Schizophrenic
39 22 de maio de 2015
Notas iniciais
“22 de maio de 2015
Caro Christopher,
não fui para aula ontem, se bem que depois da “maravilhosa” noite do meu aniversário, que foi até umas duas da manhã, fora a dor de cabeça pós bebida (pra você ver como sou fraco com bebida, eu quase não bebi), era de se esperar que eu não fosse para aula. Quando cheguei hoje T-O-D-O-S me encaravam, preciso lhe dizer que espalharam pelo colégio que eu sou gay? Ok, espalharam pelo colégio que eu sou gay, e aparentemente ser o “namorado do Bryan” (era assim que estavam me chamando) não era algo muito bom, algo haver com a fama dos gêmeos de brigas e traições. Adivinha quem fez isso? O filho da puta do Oliver, Bryan me disse que tem dedo do Bryce nisso, mas eu não acredito.
Tivemos um ensaio extra hoje e optamos por adiar a estreia da peça, seria na segunda que vem, mas optamos por dissipar um boato na semana que vem para dispersar a atenção dos gêmeos e de mim, e vamos realizar a estreia da peça no próximo sábado.
O clima entre o elenco e a direção está tenso, Bryce não me encara, e não conseguimos mais contracenar, não como antes, era quase perfeito, mas agora... Bryan e Oliver não paravam se atracar com olhares e indiretas, as coisas estavam desmoronando.
Kyle tem me atormentado, ás vezes em sonho, ás vezes na realidade, se é que posso chamar meus dias de realidade. Chris, eu...”
–Pegue – Chris falou segurando um frasco de pílulas, meus remédios.
–Não, Christopher, eu não posso. — falei.
–Adam, você...
–Acha que eu estou pirando? Sem você eu só ficaria pior, Chris, quando você vai entender que é você quem me mantem lúcido? Que é você que...
–Quando você vai entender, Adam, que eu e Kyle somos as fontes de todos os seus males?
–Chris, sabe porque nunca tentei me matar depois do que aconteceu? — ele negou com a cabeça – Porque lhe ver me ajuda a não me sentir tão culpado, me ajuda a... A pensar que não sou um monstro.
–Mas você é, Adam – Kyle falou entrando no meu quarto – E não tem NADA, que você possa fazer para mudar isso. Você o matou, Adam. VOCÊ o matou.
Olhei para o lado e Christopher não estava mais lá.
–Por mais que você mantenha uma ALUCINAÇÃO perto de você, Christopher nunca passará disso. Uma alucinação, e por mais que você se iluda, por mais que finja acreditar que ele está vivo, ele continuará à sete palmos debaixo da terra.
***
Tudo estava fluído, os sons, meus movimentos, o ambiente, o ar já não entrava mais pelos meus pulmões, e a água tentava penetrar em minhas vias aéreas. Vi a última bolhar de ar sair das minhas narinas, meu corpo ficou leve e minha visão aos poucos foi se tornando turva, o que Christopher viu em seus últimos minutos? Acho que em breve sab...
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