Notas iniciais
O Terror atinge todas épocas.. isso é uma certeza. Clássico ou moderno, este é o próximo passo a se dado. Espero que gostem! O.O

(MAIS CEDO NAQUELE DIA)

Apressada, tensa e nervosa. Era assim que Claire caminhava por aquele corredor do segundo andar no prédio de seu dormitório. Edward a seguia numa conversa séria e preocupante passando rápido pelo local, desviando dos estudantes que vinham no sentido contrário, torcendo apenas para chegar até seu quarto e relaxar depois de toda a confusão com o Heitor. Edward comentava:

—Viu? Eu não disse? Sabia que ia acabar tudo bem.
—Bem? Só de não estar tendo que te trocar por cigarros para não ser estuprada por uma sapatão de macacão laranja eu já estou feliz.
—Que isso..
—Quer saber? Pendleton que se dane. Não vejo a hora disso acabar. Pra quê que eu fui inventar de fazer "Letras"? Eu devia ter ido atrás do meu próprio programa de TV isso sim. Estar em los Angeles fazendo Rádio & Tv. Como fui idiota.
—Você seguiu seu instinto. Quis trabalhar suas habilidades, não vejo nada de erado nisso.
—Nada de errado? Eu, Claire Ripley. Status — Podre, quer dizer.. podre não, DECOMPOSTA de rica isso sim, presa numa universidade do interior de Ohio num município vizinho do Ovo onde cresci e que tanto rezei pra sair. Eu, a engraçada, bonita e talentosa desperdiçando tudo isso aqui pra virar professora só pra dizer "Vocês merdinhas não vão a lugar algum na vida". E pra quê, Edward? Hein? Pra quê?
—Quer fazer o que então? Comprar uma Van, pintar o nome de "Máquina Mistério" na lataria e chamar Keaton, Marty e Amelie pra sair por aí cruzando o país resolvendo casos de assassinatos?
—Lá vem você com essa porra de Scooby-Doo.
—Eu gosto, ué.
—É mas não precisa fazer referência sempre que pode.
—Que seja. Eu preferia estar ASSISTINDO "Scooby-Doo", do que de fato ter que VIVER nele.
—Tá bem, garoto "Cartoon". Mas lembre-se, estamos mais pra "Sexta-Feira 13" no momento. Falando nisso, como vai a sua "Daphne"? Ela te respondeu?
—Amém Aleluia Glória ela me respondeu.
—E?
—Vou ver ela hoje.
—Viu? Era só cu doce mesmo.
—Bem, então que a vida seja mais doce pra gente também.
—Tá brincando? Eu estou mais preocupada do que antes. O Assassino nos viu.. ele sabe quem somos.
—Eu sei, fodeu. Mas o que podemos fazer?
—Antecipar seus movimentos, é claro! Eu estava certa sobre a coisa das fraternidades, mas agora que isso chegou ao fim da linha, realmente eu to numa situação crítica aqui com meu cérebro.
—Como assim? Ainda tem mais uma fraternidade sobrando.
—Os Nerds? Sério, Edward? Até parece que o assassino vai atrás de um bando de garotos virgens.
—Ué, mas... esses dementes sempre querem inovar no "Terror". Talvez, matar aqueles que estão destinados a viver seja o próximo passo mais lógico.
—Não acho. Eu acho que ele já escolheu seus alvos, e nós estamos bem no meio deles...
—Eu odeio quando você está certa.
—É só pensar racionalmente. E infelizmente isso nos leva a um beco sem saída. Não sabemos o que o assassino vai fazer a seguir.
—Não sei o que é pior, saber ou não saber.
—Ah, não saber é muito pior com certeza! Porque sabendo podemos agir contra.
—Tá, agora desembucha o que tá na sua mente porque eu sei que tem algo.
—É.. E tem mesmo.O que devemos fazer é descobrir quem já recebeu ligações e mensagens, e juntar toda essa galera. Assim vamos saber quem são os alvos e poderemos ajudá-los. E outra coisa, cadê o Daniel? Você é tão grudado nele e não estou mais vendo vocês juntos.
—Nem eu. Essa confusão toda não me deixou tempo sobrando nem pra cagar direito. Fala sério, pior que hoje tenho prova.
—Puta Merda, hein.
—Nem me fale...

Os dois chegavam ao seu destino, contemplando a porta do quarto de Claire enquanto a mesma retirava do bolso seu chaveiro de pompom Vermelho, selecionando a chave:

—Bem, a questão é. Agora que o assassino já atacou as fraternidades... o que ele fará a seguir?

Edward deu de ombros:

—Eu queria não ter que saber disso...
—É, quem sabe na próxima encarnação.

Claire destrancou a fechadura, empurrando a porta que se abriu rangendo revelando o quarto. Hesitou ao dar seu primeiro passo para dentro sendo arrebatada por uma visão do inferno no meio de sua bagunça pessoal. Seu queixo foi praticamente ao chão em surpresa horrenda. Edward parou ao seu lado olhando em volta espantado:

—Você tem uma boquinha Santa hein...
—Vou ficar quieta de agora em diante.... -Respondeu com voz baixa e perplexa.

Seus olhos eram obrigados a admirar o terror em sua frente. O Quarto estava revirado, com roupas espalhadas, inclusive as peças íntimas de Claire e Gigi, jogadas em cima da cama. Objetos pessoais como batons, e afins, encontravam-se em rebelião jogados pela cômoda. Gavetas abertas e um abajur quebrado, tombado em cima do criado mudo. Tudo isso com o toque final, um porta retrato com a moldura quebrada em estilhaços espalhados pelo tapete próximo aos pés da Diaba, que quase pisou no mesmo ao entrar. Ela fitava a imagem que o objeto carregava, uma foto dela e de Stacy sorridentes e de braços dados. Ripley foi possuída pelo ódio. "Agora é Guerra!" foi a frase que gritou em sua cabeça, se abaixando para pegar o porta retratos com toda a delicadeza do mundo, tornando a olhar para a grande parede branca à esquerda toda suja vermelho. Desenhada na mesma, com o que poderia ser tinta mas aparentava ser sangue, o design da máscara de Ghostface muito bem retratado. A Tinta vermelha ainda escorria pelas bordas do desenho como se a imagem da máscara escorresse em tiras de sangue, com a mensagem igualmente pintada abaixo do rosto fantasmagórico com letras bem grandes: "HELLO, CLAIRE".
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(HORA PRESENTE)
As luzes azuis e vermelhas piscavam atingindo a Janela do quarto de Claire, que parada perante ela, observava os gritos, os choros e o desespero de um bando de estudantes que se abraçavam aos prantos espalhados pelo gramado onde haviam três ambulâncias estacionadas. Policiais tentavam conter a confusão e o aglomerado de escândalos berrando instruções e discursos de "Mantenham a calma" fazendo sinais e usando alto-falantes para serem ouvidos no meio dos prantos.

Claire via sem acreditar, o modo como uma garota era posta numa ambulância, presa a uma maca com um respiradouro em volta do rosto, rodeada de paramédicos enquanto seus amigos tentavam acompanhá-la, sendo impedidos de entrar no veículo por homens de branco segurando-os pelos braços. Eram mãos cobrindo os rostos, e lágrimas de pavor daqueles que testemunharam o insano banquete de carne humana no refeitório a apenas minutos atrás.

Uma a uma, as luzes das janelas no prédios vizinhos da Universidade se acendiam, com mais rostos curiosos sendo colocados contra elas. Olhando de fora assim, era impossível saber o que tinha acontecido. Mas a confusão certamente chamava a atenção. Claire sentia em sua alma que alguém com certeza havia morrido. Pendleton havia feito mais uma vítima naquela noite e ela não tinha dúvidas.

Com Todos aqueles jovens desmaiando, Ripley percebia atenta em como passavam mal. Não esqueceria tão cedo o jato de vômito que uma garota deu antes de cair dura no gramado, sendo acudida as pressas por 5 ou 6 pessoas que a sacudiam tentando acordá-la sem sucesso. As sirenes já estavam é irritando seus ouvidos. E seja o que for que tinha acontecido, não havia tempo para sair fazendo perguntas estando ela usando um pijamas velho, com as mãos e roupas sujas de tinta vermelha, do qual passou metade do dia esfregando as paredes para limpá-las. Os cabelos presos para trás e o visual de "Dona de casa" acabada tomaram conta de seu ser. A Diaba suspirou se afastando da janela, dando as costas à confusão fitando Gigi que chorava sentada na cama balbuciando:

—Agora ele sabe até a cor das minhas calcinhas!!... Eu não acredito....


Ripley revirou os olhos:

—Jesus! O que é que tem? Não foi você que passou um dia de escrava limpando toda essa merda.

Gigi enxugava as lágrimas segurando uma calcinha vermelha fio dental com toda força. A Garota parecia que ia ter surto a qualquer momento. Claire de temia desencadear nela uma loucura da qual não haveria mais volta.

—Primeiro Carl.. agora serei eu! Eu sou a próxima! EU sei disso!
—Ai querida.. to sem paciência para te consolar agora, desculpe. Alguém com certeza acabou de morrer, então sossegue!
—O quê? Quem?!!
—Eu sei lá.

(Toc, toc, toc, toc!) -Quatro batidas rápidas de fortes se deram na porta. Claire limpou as mãos na roupa pela quinquagésima vez, apontando o dedo para Gigi:

—Agora, se for um policial ou coisa assim, você fica quieta! Não sabemos de nada, entendeu?
—Entendi... — Respondeu choramingando.
—Ótimo.

A Diaba se dirigia-se em direção à porta respirando fundo, pronta para mentir ou driblar uma situação chata para caralho. Abriu a porta levantando o queixo em expressão calma:

—Boa noite... -Disse feito uma dama. Hilário seu tom fino quando comparada a dua aparência suja e desengonçada.
—Me ajuda!!! -Berrou a garota frente a porta, desesperada em choro. Era Quinn.

Claire arregalou os olhos não dizendo uma palavra. Mas supôs que o reboliço lá fora tinha algo a ver com ela. Só podia ser!

—O que foi?
—Posso entrar?! Por favor!
—À Vontade...
—Obrigada...

Ripley foi para o lado dando espaço para a menina passar, ouvindo seu choro dizendo a si mesma:

—Que ótimo! Agora tenho duas Lanas Del Ray...
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—Que nojo!!! -Exclamou Claire após ouvir a história da menina.
—Eu vou vomitar! -Gigi tampou a boca as pressas levantando-se da cama, correndo para o banheiro.
—Se fizer sujeira você que vai limpar! Por que não sou obrigada! -Gritou para a garota que desapareceu banheiro a dentro seguido de um baque da porta do mesmo.

Ela observou como Quinn estava assustada, tremendo e traumatizada. E teve pena. Amansou a voz deixando uma parte sua que a muito tempo não via transparecer, Sua solidariedade:

—Ok... -Sentou-se ao lado da menina. -Mas, Quinn.. pode ter sido uma piada de mal gosto. Você sabe disso.
—Não era uma piada, Claire.. tinha sangue.. e.. e.. Minnie...
—Espera. Não tem como saber se realmente alguma coisa aconteceu com ela. Podia ser um olho de borracha, sei lá.
—Eu não sei...
—Olha, você já tentou ligar pra ela essa noite?
—Não.. ainda não.
—Então, vamos tentar isso. Ver se ela atende, ok?
—Ok..
—Mas eu não tenho o número dela. Me empresta seu celular?
—Claro.. -A menina o tirou do bolso entregando-o.
—Vamos lá. -Claire respirou fundo mais uma vez. Se levantou enquanto mexia no celular da garota procurando Minnie nos contatos. Deu uma rápida olhada em Quinn e não queria vê-la daquele modo. Se tudo o que ela disse fosse realmente o que aconteceu, então as coisas acabaram de tomar um outro nível de pavor. Claire, no fundo, sabia que Minnie provavelmente estava morta mas não tinha a menor coragem de juntar os palitos para provar que seus restos mortais estavam nos pratos do jantar. Vendo o estado que Quinn estava, a Diaba cogitava a ideia de mentir naquele momento, fingir que Minnie atendia a ligação e forjar uma rápida conversa, com medo de que trazer a verdade a tona acima da suspeita, mataria a garota do coração. Mas não o fez, abaixou a cabeça pondo o celular no viva-voz dando passos aleatórios enquanto esperava a chamada ser completada. Aproveitou para dar mais uma olhada através da janela. A pequena multidão ainda estava lá. Quinn ouviu a ligação chamar, levantando a cabeça dando toda atenção esperando ouvir a voz de Minnie atendendo. Claire mantinha-se firme, porém de costas a garota escondendo sua expressão de quem esperava pelo pior, não mostrando um pingo de esperança. (Beeep.... Beeep...) A Cada chamada, um arrepio surgia.

—Vamos.. atende.. -Ripley Dizia baixinho nervosa.

De repente, parou de chamar. Um ruído se deu, e Quinn arregalou os olhos levantando-se num pulo:

—Ela atendeu?!!
—Xiiiu! -Claire lhe pediu silêncio.

Podia escutar através do alto falante, uma certa movimentação ao fundo. Enquanto isso, continuava observando o que acontecia lá fora, tentando comparar os sons de movimentação que ouvia pelo telefone com os que via pela janela. Até que, uma voz surgiu... era A VOZ.

—Hello?
—OH meu Deus!! -Quinn cobriu o rosto com as mãos passando a chorar com mais intensidade ao reconhecer a voz... Claire a fitou com tremenda desconfiança. "Como ela sabe da voz?" -Pensou enquanto pigarreou fingindo não ter prestado atenção na garota.

Claire fechou os olhos neste instante, dando de frente com a confirmação macabra. E prosseguiu:

—Ahm, Oi?
—Está se divertindo?
—Desgraçado! Quem é você!
—Aqui é o seu velho amigo.. você me conhece, certo? -Falava de modo arrastado e sarcástico.
—Onde você está?!
—Bem, se está procurando por Minnie, então eu temo.. que ela não possa atender no momento por estar meio "enrolada"... em cerca de uns 10 ou 15 pedaços mais ou menos. Mas não se preocupe, logo eu vou terminar e eu e você, poderemos brincar também. Vejo você em Breve... aliás, eu posso te ver bem agora...

A diaba mostrou o dedo do meio através da janela, procurando na multidão alguém que estivesse usando um celular:

—É.. Eu vi isso também... -Respondeu Cínico. -Não há como fugir desta vez. Qual a sua continuação de terror favorita, Claire?

Claire desligou na cara do psicopata, contemplando a vista caótica do lado de fora sem dizer uma palavra.
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Na manhã seguinte, Edward havia comparecido por pura obrigação à sua prova. Numa silenciosa porém lotada sala de auditório, onde Matt se sentava lá embaixo sob a grande Lousa, observando-os todos com cautela balançando sua caneta de ouro. Eventualmente, uma tosse ou o ranger de algum banco causavam uma leve distração naquele vácuo onde podia-se ouvir o ar condicionado sussurrando. Ed não estava nem aí para o maldito teste, as palavras no papel não passavam de um atraso no seu dia do qual nem com muito esforço, conseguiria prestar atenção. Mas ele não era o único. Dando uma olhada em volta, a mais ou menos duas fileiras embaixo da sua pouco mais à esquerda, Lizzie e Daniel pareciam se comunicar discretamente passando bilhetinhos um no colo do outro. Parou de olhar antes que o Professor Matt descobrisse. Nada estava indo como planejado em sua vida no momento. Os acontecimentos dessa semana lhe distraíram dos estudos, os novos amigos se afastaram, um deles morreu, deixando-o apenas com memórias antigas que insistem em retornar. Nem mesmo o amor estava brilhando em seu lado. Kirstin acabou dormindo a noite toda ou algo assim, pois não lhe respondeu novamente, furando o encontro antes certo de acontecer. E a confusão no refeitório da noite passada, havia tirado dos estudantes daquela faculdade qualquer interesse em sequer continuar.

Edward podia ver isso nos olhos de Matt. Que coçava a cabeça constantemente com uma expressão dividida, como se estivesse arrependido de ter dado a prova naquele dia, como se por acaso ele tivesse outra escolha. As páginas sendo viradas, os lápis rabiscando as alternativas de múltipla escolha... tudo a sua volta parecia se movimentar, menos é claro sua vida. Enlouquecido no cenário que se encontrava, clamava por uma salvação qualquer, esta que veio de repente descendo os degraus do auditório no canto esquerdo. Edward percebeu o movimento... o som dos passos e das chaves balançando num molho acoplado a cintura daquela que usava um uniforme azul. Reese.

Atraindo olhares que a seguiam durante sua descida apressada, a segurança passava direto num ritmo aflito. "Como ela entrou aqui?" -Pensou Edward que nem ao menos a percebeu entrando. Notou como Lizzie e Daniel pararam sua atividade secreta passando a observar moça. Marr, por outro lado já estava de pé esperando que Reese se aproximasse o suficiente para ouvir o que ela tinha a dizer. Assim que as vozes baixinhas começaram a se aglomerar comentando entre si o que poderia estar acontecendo desta vez, Matt bateu uma palma ardida que ecoou por toda a enorme sala, silenciando seus alunos de uma vez só que obedeceram de imediato.

Reese esticou o braço ao se aproximar, puxando-o sutilmente para si:

—Bom dia, e desculpe professor. Mas precisa dispensá-los agora.
—Por quê? O que está acontecendo?

Reese mantinha a calma ao soltar suas palavras bem articuladas:

—É sobre o incidente de ontem a noite. A Garota foi encontrada.
—Oh Meu Deus.. Ela está mesmo?..
—Sim. Mais morta que o Elvis. Agora devo pedir para que mande seus alunos para fora, pois toda essa área do campus deve ser evacuada.
—Virou cena de crime..
—Correto.
—Ok.. o que digo a eles?
—Só diga para que retornem aos seus dormitórios com calma. E que não saiam de lá até uma segunda ordem.
—Tudo bem, Reese.. obrigado, pode ir agora. -Agradeceu de modo descontente, preparando-se para retornar a sua mesa, quando ela o segurou pelo braço:
—Não tão rápido.

Respondeu com um silêncio aflito e curioso ao ser segurado, virando-se para Reese tenso.

—Reese...
—Tem algo que o Senhor Precisa saber.
—Não podemos conversar na sala dos professores?
—De jeito nenhum. Em 10 minutos, todos os professores estarão lá e eles não podem ouvir o que tenho a dizer.
—Bem.. então fale com carinho.
—Eu não estou Brincando, Matthew. Sabe, diferente do que as pessoas acham, eu faço o meu trabalho. E assisto as câmeras de segurança.
—Isso quando não está assistindo filmes ou gritando enquanto torce para algum participante da "Roda da Fortuna", certo?
—Está me testando? Não devia. As pessoas falam, principalmente as que estão assustadas. E Matthew, você está encrencado.
—Do que está falando?
—Por enquanto eu sou a única que sabe, portanto seja cooperativo e vamos manter assim antes que você saia algemado desta sala pelos dois agentes parados do lado de fora. Mantenha a calma e me convença de que estou errada para que isso não se torne um puta papelão.

Matt engoliu seco, prestando atenção nas dezenas de olhares curiosos e desconfiados que lhe eram apontados. Embora nenhum daqueles estudantes pudesse de fato ouvir a conversa:

—Escute, Reese eu não sei o que você está insinuando mas é bom ser clara!
—Está me chamando de escura?
—Pare de ser besta, isso não é hora pra piadinhas. Me diga alguma coisa, droga!
—Ah, então pare de ser cego, faz mal pros seus olhos! Ouça, Matt.. você mandou duas estudantes procurarem algo na biblioteca?
—O que isso tem a ver?
—Tem a ver, que uma delas morreu indo pegar o que quer que você as tenha mandado. O Vídeo da câmera de segurança mostra a garota "Minnie" sendo perseguida. No bolso dela, foi encontrado um papel com a Sua letra dando a ela a indicação de número da prateleira... o exato local onde ela foi atacada. Você, meu amigo.. é a única pessoa que sabia onde aquela garota iria estar.
—Isso é ridículo! Ela poderia ter ido a qualquer hora! Como eu ia saber quando ela estaria la ou não? Sim, eu dei a ela um livro pra procurar.. não nego. Mas ela podia ter ido verificar naquele dia, hoje, amanhã.. semana que vem.. eu jamais saberia quando! Então não vem me apontar o dedo, Reese!
—Não estou apontando. Só estou de avisando de como isso se parece. Sobre como essa informação vai transparecer para os outros professores.. o que todos vão pensar de você, Matthew. O que você fez.. te coloca numa corda bamba.
—Não venha dizer que você não é tão suspeita quanto eu, Reese.
—Ficou louco?
—Não. Não era você que queria contar a verdade ao mundo? Expor o massacre de Pendleton College? Pois você fez isso sozinha.. e fez bem feito. Sabe o livro que disse para Ela procurar? É aquela porcaria que você escreveu, COM A SUA LETRA, dizendo como todas as atrocidades de 1998 aconteceram! Então, Reese.. você é alguém que sabia Exatamente o que era aquele livro, e onde aquilo estava. Agora, eu que te pergunto.. já imaginou como isso vai transparecer para os outros professores? O que as pessoas vão achar de você? Porque se me lembro bem, você estava aqui em Pendleton quando meu amigos foram mortos enquanto ninguém fazia nada. Você nunca pegou o assassino.. e ainda por cima causou um reboliço que fez você ser demitida! E Agora.. todos esses anos depois, você está de volta.. que coisa curiosa as mortes começarem a acontecer de novo logo quando você já estava a vontade, não? Portanto, Mulher... não tente afundar o meu Navio. Se quiser me prejudicar, vou deixar você até o pescoço com complicações.
—Olha como fala.
—Você não tem nada contra mim.
—Ainda.
—Boa sorte com isso. Eu vou liberar os meus alunos, Reese. Enquanto isso, faça algo de útil desta vez..
—E o que você sugere, Vin Diesel?
—Pegue o assassino desta vez, ao invés de oferecer água com açúcar para aqueles que acabaram de testemunhar uma atrocidade, como você fez comigo.
—Matthew, eu nunca pensei que você fosse ser tão mal agradecido...
—Qual é.. o Heitor já era. E sabemos muito bem quem vai assumir o posto. Ele morria de medo de você, por isso nunca te demitiu. Mas eu?.. Assim que eu sentar naquela cadeira de couro, vou exigir resultados rápidos. Fique esperta, Reese.
—E eu achando que estava aqui te avisando.. fazendo algum bem.
—Pensou errado. -Matt pigarreou dando total atenção aos estudantes, falando em voz alta: -Escutem! Vocês estão liberados da prova.. podem entregar aqui na minha mesa. Continuaremos assim que possível! Estão livres!
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Matt juntou num montinho todas as provas inacabadas dos estudantes, sentando-se de volta em sua mesa bufando após o clima tenso com Reese. Os alunos saíam de boca cheia subindo os degraus do auditório feito um cardume de peixes desesperados e felizes por terem se livrado do teste, sendo comandado por Reese que seguia a horda de Jovens em direção a saída da sala. E o único que nadou contra a correnteza, foi Edward que desceu ao invés de subir, ficando para trás de propósito para entregar a prova ao professor, que o examinava o esperando.

—Edward..
—Sim?


Matt estendeu a mão para receber a papelada, do qual Ed o entregou sério.

—Tem um instante? — Perguntou Matt.
—Claro, claro.. -Respondeu o Garoto metendo as mãos no bolsos da jaqueta, já se preparando para tomar um sermão ou coisa do tipo, tornando confortável sua pose em pé, do qual presumiu que assumiria por um longo tempo...
—O que está acontecendo com você?
—O que disse?
—Você parece tão... distante ultimamente. Faltou a algumas aulas.. seu desempenho decaiu um pouco. O que há?
—Olha, eu não quero ser grosseiro professor. Mas o Senhor não entenderia.
—Desculpe, eu não quero invadir seu espaço. Mas acredite quando digo que eu entenderia... sabe, eu lido com vários estudantes todos os dias. Cada um com seus dilemas.. as vezes só precisamos de alguém que nos ouça.
—Sei..
—Então. O que está te incomodando?

Ele permaneceu estático olhando para o nada, sem conseguir pensar numa resposta. O Auditório agora vazio e silencioso, não lhe deixava de sobra nenhuma distração para fugir do assunto ou daquela ocasião. Edward nunca foi do tipo que desabafa ou que frequentou psicólogos. Nem mesmo após a morte de Dylan. E não se sentia a vontade com um "Estranho" lhe oferecendo algum tipo de ajuda. Não que o Professor Matt não fosse um dos caras mais divertidos que ele já conheceu, mas isto se dá a que Edward até hoje só o via como um professor legal, e nada mais. Não cogitaria em nenhuma hipótese mostrar suas cicatrizes a ele.

—Nada.. não precisa ficar preocupado, Professor.
—Bem, então.. me desculpe por perguntar. Mas ainda sim, se quiser.. Este é o meu número.
—Você faz isso sempre?
—Mais do que eu gostaria. -Respondeu com um sorriso amigável.
—Então, eu agradeço.. embora não ache que eu vá precisar.
—Tudo bem, tudo bem. Não encana. Tome -Lhe entregou um cartão com seu Número escrito nele.

Edward fingiu ler o número, guardando o cartão no bolso em seguida.
—Pode ir.
—Bom dia, Professor.. -Deu lhe as costas.
—Bom dia...
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—Por aqui! Por aqui! Não há motivo para Pânico! Andem de forma ordenada, por favor! -Gritava um segurança de Pendleton no pátio afora, movimentando os braços apontando uma direção que os estudantes deveriam seguir. Aproximadamente 80 alunos que estavam tendo aula em duas das salas daquele prédio se encaminhavam de modo civilizado, porém sem conter os olhares de choque para o que estava ali em céu aberto atrás do homem dando as instruções.

Um manto de cor cinza tampando um cadáver numa maca. Era notável que a grande caçamba de lixo daquela área do pátio, da qual um caminhão vinha toda semana buscar as nojeiras que aquele povo jogava ali estava aberta, escancarada com um apanhado de moscas em volta. Uma ambulância do IML aguardava de portas abertas a remoção do corpo, enquanto os universitários tampavam suas bocas e narizes ao perceberem o mal cheiro que dali exalava, desviando os olhares antes curiosos.

—Vamos! Vamos! Não há nada para ver!

Lizzie e Daniel passavam por ali do mesmo modo que todos. Sentindo o alívio de escaparem de um prova, mas saindo do prédio para se deparar com a Morte. Assim, ela o questionou:

—Dan, eu estou com medo.. acha que podemos estar em perigo?
—Que nada, relaxa.
—Você só sabe falar isso?
—Lizzie, temos que cuidar da nossa própria vida, falou? Eu aprendi com o tempo que as pessoas estão pouco se fodendo para os nossos sentimentos ou pra situação ruim de uma pessoa.
—Credo, que é? Ficou depressivo de repente?
—Não.. é só que, ninguém aqui se importa com a garota Morta. Só estão é preocupados consigo mesmo.
—Tá, fala.. quem te tratou mal desta vez?

Ele lhe lançou um olhar significativo de quem não queria tocar no assunto.

—Ta bem! Foi mal! -Lizzie levantou as mãos em sinal de rendição, prometendo não perguntar mais.
—Vamos passar direto por isso e nos concentrar no nosso dia a dia... sim?
—Whatever. Falando nisso, agora que a gente só vai terminar aquela prova Deus sabe quando, eu vou precisar "Daquilo". Você ainda tem não é?
—Tenho.
—Ótimo! Porque passar bilhetinhos discretos não vai funcionar para sempre. É arriscado.
—Eu avisei, você não quis ouvir.
—Que seja, está aí com você agora?
—Sim, bem aqui. -Respondeu Daniel apontando para a própria cabeça.
—Você decorou?
—Sim.
—Nossa.. que espertinho hein. Mas eu vou precisar, ok?
—Tá, é só passar no meu quarto e pegar. Tá no meu armário.
—Assim? De boa? Seu colega de quarto não vai me empatar, não?
—Que nada!
—Então tá neh. Valeu! -Respondeu sorrindo.
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Terminava de colocar as coisas dentro de sua maleta, limpando a mesa por completo enchendo as gavetas assumindo que não seria possível mais dar aulas naquele dia. Matt estava desistindo da situação. A pressão que aquele bando de professores colocariam sobre seus ombros para assumir o posto de substituto do Heitor lhe apavoravam. Mesmo mostrando por fora uma sede de poder, por dentro não fazia a menor ideia de como gerenciar uma escola, mesmo que fosse por um curto período de tempo, até que outra pessoa mais qualificada fosse colocada no cargo. Porém, sua formação em Psicologia, Pedagogia e carisma com os estudantes, o colocavam no topo da lista.

—Droga.. Droga.. -Repetia tenso ao enfiar tudo na maleta, sem paciência alguma para organização. Estava já lotada e sem espaço para mais nada, e conforme se esforçava para fechá-la, a maldita coisa não deixava. Estava entupida demais de papéis que se amassavam uns sobre os outros. -Fecha, merda! -Fez força puxando a alça, lutando para que o botão alcançasse seu objetivo. -Vamos.. Puta que o Pariu! -Exclamou desistindo. Assim, a mala se abriu por completo regurgitando a papelada que caiu espalhando-se na mesa e o chão. Levou as mãos ao topo da cabeça, demonstrando nervoso e desistência. -Foda-se! -Empurrou a maleta mesa abaixo, respirando ofegante de raiva ao vê-la despencar no piso. A bagunça que havia feito não incomodava. Não chegava a ser nem 1% tão estressante quanto o fogo que Resse lhe colocara.

Prestes a sair andando deixando toda aquela baderna para trás, Matt se encaminhou em direção a porta de ferro no canto inferior direito da sala, por onde sempre saía. Prestes a alcançá-la, o toque de seu celular interrompeu a caminhada, fazendo-o pegar as pressas o objeto no bolso do paletó, atendendo sem pensar duas vezes:

—Alô?
—Você gosta de filmes de terror? -Perguntou como um sussurro, a voz sinistra do outro lado.
—Desculpe? -Questionou indicando que não havia prestado devida atenção.
—Você parece gostar de terror... Afinal, já vivenciou um.
—É isso o que eu ganho por passar meu número aos estudantes? Quem é?
—Eu fiz uma pergunta. -Afirmou o louco na linha, com intensidade. -E já que não respondeu a minha, não espere que eu vá responder a sua.
—Af.. que saco! -Bufou, mas pensou duas vezes antes de desligar. Se era um trote de um palhaço, com isso de forma digna. Vencendo o otário com seus conhecimentos que lhe garantiram um diploma, e claro.. toda sua experiência escolar como brincalhão. -Ahm.. "POLTERGEIST"..
—Casa assombrada? Palhaço embaixo da cama?.. Você não parece o tipo que teme o sobrenatural.
—É porque você não sabe o que é assustador. -Dizia de modo pré-potente.
—Será mesmo?...
—Poltergeist, é um clássico! E qual o seu, espertão?
—Dá um palpite...
—Ahm... -Matt soltou uma leve risada, tentando escondê-la do imbecil que falava no telefone, pensando no quão ridícula era aquela ligação.
—Vou lhe dar uma pista.. é um Slasher dos anos 90.
—Hum... "Candyman"?
—Oh, por favor.. "Candyman" quase não é um Slasher. Devia prestar mais atenção em alguns de seus alunos, talvez algum deles lhe ensine alguma coisa.
—Ok, parceiro. Eu não tenho tempo pra essa palhaçada, você pode ir direto ao ponto ou vou desligar.
—É "A Apunhalada"...
—Eu juro que nunca mais vou obrigar você a fazer coisa alguma, ok, Kenny? Eu sei que é você. Vou desligar agora.
—Eu não faria isso se fosse você. A última pessoa que desligou na minha cara, foi parar num menu que daria água na boca de Hannibal Lecter.

Matt hesitou em responder, pensando bem no que acabara de ouvir. Parecia sinistro demais para ser um trote. Para falar a verdade, estava preocupando-o.

—Além do mais... -Continuou a voz. -Eu quero que isso seja mais divertido...
—Epa.. Parou. Quem é você, caralho?
—Você nunca quis voltar ao lugar que lhe causou tantos pesadelos. Ou queria? Você queria o estrelato, ser reconhecido pelo seu trabalho esforçado... quem sabe até, ficar famoso com a desgraça que te aconteceu. Bem, meus parabéns! Acaba de ganhar mais um papel crucial. Bem vindo a segunda parte do Massacre...

Retirou o celular da orelha no mesmo instante, desligando desconfiado olhando em volta para aquela enorme sala vazia. Tomou uma decisão e assim o fez. Suas pernas apressadas o levavam em frente, desta vez no sentido contrário, atravessando aquele espaço que usava para lecionar subindo os degraus em ritmo aflito.
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Chegou a porta antes que percebesse. Chegou a porta antes que percebesse, dando uma boa olhada naquele corredor vazio. Nem uma alma havia ali. O prédio recém evacuado exalava silêncio. Virou-se colocando as chaves na fechadura, trancando a sala depressa. Não estava acostumado a sentir esse tipo de emoção negativa.. não desde.. o massacre de Pendleton de 1998.


Em outro ponto, Edward deu uma leve sacudida na grande porta de vidro temperado localizada na entrada do prédio. Puxou, e empurrou, não sabia mais qual direção as portas serviam para abrir.. a questão é, não se abriam. As chacoalhou com intensidade exclamando:

—Hey!! Eu tô aqui, cacete!

Berrava aos seguranças e policiais do lado de fora um tanto distantes, que pareciam concentrados demais em sua tarefa para ouvi-lo. "Como puderam me trancar aqui?"

—Heeeey!!! -Deu três pancadas no vidro. Do lado de fora, não podia se ouvir nada. E a distração em todo aquele trabalho de mover o corpo e manter a ordem dos universitários que eram encaminhados para longe dali, não deram a Edward nenhum tipo de destaque. Gritos abafados, e sinais não vistos...

A ambulância se afastava seguindo seu caminho ao levar o corpo terrivelmente mutilado de Minnie.. as forças protetoras logo se retirariam por completo do local.. Não que isso fosse interferir na tensão que começou a se instalar em todos os membros do corpo do garoto. Edward Graim tascou a palma da mão sobre o vidro. Espanto.. e respiração ofegante vieram de brinde. Estava oficialmente Preso.

Matt ainda caminhava pelo corredor só desejando que chegasse logo à saída principal. Passando direto por todos aqueles armários, extintores de incêndio e por fim uma máquina de refrigerante, O querido professor desacelerou os passos aos chegar próximo a uma curva, hesitante, temendo a própria sombra como nos velhos tempos.. desconfiado do que poderia estar lhe esperando ao virar ali naquele trecho que mudaria seu curso. Não saber o que há além das paredes lhe abateu como um flashback do desespero e dos gritos de seus colegas mortos.

Engoliu seco ao respirar fundo, tentando se convencer que tudo não passou de um trote, e que temer o passado era bobagem. Mas foi o som de passos pesados ecoando ao fundo que lhe estremeceram a alma mais uma vez. Virou-se rapidamente encarando o corredor quieto e aparentemente deserto... analisando as travessas daquele labirinto de paredes brancas e salas abertas ao longo daquela linha reta..

—Olá?... Tem alguém aí?....

Notas finais
Espero que tenham gostado! Estou preparando o terreno para novas surpresas heheh. Já devem ter com certeza percebido o cross-over de universos entre "Pânico" e "Lenda Urbana". Mas a coisa não para por aí.. Bem, muito obrigado por acompanhar! Quem é o assassino? E quem será a próxima vítima? Pro favor, comente o que achou! Até a próxima galera!