Schizophrenic
36 24 de abril de 2015
Notas iniciais
“24 de abril de 2015
Caro Christopher,
está começando a ficar difícil escrever para você, muito difícil, estão me espionando, eu sei que estão, eles me falaram, estão tentando invadir a minha mente, Chris.
O musical está indo bem, muito bem, mas não estou conseguindo manter o foco, também não consigo mais contracenar com Bryce, na verdade, acho que é por causa dele que não consigo manter o foco, o mais engraçado é que ele não me olha com dor, raiva, ódio, ou decepção, mas ele me olha como se... Tivesse falhado na missão, dá pra entender isso? Bryan não fala mais comigo, não como antes, mas me encara todos os dias porque ele não falar comigo me incomoda? Ele é um mentiroso, não é?
Até mais, Chris.”
A porta do meu quarto se abriu e Kyle entrou.
–Sai. — falei.
–Não era eu, Adam, era um sonho.
–Não sou criança, Kyle, sei que tem o poder de criá-los em minha mente.
–Assim como você também sabe, que você inconscientemente me personifica para lhe acusar. Sempre. — ele se sentou ao meu lado. — Fala, eu sei que precisa falar.
–Tá tudo girando, Kyle, não sei se consigo aguentar mais.
–Calma, Adam.
–Não da certo, não consigo, você não é o Christopher.
–Esquece esse idiota só por um momento, Adam! Só por um minuto. Nunca percebeu que sempre estive aqui? Que... Sempre estive ao seu lado? — ele se aproximou lentamente de mim e me beijou.
–Não, Ky... – o empurrei.
–Shiu – ele reclamou entre beijos.
Ele me levantou sem desgrudar nossos lábios e fez com que suas mãos passeassem por minhas costas, por dentro da blusa, enquanto as minhas desciam por suas nádegas. Ele tirou minha camisa e eu o empurrei.
–Kyle, não! — ralhei.
–Porque não, Adam?
–Porque você sou eu?! Você é só uma representação de uma parte da minha personalidade.
–Isso é o que me torna perfeito, Adam. Eu sei o que você precisa, melhor do que qualquer um.
–Você só existe na minha mente.
–Isso não lhe impediu de dormir com o Christopher.
–Kyle, não é a mesma coisa.
–Tem razão, eu sou apenas uma ilusão...
–Kyle.
–Já o Christopher, e a sua paixão platônica...
–Cala a boca.
–Que você nunca vai conseguir...
–Fica quieto, porra!
–Porque você o matou, Adam. Você o matou. Há três anos. — ele falou cinicamente calmo.
–Saia. — falei firme, com uma lagrima solitária escorrendo pela minha bochecha.
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