Schizophrenic
37 Christopher
Notas iniciais
Flashback on – 10 anos antes
É o meu primeiro dia na escola nova, papai e mamãe me matricularam em um buraco de pessoas ricas, vazias, chatas e esnobes, as vezes assusto as pessoas com meus pensamentos visto a minha pouca idade.
Ao entrar em uma sala típica do jardim de infância, vejo uma mesa com alguns filhos dos sócios do meu pai, mas odeio eles, são reflexos dos pais, reflexos da sociedade, Nathan, uma prole de investidor, acena para mim, mas finjo não ver e me sento em uma mesa num canto da sala. Sozinho.
–Oi – um garoto de olhos claros e cabelos cacheados falou se sentando ao meu lado – Meu nome é Christopher – ele falou estendendo a mão.
Qual problema desse garoto? Ele não vê que quero ficar sozinho?
–Adam – respondi apertando a mão dele por educação. Mal sabia eu que aquele menino sem noção e invasivo se tornaria meu melhor amigo.
***
–Cara, você é muito idiota. — falo rindo de Chris fazendo palhaçadas.
–E você adora isso – ele fala fazendo biquinho e eu reviro os olhos.
Minha amizade com Christopher crescia a cada dia, eu não fazia ideia de que conseguiria fazer amizade com alguém tão rápido, Chris de fato era diferente das demais crianças ali naquele lugar, ele pensava por si só, ele possuía... Alma.
–Ok, eu gosto quando você banca o idiota.
Cinco anos antes
Christopher e eu estávamos tão ligados como irmãos, eu adorava passar meus dias com ele. É feriado, pedi aos meus pais e eles permitiram que eu trouxesse o Chris para a chácara da família no campo, meus tios vieram junto e Isaac, meu primo, veio também, ele é dois anos mais velho que Chris e eu, mas nos damos bem, ou melhor, eu me dou bem com Chris e com meu primo, já eles... Tentam se dar bem por mim, existem uma espécie de tensão entre eles, mas ficar com os dois era simplesmente o que mais me deixava feliz, meu primo e meu melhor amigo, ou, meus dois irmãos.
Me lembro perfeitamente daquele feriado com meu irmãos, mas de fato o que mais me lembro é de um pensamento que me rodou a mente, eu estava feliz por não ser biologicamente irmão do Chris.
Três anos antes
Quando olhava para trás e via a minha amizade com Chris, eu ria, eu não conseguia acreditar que havia o odiado quando o vi. Ao passar dos anos, nos tornamos mais próximos, e eu admiti para mim mesmo que... Eu gosto dele, mais do que como amigo.
–Acho que devíamos nos afastar um pouco – falo me sentando em minha cama e Chris sentando na minha escrivaninha.
–Porque?
–Cara, não temos mais sete anos de idade, somos íntimos, mas... As pessoas tão falando, Christopher, estão dizendo que... Estão dizendo que somos gays.
–Eu sei quem sou, você sabe quem você é, e isso é o que importa, nós sabemos que não somos um casal, nós sabemos que nãos somos gays, é isso o que vale.
Eu abaixo a cabeça. Ouvi-lo dizer isso é como um não indireto.
–O que foi? — ele pergunta ao me ver cabisbaixo.
–Não é nada.
–Já nos conhecemos a sete anos, Adam, por favor, podemos passar dessa fase de “não é nada”?
–E se eu fosse?
–Se você fosse o que?
–E se eu fosse gay? Teria algum problema?
–Porque está me perguntando isso?
Me aproximei dele e o beijei, Christopher podia ser bem idiota as vezes para sacar coisas tão na cara. Seria um selinho, mas ele correspondeu.
–E agora? — ele perguntou.
–Eu não sei. Quer namorar comigo?
Ele riu, não com desdém, mas uma risada suave e gostosa, até mesmo contagiante.
–Será uma honra, Adam, mas e seus...?
–Não. Não por enquanto, por favor.
–Tudo bem, não estou pronto para isso também.
–Há muito tempo eu queria poder lhe dizer que te amo.
–Eu também, Adam. Eu também.
Nos beijamos novamente, dessa vez, não tive medo.
***
Isaac estava na cidade, faziam muito tempo desde que eu não o via, assim que ele chegou aqui em casa fomos para a casa da árvore. Isaac era bi sexual, apenas eu e mais algumas pessoas sabiam, meus tios não podiam nem sonhar da orientação sexual do meu primo. Ele roubou meu primeiro beijo, mas não serei um mentiroso e dizer que não gostei, foi bom, mas eu disse para ele que não gostava de homens.
–O que fez nesse meio tempo? — pergunto.
–Nada que valha a pena ser documentado.
Estamos deitados no chão da casa da árvore olhando para o céu, ele coloca sua mão sobre a minha e não me oponho, acho que o fato de Chris não estar aqui agora me encorajou a aceitar a carícia.
–Eu não gosto dele. Seu amigo. — Isaac falou.
–Porque? Ele é tão legal.
–Legal até de mais. Nunca observou como ele olha para você?
–Como?
–Desejo. Ele te olha da mesma forma... A mesma com a qual eu te olho.
Seus lábios grudam ao meu, eu devo empurrá-lo, mas não consigo, eu não quero.
Aplausos, olho para trás e vejo, Chris sentando no guarda corpo nos olhando.
–Eu sabia que se eu falasse algo eu seria chato, sabia, mas eu devia ter falado. — Chris falava transtornado – Nunca me contou com quem foi seu primeiro beijo, nem nos jogos de verdade ou desafio, foi com ele, não foi?
–Chris...
–Espera só seus pais descobrirem que o filho deles gosta de homens, e que se pega com o primo.
–Eles não podem saber. — Kyle disse ao aparecer do meu lado.
Um vulto, um grito e o barulho de algo se quebrando, um barulho que assombraria pelo resto da vida. Não sei o que aconteceu, só vi o sangue.
–Você fez isso! — gritei olhando para Kyle.
–Não Adam, não fui eu. — Ele fala erguendo os braços em sinal de rendição.
–Foi você. — Isaac fala descendo da árvore.
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