Scream - Survival 2

8 99 Problems And A Bitch Ain't One


Notas iniciais
Amigos, amigos. Inimigos à parte. As coisas em Pendleton estão se complicando. Vem tempestade por aí. Essa é sua última chance de respirar... preparem-se.

O Dia ficava cada vez mais nublado, anunciando uma tempestade que de forma alguma iria parar aquele treino. Não havia quase ninguém assistindo ao "Espetáculo" que era o time de futebol feminino de Pendleton, alguns tarados talvez, sentados juntinhos nas arquibancadas secando as meninas de uniforme correndo de um lado para o outro no campo. Ao ouvir o apito do Juiz, Claire parou imediatamente respirando com dificuldade, apoiando as mãos nos joelhos. Cansada mas tomada por adrenalina o fogo na Diaba estava longe de apagar. Respirando fundo de cabeça baixa, sentia como era terrível parar de repente depois de tanta atividade, sendo atingida por um calor súbito e insuportável que deixaram seus lábios secos enquanto o suor pingava da testa. Limpou o mesmo com as costas das mãos numa passada rápida e preguiçosa, levantando seu olhar ao campo, onde suas companheiras já corriam para longe de si, preparando-se para começar uma nova jogada.

—Anda, Claire!! -Berrou uma garota de seu time que passou feito um vulto por ela, lhe dando um pequeno tabefe nas costas para motivá-la.
—Espera, caralho! -Gritou com o pouco fôlego que tinha, mal conseguindo recobrar a posição ereta. Suas pernas e pés clamavam por ajuda. Nada a forçaria a enfrentar aquela tortura cansativa, se não fosse por Rachel que, parada no Gol do time inimigo, mantinha uma pose pré-potente com as mãos na cintura fitando todos de cima para baixo, mostrando que não estava nem um pouco cansada. Horrível como o cabelo dela ainda parecia estar do mesmo jeito de duas horas atrás, sem nenhum fio posicionado de forma errada. A pose da goleira despertou em Claire um desejo insaciável de lhe dar uma "Capetada". Ao menos isso encerraria seu dia de cão de um modo divertido. Mas não seria tão simples, Rachel já fora vítima de seu golpe mortal com a bola e uma segunda vez, poderia desencadear uma briga feia, assim como uma forte advertência do Heitor da Universidade, do qual Claire já revirava os olhos só de pensar no discurso idiota que teria de ouvir. Então, quem sabe talvez.. algo mais discreto? Qualquer coisa que arrancasse o sorriso no rosto da Morena Rachel a deixaria satisfeita.

—Vamos, vamos, vamos!!! -Os berros femininos se iniciaram.

Claire prestou atenção em como suas companheiras de Time estavam correndo cada uma para suas posições. Era hora de uma nova jogada, e Ripley estava pronta. Exausta, porém pronta. Massageava as coxas num ato desesperado, se preparando para ir para o meio de campo, voltar ao inferno quando o apito insuportável do Juiz se deu de novo, indicando para se apressarem.

—Anda logo, Claire! Que merda!
—Vai logo, garota! -Ordenavam as meninas que corriam, com seus rabos de cavalo dançando nas nucas.
—Ai, tá bom Inferno! -Respondeu a Diaba passando a mão na testa repetidamente, a fim de jogar as mexas de cabelo que grudaram com o suor de seu rosto para trás. Se recusando a correr neste trecho, Claire foi andando de um modo mais rápido se abanando, engolindo a saliva quente. Mal podia esperar para que chovesse. Sempre detestou o calor e a sensação desagradável que ele traz. Quando acordava, sempre tinha vontade de mandar o Sol ir tomar no cu por ter uma mira perfeita que entrava por sua janela, indo direto para sua cara. A sola das chuteiras afundavam a grama curta conforme suas pernas longas e grossas a levavam até o centro do campo sendo vítimas de olhares e gritos dos "Cachorros no cio" que eram os tapados sentados na arquibancada. Nem se importou, de fato, nem mesmo escutou desde que sua mira e concentração estavam no Gol à sua frente, com aquela goleira maldita da Rachel batendo palmas de incentivo observando seu time tomar suas devidas posições, não sucumbindo a nenhuma expressão de cansaço.

—Vamos lá, vamos lá, vamos lá, meninas! -Rachel simulava um comando para suas companheiras, enquanto tornava a ir para trás de costas, tomando sua posição no Gol com as pernas afastadas e o tronco inclinado para frente. Esfregou suas luvas de um modo significativo. Claire podia jurar que a garota havia lhe dado uma encarada de leve. Seria mesmo ou a Diaba estava ficando louca?

A Capitã do Time, que infelizmente para Rachel, havia colocado Claire no ataque naquele dia, esticou uma de suas pernas ao máximo para trás, dobrando o joelho da outra perna. As outras jogadoras logo observaram a ação de lado. Era um código, significava "Distraiam a piranhas, deixem Claire ir pra cima, abram caminho." óbvio que a informação não fora compreendida pelo time adversário, mas Claire... o sorriso diabólico já se exibia na face da pilantra sobrevivente.

—É agora amores.... -Disse baixinho a si mesma sacudindo os ombros, preparadíssima para dar o bote. A Bola seria chutada pela capitã, para uma garota qualquer que estava do outro lado do campo à direita de Claire, a mesma percorreria apenas 5 metros com a bola e a passaria para a Diaba, que a guaria direto para o Gol enquanto as outras da equipe entrariam na frente, fingiram futuras manobras jogadas onde confundiriam e distrairiam o time adversário, atraindo atenção falsa para si mesmas enquanto a diaba tinha uma missão: Passar direto e meter a bola no gol!

(Pah! Pah! Pah!) -A Capitã do time deu três palmas, que automaticamente deixaram todas apostos. Ripley fechou os punhos trazendo seriedade no olhar. O Juiz, fora de seu campo de visão, apitou novamente. E Foi! O Chute poderoso da garota brutamontes lançou a bola que saltou do gramado como um vulto, indo parar precisamente ao pés da menina que servira de isca, que não hesitou em correr levando a bola consigo nas pontas dos pés com pequenos chutes logo de imediato.

Era uma cilada, e Rachel reconheceu. Ela já vira aquela jogada antes. Apenas uma vez, o dia em que Claire Ripley acertou seu rosto com a bola. Ela sabia que aconteceria de novo. O orgulho antes preenchido em sua face desapareceu, sendo tomado por tensão e estado de alerta.

—Não.... -Disse ao ver que o perigo havia começado, e nada poderia impedir.

A garota do time adversário que veio correndo feito uma gazela na tentativa de interceptar a "Isca" fora feita de besta assim que a menina se curvou para trás, deslizando no gramado levantando terra, passando por debaixo das pernas da garota num movimento rápido e imprevisível onde, com muita prática, se levantou novamente jogando o corpo para frente se apoiando com a palma da mão no chão de modo ágil e exemplar. A "Isca" se levantou feito um animal selvagem deixando a adversária para trás, percebendo logo que não conseguiria enganar a garota alta feroz que vinha em sua direção à 5 metros.

Seus olhos se arregalaram enquanto ela corria na direção certeira com sua inimiga, ameaçando trombar de frente com ela caso a mesma não saísse do caminho. A jogadora alta vinha correndo cheia de impulso e ódio nos olhos, teimando que não sairia da frente e que estava pronta para atingir "Sem querer" aquela que a peitava naqueles segundos: A "Falsa" dona da bola. As duas jogadoras, vindas de direções opostas estavam prestes a se chocarem uma com a outra, quando num golpe inteligente e pré-ensaiado, a "Isca" fingiu chutar a bola para longe à frente, fazendo a inimiga desviar a atenção num milésimos de segundos que salvaria a jogada. Acontece que A "Isca", chutou o chão em vão fingindo acertar a bola, mesmo seu pé passando até longe da mesma, o golpe falso fora convincente o bastante para tirar a atenção da adversária, que olhou para cima parando de correr, como se procurasse a bola que deveria estar sobrevoando por cima de sua cabeça. Nesse pequeno descuido, Ouve-se o grito de Rachel que já vinha tarde demais:

—Meninas, não!!! É Uma emboscada!

Claro que as jogadoras não ouviram, e a chuteira da "Isca" já descia de volta ao chão depois de seu feito magnífico, chutando com força a bola de lado de modo contorcido, fazendo-a ser lançada para a esquerda, a última direção que a Mocinha Alta imaginaria, da qual nem viu seu objeto de desejo desaparecer bem debaixo de seu nariz, cruzando o campo por cima das cabeças das jogadoras inatentas, distraídas com as do time de Claire, que corriam todas na mesma direção se agrupando no canto direito do campo fingindo estarem indo atrás da bola que "Supostamente" estava próximo a "Isca". Isso fez com que as otárias fosse todas aglomeradas naquele canto, correndo em vão por algo que não estava lá até que nos momentos finais em que chegassem ao destino, percebessem que foram enganadas, exibindo involuntariamente seus olhares desesperados e expressões de tontas.

A ação era desgovernada com todas aquelas meninas correndo, mas Claire é quem tinha o pote de ouro. Assim que a bola caiu milagrosamente em sua frente, Sorriu ainda fitando-a por um instante, em seguida levantando a cabeça sinalizando "Perigo" no olhar para Rachel, que ficou estática reagindo ao que via em completo choque.

—Ahhhrrrrg!!!! -Berrou a diaba esticando os braços logo no instante em que as jogadoras se tocaram da enganação. Todas se voltaram na direção, começando a correr para a Diaba como se ela fosse um prêmio. O Reboliço fez com que suas companheiras mudassem o curso também, indo para circular a garota enquanto ela deu seu primeiro chute que lançou a bola para frente, se colocando a persegui-la imediatamente. Claire não aparentava esforço desta vez, não podia deixar em Rachel o gostinho de vê-la se esforçando em tal tarefa, e ainda fazia de conta que toda aquela mancha de suor em seu uniforme não existia. Tomando um fôlego constante numa respiração rápida cheia de gemidos, ela corria, Corria em frente levando a bola consigo em pequenos pontapés sem deixá-la escapar de seu controle. As garotas que tentavam intervi-la logo eram bloqueadas por suas companheiras que faziam de tudo até rolar no gramado aos gritos para impedir que a gambiarra fosse desfeita. Claire mal via a confusão, ela mais ouvia os baques dos corpos se chocando, os gritos abafados e os impactos no chão. E de vez em quando pequenos relances de pernas que entravam em seu caminho que desapareciam ao serem interceptadas. Num impulso rápido como o reflexo do assassino que um dia a perseguiu, deu um salto pulando por cima de uma garota que se atirou em seu caminho esparramada na grama, deixando-a para trás tão rápido quanto uma ginasta, continuando a correr em linha reta no seu fluxo onde mirava num só objetivo: Rachel. Como um trem desgovernado, Ela não pararia por nada.

Rachel podia ver o próprio demônio no rosto raivoso de Ripley, que como um cão mirava seu olhar nela. Não no gol, mas nela. Isso era assustador. Claire descontava naquele momento toda sua frustração com a vida e com os amigos que lhe foram tirados. Via na goleira a garota que ela deveria ser agora. Confiante, resistente e sem nada a temer. Esses segundos em que o demônio em pessoa na forma de uma universitária cruzou o campo de futebol driblando de modo sinistro as outras jogadoras ficaria marcado em Rachel, seja no sentido sentimental onde ela via uma guerreira mortal se aproximando, ou seja no sentido físico, onde seria alvejada dolorosamente no que lhe parecia ser a pior crise de TPM que já tinha visto na vida. Claire não precisava ser perseguida por um psicopata para correr rápido. Seu instinto convencido e orgulhoso a lançava para frente e além, mesmo contra a própria vontade. E foi ali que seus pés sentiam o golpe final....


—Ahhhhh!!! -Ainda em seu longo grito na corrida onde garotas caiam a sua esquerda, emboladas agarradas pelos cabelos e braços que logo ficariam com marcas de arranhado, Claire tomou impulso com a perna, que foi para trás e voltou para a frente com toda força atingindo a bola em um impacto medonho. (Powf!) -A Bola foi arremessada direto na direção do gol, cortando o ar em sua trajetória quase que em linha reta a quase uma metro acima do chão, com Claire esperando ansiosamente para ver a menina ser atingida. Até mordeu os lábios com prazer de modo feroz naquela situação violenta, onde Rachel não teve outra opção a não ser se proteger. Colocando os braços na frente do rosto, fechando os olhos em tremendo susto com um gritinho, a morena foi arrebatada pelo impacto fatal da bola que atingiu em cheio seus ante braços que lhe protegeram o rosto. O Estalo foi forte, e logo a marca vermelha do golpe que sofrera se formou. A Bola caiu quicando para fora do gol, rolando para longe devido a defesa da goleira enquanto a garota se agachava mostrando os dentes com dor, onde comprimia o rosto desistindo do que poderia ter sido seu grande momento de defensora.

A Visão de Claire parada a poucos metros com um incrível sentimento de satisfação estampado na cara foi o ápice. Rachel estava no chão, quase em posição fetal com os braços doloridos. E foi aí que o apito se deu e Ripley percebeu as vaias de desaprovação vindas tanto de seu time, quanto do adversário. Seu sorriso desapareceu diante das vaias e ela se virou, as encarou com desgosto por estragarem seu clima. O Apito do Juiz cruzou o campo, e Rachel já se via cercada por suas colegas, que a levantavam do chão em extrema colaboração. Erguida como uma incapaz, a menina então ficou em pé novamente. Portava um olhar calmo provavelmente proposital, fingindo que não foi nada para acrescentar ainda mais ódio no olhar da Diaba, que era quase como uma super vilã parada no campo sendo atingida pelo vento que a refrescava em fim.

—Merda... -Claire Resmungou baixinho.
—Que porra, Claire!! -Berrou a garota "Isca". -Essa tava muito fácil!
—Palerma, como você conseguiu estragar essa?! -A Capitã do time bufou chutando o chão para mostrar sua raiva, com as outras paradas atrás dela de mãos na cintura esperando por alguma resposta razoável do porque Claire ter estragado a jogada ao invés de fazer um gol bonito.
—Que bosta hein, Ripley!
—Claire! O que aconteceu, ficou louca?!!

Ela simplesmente não deu a mínima para os comentários, Fez bico erguendo o nariz colocando em si seu ar de superioridade contra as meninas, danod as costas a elas caminhando em direção ao gol tendo a língua entre os dentes, rebolando de modo empenhado.

Mais à frente estava Rachel que passava a mão no cabelo portanto um olhar sério. Era certo, estava esperando por ela. Isso fez a sobrevivente rosnar secretamente enquanto se aproximava do Gol, olhando de modo discreto e analítico para as cinco meninas que cercavam a goleira, ou devo dizer, Seu alvo!. Assim que notaram a presença dela, as cinco se afastaram de Rachel dando um passo atrás fazendo careta de desaprovação, desdenhando a convencida que vinha até elas criar caso. Rachel cruzou os braços acariciando a área em que fora atingida pela bola. Estava realmente vermelho mas ela fingia não se importar. Focada como um lince, Claire chegou até ela em pura falsidade:

—Você está bem?...
—Sai daqui.
—Como é?
—Dá o fora, garota. Você não acha que vai ser expulsa do time por isso?
—Ah, claro.. falou a entendida.
—Qual o seu problema, Claire? É um jogo. Se toca!

A Diaba mordeu a língua num sorriso cínico olhando para o lado, como se o rosto de Rachel não fosse digno de se olhar. Em seguida, retomou sua atenção a ela balançando a cabeça jogando o cabelo para o lado, cruzando os braços, imitando a posição da garota.

—E quem é você pra dizer o que vai ou não acontecer comigo? Eu vim ver se você tinha se machucado e você vem dar uma de dona do jogo comigo? Se toca você!
—Pare de ser cínica. Ninguém aqui é cega, você chutou aquela merda em mim. Admite!

Ela abaixou a cabeça respirando fundo dando um sorriso para disfarçar, como se estivesse ouvindo um "Absurdo", sua reação contida inesperadamente entregou que sua ação fora de propósito.

—Aí, viu? Você é tudo Claire. Inclusive uma péssima mentirosa. Então pare de teatrinho, e vai procurar alguma coisa pra fazer. Porque sinceramente, se você olhar pra trás, vai ver como as meninas do seu time estão "Felizes" em ter você aqui.

Ela não quis admitir, mas teve medo de olhar para trás e descobrir que Rachel dizia a verdade. Isso era inaceitável é claro, e Ripley não desistiria tão cedo. Dando um passo à frente encarando-a de modo que assumia sua vontade de machucar a menina, Claire ficou cara a cara com ela levantando o queixo:

—E você? Vai fazer o que, querida?
—Sai daqui, garota! Vai arrumar confusão com quem tem interesse! -Exclamou Rachel jogando o braço para frente, apontando para a Diaba Morena dar o fora.
—Ha! Coitada. Eu tenho dó, de verdade. -Expressou uma "Pena" debochada.
—Então fica aí, eu tô fora. Tenho mais o que fazer.
—Tá com medo?
—Eu?.. -Perguntou Rachel, era visível como ela ficava cada mais furiosa.
—Ahm.. eu estou falando com você, não estou? E aí?
—Vai pra puta que pariu, Claire. — Disse uma das garotas, colocando o braço em volta de Rachel, que levantou as sobrancelhas com uma expressão debochada, esperando alguma reação da Diaba, que respondeu:
—Não posso, Rachel não teve filhos ainda.
—O quê??! -A goleira retirou o braço da amiga de si, ficando mais próxima de Ripley.
—É isso aí que você ouviu.
—Me chamou de puta?!!
—Bem, eu não queria insultar a sua profissão, mas.. é.
—Ah não, garota... -Rachel balançou a cabeça de um lado para o outro exageradamente com um "Não, você não falou isso", arregaçando as mangas enquanto retirava as luvas uma após a outra, jogando-as no gramado levantando "Boooos" de suas colegas que fizeram sons de sirene com a boca, alertando sobre a briga.
—Nossa, olha ela que bucetuda. -Claire usava seu poderoso sarcasmo ofensivo enquanto ria balançando as mãos fingindo medo. -Eita, segura que ela ta nervosa. Acho que devemos chamar o centro de controle de animais, não é meninas?
—Você não sabe com quem está mexendo... -Rachel rangeu os dentes.
—Hey! Acho que sei sim! -Claire fingia surpresa fazendo pose de quem estava desacreditada. -Você não é aquela atriz? Porque o papel de trouxa já é todinho seu!
—Você tá ferrada. -Rachel cerrou os punhos, mas a Diaba não mostrou reação. Continuava portando seu sorriso debochado, convencida de que a menina não a tocaria.
—Ué, vem pra cima. -A Diaba jogou suas próprias mãos contra o próprio rosto, fingindo acertar a si mesma, mas sem encostar.
—Tudo bem... -Tomada por um ódio impulsivo, a goleira ergueu o pulso com velocidade, já mirando na Diaba para acertá-la em cheio.

Claire não teve tempo nem de se esquivar devido a rapidez do movimento da garota, seus ombros apenas deram um pulinho de nada com o susto daquele punho que viria para ela como um vulto, sendo pego no ar por uma mão grande que, num reflexo ainda mais ágil, parou o golpe segurando o braço de Rachel no ar a poucos centímetros do rosto de Ripley.

O Susto que Rachel levara ao ter seu pulso segurado foi estremecedor. A garota paralisou por inteiro ao ter aqueles dedos grandes que não eram de uma garota retendo seu golpe, e mostrando que podia feri-la com o mínimo de força. Expressou espanto ao ser incapaz de se mover ao ter sua alma gelada pela surpresa, virando o rosto devagar à sua direita, dando de cara um rapaz Loiro e de fato mais alto do que ela, que a fitava seriamente sinalizando um "Não" com a cabeça.

—Não encoste nela. -Disse ele. Até mesmo Claire se assustou, mas tomou expressão de surpresa felicidade ao ver que era Evan, estava tão nervosa que nem o viu chegando. Que hora oportuna!
—Por quê? -Pergunto Rachel ainda com os olhos firmados na inimiga.
—Porque eu não quero ser expulso da Universidade, nem cumprir pena por agressão. Vou soltar o seu braço, mas estou avisando...
—Evan.. fica de fora dessa.

Os olhos de Claire se arregalaram ao ouvir o nome "Evan" Sair da boca de Rachel. Desde quando ela o conhecia? Eram amigos ou algo assim?

—Rachel, eu não sei e não quero qual a rixa de vocês duas, mas essa não é uma boa hora. Por mim vocês podem se matar na porrada depois. Porque agora eu preciso da Claire inteira e sã. Tem coisas que você não sabe, e graças a Deus que não sabe. Mas agora, essa garota tem um verdadeiro pepino nas mãos e garanto que você não gostaria de fazer parte dele. Vou soltar o seu braço se me prometer não ir pra cima agora.

Ela ainda resistiu, exercendo sua força que era inútil contra Evan. Tentou puxar o seu braço para se soltar das mãos dele mas tudo o que conseguiu foi uma cara de esforço e seu braço que tremeu mas não saiu do lugar, continuava erguido no ar preso pela força do Loiro.

—Estou avisando...
—Tá bem!! -Resmungou bufando.
—Ótimo. -Ele a soltou. A Garota puxou seu braço de volta ainda mais rápido vendo a marca dos cinco dedos do menino que ficaram impressas em seu pulso.
—Pra que tudo isso? -Questionou irritada. Mas Evan apenas lhe respondeu com um olhar ameaçador, fazendo-a recuar.
—Vamos meninas.. -Rachel encarou de modo torto a situação. Que merda estava acontecendo? De qualquer forma, não catou suas luvas do chão, deu as costas sem dizer uma palavra carregando ódio nos olhos sendo acompanhada pelas outras cinco garotas que a cercavam antes, que também se foram silenciosas.

Claire esperou que elas se afastassem um pouco:

—Caralho, Evan eu ia acabar com ela!
—Hoje não. Por incrível que pareça, você tem outro problema para resolver.
—Outro problema? Do que está falando? Acha mesmo que essa Rachel é uma pedra no meu sapato? Qual é, eu sei me virar meu filho. Acredite, confie em mim. Eu tenho 99 problemas e uma vadia não é um deles.
—Claire, to falando sério.
—Tá, o que você quer?
—Tem alguém que precisa falar com você... -Disse mudando completamente a expressão séria, para uma amedrontada. Seu temor não era por si mesmo, mas sim pelo que estava prestes a entregar a Claire. Algo que atormentaria seu dia, e que ele sem dúvida alguma queria ser o portador desse "Pepino", mas não havia outro jeito.

Evan se moveu para o lado, saindo da frente da diaba, que esticou o pescoço para ver o que estava parado atrás dele. Assim que o ombro do loiro desobstruiu a visão, Uma garota pálida e de touca foi revelada. Meio cabisbaixa mas que carregava uma energia vibrante nos olhos, Gigi.

—Gigi?!.... -Claire respondeu em uma mistura de espanto e euforia. As respostas que queria, estava usando uma touca horrível bem na sua frente, acompanhada de uma trovoada que se deu no céu nublado seguido por um relâmpago intenso que revelou o semblante tenso da menina.
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Toc, Toc, Toc. As batidas de leve se deram na porta. Dava para ver através do vidro quadrado que havia na porta uma silhueta de suas pessoas paradas, era embaçado desde que o vidro repleto de formas quadriculadas desfocavam a vista do que estava lá fora no corredor. Isso também com a ajuda da barra de metal acoplado no centro do mesmo, com os dizeres "Prof. Matthew".

Sentado numa mesa, fitando a porta com curiosidade, Matt em seu terninho azul desgrudou as vistas da tela do computador, levantando a cabeça um pouco ordenando:

—Entre!

A porta se abriu, passando por ela Cath, que estava acompanhada. Conduzindo Kenny pela mão, ela o trazia consigo como se fosse um fardo ou uma criança. O rapaz mantinha a cabeça erguida e jogada para trás mal podendo ver o caminho que percorria, dependendo totalmente da garota que servia como um cão guia. Matt reagiu se levantando imediatamente ao ver que Kenny segurava um lenço, do qual parte dele estava enfiado dentro de uma das narinas com manchas de sangue pelo fino pedaço de papel.

—Fechem a porta!

Cath soltou Kenny após colocá-lo mais próximo a uma das duas cadeiras que estavam perante a mesa do professor, retornando para fechar a porta empurrando-a com pressa sem se importar com o modo como ela bateu grosseiramente. A menina tinha uma respiração forçada, era visível como seu peito se levantava e descia depressa. Firmando as costas na porta, ela fitou o professor preocupada.

—Não sabíamos para onde ir, ou com quem falar... eu sinto muito.
—O que aconteceu?! -Matt esticou o braço tentando tocar no nariz de Kenny, que retribuiu o gesto dando um rápido tapa na mão do Professor.
—Não encoste!
—Calma! Você precisa deixar eu ver...
—Não!
—Ok, mas ao menos me contem o que houve.
—Acho melhor se sentar, professor.. -Cath despejou a frase com uma leveza assustadora e um olhar vago de quem estava apavorado. Matt carregava desentendimento nos olhos, voltando a se sentar lentamente, perplexo.
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—Entre... -Claire dava passagem para a menina se encolhendo na porta, apresentando seu quarto bagunçado de cama dupla sem nenhuma animação.
—Obrigada.. -Ela adentrou ao cômodo um tanto sem graça.
—Então, precisa de um lugar pra ficar?... eu não sou muito de "Convivência", mas abro uma exceção pra você.
—Não, obrigada.. -Respondeu envergonhada.
—Que isso, não é tão ruim assim. Não sou nenhuma Martha Stewart mas também não sou porca. -Dizia olhando em volta, admirando a própria falta de arrumação.
—Não é isso... é que.. estou com medo, Claire.
—Medo?
—É.. de acabar prejudicando você... é sério, não quero meter você nos meus problemas.
—Ha! Eu é quem devia dizer isso.
—Do que está falando?
—Senta que lá vem a história! -A Diaba apontava para a cama.
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—Está tudo bem... -Matt observava de perto o nariz de Kenny, inclinado sobre o garoto que mantinha a cabeça para trás. -Foi só um sangramento nasal, comum em síndromes de abstinência. Isso explica. Em alguns casos pode até causar alucinações, comportamento anormal... paranoia, e deixar o sujeito vulnerável a ondas de pânico e inúmeros complexos. É algo que assusta, mas Kenny já está quase lá. Vai superar..
—Síndrome de abstinência? -Cath questionou.
—"Kenny" está bem aqui e ouvindo tudo. Com licença, Posso voltar a por minha cabeça no lugar, como uma pessoa? -Resmungou o garoto.
—Pode, pode... -Mat sorriu se afastando.
—Obrigado. -Kenny desceu o rosto novamente, esfregando o nariz.
—Você não me contou sobre isso, garoto...
—E pra quê eu iria contar?
—Cath. -Matt a impediu de formular outra frase. -O Kenny passou por uma situação difícil. Mas como parceira dele, eu devo dizer a você que ele está indo muito bem na recuperação.
—Wow, wow.. pare o mundo que eu quero descer. Não sou "Parceira" dele coisa nenhuma.
—Oh. Sinto muito. -O professor respondeu constrangido.
—Não é nada, não tem problema. Mas kenny, por que não me contou?
—Você sairia comigo se eu te contasse? Cath, fique à vontade para sair por aquela porta se quiser. Não precisa de mim.
—Sabia que baixa auto estima não é nada atraente? Pare, garoto. Não estou nem aí para o que você usou ou deixou de usar. Eu pensei que a gente tinha uma conexão, esse tipo de coisa não se esconde, sabia? Eu ia super entender e poderia até ter ajudado.
—Você?! -Perguntou ele em tom sarcástico.
—Nossa, pisa menos. Sabia que eu participei de vários projetos anti-drogas aqui no campus? Minnie mostra os peitos e faz palhaçada, mas porra, eu levo a sério nosso trabalho.
—Ótimo, agora eu preciso de caridade. Perfeito. -Disse descontente e irritado.
—Ok, foda-se. Não estamos aqui pra falar dos seus problemas. Não confia em mim, tudo bem.
—Gente. -Matt se pôs a interrompê-los. -Por favor, aqui é minha sala.
—Desculpe. -Cath abaixou a cabeça aquiescendo.
—É, foi mal... -Kenny soltou falsas desculpas fixando seu olhar na garota que estava em pé ao seu lado. Sentiu-se ofendido pelo modo como ela disse que ele "Poderia ser ajudado" como se fosse um mendigo ou um pobre coitado. Queria tudo menos pena, ainda mais vindo da menina que era a única por quem ele pensou que um dia, talvez... pudesse se apaixonar.
—Ok, crianças. Já que encerramos o drama, Cath... não se preocupe. Kenny só teve um pequeno acidente. Mas ele é forte.
—Eu entendo. Parou de cheirar, não precisa me tratar como uma completa ignorante. Eu sei o quais são as drogas e seus efeitos. Tanto faz, não foi só pra isso que eu vim.
—Então o que há? -Matt mostrou extremo interesse.
—Isso... -Ela ergueu a mão portando o celular contra o rosto do professor.

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Gigi abaixava o braço, mas Claire relutou:

—Não, não! Me deixa ver direito!! -Exclamou tentando tomar o celular da garota.
—Claire!
—Me dá! Eu quero ver, você acha que tenho olhos de águia? Deixa eu ver a porcaria da foto!
—Toma! -Gigi desistiu deixando o aparelho ser tomado de suas mãos, levantando os braços em sinal de rendição. -Jesus...
—Espera aí. -Ripley abriu a tela clicando na mesma. -Oh, Viado.. -Disse ao dar uma boa olhada na imagem que apresentava o quadro das garotas da Zeta Beta, tendo as assassinadas com o rosto riscado com um "X". -Esse cara não tá brincando em serviço.
—O que quer dizer?
—Queridinha, melhor tu dormir com um olho aberto e o outro fechado. Ele acabou de colocar vocês numa lista de eliminação.
—Ai meu Deus... -A Garota se sentou com tudo, quase despencando na cama cobrindo os olhos de preocupação. -Isso não está acontecendo.
—Eu e Edward queremos descobrir o padrão do assassino, e devo dizer que você ajudou muito! Ele está atrás das Zeta Betas, isso é claro como cristal agora.
—Isso é tudo culpa minha... -Gigi disse em gemidos curvando-se para frente ainda cobrindo o rosto.
—Bem vinda ao clube, querida. Quando foi que você recebeu isso?
—Hoje mais cedo. Pouco antes de te encontrar no campo de futebol.
—Ahm... e o Evan, o que ele acha disso?
—Eu não sei. Eu vou dormir lá com ele hoje. Lógico que vou ter que entrar pelos fundos pros garotos da DKY não me verem, mas...
—Eu já disse. Pode ficar aqui se quiser. Mas se roncar te ponho pra dormir no corredor.
—Por favor, não faz piadinhas agora.
—Credo! Levanta um pouco esse astral garota.
—Você é louca?! Tem alguém tentando me matar, você é pirada não é?
—Olha.. eu já vi de tudo. Já vi aleijada andar, já recebi cabeças de presente e tive que seguir rastros de sangue dos meus melhores amigos enquanto temia pela minha vida e você está dizendo que eu sou louca? Mana, surpresa seria se eu fosse normal depois de tudo isso.
—É... Você tem razão, desculpe.
—Que nada. Então, já tem suspeitos?
—Já. Mas é uma longa história.
—Longa? Eu tenho tempo.
—Da aí que eu te mostro.. vou contando e te falando. -Gigi se virou esticando a mão, pedindo pelo celular, do qual Claire entregou com um sorriso no rosto se aproximando da menina.
—Aqui, queridinha... à vontade.
—Obrigada..

Claire deu a volta na cama para ficar ao lado de Gigi, sentando-se com um olhar faminto esperando pela infame e talvez ridícula história que a menina iria contar.

—Vai, bota pra fora.

(Vrrrmm.. vrrmm) -O Celular de Gigi vibrou em sua mão. As duas se fitaram virando os rostos rapidamente, uma de frente a outra. Era como se estivessem conectadas, elas sabiam o que aquilo significava.

—É o que eu estou pensando?... -Claire esboçou surpresa, ficanod de boca aberta.
—Não quero atender... -Gigi tremeu negando tal ação.
—Nada disso! Você tem que atender! É número desconhecido?!

A Garota fitou a tela por um instante confirmando em pavor:

—É Sim... Claire, é agora?
—Atende, mulher! Mas não vá ser mal educada com ele, senão alguém vai acabar estripado, acredite. Já peguei esse trem.
—Não, não, não, não, não!
—Sim, sim, sim, sim sim! Atende! Ms finge que eu não estou aqui!
—Por quê?!
—Porque você tem uma vantagem que o assassino desconhece, vamos deixar assim.
—Que vantagem, sua maluca?!!
—Euzinha. De nada! Agora atende! -A Diaba meteu a mão no celular, deslizando o dedo na tela atendendo a ligação, tampando imediatamente a boca de Gigi enquanto a mesma se preparava para gritar. Claire não perdeu tempo, encostou o telefone na orelha da menina, encarando-a bem de perto, levando o indicador ao lábio fazendo sinal de silêncio. Gigi balançou a cabeça de modo positivo se estremecendo toda, com olhos enormes e desesperados.

—Vai... -Claire cochichou aproximando o ouvido, destampando a boca da mocinha, que hesitante, disse:

—Ahm.. Alô?...
—Hello, Gigi.... -A Voz rouca e sinistra disse do ouro lado.

Claire sacudiu os braços pra cima comprimindo a face querendo gritar de euforia, simbolizando um alto "YES!". Era a mesma voz que ouviu a um ano atrás em Ashville. O Desgraçado usava o mesmo aplicativo de voz. Não havia dúvidas. Havia um Ghostface me Pendleton e Claire sabia disso. O Fantasma porém, é quem não sabia dela, não estava a par de que teria um inimigo a altura para enfrentar.

—Quem é você?! -A menina tentava manter a concentração no telefonema embora fosse difícil, com Claire se balançando feito um boneco de posto ao seu lado.
—Não vamos com pressa não é, Gigi? Eu te agradeço, você foi uma boa garota. Espalhou a mensagem... gostei disso. Achei que não conseguiria.
—Eu não fiz nada!
—Errado. Você condenou todas aquelas garotas inocentes na casa da fraternidade. Foi meio chato brincar de "O ILUMINADO" sem você, mas valeu a pena no final.
—Por favor, pare... pare.. eu juro que jamais vou contar nada! Deixe-me em paz pelo amor de Deus!
—Deus?.... -A Voz retrucou em tom ofensivo, fazendo uma pausa de onde era possível ouvir sua pesada respiração chiada na linha. -Estou esperando esse "Deus"... parece que ele está ocupado. Enquanto isso, vamos focar no jogo.
—Não!
—Por quê não? É SURVIVAL, lembra-se? É divertido. Esqueça os RPGS sem graça que você jogava. Esse aqui é pra valer. Agora, só vim mesmo te gradecer, mas também para pedir um favorzinho.
—Vai pro inferno!
—Depois. Agora estou ocupado elaborando um jeito de mandar a próxima pessoa para lá. Eu não posso jogar com quem não sabe que o jogo está acontecendo. Mas você já me poupou um pouco desse trabalho.
—Eu te imploro!
—Implore o quanto quiser!! -Respondeu a coisa, num tom grosseiro e ameaçador, já retomando sua voz calma e sinistra logo em seguida. -Não preciso de pedidos, preicso de ação, e você já me trouxe um prêmio e tanto, obrigado.
—Eu vou descobrir quem é você é... e você estará acabado!
—Acho que isso vai ficar para um futuro Plot Twist. Acha que as pessoas estão interessadas em saber tudo logo de cara? Esta trama de terror ainda está desenvolvimento. E se tiver paciência, prometo que será uma viagem dos infernos! Bem, Gigi, foi bom conversar com você.... Mas o público clamou por mais, é minha obrigação dar a eles o que querem.
—Você não precisa fazer isso! Por favor!!!
—Awn... melhor ficar em um local seco, Vem tempestade por aí...

(Beeeeeeeeeep) — A Coisa desligou. Trovoadas se tornaram a nova trilha sonora de Pendleton naquele fim de tarde. Uma chuva estava por vir, cada vez mais próxima. O Assassino ainda não havia deixado claro seus planos por mais abertos e estampados que ele os fazia parecerem ser. O Céu cinza escuro anunciava a época de escuridão que recaiu sobre o colégio. Um novo filme de terror estava sendo rodado.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Apertem os cintos! Agora a sobrevivência é uma questão delicada. Quem será o próximo?....