percebeu o que se passava. "Merda" — Pensou ela. Respirando fundo e preparando-se para deixar acontecer o que tivesse que ocorrer... quem sabe isso acabasse logo com aquela cara feia dele? Tomara..
—Ah.. que foi? -Perguntou Seca recolhendo as pernas, procurando se esticar na cama deitando-se preguiçosamente ainda demonstrando indiferença, fazendo a pergunta soar de modo que não estaria realmente interessada, e que só estava perguntando por educação. Isso por fora, pois por dentro.. a verdade era outra. Um intenso sentimento de desconforto e leve tensão emocional.
—Você ainda pergunta? -Retrucou ele, com voz grossa e tom estúpido.
—Credo, garoto... -Revirou os olhos afundando a cabeça no travesseiro, fingindo buscar conforto. -Cara feia para mim é fome.
—E pra mim carinha bonita é falsidade.
—Ãhn? -Ergueu a cabeça, apoiando-se com os cotovelos na cama, sendo atingida pro aquele olhos negros fixos. -Ficou louco? Não te dei intimidade para falar comigo assim não, Daniel. Eu hein. Que é?
—Onde você estava?
—Isso é da sua conta?
—Não brinca comigo, Clarice. Você esteve aqui?
—Ahm.. bestão.. eu MORO aqui.
—Não se faz de idiota. -Levantou-se de repente, causando uma reação tensa na garota que se recolheu ainda mais, ficando de torço ereto, sentadinha. -Você veio aqui no quarto hoje?!!
—Do que você tá falando? -Disse demonstrando medo, inclinando-se para trás encostando-se na cabeceira enquanto Daniel se aproximava em fúria ficando em pé ao lado dela, parecendo ter o dobro de seu tamanho. Era realmente intimidador.
—Do que eu estou falando? Não vem com essa pra cima de mim! Você acha o quê? Que eu sou só um palhaço? Que eu não vejo o que tá acontecendo? Você tem o que na cabeça? Uma coisa que eu adoro.. é que as pessoas me subestimem. Assim nem percebem quando eu fodo com a vida delas.
—Daniel, eu juro que eu não sei do que você tá falando.. me explica!
—Explico? Explico siiimm!! Vem cá, caralho! -Exclamou pegando com força repentina em seu pulso, puxando-a.
—Ai!! Me solta, garoto!! Me solta!!
—Vem!
—Eu falei pra me soltar!! -Gritou ao ser puxada para fora da cama, sendo forçada a ficar de pé, enquanto se debatia tentando se soltar da incrível força que até hoje, desconhecia que existia no rapaz.
—Fica quieta!
—Se você não me soltar, eu vou gritar!!
—Grite à vontade! -Disse raivoso puxando-a cada vez mais, levando-a em direção ao Closet.
—Daniel, pare!!
—Não até você me contar que porra tava fazendo!
—Eu não tava fazendo nada, moleque!
—Sei!
—É Sério!! Eu tava que nem uma tonta procurando a filha da puta da Catherine pelo campus inteiro pro causa daquela vadia chata da Claire, eu não faço ideia do que você tá falando nem do que você tem na cabeça! Louco! Me largaaaa!!!
—Parou!!
—Ahhhh!!!!
—Cala a boca, Clarice!
—Você é doente!!
—Você tava procurando a Catherine?!
—É, Cacete!! -Contorcia o rosto com o aperto no braço, jogando-o de um lado para o outro tentando a todo custo se soltar.
—Catherine está Morta!! -Gritou enfurecido encarando-a fixamente.
Ao ouvir a frase gritante, Clarice desfez a expressão anterior, dando lugar a uma completamente em choque. Seu queixo foi abaixo. Ficou sem reação parando de se debater. Seu semblante triste começou a surgir logo em seguida, quando Daniel cortou o silêncio.
—Que é?.. Vai falar que não sabia.
—Cath... -Disse gaguejando feito uma criança que aprende as primeiras palavras. -Mo.. Morta?..
—"Mo.. Morta?" -Repetiu Daniel zombando enfurecidamente da garota. -É, retardada! Morta! Presunto! Empacotada! Defunta! Quer mais explicações, sua imbecil?
—Eu.. eu não acredito nisso.
—Ah.. mas eu acredito. E acredito também que você pensa que eu sou besta. Achou mesmo que eu não ia descobrir?
—Descobrir o quê? -Perguntou trêmula acompanhando sem piscar os movimentos de Daniel, conforme ele esticou o braço agarrando a maçaneta do Closet, e puxando-a com força escancarando o mesmo.
Clarice não viu nada de especial. Procurava atenta e trêmula a resposta para tal comportamento violento. Mas tudo o que seus olhos encontraram, fora bagunça.
—Ali... -Apontou ele para baixo.
Demonstrando estar desentendida, ela deu de ombros ainda carregando o pavor nos olhos:
—Não entendi...
—Ali, criatura! -Ele bufou, se abaixando depressa alcançando uma caixinha de Metal. E Com rapidez, abriu a mesma revelando um interior vermelho fofo, marcado com um formato fundo de um objeto de aproximadamente 25 centímetros. Um objeto, que no caso.. não estava lá. Deixando para trás a marca de seu formato no fofo interior da caixa. Objeto esse, uma faca de caça Buck 120.
—Cadê essa merda? -Ele a fitou exigindo uma resposta.
Clarice então entendeu do que se tratava. Respirou de modo lento engolindo seco, olhando para ele de um jeito que explicitamente lhe clamava para ter calma.
—Dan.. eu não mexi nas suas coisas...
—Ah, não? Porque da última vez que chequei, só moravam duas pessoas nesse quarto. Então chega de gracinha. Você é a única que tem a chave, então não se faz de idiota.. onde está a porcaria da faca?
—Você não está me ouvindo? Eu estou falando que não peguei!
—Então posso revistar sua bolsa?
—O quê?
—Tá surda? POSSO REVISTAR SUA BOLSA? -Perguntou novamente exaltando a voz.
—Não! -Gritou ameaçando choro.
—Por quê não? Tá com medo do que eu vou achar lá dentro?
—Daniel..
—Daniel é o cacete! Você vai me dar essa bosta agora antes que eu chame a polícia!
—A polícia?!
—É.. gelou agora não foi? Isso que dá.. aprontou.. agora aguenta.
—Eu não fiz nadaaaa!!! -Gritou histérica.
—Ah, é mesmo? Porque, deixa eu te dar uma pequena atualização das coisas, menina. Tá cheio de polícia lá embaixo. Tá cheio de repórteres e tá todo mundo falando do que aconteceu no andar de baixo, tá bom? E que sorte, num andar tão baixo com uma janela útil como a nossa, e com todo aquele escândalo lá fora as pessoas falam mais alto.. e eu ouvi dois. Não um, Mas DOIS oficiais comentarem ali na entrada do prédio que a Catherine foi golpeada com uma faca de caça. Agora, pensa só na minha surpresa ao não encontrar a minha faca no lugar, e ter única outra pessoa com a chave do quarto e o conhecimento da existência dela, ausente no exato momento em que o assassino atacou de novo.
—Que assassino? Você?
—Ah.. não, não querida.. você!
—Até parece.. -Ela sorriu diabolicamente entre lágrimas. -O Dono da faca é você, meu bem. Se a polícia vai atrás de alguém, vai ser de você queridinho..
—Ou da única pessoa que sabia onde ela estava..
—Acha mesmo? Porque até onde eu sei.. você poderia ter matado a Catherine. Afinal, você estava lá no pátio hoje enquanto falávamos de tudo aquilo. Ficou com medo de ser descoberto? Quis acelerar o processo de matança indo logo atrás da Catherine antes que nós descobríssemos que ela não era a assassina? Pois escuta essa o "inteligente".. quando um "suspeito" morre, todo mundo olha pra outro culpado... seu burro!
—Tá me acusando, agora?
—Ah.. tá surdo?! Eu voltei agora. Nem sabia de nada. Você é que tá aí falando asneira querendo me colocar numa nuvem negra, babaca. Quem se defende muito sem ser questionado.. é porque é culpado, sabia?
—Vai a merda! Cadê faca, Clarice!
—Olha se tá no meu cú, moleque!! -Berrou puxando o braço com força, soltando-se dele finalmente.
—A polícia ainda está lá embaixo.. e eu só vou falar mais uma vez.
—Ah.. vai mentir para a polícia? Ou ir pra cadeia de bom grado feito um otário. "Ah, oi Policial, eu tinha uma faca de caça igualzinha a que o assassino usou pra rasgar os meus colegas.. por acaso vocês a viram?".. Claro... genial, Daniel.. Genial.. espera até o Paul saber que você tinha essa droga. Você vai ser a notícia mais quente do momento! Aliás.. "Quente".. vai combinar com a sua futura roupa laranja! "ORANGE IS THE NEW BLACK, baby" se acostume a prisão.
—Sua vadia!
—Você quer me acusar de ter pego essa droga? Só espero que sua língua seja mais rápida que seu cérebro... Pois se você tentar me afundar.. eu vou acabar com a sua raça.. e quem dera você ter uma faca inútil para tentar se defender da merda que eu vou fazer com você.
—Acha mesmo que pode me enganar, Vagabunda?
—E Você? Acha que engana alguém.
—Você fede.. a mentira...
—E você fede a assassino burro... -Disse ela, se afastando dando passos para trás em direção à porta. -Fica longe de mim..
—Me dá o que meu!
—Vai à merda! Eu não estou com nada seu, não, otário..
—Eu sempre me perguntei por que diabos eu deixei você morar aqui nesse quarto comigo... Eu devia ter deixado você morar na rua depois do que houve na Zeta Beta, maldita!
—E você deveria tomar mais cuidado com quem deixa entrar aqui, garoto. Ou acha que é super original esconder a porra da chave embaixo do capacho?
—O quê?...
—É.. isso mesmo. Acha mesmo que ninguém que quisesse invadir esse quarto fedido não ia procurar uma chave reserva ali?... Bitch, please. Você é tão clichê que dá dó.
—Você não está implicando que... ?...
—"Que", espertão.. antes de vir pra cima de mim. Tente ir atrás de quem sabia onde a chave reserva estava, falou? -Clarice abriu a porta enfurecida limpando as lágrimas de ódio vendo com extremo prazer a cara de tacho que Daniel ficou, continuava fixado a ela, mas dessa vez, boquiaberto. -Eu sei que o corredor de baixo tá interditado... eu vou agora lá em cima ver se alguma garota pode me conceder um espaço pra essa noite porque eu não me atrevo a olhar na sua cara hoje, Daniel... e se você fizer ou disser alguma coisa que difame a minha pessoa... saiba que vai viver para se arrepender disso.
A Garota se retirou andando só de meias, portando o celular em uma das mãos indignada com o que acabara de acontecer. Desapareceu corredor a fora enquanto Daniel se martelava por dentro fitando aquela caixa vazia tentando raciocinar. E de repente, se perguntou:
—Quem mais sabia da chave?...
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Lizzie ergueu a mão frente ao rosto que era atingido pelas piscantes luzes vermelhas e azuis das viaturas espalhadas pelo pátio. Estava próxima a porta do prédio dos dormitórios com Claire do lado. Ambas faziam parte de uma interminável fila de multidão que cercava a área restrita pela polícia, por onde à pouco passara o corpo de Cath sendo levado numa maca coberto por um lençol branco cheio da manchas vermelhas. O "X" da questão, é que tanto para Claire quanto para Lizzie, o cadáver não era a atração principal, mas sim o Heitor do colégio que dava entrevista à Repórter da Emissora QKB, próximo ao tumulto de estudantes curiosos que, em surpreendente silêncio tentava emprestar atenção ao que ele dizia, de costas aos estudantes não sendo capaz de ver as caretas, línguas para fora e dedos do meio que volta e meia se apresentavam ao fundo para as câmeras.
—Podemos dizer que a situação está sob controle -Dizia ele.
—Mas Senhor, não acha que com este sendo o 7º assassinato consecutivo nessa semana, isto não irá fazer as matrículas caírem?
—O que isso vai fazer é dar a chance da polícia fazer um trabalho excepcional e trazer de uma vez por todas a segurança que esses jovens merecem.
—Está dizendo que a Universidade em si, não é segura?
—Não.. não foi isso que eu quis dizer. -Respondeu envergonhado, em desespero.
Claire parecia se divertir à beça, rindo das patadas e respostas da repórter e Lizzie a acompanhava com tremendo entusiasmo.
—Então, como o Senhor declara a situação atual deste Campus?
—Foram dias difíceis, sem dúvida. Ninguém pudera imaginar o que aconteceu aqui. Mas garanto que temos uma boa equipe e que estamos fazendo a coisa certa.
—Minhas fontes me disseram que o Senhor ameaçou demitir a chefe de segurança da Universidade afim acobertar o incidente visando o retorno financeiro e estética da faculdade, isso é verdade?
—Mas é claro que não! -Respondeu indignado.
—Hahahaha!!!! Esse Paul é demais. -Comentou Claire.
—Menina, que show!
—Esse garoto já mora no meu coração!
—Pode crer.. -Lizzie arregalava os olhos.
—Não, não, não! -Resmungava o Heitor.
—Então quais serão as medidas de segurança? -Perguntou a repórter, séria. Exigindo uma resposta imediata.
O Heitor ficou completamente sem jeito, mexendo na gravata e tocando o rosto, bem onde ainda estava dolorido pelo soco que levara dias antes. E ali, as palavras saíram de sua boca de forma impensada, porém, espontânea:
—Se não tiverem uma pista conclusiva até daqui a dois dias.. irei fechar o campus e mandar os estudantes para casa...
De imediato, uma onda de gritos e aplausos preencheu a fria, escura e piscante noite naquele pátio principal. Assovios, palmas eufóricas e comemoração saíram de dentro dos estudantes de Pendleton College. Era uma verdadeira festa. Claire abraçou Lizzie apertando-a com tudo o que tinha, sorrindo daquele seu jeito maligno sentindo que a missão havia sido cumprida. Mas não pensava em sair do campus.. para falar a verdade, Claire só iria fazer as malas após o assassino ser pego: POR ELA. Seus planos insanos já tomavam conta de seu ser. E antes mesmo que alguém pudesse opinar, a Diaba já havia condenado a todos os possíveis envolvidos. "SURVIVAL" era o lema do que estava por vir e ela sabia disso. Sabia que com as aulas provavelmente sendo canceladas em dois dias, que o assassino aumentaria o ritmo, induzindo seu ato final. Viria atrás dos poucos sobreviventes com força total numa corrida contra o tempo.
Pobres coitados.. Paul.. Kenny, Lizzie, Clarice, Tim, Edward, Kirstin, Daniel, Reese, Rachel, Quinn, e Gigi. Coitados se pensavam que em breve estariam longe de tudo isso no conforto de suas casas. CLAIRE RIPLEY não deixaria ninguém descansar em paz.. ninguém, exceto.. o Assassino Mascarado.
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