Schizophrenic
40 30 de maio de 2015
Notas iniciais
Uma luz branca me ofuscando foi a primeira que “vi”. Eu estava morto? Então... era só isso?
–Adam. — Uma voz levemente conhecida me chamou.
–Deus? É você? — perguntei.
–Não, Adam. — Isaac falou entrando em foco.
Merda, eu tava vivo.
“30 de maio de 2015
Caro Christopher,
eu estava internado. Em um sanatório. Acredita que aquele filho da puta do Nolan teve coragem de me internar. Assim que fui para o hospital, (Isaac me encontrou já sem batimentos, mas conseguiram me reanimar, até quando tento contra a minha vida ele atrapalha) meu pai deu um jeito de abafar a mídia, depois de um dia e meio inconsciente, eu recebi alta e meu pai me encaminhou para a clínica do doutor Guilles. Tentaram me drogar a semana inteira, mas eu sempre vomitava o meu café da manhã e só almoçava se visse a comida sendo preparada.
Kyle não apareceu para me atormentar, apesar de não querer olhar para a cara dele, sua quietude me preocupa e de certa forma, incomoda. Não é do feitio dele ficar quieto assim.
Ontem, depois do café, consegui roubar um celular de um dos enfermeiros, o coitado estava tão solitário que baixou a guarda só com um selinho. Quando meu pai chegou, eu ameacei contatar meus amigos e alertar a mídia, se ele não me liberasse, ameacei também tentar suicídio no manicômio, acredite, é mais fácil do que você imagina. Depois de uma boa barganha, consegui minha liberação.
A estreia foi adiada mais uma vez, chegou aos ouvidos de Bryan que eu estava doente, e optaram por adiar mais uma semana.
Irei sobreviver a mais uma semana de ensaios? Mais uma semana de pessoas me encarando? Mais uma semana me martirizando por sua morte? Me diz, estar morto é tão fácil quanto parece? Porque viver, atualmente anda muito complicado.
Até mais, Chris.”
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