Scream - Survival 2
7 Red Right Hand
Notas iniciais
Foi com o dia nublado que a faculdade Pendleton amanheceu. O Medo podia ser sentido no ar desde que naquele dia, não se falaria de outra coisa a não ser o ataque na Zeta Beta. O Pátio principal da Universidade estava lotado de estudantes que pareciam perdidos, se movendo para todas as direções contando o que havia acontecido e ouvindo novos detalhes de outras más línguas. Quanto tempo demoraria para que algumas mentiras, exageros ou "Lendas Urbanas" fossem inventadas por causa do ocorrido? É Difícil dizer, mas em algumas conversas já rolava o papo de como todas as garotas foram estupradas, ou em como Catherine deu uma surra no suposto assassino fazendo-o fugir. E em país de Boato, testemunha é suspeito. Edward Graim era oficialmente sinônimo de olhares tortos e suspeitas sem fundamento. Era absurdo o número de rodinhas que estavam espalhadas encostadas nas árvores ou ainda os círculos de jovens sentados no gramado. Não importava o peso nas mochilas, todos tinham que atravessar aquele pátio para contar correndo o ocorrido para aqueles que ainda não sabiam, e especular as possibilidades com quem já tinha ouvido a história de pelo menos três pessoas diferentes na última meia hora.
Tim e Minnie não eram uma exceção nesta manhã. Mas nem pararam um segundo para pensar nas aulas de hoje, tudo o que rondava suas mentes era o acontecido. Timothy, magrinho e de aparência inocente escondia um embrulho no estômago só de pensar no que ocorreu noite passada. Não que ele odiasse Clarice, mas saber que quando ouviu a notícia do ataque na fraternidade, a primeira coisa que pensou é que talvez ela estivesse morta e que ele estaria livre de sua onda de ciúmes, o assustou um pouco. "Sério que cheguei a esse ponto?". Tentava manter o pensamento longe de si, não queria se ver ou que os outros o vissem como uma má pessoa por ter pensado nesse tipo de coisa. Mas como um martelo teimoso, um pensamento talvez ainda pior se destacava. Com todo o reboliço, Paul talvez passasse a dar mais atenção para Clarice, e quem sabe, ele a trataria melhor do que nunca por ela ter passado por tanto horror. Isso incomodava Tim, mais que qualquer coisa neste dia. Sua caminhada com Minnie era repleta de desvios de estudantes que esbarravam nos dois sem pedir licença. Por vezes, conversavam afastando-se um do outro quando um estudante passava no meio deles, voltando a se aproximarem após o inconveniente. Não adiantava revirar os olhos, o pátio estava mais lotado que de costume e desviar de todos os que vinham na direção contrária seria lei. Mas Minnie, não desanimava na conversa:
—Então, aí agora tá todo mundo pensando que foi o Edward, tadinho.
—Edward? -Perguntou Tim, ainda não ligando o nome à pessoa.
—É... Edward.. Graim!
—Quem é esse?
—Meu Deus garoto, você passou a vida toda embaixo de uma pedra?
—Nossa, vou pra guilhotina por não saber quem é ele?
—Deixa, longa história.
—Mas por que estão desconfiando dele?
—Porque esse povo é idiota. Coitado. O Menino já passou por tanta coisa.
—Tipo?
—Tipo o que aconteceu ontem. O irmão dele foi assassinado, depois te conto essa história.
—Eita!
—Foi o maior bafafá, deu em todos os jornais.
—Falando nisso, não vi nenhuma notícia na TV sobre o que aconteceu ontem... nem sobre o que aconteceu ante-ontem.
—Eu também não. Isso é muito estranho.
—Minnie, eu estava pensando nisso. Você conhece aquele menino doido?
—Seja mais específico! "Doido" aqui é o que não falta.
—O Kenny. Que parece ter fugido de algum porão de um estúdio de tatuagem.
—Ah!! Sei.
—Pois olha só. Ele divide o quarto com o Paul no dormitório.
—Hum... safadinho... -Minnie riu de lado, provocando Tim, que desviou o olhar fazendo careta.
—Eu estou falando sério!
—Ah, tá! Desculpe... continua.
—Ele comentou com o Paul que nada disso está na mídia. Que é bizarro. Kenny diz que a faculdade está tentando encobrir.
—Ah, por favor! Pendleton encobrir alguma coisa? Essa universidade não consegue esconder nem os cocôs que são deixados nas privadas sem descarga. Timmy, desencana. E Faça um favor a si mesmo e desencana do Paul, sério. Ele não presta. Aposto que está só te usando.
—Não.. acho que não amiga. É que você não vê o Paul quando ele está comigo. Ele é verdadeiro.... juro. Aqui fora, ele se esconde. Mas comigo.. é.. diferente.
—Ah, todos dizem que são. Acredite, vai por mim.
—Você devia estar do meu lado. -Disse sarcástico, fingindo cobrar dela algum tipo de atitude de "Amiga".
—Eu não! -Retrucou ela com um sorriso. -Eu sou sua amiga, tenho que puxar sua orelha mesmo. Te aconselhar... Isso sim é ser amigo.
—É... uma pena não concordarmos com esse fato. -Tim parou, apertando o braço de Minnie fazendo-a paralisar consigo tirando a expressão brincalhona do rosto, olhado fixo para um ponto um pouco mais à frente. Minnie parou, tentando entender para o que ele estava olhando. Ajeitando a mochila nas costas e procurando ver por entre os estudantes que passavam bloqueando sua visão, ela avistou Clarice e Paul mais à frente, abraçados conversando ao pé do ouvido um do outro. Todos os que passavam perto do casal os encaravam indiscretamente, eles percebiam, e fingiam não se importar. Mas Tim é quem não conseguia esconder a tristeza em seu peito. Minnie, notando como aquilo o afetava, acariciou a nuca do amigo fazendo bico, falando em voz de bebê:
—Awn.. viu só? Se tivesse seguido meu conselho antes... Não estaria aqui agora com cara de cu sofrendo por esse babaca.
—É. Mas a gente não escolhe quem ama.
—Então deixa que eu escolho por você na próxima. E por favor, promete que não vai fazer cara feia?
—Por que eu faria cara feia?
—Clarice!!! -Gritou Minnie, chamando-a enquanto acenava desesperadamente esperando ser notada pela garota, que, com a cabeça encostada no peito de Paul, se virou vagarosamente procurando a voz que a chamava. Minnie não parava de acenar. Sorria e arregalava os olhos sinalizando sua posição no meio de todo aquele povo que passava pra lá e pra cá.
—Não acredito, Minnie. Vai chamar aquela vadia pra cá?
—Prometeu que não ia fazer cara feia.
—Eu não prometi nada.
—Qual é, ela é legal. Não devia ter raiva dela, a coitada nem sabe. Devia ter raiva do Paul isso sim! Cafajeste.... OI PAUL!!! -Aumentou o tom de voz transmitindo simpatia, uma forçada simpatia.
—Alerta falsiane. -Comentou Tim, baixinho diante da atitude da amiga.
Paul, ouvindo o chamado, deu um rápido e sem graça sorriso para Minnie, não fitando-a por um segundo completo ao menos tornando logo sua atenção de volta para Clarice. Tim notou que Paul não olhara diretamente para ele. Os olhos do Nadador naquele momento pareceram se concentrar em sua namorada corna e estúpida e, apenas nela. Tim tentou acenar, mas desistiu assim que ergueu o braço ao ver que não fora notado, abaixando a mão lentamente descontente, engolindo seco.
—Ele me viu, não é?! -Minnie perguntou.
—O quê?... -O garoto magrinho questionou vago e num tom perdido.
—Acorda!! Não tomou café, porra?
—Sei lá, Minnie.
—Vesh... você fica na Bad mesmo, hein? Calma, é coisa rápida.
Permaneceram parados observando o casal que parecia abalado. Clarice estava com aparência de quem não havia dormido, esgotada e desanimada. Paul aparentava acompanhar seu ritmo, tendo no rosto a mesma expressão vazia e cansada da menina. Os dois se beijaram brevemente, olhando-se nos olhos por um segundo quando Paul disse algo a ela, algo que não dava pra escutar da distância que Tim e Minnie estavam. Seja o que for, foi rápido e nada amigável. Clarice abaixou a cabeça acenando positivamente como se entendesse o "Recado". Paul lançou seu olhar diretamente a Tim sem que sua companheira percebesse, e deu as costas para sua namorada acenando de modo seco despedindo-se, desaparecendo no meio do fluxo de estudantes tão rápido quanto um fugitivo. Clarice limpou os olhos como se acordasse contra a própria vontade, nem mesmo acenou de volta a Paul. Virou-se para a direção onde estava a dupla curiosa onde Minnie fingia uma cara de preocupada hilária, porém convincente para aqueles que não a conheciam. Suas caras e bocas e seu certo ar de falsidade enganavam qualquer um por incrível que pareça, exceto Tim, que acostumado a conviver com a garota, sabia quando a mesma encenava emoções ou situações. Sempre se continha para não rir em como as pessoas eram burras o bastante para cair no teatrinho de Minnie, mas neste momento, dar uma risada sequer estava fora de questão, desde que a razão de seus problemas e angústias se aproximava em passos lentos e cansados com total desânimo.
—Aqui!! — Minnie acenou novamente, como se Clarice fosse se perder no caminho até eles. Era seu modo de zombar discretamente da aparência de cansaço estampada na morena.
—O que está fazendo? -Ele perguntou discretamente.
—Quero saber o que aconteceu. Nos detalhes. O que é melhor do que perguntar para quem estava lá?
—Sério isso? Não... vamos embora. -Disse ameaçando dar as costas. Não queria ter uma conversa com aquela garota nem por um milhão de dólares. Mas Minnie o agarrou pelo pulso, impedindo-o de fugir deixando claro que era tarde demais para dar o fora.
—Xiiu, ela tá vindo!
—Foi você quem chamou, não eu.
—Não sai de perto de mim!
—Minnie..
—FICA AQUI! -Resmungou a garota doida. -O que faço? Finjo que não sei ou deixo claro que sei o que houve?
—E por acaso tem como alguém não saber? Acho que ela já está esperta, sabe que você vai perguntar.
—Boa... e se ela não quiser contar? Droga, eu queria ouvir todos os detalhes sangrentos.
—O que deu em você? -Tim mostrou certa preocupação com o estado mental de Minnie, que já não eram novidades. Para uma menina que mostrou os peitos para todos ontem, era de se esperar alguma loucura ou comportamento bizarro. Ela encarou o amigo por um instante arqueando as sobrancelhas, parecia estranhamente entusiasmada demais com a situação. Sorriu com a língua entre os dentes dizendo:
—Segura a risada senão você vai estragar tudo.
—Ai meu Deus... -O Garoto disse a si mesmo inconformado.
—Já disse que odeio ela, não é?
—Você não acabou de dizer que ela era "Legal"?
—Longe de mim ela é muito legal. Só quis dizer que ela é uma inocente nessa sua história com o Paul. Adoro bafão mas não desejo desgraça pra ninguém.
—Em compensação quer saber tudo sobre a desgraça, certo?
—Óbvio.
—É.. "Pimenta no cu dos outros é refresco". -Tim proferiu o famoso ditado popular.
—Não me faz rir agora! -Minnie lhe deu um pequeno tapa no braço.
—Você é do mal... -Disse ele escondendo um sorriso maquiavélico.
—Eu sei, e é por isso que você me ama... Xiii a vadia está perto. Fique quieto. Como está minha cara de preocupada? -Ela se virou para ele esboçando uma reação exagerada de quem estava prestes a chorar, contorcendo o rosto de modo engraçado e espalhafatoso.
—Está ótima, como sempre. -Respondeu fazendo sinal positivo com o polegar.
—Obrigada.... aí vem ela...
Clarice finalmente chegou até os dois cabisbaixa, e com uma voz rouca falou passando a mão entre os cabelos:
—Oi... -Mal olhou para algum deles, manteve-se retraída. Deixando claro no olhar que não estava na vibe de responder um inquérito de curiosos.
Minnie, por outro lado, atacou com sua atuação.
—Oh meu Deus!! Você está bem?! -Abriu a boca terrivelmente forçando espanto, colocando suas mãos nos ombros da menina.
—Não estou nada bem, Minnie... Foi horrível... -Disse quase sem fôlego.
—Ohhhh coitadinha, Tim.... -Minnie a abraçou em sua performance de Oscar, oferecendo falso conforto para a garota que deitou em seu ombro enquanto alisava seu cabelos. -Você se machucou?
—Não... eu não...
—Como pode, meu Deus? -Minnie levou seu olhar aos céus num teatro maldoso fantástico mantendo o rosto de Clarice sobre seu ombro num abraço forte, escondendo dela sua expressão contente, do qual a menina em seu estado de choque não percebia. -Você não merecia isso, Clarice... -Com um braço passado por trás da menina, Minnie girou a menina com seu abraço, deixando-a de costas para Tim para que ela não o visse. Ele tampou a boca para não fazer um escândalo enquanto a amiga acenava um "Joinha" para ele sorrindo eufórica, cochichando movimentando bem os lábios para que ele entendesse: "Vou fazer ela contar tudooo!" -Logo em seguida retomando sua falsa cara de triste, afastando-se de Clarice fitando-a em expressão de pena: -Venha.. vamos tomar um café na cantina, amiga.
—Jesus Cristo.. -Pasmo, teve de se conter diante do absurdo da amiga. Mesmo estando um pouco acostumado com suas atitudes malucas que surgiam de vez em quando, ainda sim era algo a se estranhar. Mas talvez a loucura e as reações cartunescas de Minnie era o que faziam dela uma companhia tão divertida.
A Mão tocou no ombro do garoto Loiro, que se virou sem nenhuma reação ainda com o cigarro na boca espremendo os olhos para evitar que a fumaça os atingisse. Se deparou com Gigi frente a ele. Usando uma touca que escondia seus cabelos bagunçados, a menina estava numa posição entre o Pânico e o Sono. Exausta física e mentalmente ela portava olhos que clamavam por ajuda, com uma carga de arrependimento que não fazia sentido.
—Gigi... -Evan Disse retirando o cigarro da boca.
—Precisamos conversar... -Ela Deu um passo para atrás apoiando as costas numa árvore com um suspiro.
Evan assoprou a fumaça olhando em volta para ter certeza que ninguém ali por perto ouviria a conversa. Ficando bem perto de Gigi olhando-a por cima devido a baixa estatura da garota, inciou a conversa em tom baixo:
—O que aconteceu lá? -Perguntou sério, já meio que sabendo a resposta embora a pergunta fosse inevitável.
—Foi ele.
—Ele?
—Sim.... Ou estou ficando louca ou era a mesma maldita voz no telefone.
—Espera, ele te ligou?!
—Não, ele ligou na Zeta Beta. E eu atendi... Meu Deus, eu não sei se devia ficar feliz por isso, mas o telefonema salvou a minha vida. Por pouco eu não morri Evan, se eu não tivesse levantado pra atender, eu não saberia que ele estava por perto... eu poderia estar morta agora.
—Hey, Hey! Não fala isso. Você está aqui, está tudo bem. -Ele colocou as duas mãos no ombro da garota fortemente, tentando passar a ela uma sensação de segurança.
—Eu fugi... Eu não consigo dormir em pensar que só me preocupei comigo. Eu não consigo aceitar que as meninas morreram porque eu não as avisei. -Gigi tinha uma olhar vago que poucas vezes se voltava para Evan. Parecia inconformada consigo mesma e seria uma questão de tempo até que lágrimas preenchessem seu rosto.
—Você fez o que qualquer um faria, estava com medo. O Medo te salvou, Gigi.
—Fiz o que qualquer um faria? Isso me dá medo. Se qualquer um faria o que eu fiz, isso é ainda mais aterrorizante. Eu devia ter ficado para encarar o desgraçado! Eu sabia e não fiz nada!
—Não. Você não sabia. Gigi, escute. Alguém matou o Carl. E se a mesma pessoa atacou a Zeta Beta...
—É claro que foi a mesma pessoa! Ele reconheceu minha voz! Fez de propósito. Tenho quase certeza que atacou a Fraternidade indo atrás de mim.. isso é culpa minha.
—Você não tem como saber disso. Pare de culpar, garota.
—Estou tão exausta... Fico imaginando que eu devia ter avisado todo mundo.
—Do que está falando?
—Eu sabia, Evan. Desde o começo... eu sabia.
—Do quê?
—Você não vai acreditar em mim. -Ela retirou as mãos dele de seus ombros, como se estivesse expressando que não merecia tal carinho e compaixão.
—Gigi, se você tem alguma ideia do que está acontecendo ou de quem está fazendo isso, diga!
—Na semana passada... Eu recebi uma mensagem de alguém anônimo num chat de fãs de terror. Eu estava lá pra fazer amigos, sabe. Conversar com pessoas com interesses em comum, o Carl nunca ligou muito pra cinema eu me sentia meio isolada, não tinha ninguém para conversar sobre o assunto..
—E o que isso tem a ver?..
—Eu comecei a conversar com um cara. E não importava o quanto eu pedia, ele não queria conversar por Skype. Disse que tinha vergonha. Nem foto de perfil ele tinha. Isso é até normal, tem gente que é tímida mesmo... ou pelo menos foi o que eu pensei. Fomos ficando amigos durante a semana... até que ele disse que queria me visitar. Ele disse que morava aqui perto, eu disse a ele que tinha namorado, que provavelmente não era uma boa ideia.
—Ok... deixa eu respirar um pouco pra processar a ideia...
—Não! Você precisa me escutar! Porque ninguém mais irá, Evan. Eu preciso de você. Por favor! -Exaltou a voz em tom choroso.
—Tudo bem.... Isso me dói, mas continue.
—Ele ficava dizendo sobre como algumas pessoas estavam por aí, sabe? Fazendo jogos de filmes de terror. Como se fosse um tipo de RPG ou "Live Action". Procuravam fãs de verdade do gênero para jogar. Assim o desafio ficava mais divertido.
—Que desafio é esse?
—Eu não sabia de muita coisa, mas comecei a achar o papo muito estranho. Até que, ele me convidou para jogar...
—E você?
—Tá brincando? Um RPG sobre filmes de terror? É claro que eu ia topar. O problema foi que eu achei que seria online, através de mensagens. No dia em que eu saí com o Carl, que nós fomos ver "Invocação do Mal" eu recebi uma mensagem dele, dizendo que o nosso jogo começaria naquela noite. Então depois do filme, na volta para a Universidade fiquei vendo o celular toda hora para ver se alguma mensagem chegava.. e eu juro, que eu jamais teria pedido por isso se soubesse...
—Gigi... Eu não estou entendendo...
—Ele ligou.. eu.. de algum modo eu sei que era ele Evan, eu Sei! E.. quando dei por mim, quando ouvi a voz dele.. eu não tive dúvidas..
—Co.. como assim?
—Os assassinatos que estão acontecendo por aí em cidades pequenas... Esses malucos.. a voz era idêntica a que eles usam para falar com suas futuras vítimas.
—O que está tentando dizer? ..
—Evan... eu fui uma idiota. Eu não sei se Deus um dai vai me perdoar. Eu.. eu não sabia, eu juro! Eu juro que não sabia!!... Eu achei que era seria só um jogo!
—O QUE VOCÊ FEZ?!!
—Eu acho... que atraí um "Ghostface" para Pendleton.
O Loiro gelou. Seu coração batia cada vez mais forte com o choque estampado na cara. Gigi havia chamado a Morte para a faculdade, e agora uma pilha de cadáveres iria se formar. Mesmo que inocente na situação, a garota não seria compreendida por mais ninguém. Evan sabia que carregaria essa informação como um fardo. Não poderia culpar Gigi, ela fora enganada por um psicopata que esperava uma oportunidade. Mas ainda sim, nenhuma palavra saiu de sua boca para acalmá-la, não desta vez. Ela percebeu, e o choro desceu pelo seu rosto em ruínas. A culpa a corroía. Tentando não gaguejar de vergonha e medo, ela continuou:
—E agora, as pessoas estão morrendo... e isso é tudo culpa minha! E ele não vai parar... não vai parar até...
—Shh!! -Ele a deu uma pequena sacudida indicando para que ficasse quieta. Não podia arriscar que alguém ouvisse. -Você tem que falar com uma pessoa, Urgente! Vem comigo. -Disse pegando sua mão.
—O quê?.. vai me levar pra onde?... -Gigi resistiu, travando o passo.
—Pra onde eu já deveria ter te levado há muito tempo... vem comigo.. agora! -A puxou. Ela não teve opção a não ser acompanhá-lo. Os dois seguiram seu caminho incógnito pelo pátio quando de trás da árvore, Paul saiu furtivamente com a mão estendida portando seu gravador pessoal. A notícia bombástica que tanto procurou caiu de bandeja sem seu colo. Quem diria que escutar a conversa dos outros serviria de alguma coisa? Se Reese não iria lhe contar nada, essa tarefa ficaria com as próprias línguas soltas da Universidade. Com um meio sorriso de satisfação surgindo em seu rosto, apertou o botão "Stop" no gravador:
—Obrigado, amigos... -Suspirou contente consigo mesmo enquanto Gigi e Evan se afastavam sem ter notado sua presença.
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De mãos dadas, Edward e Kirstin caminhavam por um corredor. Estavam dentro de um dos prédios da Universidade, na área dos dormitórios. Após o ocorrido, Kirstin precisava de outro lugar para ficar. A Casa da Zeta Beta foi interditada e mesmo quando fosse liberada, ela jamais voltaria ao local. Edward a acompanhava em sua busca urgente em que parecia ter encontrado um quarto decente. A garota que morava lá, ao que diziam, não era barulhenta nem porca, e é uma das grandes personalidades da faculdade, sendo conhecida por sua simpatia. Isso aliviava Kirstin ao saber que não dividiria uma gaiola com uma louca.
—Edward, obrigada.
—Não há de quê. Não é a primeira vez que meu pescoço fica por um fio.
—Eu sei. E te devo explicações, eu sinto muito.
—É... você deve. Mas não pense que estou bravo com você.
—Sério?...
—Sim. Muita gente por aqui sabe quem eu sou ou o que aconteceu comigo e Claire. É normal, não precisa fingir que não sabe de nada. E pra falar a verdade, acho até bom que mencionou isso ontem.
—Nossa.. eu estava sem saber onde enfiar a cara. Assim que te vi e você me cumprimentou ontem, eu já me toquei na hora que sabia quem era você.
—Tudo bem, relaxa.
—Eu juro que não foi por isso que me aproximei de você.
—É?
—É Verdade... Achei você legal. Sei lá, você é... bom.
—Ahm.. obrigado? -Respondeu coçando a cabeça, meio sem jeito.
—Não há de quê.
—Então, vai morar no quarto 237?
—Sim. Obrigada por ter me mandado o anúncio do quarto vago.
—De nada.
—Ainda não me acostumei com todo mundo olhando pra mim.
—Leva tempo mas você vai ter que se acostumar.
—Você é quase uma celebridade...
—Longe disso!
—Haha... desculpe.
—Fica tranquila. Você vai ficar bem aqui. Meu quarto é no andar debaixo, se precisar de alguma coisa...
—Ahm.. ok. É aqui? 237? -Ela parou apontando para uma porta.
—Isso mesmo. -Edward soltou sua mão. -Bem, acho que estou gostando de ser seu condutor.
—Eu também. -Ela sorriu agradecendo.
Os dois se entreolharam de modo intenso porém contido, um beijo ameaçava surgir. Paralisaram por uns instantes onde Edward não conseguia de fato dar o passo principal e acertar seu lábios. Kirstin ficou numa posição torturante com uma respiração profunda, implorando dentro de si que ele metesse a língua de uma vez em sua boca. Ele engoliu seco preparando-se para o ato, quando um estudante que passara correndo o esbarrou com força, quase jogando-o para o lado. O Tal garoto não parou sua corrida, apenas gritando um:
—Foi mal aê! -O Jovem corria só de toalha, provavelmente estava nu por baixo o que era comum naqueles corredores. Aquele povo não tinha pudor nenhum e quase sempre um peladão surgia. Era tão normal que o restante dos estudantes que circulavam por ali diariamente nem encaravam, nem ao menos paravam para olhar. Mas era diferente com Ed e Kirstin, quase todos os olhares dos que passavam se lançavam rapidamente para eles. E quanto mais as pessoas tentavam disfarçar, pior era.
O Clima já estava quebrado. Kirstin desanimou forçando uma risada envergonhada:
—Ahm.. eu vou indo. Te..tenho que conhecer minha nova colega de quarto.
—Claro! Claro! AHm, desculpe. A gente se vê.
—Sim sim.. -Ela não conseguia esconder o constrangimento.
—Então.. até mais, Kirstin. -Ele acenou um "Tchau" indo para trás.
—Tchau, Ed.
Ele se virou seguindo o caminho contrário, e ela se via na mesma situação do dia anterior, observando-o de cima a abaixo e suspirando enquanto encarava sua bunda.
—Ai meu Deus! Que nervoso! -Comentou consigo mesma numa risada de raiva. Tornou-se a ficar de frente com a porta fitando o número 237. Ela se arrepiou. O Número condizia com o tal quarto assombrado do filme "O Iluminado". E contudo que houve ontem, este era um péssimo filme para se lembrar. A Palavra "REDRUM" escrita em vermelho na porta daquele banheiro sangrento na Zeta Beta lhe surgiu na memória. Por mais que Kirstin amava filmes de horror, este seria um que ela não assistiria de novo tão cedo. -Ok.... -Suspirou. -Por favor, que tudo seja normal desta vez. -Levantou o pulso devagar, preparando-se para bater na porta. (Toc toc toc!) Deu três toques fortes, que vieram acompanhados de uma rápida resposta que veio de dentro em forma de uma voz feminina:
—Quem é?!
—Oi, é a Kirstin! A Garota que veio por causa da vaga...
—Ah! Eu tava te esperando! Entra aí, linda! Não dá pra eu abrir a porta agora. É só girar a maçaneta, a bagaça tá aberta!
—OK! Estou entrando! — Gritou girando a maçaneta estranhando. A Voz da menina parecia um pouco fanha e sem fôlego, o que ela estaria fazendo? Abriu a porta, empurrando-a lentamente passando a cabeça primeiro para olhar o quarto. Era um pouco escuro, as cortinas roxas impediam que luz do sol entrasse e com o dia estando nublado estava ainda mais escuro. Era bem arrumadinho e cuidado com uma cama de cada lado do quarto, deixando a enorme janela livre. Oh, a janela... foi ao olhar para ela que Kirstin acabou parando ali mesmo enquanto a porta continuava a abrir. -Oh meu Deus....
Neste momento, teve uma visão bizarra. A Garota que morava ali, estava nua. E não só nua, mas de cabeça para baixo! Estava erguida pelos braços, sustentando o peso do próprio corpo, com as pernas para o ar completamente abertas. A Menina estava literalmente pelada e de ponta cabeça em formato de "V", onde seus pés quase tocavam o topo das cortinas, tendo as costas apoiadas na parede. Ao menos sua forma era de se olhar, curvas poderosas e bem definidas, não era a toa que conseguia ficar naquela posição que deixava parecer que os cabelos estavam todos de pé, com os fios tocando o chão. O Mais bizarro (Se é que dava para ficar mais bizarro que isso) Era um objeto. Um vaso de flores que estava apoiado em cima da vagina da garota. Ela ao que parecia, o equilibrava no meio de suas pernas abertas. O vaso automaticamente cobria sua parte íntima, ficando em pé como se a vagina da garota fosse a droga de uma mesa. Isso sem contar os seios dela que quase chegavam no pescoço devido a estranha e absurda "Acrobacia", se é que se pode chamar assim. Kirstin ficou pasma não acreditando no que via decidindo se sairia correndo ou se aplaudia. E totalmente sem graça, disse gaguejando:
—O.. O.... O.. oi...
—Olá! Sou Lizzie. -Respondeu a garota pelada, sorrindo como se fosse a coisa mais normal do mundo esticando as pernas, abrindo-as ainda mais. O Vaso tremeu, parecia que ia cair.
—Ai meu Deus, cuidado! -Kirstin berrou em alerta.
—O quê?! -Lizzie tornou a gritar desesperada perdendo a concentração, em consequência, tremendo um pouco. E assim o vaso caiu se espatifando em dezenas de pedaços de cerâmica pelo chão próximo as sua mãos que, apoiadas no chão, não se moveram.
—O que está fazendo?! — Questionou Kirstin fitando a garota como se visse um alienígena.
—Você perdeu! Eu quebrei meu recorde! 5 minutos!!! -Lizzie respondeu ainda de ponta cabeça, toda contente.
Kirstin, que agora tinha uma visão indesejada e privilegiada da vagina da menina, se virou de costas totalmente pasma e sem reação. Não queria ver aquilo, não mesmo.
—Pode fechar a porta, por favor? -Kirstin ouviu a voz, mas se recusou a olhar diretamente para a menina, obedecendo seu pedido balançando a cabeça positivamente fechando a porta de modo rápido com uma expressão de "WHAT THE FUCK?!".
—Obrigada!
Suas expectativas de "Normalidade" haviam sido jogadas no lixo.
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Entre todas as coisas que já lhe deixaram apavorada, esta era sem dúvida o ápice. Catherine não suportava nem se olhar no espelho por conta de sua covardia. Sentada com os cotovelos apoiados numa mesa enorme do tamanho de um carro, se via isolada na biblioteca, a não ser por Kenny que segurava sua mão de modo forte. Mas nem isso poderia contê-la. Ele não era um namorado, ou alguém especial que um dia a pediria em casamento. Eles transavam de vez em quando e mantinham uma certa "Amizade" mas nunca haviam entrado no campo sentimental. Hoje talvez seria a primeira vez. Cath não era até então, capaz de vê-lo de outra forma que não fosse "O Gostoso tatuado trevoso que tem pegada". Mas, como num Plot Twist de M. Night Shyamalan, o impossível parece ter acontecido. Clarice não a procurou hoje, e muito menos as meninas da Lambda Kappa a pararam para perguntar se estava bem. Edward havia entrado naquela casa para resgatar Kirstin sem tomar conhecimento de que Cath jazia lá também em situação crítica. Em outras palavras, foi esquecida... abandonada. E era assim que se sentia. É de surpreender que Kenny, é quem foi lhe prestar uma mão.
Coçando o nariz compulsivamente com aquele rosto vermelho e inchado, ela lutava para não deixar o muco escorrer por entre suas narinas, usando sem parar um bando de lenços que estavam disponíveis na mesa bem a sua frente, esses que ela tirou da bolsa e que teve que ir sozinha comprar, pois novamente, ninguém se deu conta dela.
—Estou arruinada. -Dizia cobrindo o nariz com o pano.
—Não está. Por que não me chamou? Eu poderia ter ido até a casa...
—Eu esperava te encontrar na festa. Aquela que você não apareceu.
Kenny desviou o olhar, em negação.
—Desculpe.
—Tudo bem. Não seria o primeiro cara a me dar um bolo.
—Eu não... te dei um bolo.
—Tá, esquece.
—Eu sei que eu não levo jeito pra essa coisa, Cath. Mas, quero dizer que...
—O quê? "Se precisar de mim estarei aqui"? -Disse ela terminando de limpar o nariz.
—É...
—Que frase clichê.
—Eu sei que não quer falar disso. Mas, o que aconteceu.. exatamente?
—O que quer que eu diga? Quer a versão sem cortes do diretor ou quer o remake que estão inventando por aí na Universidade?
—Hey, calma, eu não queria te aborrecer.
—Quer que eu diga como Madison morreu cagando? Ou como Ashley morreu bem na minha frente e eu não fiz porcaria nenhuma?... Kenny, não tente ser algo que você não é. Não comigo. Eu sou um monstro, não sou melhor do que aquele assassino.
Kenny abaixou a cabeça bufando de olhos arregalados, como se desistisse, mas sme deixar na cara que a ideia passava por sua mente. Ele se sentia na obrigação de Ajudá-la, nem que fosse à força.
—Fique comigo. -Disse em tom imperativo.
Ela o fitou incrédula. Não esperava esse tipo de proposta súbita.
—No meu dormitório. Fique comigo.
—Besta. Sabe que não é permitido garotas ficarem junto com garotos.
—Eu não dou a Merda pra isso. Fique comigo.
—E o Paul?
—Paul vai querer ficar com a Clarice. Ele que se vire.
—Tem certeza?.. -Ela de repente carregava um brilho nos olhos.
—Tenho que manter você segura.
—Que papo é esse?
—Tem um Lunático no campus, Catherine.
—Novidade. -Respondeu sarcástica.
—Você não entende. -Kenny tomou expressão séria, quase assustadora. O Modo como sua voz grossa saía era urgente e preocupante. Conforme falava, os olhos de Cath ficavam maiores, reluzentes devido as lágrimas. -O Que aconteceu na Zeta Beta foi só o começo. O começo de uma série de absurdos que ainda estão por vir.
—Kenny... você está me assustando...
—Esse cara. Ele não vai parar... ele não tem pena.. ele não tem moral...
—Kenny... pare...
O Garoto apertou sua mão com mais força, fazendo-a levemente se contrair, com Cath quase querendo se afastar... prestes a puxar sua mão de volta.
—Você está em perigo. Todos estamos... e temos que ficar juntos.
—Kenny, está me machucando...
—Corra, tranque as portas, não confie em ninguém...
—Kenny...
—Não atenda o seu telefone...
—Kenny!
Ele a apertou mais forte, tomando nela o medo que ainda lhe restava que a fez se afastar um pouco com a cadeira raspando no piso, mas não indo a lugar algum por ainda ter seu pulso agarrado por ele:
—Catherine, tem um Serial Killer na faculdade!
—Kenny, pare!!!!! -Ela puxou seu pulso com toda força, desprendendo-se brutalmente do garoto, que parou seu monólogo do horror, finalmente dando-se conta da atitude errada que teve.
—Perdão. Eu não queria assustar você.
—O que deu em você, moleque?!
—Eu não sei... -Seus olhos iam em todas as direções mas a resposta não vinha. Kenny estava trêmulo e não conseguiria explicar de onde veio aquela sensação, ou aquela atitude. -Eu não sei o que deu em mim.
—Tudo bem... -Cath acariciava seu pulso, que estava vermelho. Tornando a se aproximar dele. -Olha pra mim..
Ele se recusou, girando a cabeça na direção oposta. Foi quando Ela notou que havia de fato algo errado com ele. Uma gota vermelha pingou de seu nariz.
—Oh, Meu Jesus Cristinho! Kenny!
Ele a fitou de modo assustado, podia sentir o líquido quente escorrendo por entre suas narinas. Olhou para baixo, vendo como um pouco de sangue já havia manchado sua calça. Rapidamente levou a mão ao nariz, cobrindo-o.
—Cath, me deixa.
—O que está acontecendo?! -Exclamou assustada.
—Eu não sei!! -Passou as costas da mão por debaixo das narinas, que deixaram em sua pele um rastro de sangue espesso, que escorreu com mais intensidade pingando em sua boca, descendo até o queixo. -Ai caralho!
—Aqui, aqui!! — Cath estendeu o braço depressa, apanhando um dos lenços, entregando velozmente ao Rapaz, que pegou o mesmo com violência, pressionando-o contra o nariz.
—Levanta a cabeça! Levanta!! -Ela já estava com a mão em sua nuca, induzindo-o a jogar a cabeça para trás, e assim ele o fez em agonia e desespero de não saber o que se passava. -Fica calmo, por favor, não vai ter um surto agora!
—Cath...
—O que eu faço?
—Cath!
—O que foi?!!!!
—Seu celular está tocando... -Disse em voz lenta, apontando de modo torto para o celular da menina, que vibrava na mesa. Era visível como Kenny estava subitamente enfraquecido, mal conseguiu manter seu braço levantado para apontar o celular. Ele já respirava com dificuldade, ficando mais pálido do que já era. Passando extremamente mal, mas Catherine que não sabia "Bulhufas" do que fazer, só foi capaz de catar o aparelho na mesa e observar em pânico o abrupto sofrimento de Kenny.
—Espera, espera, vou atender e pedir ajuda! -Deslizou o dedo na tela desbloqueando o aparelho. Sua expressão mudou para confusa. -Que droga...
— O que foi? -Respondeu ele, fraco.
—Não é ligação...
—É o quê?....
Os dedos dela tocavam a tela de modo feroz, como se percorressem um labirinto naquele mundo na palma de sua mão. Kenny apenas tentava observar enquanto pendia a cabeça para trás tentando fazer o sangue parar de escorrer.
—Ai... meu... Cu.... -Ela proferiu diante da tela do celular, que mostrava uma imagem aterradora e sarcástica. A Foto era como um quadro, onde haviam os rostos de todas as garotas da Fraternidade Zeta Beta. Ashley, Clarice, Catherine, Gigi, Madison, cada rosto num quadrado diferente, colocados um ao lado do outro. O que chamava a atenção, era o modo como os rostos de Ashley e Maddie estavam marcados com um "X". A legenda embaixo da foto dizia: "#TeamZetaBeta".
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