School of Hunters
14 The Attack
Notas iniciais
Antes
“Você é a melhor coisa que aconteceu na minha vida!”, comentou enquanto se arrumavam.
“E você também é!”, respondeu no mesmo tom. Angel insinuou falar algo, mas ele a calou dando-a outro longo beijo.
Agora
Antes de seguir para a sala de aula, Angel deu uma passada em seu quarto para trocar de roupa e pegar sua mochila, que estava embaixo da escrivaninha, intacta, desde que deixara ali meses antes. A bolsa estava até com pequenos flocos de poeira. Passou a mão para tirar o grosso, pelo menos, da parte visível. Abriu-a e verificou se tudo que usaria naquele dia estava lá dentro.
Suspirou. De repente, lembranças invadiram a sua mente e ela caiu no choro. Lembrou-se de sua irmã e de como levou um fora dela naquele hospital. Pensou que talvez seus objetivos na Primeira Escola estivessem um pouco deturbados por conta desse evento nada agradável. Pensou até em desistir de encontrá-la. “De que adianta procurar uma pessoa que não quer a sua companhia?”, questionou-se.
A resposta veio logo em seguida em sua cabeça: “Porque talvez essa pessoa esteja precisando de ajuda e se desistir dela, irá privá-la disso. Deixe que essa pessoa tome o gostinho de sua companhia para discernir o que quer e o que não quer.”. A voz não era de Angel, mas sim de Chuck.
Foi neste momento que as lágrimas rolaram por suas bochechas com mais intensidade. Dando outro suspiro e controlando o choro, levantou-se e sentou-se em sua cama. Cerrou os punhos.
“Não importa o que realmente sinta por mim nem o que realmente queira, eu a encontrarei, custe o que custar! Vou até o inferno, se necessário!”, murmurou.
De repente, ela ficou tonta e sua visão, desfocada. Suas mãos tremiam e ouvia um zumbido entorpecedor, que inibia seus sentidos. Seu coração batia acelerado. Sentia que a qualquer momento poderia sofrer um ataque cardíaco. Sem forças para se sustentar, caiu deitada na cama. Não conseguia se mover. Sua respiração se tornou irregular. Sabia que algo ou alguém dizia alguma coisa, no entanto a voz estava abafada, dificultando-a a entender a mensagem.
Passados alguns minutos, tudo aquilo cessou. Ela não percebeu de primeira e ficou parada durante poucos segundos até se dar conta do acontecido. Sentou-se ainda em choque.
“It can’t be!”, exclamou. “It can’t be!”
Sala do Diretor (no mesmo instante)
Castiel estava em sua sala dando instruções para os professores sobre a mudança do horário naquele dia.
“E é isso, enquanto o Diretor Geral reúne os alunos dos dois primeiros anos, vocês...”, parou repentinamente de falar. Sentia-se mal. Sua visão e seu equilíbrio não estavam normais, suas mãos não paravam de tremer e, ainda por cima, um zumbido ensurdecedor não o deixava pensar direito. A caneta que estava segurando caiu em cima do bloco de papel em sua mesa. Para não cair de cara nela, pousou suas mãos sobre o bloco e se apoiou ali até tudo voltar ao normal.
“E-está tudo bem?”, os professores ficaram preocupados.
“S-sim.”, gaguejou. “Voltando ao assunto... vocês darão suas aulas para o terceiro e quarto anos normalmente hoje, até Chuck chamar os alunos para a reunião. Estão liberados.”
Todos saíram, apenas o quarteto fantástico ficou por lá. Ninguém precisou perguntar nada, pois Cass falou logo.
“Tem um uma tempestade violenta a caminho.”, engoliu em seco.
“Que tipo de tempestade?”, um deles perguntou.
“Uma que pode começar outro fim de mundo.”, Kaleb foi direto, respondendo no lugar do tio. Seu tom era de pavor.
“Ah! Não!”, Sam exclamou incrédulo escondendo o rosto atrás das mãos. “Não! Não! Não pode ser!”
“O que foi, Sammy?”, Dean ficou preocupado. Silêncio total, todos os olhos voltados ao gigante. De repente, num pulo, sua expressão mudou, passando de desolado para assustado e ele saiu correndo dali, atropelando alguns professores que estavam no caminho. Esses não entenderam nada do que estava acontecendo.
Dormitório de Angel e Klara
Em pouco tempo, Sam se encontrava no corredor do quarto de Angel. Parou em frente à porta e ouviu:
“It can’t be!”, a menina repetia em desespero. “It can’t be!”
Ele, sem bater, irrompeu no dormitório, os olhos cheios de lágrimas. Fitou sua namorada que também chorava, sentada olhando para os pés.
“Diga-me que não é verdade. Diga-me que não, por favor.”, pediu com a voz abalada.
Ela nada disse, apenas negou com a cabeça. Sam desabou na cama, ao lado de Angie, e pôs as mãos cobrindo o rosto. Num gesto solidário, a híbrida se aproximou dele e deitou sua cabeça em seu ombro. O Winchester, então, tirou as mãos de onde estavam e a abraçou.
“O que faremos?”, perguntou Angel observando-o.
“Não sei. Realmente não sei.”, soltou sua cintura e segurou seu rosto, deixando-o a poucos centímetros do dele. “Mas eu te protegerei a qualquer custo. Não quero te perder por nada neste mundo.”
“Nem eu. “, ela assentiu.
Auditório principal
Todos os alunos do primeiro e segundo anos entravam no auditório e se sentavam em seus respectivos lados, esquerda (2º) e direita (1º), no assento que desejasse. Angel fora a última a se alojar, ficando na última fileira, ao lado de Klara, que tinha guardado seu lugar. Quando viu a ‘amiga’ acenando para chamar sua atenção, suspirou e sua cabeça tombou, o queixo na altura do peito. “Eu mereço...”, pensou.
Mesmo que não quisesse aquilo, assim o fez, para a alegria da ruiva, que esboçava um enorme sorriso no rosto. Aquilo deixava a híbrida irritadiça, sua felicidade inesgotável. “Como alguém pode ser tão sem problema? Como alguém pode sorrir o tempo todo?”, essas eram as perguntas que a encucavam só de ver a garota.
Cinco minutos se passaram e nada havia acontecido. Eles apenas tinham desligado a luz principal e ligado as de emergência para não ficar um breu total. De repente, na parede atrás do palco, apareceu um pentagrama vermelho. Um turbilhão de wow’s foi ouvido, além de risadas. Angel não fez mais do que revirar os olhos, entediada. Depois, um holofote iluminou o centro do palco, mostrando uma mesa de palestra folhada, onde se encontrava Chuck segurando um papel. Ele deixou o papel na parte encoberta pela extensão da altura.
“Bom dia, alunos!”, começou. Passou os olhos por todos os presentes, dando uma piscadela, acompanhada de um sorriso, para a Novak. “Eu sou Chuck Shurley, Diretor-geral e dono da Escola de Caçadores...”
O discurso seguiu com explicações e indagações por parte dos alunos, até que um funcionário sai da coxia e se aproxima de Chuck, interrompendo-o. Ele diz algo em seu ouvido e volta sem tirar os olhos do chão.
“Tudo bem, tudo bem...”, o diretor cochichou para si mesmo, um pouco depois de perder seu informante de vista. Ele observou os estudantes meio sem graça. “Hã... receio... quero dizer, lamento que terei de adiar essa reunião por agora. Estão precisando de mim em outro lugar.”
Chuck não esperou nem reação dos alunos. Desceu os cinco degraus do palco e caminhou pela passarela que dividia o auditório ao meio. Parou diante a última fileira e apontou para Angel.
“Você vem comigo!”, seu tom fora autoritário.
“Eu?!”, a garota estranhou. Todos se viraram para ela.
“Agora!”, ordenou e continuou, sem esperá-la.
Dando-se conta do que poderia estar acontecendo, levantou-se num pulo e correu para alcançá-lo. Ao sair pela porta e visualizar a cena que se construía no campus, a lembrança do primeiro dia de aula lhe veio à mente. Sam morto em seus braços... estátuas milenares em pedaços... a festa de comemoração do início do ano letivo arruinada... cheia de pontos de fogueira... homens armados da cabeça aos pés saindo de um carro...
“Angie!”, gritou Sam do centro do campo de batalha, tirando-a do devaneio.
Quando voltou a realidade, correu para ajudar os professores. Pegou sua faca de anjo e começou a matar de um em um os invasores, só que eram muitos e mais estavam chegando aos montes. Em pouco tempo, estavam cercados e nada mais poderiam fazer para vencer. Todos foram algemados e levados para o auditório.
***
Os rebeldes estavam ajoelhados no palco diante os alunos dos quatro anos e alguns dos invasores. O líder deles dizia alguma coisa, mas Angie nada escutava. Estava mais focada na vingança. Percebia os olhares aturdidos dos colegas em cima dela. Virou a cabeça e viu Sam a observando, cabisbaixo, culpando-se pela namorada estar naquela situação.
“Eu vou nos tirar daqui.”, falou por telepatia para o Winchester, somando-se por Castiel, Chuck, Dean, Kaleb e Bobby.
“Não tem como fazer isso sem que mostre seu lado demoníaco, ou até mesmo o meu.”, relutou o híbrido.
“Quem disse que para nos salvarmos é preciso mostrar meu lado demoníaco?”, duvidou a garota.
“Não faça isso, Angie.”, pediu Cass, calmo. “Só se arrependerá depois.”
“Eu te dou cobertura.”, Chuck disse e os quatro se viraram, perplexos, para ele.
“Depois dizem que Deus ama seus inimigos...”, comentou Kaleb, brincando. “Se vovô está dentro, também estou.”, o anjo o fuzilou com os olhos. “Todos a favor da rebelião?”, ignorou o tio. Todos consentiram, exceto Castiel.
“Vou chamar a atenção deles.”, avisou Angel. “Hey, assbut!”, gritou. “E quanto a nós, bundão?!”, os outros professores a lançaram olhares confusos e assustados. O líder parou de falar e se aproximou da Novak.
“Do que me chamou?!”, seu tom era ameaçador.
“Assbut.”, repetiu incitando-o. Ele a pegou pelo cabelo com brutalidade e a levantou. “Vejam, meu povo! Uma rebelde acabou de me insultar! Devo matá-la?”
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