Notas iniciais
Desculpem pelo atraso! Bem, já que estamos de volta e não pretendemos sumir tão cedo (rsrs) vamos a nossa loucura! Ainda existe esperança para Pendleton? Ou o fantasma vencerá o jogo?

—Oi.. tem alguém aí?.. -Perguntou ao nada sendo alvejado pelo silêncio daquele corredor branco e frio.

O Caminho reto, amplo e vazio parecia lhe observar de volta, com suas portas podendo estar escondendo mais que suas respectivas salas de aula. A imensidão branca que o engolia trajeto a dentro, fazendo-o desconfiar de todos os poucos cantos, mesmo que até as desnecessárias luzes acesas deixassem a vista qualquer coisa.

O Terno não segurava a pose de respeito de um professor, ao menos não agora. Matthew era um rato num labirinto que por acaso usava sapatos caros, um pedaço de carne pensante, apenas.

Foi com os ecos de leves batidas vindas de direções desconhecidas contra o piso que ele tornou a se mexer, recuando diante do que pareciam ser passos. Andando para trás, hesitante em dar as costas de onde poderia lhe surgir uma surpresa desagradável, ou virar-se para frente para dar de cara com Deus sabe o que... nenhuma das opções eram tentadoras. Ao se virar para seguir em frente onde não tinha outra alternativa a não ser virar a esquerda, obrigado a seguir o caminho que a construção do prédio lhe impunha, sentiu algo que vinha de sua infância. O arrepio nas costas com um vento frio imaginário de uma criança que corria para o quarto após apagar a luz da sala, torcendo para que o inimigo fantasioso não o alcançasse. Mas, como um homem adulto, decidido que riria de si mesmo se estivesse se vendo, não apressou o passo, caminhando "Calmamente" em frente mas ainda sim esticando o pescoço para poder ver o que o corredor que dobrava a esquerda lhe reservava. Temia ser um covarde mais que qualquer coisa.

Mas mesmo com esta pequena cautela curiosa de se por a antecipar o que poderia estar por vir, o susto de fato lhe acertou de surpresa quando vindo do nada, aquela máscara distorcida de Dia das bruxas surgiu em sua frente dobrando o corredor de modo veloz em sua direção, feito um maldito Jump Scare de filme de um filme de terror, do qual ele provavelmente gritaria "Não vá até lá!" para o "Burro" personagem na tela. Mas Matthew não era a audiência, e sim, a vítima. Aquele homem adulto gritou num impulso irracional de pavor ao ter a visão da figura negra saltando em sua frente, jogando seu próprio corpo para trás desviando por pura sorte do golpe de faca que a mão veloz e agitada encoberta pelo manto negro desejava lhe acertar de surpresa. A lâmina raspou no paletó, tendo Matt caindo pesadamente dando com as costas no chão, ainda feito um verdadeiro frangote agitando as mãos frente ao rosto como se implorasse para não ser acertado.

—Não! Não! -Exclamou arrastando-se para trás no piso, contemplando o mascarado que erguia seu braço exibindo a enorme faca de caça preparando-se para mais um ataque mortal, do qual pendia a cabeça para o lado quase fazendo parecer que a máscara se deitava em seu próprio ombro, fingindo pena do professor.

As mãos suadas se escorregavam ao tentar pegar impulso no piso gelado, onde Matthew recuava de modo ridículo e desesperado com os olhos do tamanho de bolas de gude.

—Espera.. espera!! -Implorou por um segundo antes das botas pretas e pesadas que apareciam por baixo da fantasia negra se agitarem vindo em sua direção. A figura de fantasma partiu para cima de seu alvo com muita ferocidade e nenhuma hesitação, mirando sua faca na altura do rosto de Matt ao curvar-se para frente, a fim de descer junto com seu golpe brutal.

Quando de repente, num urro de desespero de ranger os dentes, os ossos trêmulos dentro do terninho chique pareceram enfim reagir num movimento rápido! Onde ainda estirado no chão, Matt impulsionou o tronco para trás e as pernas para frente, rodopiando em seu próprio eixo no piso acertando com suas canelas, os duros calcanhares encobertos pela bota preta do psicopata mascarado, entregando-lhe uma rasteira forte e dolorosa principalmente para Matthew, que contorceu o rosto de dor ao dar o impacto merecido na figura que, ao ser acertada de surpresa com o golpe baixo vindo de trás, fora jogada involuntariamente para o alto como se um tapete tivesse sido lhe puxado, quase dando uma cambalhota de costas no ar, e assim caindo com tudo no chão onde foi explícito o tamanho baque que levou.

Ver aquela enorme figura encapuzada vir ao chão fora seu gatilho de esperança. Ainda ouvia a respiração ofegante embaixo da máscara enquanto levantava-se em tamanho pânico com a gravata desajeitada quase lhe contornando o pescoço.

—Ai! Ai! -Berrou sem mais nem menos, abrindo os braços demonstrando sua desorientação na corrida que se iniciaria e comandando suas pernas para correr em passos longos, ondem enfim virou a esquerda enquanto deu uma rápida olhadinha para trás tendo o vislumbre da figura rolando para o lado ficando de bruços, onde tomaria impulso para se levantar. Correu feito uma garotinha de boca aberta onde nenhum grito mais saía, podendo ouvir de relance o som metálico da lâmina da faca raspando no piso liso e a movimentação da capa preta usada pelo assassino.

Não pararia de correr por aquele corredor até alcançar a saída!

—Socorro!!!

Seu coração palpitava, numa passagem que lhe deixava sem ar numa linha reta de terror, onde se ousasse olhar por cima dos ombros, seria presenteado com o terror daquele que vinha massacrando os jovens de Pedleton College. Encontraria-se com a mesma faca que esparramou o horror e o sangue de seus próprios alunos.
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—Ahhh, que merda! -Reclamava Edward fazendo força ao sacudir a porta de vidro pela trava de ferro que normalmente lhe daria a saída. -Aff!! -Bateu contra o vidro dando-lhe uma palmada, fazendo-o estremecer.

Louco de raiva, deu as costas para a vista da liberdade, bufando ao encarar as duas passagens que estavam diante de si. Uma para a esquerda, outra para a direita, em sua frente, uma parede que seguia ambas as direções. Olhando daquela forma, era 50% de chance em cada direção de encontrar uma nova saída... Aquele formato de letra "T" diante de si que a planta do edifício lhe proporcionava, nunca fora tão enervante.

—Vamos em frente que atrás vem gente.. -Falou sozinho e decepcionado, suspirando.

Seus ombros desceram após soltar o ar com raiva, passando a ir em frente até que fosse decidir de última hora qual direção seguir. Distraído e com a mente leve que sempre teve, avistou um bebedouro colado a parede diante de si pouco mais a frente. Caminhou com calma coçando a cabeça e de olhar ingênuo de modo que nem percebera quando já havia adentrado no território das duas passagens, tendo os dois corredores um de cada lado apresentados a ele. Mas a água era seu destino.. Ao menos era isso que pensava em seus passos despreocupados até ser acertado repentinamente, sofrendo um forte impacto por algo que o derrubou com força pegando-o de surpresa.

—Heey!! -Gritou ao atingir o chão, caindo em cima do braço esquerdo. -Ahh!! Saco!.. Você é cego, caralho?! -A dor incômoda da pancada no ombro esquerdo se instalou, fazendo careta, Ed se levantava reclamando: -Porra.. que aconteceu?

Gemidos e uma respiração ofegante vinham daquele que estava estirado no chão, suado e aparentemente exausto, era o Professor Matt.

—Oh, que merda! Você tá legal? -Disse em pé perante a pobre alma caída, que, recuperando o fôlego, mal conseguia falar.

Edward curvou-se estendendo a mão:

—Professor?.. Vamos?..

O homem reagiu levantando o braço em pose de desistência. O Garoto segurou firme puxando-o para cima.

—Arrhg! -Matt urrou ao fazer esforço para se levantar. -O que você tá fazendo aqui, Edward?
—Tentando sair. Algum palhaço trancou a porta.. eu não consigo abrir.
—Você está brincando comigo!!! -Exclamou Matt, ligeiramente mudando a fisionomia de cansada para desesperada, virando-se diante a porta de vidro e correndo até a mesma ao tropeços.

Edward observou com estranheza, sem sair do lugar, o modo como Matthew bateu de frente com o vidro dando um berro que implorava por uma saída:

—Ahh! Cacete!!! -Deu algumas pancadas. -Abre, desgraçada! Maldita! -Colou o rosto no vidro tentando acenar para os distantes paramédicos e Legistas a alguns metros que se preparavam para deixar a área. -Heeeey!! Aqui!!!! -Bateu mais forte. -Aqui, desgraçados!! Estamos aqui!!

Edward não compreendia o motivo da atitude aparentemente exagerada do professor, fitando-o como se fosse um completo louco, dando um passo atrás.

—Calma, cara..
—Edward... -Balbuciou com voz trêmula virando-se diante a ele pousando as costas no vidro.
—Que foi?
—Temos que sair daqui! -Aproximou-se do garoto em passos largos e cansados, feito um zumbi colocando as mãos em seus ombros: -Pra que lado é a merda da saída de emergência?
—Você não tá legal, o que tá acontecendo?
—O Assassino está aqui.
—O QUÊ?!
—E ele Quase acabou comigo!
—Você tá chapado?!
—Nós temos que sair! -Segurando Ed com força, o olhar de Matt se voltou instintivamente para a direção de onde tinha vindo, Edward acompanhou seu movimento encarando o corredor a fundo, de onde vindo de uma travessa, o manto preto surgiu caminhando em linha reta da esquerda para a direita.

"Dejá Vu". Edward congelou enquanto a figura parou bruscamente sua caminhada, ficando no meio da passagem. Fora visitado pelos velhos arrepios de Ashville assim que o capuz se moveu. De forma lenta... o rosto do fantasma se virou a eles. A máscara estava de volta, e a faca também.

Seus lábios tremeram por um instante. E no que retirou rapidamente as mãos de Matt sobre seus ombros, afastando-se de costas pronto para correr:

—Eu não quero estar nessa continuação!!! -Gritou dando as costas para o terror, começando a correr feito louco chegando a deixar por um instante, Matt para trás que, ainda aflito de choque, nem percebeu que o garoto correra.

Edward se lançou para frente veloz, quando Matt ao ouvir os passos desnorteados se afastando de si, olhou de relance percebendo que o garoto fugira ainda sem tomar uma reação imediata.

—Ai, caralho!! -Ele mesmo exclamou, remexendo-se sem saber que direção seguir ou o que fazer quando a figura de fantasma abriu os braços exibindo as tiras de tecido pretas penduradas sob as mangas da fantasia que balançavam com seus movimentos e o vento, o disfarce era uma perfeita representação de um espectro. Armado com sua faca de caça que se levantou com o movimento de seu pulso, o assassino se pôs a correr também, vindo direto para ele.

—Merda!!!!

Matthew finalmente se mexeu, seguindo na mesma direção de Edward numa reta infinita que o garoto seguia já um pouco distante. Edward era mais rápido, sem dúvidas e Matt que cada vez mais via que estava ficando para trás, dobrava o esforço ainda que o Mascarado estivesse a uma boa distância. O problema com o fantasma, é que ele não diminuía o ritmo ou demonstrava cansaço em momento algum. Aquela capa preta se sacudia toda em sua perseguição sedenta onde feito um trem desgovernado, não dava indícios de que desistiria.

—Alguém!! ... -Matt poupava fôlego com dificuldade ao gritar. -Alguém nos ajude!! — Estava sempre se virando para trás, a fim de ver o maníaco estava perto de o alcançar.

Ed por outro lado, continuava sem tal curiosidade com os cabelos fortemente batendo sobre os ombros e braços ágeis que ajudavam-no a ter um impulso vantajoso na corrida ao terror.

Extintores de incêndio que ficavam para trás, bebedouros e armários.. Matt os via feito vultos passando ao seu lado pensando nas oportunidades perdidas de usar algo como arma para se defender, porém, diminuir a corrida poderia ser o seu fim. Não se sabe até que ponto a figura era habilidosa com a faca.. mas não queria ficar para descobrir. Um embate, mesmo sendo irresistível, causava medo no professor.

Em sua última espiada por de trás dos ombros, viu como o assassino ainda estava agitado e em como sua pequena perda de fôlego lhe aproximaram mais um pouco do psicopata. Não fora muito, mas estava mais perto.

—So... corro!!... -Um grito seco se esvaiu, no momento em que Matthew ergueu a cabeça podendo ver de relance mais a frente, uma câmera de segurança acoplada no teto. Levantou os braços ao passar pela mesma esperando ser visto na imagem:

—Reese!!!

Recobrou sua atenção para frente ao som dos passos velozes das botas pretas. O som mais assustador que ouvira até agora, quando de repente, percebeu que Edward desaparecera sobrando à direita... no caso, a única direção a seguir desde que a reta que antes parecia interminável, tornara-se um beco sem saída com apenas uma direção a oferecer no final.

Quase escorregou ao fazer a curva, onde seus sapatos perderam o controle por um instante feito um carro numa curva fechada. Matthew ainda chegou a curvar-se involuntariamente para o lado tocando o chão com a palma da mão, o que lhe deu certo equilíbrio para evitar uma queda e um impulso a mais para se reerguer ao continuar a correr.. mas desta vez.. o garoto não estava lá. "Pra onde você foi, Edward?" se perguntou em pânico em se deparar com mais um grande corredor que desta vez, apresentava várias travessas por onde o menino poderia ter seguido.

Desacelerou um pouco o passo, mesmo trêmulo virando a cabeça de um lado para o outro espiando as passagens de outros corredores que ali existiam, buscando encontrar Edward fugindo por algum deles...

—Onde está você?... Onde está você?... -Perguntava sozinho tremendo de medo. Até que, avistou o garoto paralisado com as costas coladas nuam parede na beira de um corredor, estando de costas para a direção de onde vinham, como se esperasse que alguém passasse por ali.

—Ed!
—Shhh!! Filho da puta, fica quieto!! -Sinalizou ele colocando o indicador na boca de olhos arregalados. Seu tórax subia e descia rapidamente com a força que fazia para deixar o ar entrar e sair. Edward respirava pela boca ofegante, acenando com a mão para que Matt se juntasse a ele, e assim rapidamente o Professor o fez levando as mãos para frente como se alcançasse um santuário:

—Graças À Deus...

Aquilo nem de longe era um esconderijo. Ajeitando a gravata que parecia enforcá-lo, Matt imitou a pose do estudante. Ficando ao seu lado com a nuca encostada na parede ouvindo como os passos velozes se aproximavam.. o assassino estava prestes a entrar na corredor.

—O que vamos fazer? -Cochichou Matt.
—Sobreviver.

Os movimentos do agressor ficaram mais nítidos aos seus ouvidos. Ele estava mais perto... mais perto.. mais perto.. os dois paralisaram. Matt deduziu que eles esperariam para que o assassino simplesmente passasse correndo direto e assim seguiriam em outra direção, procurando outra saída.. Mas o modo como Edward agarrou seu pulso por um segundo, e em seguida se encostou com o ombro esquerdo na parede fitando o corredor cerrando os punhos.. Ficou claro que a intenção do Menino era atacar.

Antes que o professor pudesse ser contra decisão ou impedi-lo... Os passos ficaram nitidamente próximos ao ponto que Edward abriu a boca soltando um urro de desespero, partindo para cima!

Surgido do nada, assim como o assassino costumava fazer, Edward Graim saltou para o corredor surpreendendo a figura mascarada com um soco de direita certeiro!

Na mosca! O Psicopata fora acertado pelo golpe, cuja máscara de Látex chegou até a fundar por um segundo em que ele recuou rapidamente, já recobrando o ataque enquanto Edward fazia o mesmo para acertá-lo de novo.

Infelizmente, a mão negra e cotando foi mais rápida... devolvendo no estudante apavorado um soco tão forte quanto o dele, acertando-o na bochecha de modo doloroso onde Graim caiu num rodopio com o braço direito ainda esticado, onde por pouco não acertara o assassino de novo. O Garoto foi ao chão caindo de bruços.. Matt saia que esta seria a sua vez...

Seu próprio medo resultaria numa ação impensada de um covarde. Dando um passo atrás ao ver o acontecido bem em sua frente, o Moço de gravata sentiu sem ombro encostar em alguma coisa, virando-se num pulo se susto onde seus olhos encontraram uma velha pintura que enfeitava o corredor. Um quadro de Dean Adams, o Heitor assassinado na onda de massacre dos anos 90.

—Sai de mim!! Sai! -Ed recuou se sacudindo ainda no chão, levando um chute na altura das costelas. Seu corpo saltou para cima com o impacto num berro de dor que o fez rolar ficando de barriga para cima.

"Ghostface" não demonstrava piedade.. empunhando sua faca e chutando o garoto mais uma vez, que bateu com as costas na parede sendo lançado alguns centímetros para o lado ao receber mais um golpe terrível contorcendo o rosto.

Não expressava exatamente medo.. mas sim Ira. Não aceitava de modo algum morrer de frente com aquela máscara. Mostrava os dentes feito um cão resistindo a dor e obrigando-se a contra-atacar, quando a figura se abaixou com tudo de surpresa esticando o braço direito na direção do esquerdo como se fosse se cobrir com sua capa.. mas não era o caso. Não deu tempo nem de piscar, e o fantasma abrira os braços de repente onde ouviu-se um ruido agudo e afiado.. e Ghostface já erguera a faca novamente quando Edward percebeu uma forte ardência no muque direito que fora acertado pela faca. Tão rápido.. que quase não viu quando a lâmina o rasgou na ação teatral do maníaco que se punha em pé diante de si em total poder. Edward cobriu o ferimento com a mão, recuando um pouco mais puxando as pernas para si:

—Por favor!! -Fingiu implorar pela vida tentando tirar uma ideia de como revidaria enquanto seu sangue escorria entre seus dedos saído daquele corte rápido em linha reta que lhe rasgou a manga da camiseta.

Olhou para cima fitando o Fantasma.. e o que surgira de trás dele. Matthew á postos segurando um quadro, pegando um veloz impulso para trás e levando o objeto para frente com ferocidade, acertando "Ghostface" na parte de trás da cabeça, fazendo se chacoalhar enquanto estilhaços de um frágil acrílico que cobriam a pintura eram arremessados para todo lado, onde Edward fechou os olhos abaixando a cabeça para que nada entrasse em seus olhos. Nem pode abri-los novamente para ver o que se passava a seguir. Matt Certamente surpreendera o assassino.. mas até que ponto. Puxou o quadro de volta ara acertá-lo novamente no momento em que o Mascarado girou com o braço esticado, passando a faca no ar no sentido horizontal marcando um corte no abdômen do professor rasgando-lhe o terno que se abriu com um botão voando ao sentir o golpe. Ao menos não houve sangue, a lâmina cortou suas vestes mas não foi o bastante para acertar sua carne ainda mais por Matthew ter recuado com o torso encolhendo a barriga naquele momento em que via que seria acertando.

Mas o psicopata não poupou tempo. Seu pulso atiçado já se levantara novamente indo para trás e depois para frente para acertar o professor com uma facada certeira no rosto, quando o mesmo ergueu a moldura num grito de pavor segurando por acidente o golpe do assassino, vendo a ponta da faca ficar frente a frente com um de seus olhos, atravessada na moldura.

Se assustou recuando na hora, largando o quadro que parecia flutuar, sendo erguido apenas pela faca de caça, quando por fim, o Mascarado a puxou para si. A lâmina desapareceu da fenda que fez na tela e o quadro foi ao chão não tendo mais o que lhe sustentar.

—Edward, Corre!!! -Exclamou Matt olhando para trás do agressor.

O Garoto se levantou sem retirar a mão da ferida, transpirando de terror. Ao que o menino se mexeu, a atenção de "Ghostface" se voltou a ele, virando-se imediatamente para golpeá-lo com violência.

Edward deu um grito de susto assim que ficou de pé ao ver que seria alvejado novamente, colocando as mãos para frente por puro instinto sofrendo mais um corte naquele momento pela lâmina que passou como um vulto, desta vez deixando um risco vermelho vertical que atingiu quase por inteiro a palma da mão, que recuou ao sentir a dor repentina onde Ed acabou dando pequenos tropeços para trás, onde se virou para a correr.

O Golpe mal havia terminado e Matt se lançou para frente, agarrando a figura negra pelos ombros, afundando seus dedos na capa preta, e com um urro, fez tremendo esforço e atirou "Ghostface" para o lado, contra um dos armários de metal do corredor. O Som do metal sendo atingido ecoou forte enquanto o professor deu no pé seguindo Edward, que corria deixando para trás pingos de sangue no piso branco.

De passos apressados, chegou a alcançá-lo na corrida. Edward mantinha o ritmo apertando a mão machucada contra o peito, manchando a camisa de sangue:

—Você ficou louco?! -Exclamou o garoto com dor.

Matthew não respondeu. Lhe devolveu um olhar de "Eu não tive escolha" e logo voltou a prestar atenção no caminho.

No fim daquele corredor havia uma porta verde. Era de ferro, pesada.. com uma trava de metal horizontal. Era a saída de incêndio com a placa escrito "EXIT" bem nítida acima.

Edward não queria saber se o assassino estava longe ou perto, acelerou engolindo seco soltando gemidos dolorosos. Seu esforço físico fazia parecer que os chutes estavam acontecendo de novo, sentia o forte incômodo de futuros hematomas que a bota do mascarado lhe deixaria de lembrança caso sobrevivesse a este corredor.

O Verde ficou mais próximo quando os braços do garoto se esticaram para empurrar a trava ao dar de frente com a porta numa pancada que freou sua corrida:

—Ah!... -Respirou fundo em ações trêmulas agarrando a barra de ferro abrindo mão do falso conforto criado pela camiseta que antes tinha sua mão machucada pressionada contra o peito. Agora, sujava a trava de sangue para movimentá-la. Como uma alavanca do inferno, fez um esforço repentino para cima e para baixo, movendo a mesma ouvindo o forte eco de sua destrancada.

—Vai! Vai! Vai! -Berrou Matt dando pulos de nervoso resolvendo não tomar ação para não atrapalhar o garoto.

Ed Virou-se de lado jogando-se com o ombro para abri-la. Era pesada, mas com um grito forte a fez se escancarar!

A claridade do dia nublado surgiu como uma outra dimensão com o garoto se atirando para fora e Matthew posicionando a mão contra a porta a fim de segurá-la, impedindo que a mesma voltasse a se fechar para que pudesse passar.

—Anda logo! -Virou Ed, observando o esforço do professor que mole após a descarga de adrenalina, parecia perder a luta com a pesada porta.
—Arrhg!!! Estou tentando!
—Ai saco! -Exclamou ao perceber que ele não tinha mais forças físicas ou psicológicas para fazer força, ficando ainda no vão passando a perna para fora como se precisasse rastejar por uma fenda.
—Me ajuda!

Graim foi rápido, pegando-o com força pelo pulso a fim de puxá-lo, e com firmeza assim o fez.

—Vem!

Mesmo com o puxão, o resultado não fora o desejado. Assim que Ed tentou trazê-lo para si, Matthew pareceu emperrar tendo a porta pressionada contra seu peito, ficando com metade do corpo para dentro e metade para fora, dividido ao meio da encruzilhada de terror com só metade do rosto ficando ficando visível, prensado no batente. Mas seus gritos desesperados eram nítidos. Pelo pequeno vão, Ed conseguia ver a figura mascarada atrás do homem, que tentava a todo custo puxá-lo para dentro em fisgadas violentas onde o professor ia e vinha, ameaçando desaparecer para dentro do corredor num cabo de guerra infernal.

—Nããão!!
—Me solta!! Desgraçado, me solta!! -Implorava tentando passar a cabeça para fora, soltando-se de Edward com seu único braço que estava passado para fora, do qual usou para agarrar a porta na tentativa de dificultar as puxadas do assassino. -Ahh!! Ahhh, Me solta!!!
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A Sirene da ambulância soava por todo o pátio principal. O Veículo deu a partida sob seu próprio escândalo enquanto a equipe de segurança espalhada pelo perímetro retirava as faixas que cercavam a área, passadas em volta de algumas árvores formando um grande círculo, liberando o local para a passagem dos estudantes que, através da janelas de seus dormitórios assistiam a tudo. Centenas de cabecinhas apareciam por de trás das janelas cheios de murmúrios.

E Com um susto, o motorista freou bruscamente, derrapando no gramado diante da louca que surgira em sua frente de braços abertos levantando o pulso para o ar exibindo um revólver. Um grande estouro surgiu com sua ação, deu um tiro para o auto fazendo todo o local parar, era Reese:

—Pare essa merda!!!
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Vendo que perderia a batalha contra o fantasma naquele caos de gritos e luta, Edward tomou uma decisão repentina e impensada. Num impulso, agarrou Matthew pela gravata forçando um puxão. Longo e doloroso... foi como o tecido da gravata se esticou trazendo a garganta do professor para frente, que esbugalhou os olhos sentindo o aperto na nuca tentando de tudo para ir em frente. Sua voz rouca emergiu:

—Edward..... A... abre... a porta!..

Edward não entendeu direito o que saiu da boca aflitiva do sujeito, puxando com mais força quando percebeu que havia agarrado a gravata com sua mão esquerda ensanguentada pelo golpe de faca. Ao fazer uma força de ranger os dentes, teve vontade desistir ao ter a palma de sua mão deslizando grosseiramente no tecido da gravata, tingindo-a de vermelho conforme seus dedos escorregavam pelo tecido áspero causando uma dor perturbadora na abertura de seu corte. A queimação foi demais para ele aguentar, usando a outra mão em bom estado para segurar com força a porta em sua primeira intenção de puxá-la. Quando de repente, a expressão no rosto de Matthew se tornou escruciante, algo digno da mais perversa tortura. Seus dentes surgiram arreganhados em terrível agonia seguido por um grito rouco e forte quando sua cabeça começou a pender de um lado para o outro, sendo movida por alguma coisa. Era a lâmina da faca, passando de lá para cá, serrando a pele de sua nuca abrindo um corte profundo com aquela mão agitada do Mascarado que o rasgava feito um pedaço de Filé.


—Arrrrggghhhh!!!


A pele se abriu derramando um punhado de sangue que escorria por suas costas, descendo por dentro do terno e pingando para fora da barra da calça inundando as meias e os sapatos. Ed percebeu como ele se sacudia em aflição, e em como o vulto negro se remexia lá trás com os movimentos dos cortes.. serrando e serrando.. o vermelho já surgia escorrendo pelo pescoço dando pequenos espirros. Gotas escuras e espessas já estava por todo o ombro de Matt.

—Eu não vou perder você assim, maldição! -Graim forçou seu braço livre, puxando a porta para si, abrindo-a um pouco mais em fim, mantendo a aberta com seu tênis que serviu como um peso de porta, impedindo-a de se fechar. Mas a essa altura, Matthew já engasgava em tormento debruçando-se por cima do garoto, que o conteve ainda de pé colocando seus braços em volta dele, preparando-se para recuar. Foi quando um impacto pareceu atingir Matt pelas costas. Sua boca se abriu como se levasse um susto cessando seus gritos. Seu corpo estremeceu colado em Edward, com os joelhos já se dobrando perdendo totalmente as forças, pronto para desabar.

—Assim eu vou cair, cacete! -Reclamou o menino recuando. Assim, sem algo para contê-la, a porta voltou com todo seu peso enquanto Edward, caindo para trás não aguentando o peso do rapaz, viu de relance a forma do assassino desaparecendo ao ser encoberto pela grande porta, que guardou a Morte dentro do prédio.

Atingiu o gramado sentindo todo o peso de Matthew sobre seu tórax, ele agonizava numa visão saída de um pesadelo.

—Urrgh! -Jogou-o para o lado, fazendo-o rolar de cima de si, tendo ele caído de barriga para cima na grama com tosses secas e aparente dificuldade de respirar. Edward notou o sangue que percorria o mato raso e verde saindo de trás da cabeça do moço, prestes a formar uma poça:

—Que aconteceu?! Que aconteceu?! -Debruçou-se sobre ele em desespero.

Ele não conseguia responder. Seus dedos duros e tortos não conseguiam apontar a direção de sua ferida, mas Edward logo se tocou. Segurou seu ombro, virando-o de lado vendo a imensa abertura em sua nuca. Uma carnificina desgraçada e nojenta com pedaços de carne desmanteladas espalhadas pela ruptura do profundo ferimento.

—Oh, meu Deus!! -Tremeu por todos os ossos.

Mas o horror não acabou ali. O modo como a mais nova vítima de Pedleton lutava para respirar, levou o olhar do garoto a descer pelas costas do pobre homem, podendo perceber o rasgo reto e pequeno no terno, uma marca de facada. Fora o que aconteceu quando o mesmo pareceu sentir um impacto. A Faca havia atingido bem no meio das costas, um ou dois palmos abaixo da nuca. O modo como os joelhos de Matt se dobraram perdendo as forças deixaram a Ed uma resposta clara. A Coluna havia sido gravemente atingida.


—Socorro!! Socorro, por favor alguém ajude!! -Berrou para as árvores e aos céus.
—Estou aqui!! -Respondeu uma voz feminina.

Ed se virou. Reese estava correndo em sua direção portando um revólver, havia circulado o prédio. A Gordinha chacoalhava de cima a baixo, mas não desistia de seu suposto resgate. Logo, a ambulância apareceu de trás de Reese. Surgindo de trás da parede de concreto virando de frente aos dois Feridos, freando numa derrapada intensa.

—Reese! Graças a Deus você está aqui!!
—Eu disse que via as câmeras! Mas ninguém acredita!
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O Soro fora aplicado. Matthew já estava imobilizado na maca dentro da ambulância ao lado do corpo de Minnie coberto por um manto prata. As portas traseiras ainda estavam abertas.

O sobrevivente de Ashville permaneceu parado ao lado do veículo o tempo todo. Agora, com a mão enfaixada observava de modo melancólico a situação do Professor que mal conseguia se mexer.

—Ele vai ficar bem? -Ed Perguntou a paramédica que fechada sua caixa de primeiros socorros, após terminar de cuidar de seus leves ferimentos.

A moça lhe fitou com um olhar triste e sincero, desviando rapidamente o olhar em negação, não querendo dizer o que estava para sair de sua boca:

—Ele está bem confortável no momento. Foi o que pudemos fazer... está estável.

Ed balançou a cabeça em sinal negativo, percebendo uma certa mentira em sua voz. Com os olhos ameaçando lacrimejar:

—Eu perguntei se ele vai ficar bem! -Levantou a voz.
—Ele perdeu os movimentos inferiores. -Ela mordeu os lábios hesitando por um instante, vendo como o garoto cobriu a boca em espanto. -Mas ele está muito agradecido... com o que você fez por ele. Saiba disso... Hoje você foi um herói, garoto.. não importa o que aconteça..
—Que "Aconteça" o quê?!...

A mocinha suspirou dando as costas a ele, observando seu colega de jaleco levantar-se após se assegurar sobre a situação do Homem. O paramédico desceu da traseira desanimado, olhando diretamente para Edward e disse:

—Seja rápido. Ele quer falar com você...
—Seja rápido..?.. -Questionou a si mesmo aproximando-se, deixando os enfermeiros para trás.

—Vamos, vamos! Temos que movê-lo o mais rápido o possível, o ferimento é mais grave do que pensávamos! -Disse um sujeito em tom de ordem aos dois paramédicos do lado de fora, que rapidamente se mexeram, pondo-se a contornar a ambulância.

—Edward... -A Voz rouca e serena de Matt surgiu ao perceber a presença de alguém ao seu lado. Porém ele não abriu os olhos.
—Sou eu..

—Garoto! Saia daí! Nós temos que levá-lo!
—Vão a merda! -Respondeu grosseiro.
—Edward..
—Fale!
—Isso já aconteceu uma vez..
—O quê? O que aconteceu?
—As mortes..
—Você sabe sobre mim?!
—Estou falando.. de Pendleton...
—Como assim?
—Em 1998... -A Voz ficava mais fraca a medida que o fôlego se tornava menor.
—Não faça esforço!
—A Reese.. Reese me salvou.. naquela noite...
—Foi um "Ghostface"?
—Não... não.. ninguém sabe quem ou o que foi...
—Professor, o que você está me dizendo?!
—É o aniversário.. Minnie deve ter descoberto...
—Garoto! Sai daí! -A mão coberta por uma luva branca de látex segurou Edward pelo ombro, puxando-o para fora.
—Não! Não! Não! Esperem!

—Stanley Hall..

—O que é isso?!
—Obrigado.. . -Balbuciou Matt dando um longo suspiro.
—Não podemos esperar! A Situação dele é crítica!
—Não! Não! -Gritava ao ser puxado para fora, tentando lançar ao longe os braços que o seguravam com força, debatendo-se com as pernas tentando correr em vão. -Me larguem! Me larguem!
—Desculpe, mas o senhor não pode ir junto!! -Repreendia o paramédico.
—Eu não ligo, bosta!!!

(Beeeeeeeeeeeeeeeeeep....) O Som agudo interminável acompanhado da linha verde no monitor se fez.

Os enfermeiros soltaram o garoto que parou de resistir, observando a cena de boca aberta e com o coração a mil. Não podia ser.. Não podia ser..

—Vai! Vai! Vai! -Gritaram os de branco correndo direto para dentro da ambulância lutando para dividir o minúsculo espaço sobrando na lateral, debruçando-se sobre a maca.

O Tempo pareceu parar. Edward não acreditava que estava prestes a ver a Morte de novo. Sujo de sangue e assustado.. como nos velhos tempos. Mas desta vez ao menos alguém teve uma chance. E esta chance ainda era possível. Ele podia ver a boca da Mocinha se abrindo ao exclamar "Afasta!" segurando o desfibrilador sem sequer ouvir sua voz. O Choque da situação lhe deixou alheio ao mundo ao seu redor de forma que nada mais parecia real. Uma certa tontura lhe acertou com desesperança de que algo bom pudesse surgir dali.

A Descarga elétrica fez saltar o corpo de Matt, que por um segundo pareceu flutuar... Os sons se confundiram.. a visão era sem sentido.. Edward não sentia que estava de fato ali.. não queria estar...
—Afasta!...

Mais um estrondo respondido por espasmos violentos de um corpo desacordado e distante que não voltou a respirar...

—Afasta!...

O 3º Salto, e por sua vez, menos intenso seguido do choque deixou claro que a vida fugira daquele sujeito. A linha verde manifestou-se novamente, de modo imperativo como se insistisse para que desistissem do procedimento.

Uma olhada significativa... foi o que a enfermeira usou para confirmar com seu colega sem precisar dizer uma palavra. Não havia nada mais a ser feito. O homem de branco já checava seu relógio e Edward sabia exatamente a frase que ouviria ecoar junto com a loucura dentro de sua cabeça. E assim ela veio.. grave.. e desistente.. provando que o fantasma vencera de novo.

—Hora da morte, 14:36..

Notas finais
Espero que tenham gostado! Pois é gente.. mais um que vai para a vala.. Mas é preciso. No próximo episódio, vamos observar de perto como estão nossos outros personagens. Alguns deles tem muito mais a esconder no armário do que meras meias velhas.. fiquem atentos! Obrigado pro acompanhar, e por favor, comente o que achou! Bjos! ♥ Amo vocês