School Killers
34 Uma missão
Notas iniciais
A cabeça do homem rolou escada abaixo, sumindo na fumaça, fazendo que Nico revirasse seus olhos negros e saísse do prédio, usando da escada de incêndio para chegar ao telhado com calma, como se tivesse todo o tempo do mundo, mesmo seu relógio apitando repetidas vezes, anunciando o perigo eminente.
Pulou um telhado, caindo no prédio do lado, correndo e dando impulso para pular novamente, esse um pouco mais distante.
Logo o estrondo alto junto com o alarme do seu relógio de pulso se fez presente, e trabalho feito, novamente uma missão completamente executada com perfeição. O zunido em seus ouvidos devido ao estrondo alto, enquanto ele entrava no prédio com calma o fez lembrar da conversa que ele havia tido com Zeus.
— Acha que eu vou mata-la? — questionou descrente.
— Tenho que te lembrar dos seus outros relacionamentos, acho que ela deveria saber deles, não acha? — o tom grave daquele que tanto tinha lhe ajudado o deixou descrente por alguns segundos.
— Por que veio aqui? Não foi por conta de Thalia — cruzou os braços se aproximando com cautela.
— Vamos ter que colocar o plano de emergência em ação — respondeu o homem, ele tinha assuntos mais importantes, enquanto o italiano estivesse entretido o suficiente com sua filha ele não seria um problema.
— Tem certeza? — questionou descrente, mas era claro que ele tinha.
O Grace tirou do terno algumas folhas, entregando ao homem. Para qualquer um aquilo não faria sentido nenhum, mas Nico entendia completamente o código que o empresário lhe entregava e não pode deixar de ficar surpreso com a informação que ali tinha escrita.
Suspirou batendo a porta do seu apartamento, sua audição normalizada. Ele se jogou no sofá, colocando os pés na mesa de centro, sua cabeça tombando para trás, ele ainda tinha trabalho a fazer, mas a bomba o tinha feito lembrar algo parecido com a sensação que ele havia tido naquele dia.
Suas suspeitas estavam certas. Sempre estavam. Atena realmente tinha matado o antigo diretor, mas essa não era a única coisa que Zeus tinha conseguido enquanto vasculhava o computador da filha. Também havia descoberto que o computador que havia ordenado a morte do homem com um preço generoso que foi pago com dinheiro roubado de um banco chinês, usando o código de seu outro filho.
Depois disso não demorou a chover informações. O antigo dono cansado, querendo vender todas as informações para a polícia, enquanto a nova diretora tinha descoberto e cuidando não apenas de seu nome limpo, infiltrou a filha para que de dentro ela conseguisse acesso ao sistema, matando o diretor com a fonte que ele mesmo havia criado, assumindo cem por cento dos bens, mas também arrastando jovens assassinos juntos que bolaram tal plano. Thalia Grace, Percy Jackson, Annabeth Chase e Piper McLean. Parecia quase ironia do destino, logo Jason Grace entrou no grupo e tudo parecia cada vez pior.
Logo a descoberta de pessoas desesperadas para criarem um culpado dentro da casa. A policia já tinha se infiltrado e esse era o motivo do italiano com um falso e perfeito sotaque britânico, que tinha se enfraquecido pelo americanizado teve que forjar sua morte novamente.
O sangue, retirado dia após dia, para que quando necessário fosse uma quantidade grande demais para parecer impossível qualquer ser humano sobreviver a tal. Os esconderijos secretos, aonde com um apertar de botão tudo no quarto acabava sumindo. Ele com certeza amava tecnologia.
Ele estava morto novamente, não via problemas disso, mas a frase de Zeus fez sua cabeça latejar.
— Você tem uma missão Di Ângelo, sei que vai cumpri-la com perfeição, mas eu vou deixar as coisas mais claras possíveis, se você voltar e seu relacionamento com minha filha continuar eu não vou tentar impedir novamente, mas se encostar um dedo dela, feri-la tanto fisicamente quanto emocionalmente eu garanto que o nome Di Ângelo vai sumir completamente da fase da terra e a morte vai parecer um sonho distante depois do que eu fizer com você — os olhos azuis elétricos o encararam — então pense bem o que quer com ela e se em algum momento você fraquejar, mesmo que minimante, aproveite que está morto e se mantenha assim.
Não era a primeira vez que o professor se passava como morto, sempre as mesmas pessoas sabiam a verdade e claro que ele sabia o motivo disso. Ninguém seria capaz de matar o Di Ângelo e a pouca lista de pessoas que tinham esse poder não eram burras o suficiente de deixar alguém com poder de vingança vivo.
Tirou o papel do bolso, olhando os três nomes escritos no papel. Os três nomes infiltrados no colégio. Os seus três novos alvos.
Jogou o papel no copo de bebida que ele havia consumido no dia anterior, pegando o estilete e passando em cada um de seus dedos, arrancando mais uma camada fina da pele, era o método de se livrar de digitais que ele menos gostava, preferia coisas químicas, mesmo não sendo bom em manuseia-las ele sabia se livrar, mas ele tinha que danificar suas digitais e andar com ácido era bem mais difícil do que comprar um estilete em uma papelaria ou em uma loja de matérias de construções, então ele devia se virar com o que tinha.
A ideia de voltar para escola fez um calafrio percorrer pelo seu corpo, teria que passar alguns dias caminhando por ela como um fantasma do passado e a ideia de fazer isso não parecia ruim, ele tinha que matar três pessoas, era mais um trabalho comum.
Fechou os olhos com força. Mas ele não tinha cem por cento de controle.
— Eu os matei — admitiu, olhando o homem a sua frente, ele conseguia se livrar desse, foi o que Nico pensou quando entrou na escola, Zeus era um alvo fácil.
Ele riu com a revelação. A criança não se assustou, mas a ideia de que ele era um alvo fácil se enfraqueceu em sua mente e ele começou a recalcular o tempo que seria necessário para sair dali.
— Por quê? — perguntou suave, com um sorriso de canto divertido, era interessante para ele entender como a mente de uma criança como aquela funcionava.
— Eles mereciam — cruzou os braços, olhando a câmera no canto da sala, ele teria que se livrar das filmagens, sabia que conseguia fazer uma bomba eletromagnética com uma televisão se encontrasse uma, se livraria facilmente das filmagens.
— Matar as pessoas têm consequências...
— Só se você for pego, ninguém me pegou — sorriu vitorioso, mas logo esse sorriso sumiu ao ver o dele.
— Eu peguei você, seu pai pegou você, essas câmera que você está pensando em como se livrar da filmagem também pegou você, sua confissão de ter matado mais de trinta pessoas, sua maioria crianças está gravado, com um backup bem longe daqui, então terá consequências..., mas não estou aqui para te punir por elas, por que não me conta o motivo?
— Eu não podia controla-los mais — admitiu contragosto.
— Você não pode controlar as pessoas.
— Pessoas fracas não podem controlar as pessoas, pessoas inteligentes tem tudo sobre o controle.
— Então é uma pessoa fraca, afinal você está aqui sem saída, em um lugar que não sabe onde...
Revirou os olhos negros, cortando Zeus que se intrigou com a confiança do menino.
— Eu fugi a pé por dois dias em direção ao norte da Itália, vocês me encontraram e me transportaram para os Estados Unidos, enquanto estava no SUV consegui ouvir pessoas durante as duas pausas para abastecer, estamos em Long Island, andamos por um túnel subterrando que fez dez voltas em círculos que confundiriam qualquer idiota sem senso de direção, mas estamos em um terreno perto de uma fazenda de morangos, a alguns quilômetros da estrada o que explica a poeira em seus sapatos, você não ficou andando em círculos, desceu direto na entrada e caminhou até está na cidade falsa projetada, pela estrutura é a academia de assassinos, ou seja a segurança de vocês é boa, mas eu passo por aquele cano de ventilação ali em cima e consigo desarmar os venenos na tubulação antes que vocês consigam fecha-las para que toda a escola não morra e sair caindo no mar, nadando alguns minutos posso chegar na praia roubar um carro e ir para longe antes que vocês terminem de procurar meu corpo morto.
O Grace piscou surpreso, mas isso durou apenas alguns segundos e ele sorriu.
— Impressionante garoto, mas essa necessidade de controle vai te fazer falhar alguma vez, pois nem sempre você vai poder cortar as pontas soltas do barbante — decretou e uma risada escapou dos lábios do italiano.
— Você pode não conseguir se livrar delas, mas eu não sou você — retorquiu com determinação.
E agora Nico, sentado em um sofá na periferia de New York, ele teve a confirmação que Zeus estava certo, ele não conseguiria se livrar de pontas soltas para toda a sua vida, ele não conseguia controlar tudo e foi essa falta de controle e a sensação de desafio que o atraiu para a morena de olhos azuis elétricos.
— O que você vai fazer? — perguntou baixo para si próprio, tentando pensar. Mas nada saia, simplesmente nada e aí estava a maior prova de que ele tinha perdido o perfeito equilíbrio, Nico Di Ângelo sempre sabia o que fazer, mas agora ele não tinha resposta para nada.
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