School of Hunters
15 Family
Notas iniciais
Antes
“Do que me chamou?!”, seu tom era ameaçador.
“Assbut.”, repetiu incitando-o. Ele a pegou pelo cabelo com brutalidade e a levantou. “Vejam, meu povo! Uma rebelde acabou de me insultar! Devo matá-la?”
Agora
Os invasores urraram de alegria e os estudantes ficaram chocados com a notícia. “Isso é um sim?”, outro urro coletivo. “Passem-me a faca de anjo em sua posse!”, ordenou aos seus homens, que tinham vistoriado a sua arma branca. Ela ficou mais enfurecida ainda. Olhava fixamente para o líder. Em um piscar de olhos, sua íris ficou verde e de volta, azul. Ele deu um sorrisinho macabro. “Sabia que não conseguiria se contr...”.
Antes que terminasse a frase, Angel se soltou das algemas e, rapidamente, deu uma chave de braço no homem que a ameaçava. Seu capanga já vinha com a arma prateada, só que ele parou no meio do caminho. Sorte que foi bem entre Cass e Kaleb. O anjo agiu na velocidade da luz, se soltando, desarmando e matando-o em menos de um segundo.
“Para quem era contra o plano... você até que foi bem.”, comentou a garota, envolta de homens armados com semiautomáticas. “Hey! Preciso de uma ajudinha aqui!”
Num pulo, Kaleb e Chuck se soltaram e deram baixa em mais dez capangas. Sam, Dean e Bobby se levantaram e apagaram mais doze, com as mãos presas as costas. Os que estavam assistindo ao seu líder junto dos alunos correram para ajudar seus colegas a conter a rebelião. Enquanto os outros estavam ocupados, diminuindo o número de inimigos, Angel estava só, segurando o cabeça do grupo.
“Pensou que esse seu planinho iria dar certo?”, debochou o líder, que também era um demônio. “Nós somos muitos e vocês não são nem metade disso. Não conseguirá nos vencer com essa mixuruca, só conseguirão se usarem seus poderes demoníacos, você e seu querido priminho. E se usar, todos saberão sua verdadeira natureza. Escolha sabiamente o caminho para o sucesso...”, deu um sorriso malicioso seguido de uma gargalhada malévola.
Ela sabia que o que acabara de ouvir era verdade, mas não conseguia admitir para si. Tinha de haver outra forma de resolver a situação. De repente, os homens a sua volta começaram a brilhar em um tom alaranjado, largando as armas no chão e se contorcendo, enquanto gritavam de dor. Foram caindo de um a um, até restar apenas ela e o comandante.
“Viu o que acabou de acontecer? Kaleb usou os poderes para te livrar dos meus capangas. Por que não faz o mesmo?”, ele insistia em clicar na mesma tecla.
Angie tentava se controlar, no entanto, no ponto em que a situação se encontrava, estava difícil. Seus amigos estavam começando a perder. Seu primo se mostrara aos outros. Estava na hora de agir. Ela estava cansada de esperar. Ignorando todos a sua volta, ainda com o cabeça do grupo em seu domínio, fechou os olhos e suspirou, concentrada. Castiel percebeu o que a filha ia fazer e ficou apavorado.
“Angie, isso é uma armadilha! Podemos vencer sem isso!”, gritou.
“Não há, pai, não há. Essa é a única forma...”, segurava o choro. “Não me importa se eu perder minha dignidade, carreira, amizade, ou qualquer outra coisa... Que seja! O que importa é a segurança de todos! A proteção de todos! Não a minha. Por isso tenho que agir.”
Nem um segundo havia se passado depois da fala da filha e o anjo já tinha terminado com um capanga e partia para cima dos que envolviam a garota. Acabou com eles em questão de meio minuto. Parou frente a frente com Angel e com calma lhe entregou a faca de anjo.
“Termine o trabalho.”, incentivou. Uma chama de esperança se acendeu dentro dela e, com apenas um movimento, cravou a arma branca no peito do líder. Todos os seus orifícios tomaram um tom alaranjado elétrico e ele caiu no chão sem vida.
Os sobreviventes [invasores] saíram em retirada, apavorados. Pai e filha se abraçaram aliviados, como se tivessem tirado um peso das costas. Kaleb, animado como sempre, aproximou-se dos dois e os envolveu com seus longos braços. Sam, Dean e Bobby foram chegando e acabou virando um abraço de grupo. A família estava reunida, faltava apenas uma pessoa, o motivo de Angel estar naquela escola.
“BRENDA...”, esse nome ecoou pelo auditório, fazendo o bando se soltar, aturdido. Olharam para todos os lados a procura da origem do som.
Ao baterem os olhos em Chuck segurando um microfone, fitaram-no com raiva.
“Oh! Disse isso alto? Sorry...”, ficou sem graça, dando um sorrisinho envergonhado. Todo o Team Free Will caiu na gargalhada.
“Ah! Vem cá, Chuck!”, chamou Dean o puxando para a roda. “Você também faz parte da família.”
{...}
As horas passaram e os alunos voltaram para os seus dormitórios. O rumor de Angie chamando Castiel de pai já tinha se espalhado pelo campus, além da escolha de Chuck para o auxilio na repreensão da invasão. Os poucos que ainda não tinham se resguardado ficavam fitando a híbrida de rabo de olho. Todas as aulas do dia foram canceladas, desta forma Angel resolveu ir ao seu quarto ajeitar suas coisas, mesmo que desnecessário.
Chegando ao corredor, notou que a porta estava aberta, parecia estar arrombada. Sem fazer barulho, pegou sua faca de anjo e seguiu de mansinho até esta. Empurrou-a e não viu ninguém. Notou também que a do banheiro estava trancada por dentro.
“Quem está aí?”, gritou alarmada, pronta para atacar.
A tranca fez um tic e as dobradiças rangeram conforme a porta ia abrindo. Num baque, esta bateu contra a parede e voltou a sua posição inicial. Angel inspirou, expirou e a chutou com metade de sua força, tirando-a de sua base e jogando-a contra a parede da outra extremidade. Entrou e nada viu de anormal. Suspirou de alívio. Enquanto voltava para fechar a outra que ficou intacta, ouviu um gemido vindo da porta escancarada.
Chegou mais perto e viu que tinha uma pessoa soterrada sob o vidro estilhaçado e a placa de madeira. Rapidamente, tirou tudo de cima dela e para sua surpresa, quem estava lá era...
“Klara?! O que você...”, espantou-se, mas mesmo assim esticou a mão para a companheira de quarto se levantar.
“Obrigada, Angie.”, agradeceu meio sem jeito.
“O que aconteceu, Klara? Você está pálida!”, questionou Angie a observando, prestando atenção a cada movimento que fazia.
“Nã-não aconteceu nada, nada.”, respondeu hesitante.
“Liar!”, seu tom era sério. “The truth. Tell me the truth!”
“Tudo bem.”, desistiu de resistir. “Desde o incidente, venho me sentindo um pouco diferente, sabe? Como se algo estivesse crescendo dentro de mim, como se houvesse uma chama renascendo em mim. E com a chama vem o mal estar, dor de estômago, ânsia de vômito, dor de cabeça, tontura, tudo junto e misturado.”
“Você não está...”, ela nem precisou terminar de falar a frase para a colega entender.
“Não, claro que não!”, soltou sem pensar. “Quero dizer, acho que não... sabe como é, né? Você acha que pode ser isso?”, seu semblante era de terror.
“Possivelmente.”, foi franca. “Já fez... o teste?”
“Sim... quero dizer, não.”, a confusão tomava seu corpo.
“Então, está decidido! Vamos comprar e confirmar!”, disse firmemente.
“Hã...”, a ruiva ficou sem graça. “Obrigada por me ajudar. Você nunca fez nada parecido por mim. Isso vale muito vindo de você.”
“Também não é para tanto, está bem?!”, voltou a ser rude.
“Desculpe-me...”, Klara se retraiu novamente e foi para a sua cama descansar. Angel fez o mesmo, foi para sua cama e ficou olhando para o teto a tarde toda, enquanto a colega roncava no colchão ao seu lado.
{...}
Quando deu sete da noite, o celular da Novak vibrou. Ela o pegou na mesinha de cabeceira e clicou no botão para acender a tela. Havia dez mensagens de Sam, que a chamava para sair.
Angel não conteve um sorriso. Ficou pensativa, mas, no fim, levantou-se para se arrumar. Ainda teria uma hora e meia para se aprontar, no entanto queria aproveitar o tempo para ‘comprar’ o teste de farmácia para ela e a companheira de quarto.
Vestiu um short, uma camiseta soltinha e seu All Star preto de cano médio. Pegou suas chaves e seu celular na escrivaninha e tele transportou-se para o estabelecimento aberto mais próximo. Entrou invisível aos olhos humanos, pegou o que queria e em um estalo, sumiu no ar novamente e apareceu no dormitório. Deixou os pertences da colega em sua mesinha de cabeceira e correu para o banheiro. Parou em frente ao cômodo e se lembrou do acontecido. Suspirou.
“Time to repair!”, imitou a voz do filme The nightmare before Christmas (Estranho Mundo de Jack).
Com um movimento de mãos, concertou e prendeu a porta no lugar e reconstruiu o box estilhaçado, tudo em questão de minutos. Entrou no banheiro e se trancou lá dentro. Apoiou-se na pia com as duas mãos e levantou o olhar em direção ao espelho. Estava abatida, muito abatida.
Apesar de sua ‘má’ aparência, lavou o rosto rapidamente e saiu dali. Pegou seus pertences na mesinha de cabeceira e seguiu para a porta do dormitório. Iria se encontrar com Sam. Mas, antes de dar um passo afora, virou-se para Klara e se perguntou: “Porque a trato desta maneira, se ela nada fez de mal para mim?”.
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