Os vizinhos saíram à rua. Dafne ainda não se sentia com coragem suficiente para sair, e além disso tinha a irmã pequena a dormir no quarto.

- Qual de nós vai? – perguntou Dean, a mão dele permanecia entrelaçada à de Dafne, e Sam percebeu que era melhor ir lá ele.

- Eu volto já, fiquem aí que não me demoro nada. – Sam dirigiu-se para a porta.

Na rua, uma senhora hippie, usava uns óculos redondos e uma saia comprida até às pernas disse a outra, permitindo a Sam ouvir:

- Foi o filho de Jenna, Charles. Foi ele quem morreu esta noite — disse ela num tom despreocupado.

Sam andava em direcção de uma voz que ouvia, e cada fez estava mais perto dela até que lá chegou.

Estava uma mulher à porta de casa, a chorar e a gritar, enquanto lamentável o inevitável.

- O MEU FILHO, MATARAM-NO! O MEU CHARLES ! – a mulher deitara-se no chão a chorar e a aclamar a Deus porque a tinha deixado.

Pelo sotaque Sam percebeu que a mulher vinha de Inglaterra, o sotaque era britânico. Ela aclamava aos sete ventos que faria de tudo para o filho voltar.

Era preciso ter cuidado, pois isso poderia bem resultar… As pessoas não acreditavam no sobrenatural, mas a verdade é que ele existe, as pessoas simplesmente veem o que querem ver.

Passado alguns minutos o médico desceu, e veio à rua.

- Oh Dean, e agora? Eu vivo sozinha com a Flora, não sou assim tão forte, se alguém me vier para fazer mal, que força tenho eu para impedir? Eu pensava que vir para a qui me ia livrar de tudo o que me parecia atormentar, e vê onde a Flora crescerá, não é bonito… Aliás nem sequer é saudável para uma criança – ela apertava a mão dele com força como que para se assegurar que isto era real, como que para saber que aquilo era realmente o mundo onde vivia.

- Calma — assegurou ele – Isto irá passar, é por isso que nós andamos cá a investigar!

Ele não lhe poderia contar que procurava espíritos ou demónios que pudessem andar espalhados por PandoraVille, e na opinião dele, o melhor era começarem a procurar depressa, porque ele não gostava nem um — pouco do rumo que andava isto a levar.

- É melhor ires — disse ela largando a mão e fazendo um ar como que nunca tivessem estado de mãos dadas e partilhado aquele momento. Aliás para um homem como Dean, aquilo era mesmo estranho. Era um momento bonito. – Amanhã estou de folga, Bride amanhã não abre, mas eu preciso de fazer qualquer coisa, preciso de apanhar ar… — Mas ele percebeu que ela tinha medo de estar sozinha, mas simplesmente era demasiado forte para o admitir.

Ele abraçou-a e ela simplesmente deixou-se estar. Tinha dito a si própria que não ia cair nas graças de um idiota qualquer, de um homem qualquer. Tinha a irmã à frente de tudo e todos. Mas ele parecia-lhe diferente.

Em frente à porta da família MacFarland gerava-se uma grande confusão, as pessoas da vila acumulavam-se e a confusão era geral.

O médico já tinha dito qual era a causa da morte, era igual à da outra vitima. Sam passara, porque mostrara o seu falso distintivo de agente do F.B.I.

A voz de Jenna MacFarland continuava-se a ouvir, e o burburinho era constante, Sam decidiu volta a casa de Dafne onde esta se encontrava com Deam e Flora, que como era pequenina não deve ter acordado com o barulho.

Quando lá chegou, reparou numa coisa, para um irmão que só liga a casos de uma noite, como ele supostamente diz… Sam revirou os olhos. Até parecera que Dafne lhe importava algo mais do que isso.

- Já sei quem morreu – disse ele esperando por não interromper nada.

- Quem? – perguntou ela com os olhos bem abertos.

- O Charles MacFarland, sabes ideia de quem seja?

- Sim sei, era um homem muito simpático pelo que Mrs. Murray disse, e pela casa, são gente de muito dinheiro… — ela estava em pé e Dean levantou-se de seguida

- Qual foi a causa da morte? – Dean tinha um ar sério e olhava pelas janelas preocupado – O que foi que matou?

Dafne olhou muito admirada para os irmãos alternadamente.

- O que foi que matou?! Não! Quem matou, certo?

- Não, não… Quer dizer não! O que o Dean quis dizer foi: a causa foi a mesma que do outro homicídio e o que ele queria saber que o podia morto, foram as mãos claro. Mas mais uma vez não existem impressões digitais…

Dafne olhou para o relogio. É tarde, tinha de ir dormir, sentia-se cansada.

- Bem, vocês foram muito simpáticos e tudo, mas acho que é melhor irem, eu estou cansada, preciso de dormir – comentou ela enquanto eles discutiam o assunto entre si. – Além disso tenho a mão para fazer um penso melhor, e preciso de pensar nisto.

- Tens a certeza que ficas bem?- perguntaram os dois de novo e ao mesmo tempo.

- Sim tenho, calma. Não se vai passar nada… E preciso de tomar um banho, refresca as ideias percebem? – ela cumprimentou Sam e Dean, dando ao ultimo a mão enquanto o cumprimentava. Não estava segura que a noite corresse bem, aliás uma parte dela até lhe dizia que devia fugir dali o mais rápido possível. Mas Dafne não era fraca, nunca o fora.

Quando eles saíram Dafne tremia por todos os lados. Tinha medo. Por muito que o negasse, ela tinha medo. Ela não sabia quem era o maluco psicopata que andava por aí a matar pessoas ao disparate.

Tomou um longo banho quente, arranjou o penso para o corte que tinha na mão e foi-se deitar.

Dean, com aquele sorriso, e aquele casaco… Realmente, e ela que sempre pensou que os agentes do F.B.I andavam por aí vestidos de fato e gravata. Aqueles podiam… Não, eles disfarçavam mesmo o que eram. Mas Dean, tinha-lhe dado a mão quando tinham ouvido o grito, tinha-a abraçado, tinha-a ajudado quando mais ninguém o fez. Tratou-lhe da mão… Nem precisava de o fazer. Preocupou-se. E isso era uma coisa que ela não tinha à muito tempo. Alguem que se importasse com ela, alguém que verdadeiramente quisesse saber.

Tinha Flora para cuidar, e tinha-se mudado para uma vila, onde as pessoas pareciam morrer mais depressa do que um cão aprende a sentar ou a deitar.

Adormeceu perto das 3 da manhã, e acordou com Flora a mexer-lhe no cabelo.

- Bom dia Daffy! – a menina sorria alegremente.

- Olá pequena, estás boa? – Olhou para o relógio, era 8 da manhã. Tinha sono – Não queres dormir mais um pouco hoje? As vezes faz bem, já pensaste?

- Não mana! Então o Sam e o Dean? Onde tão eles? Eu quero eles aqui! – era persistente, tinha a quem sair, era de família.

- Princesa, o Dean… — olhou para o penso na mão, lembrando-se dele — o Sam, eles tem de trabalhar princesa, eles tem coisas para fazer, e eu hoje vou aproveitar para te arranjar um sitio para ficares enquanto eu trabalho.

Levantou-se e começou-se a vestir.

- Temos de nos despachar, porque ainda quero passear pela praia…

- Mana ‘tá frio! – Flora tapou-se debaixo das mantas

Ela saltou-lhe para cima em soutian e com as calças de ganga já vestidas, mas com que não a magoasse.

- Não sejas assim, eu sei que gostas – fez um ar pensativo – E se eu hoje trouxesse o pequeno almoço para a cama?

A menina concordou e ela dirigiu-se à cozinha. Na mesa estava um papel, nesse papel encontravam-se os números de Sam e Dean. Por estranho que parecesse, aquele papel reconfortou-a e fê-la sentir-se mais segura. Eles preocupavam-se… Era só trabalho disse a si mesma. Mas uma parte de si negou-o. Não o era, ela sabia.

Tomaram o pequeno-almoço e saíram.

Dirigiram-se ao jardim de infância de PandoraVille, mas as vagas já estavam cheias, por isso Dafne tentou procurar por amas, e encontrou afixado numa janela um aviso que dizia tomar conta de crianças.

Dafne entrou no jardim e abriu a porta. Quando a porta foi aberta, vinha uma senhora coom os seus cinquenta e poucos anos, e cabelos já brancos e apanhados por uma mola, com um vestido que ia até metade da perna.

- Olá, bom dia que deseja? – aparentava ter um sorriso muito simpático

- Bom dia eu sou Dafne Hall… — a mulher não a deixou terminar.

- Sou Bridget Pierce e foi você! – Dafne olhava-a interrogada mas no fundo já sabia, Flora conversava baixinho com o seu peluche

- Fui eu, o quê? – perguntou fingindo-se admirada, e agarrando a mão da menina puxando-a para mais perto de si.

- Você causou as duas mortes, você matou-os – olhava-a com ódio, e nojo.

- Eu… — Dafne não se conseguiu defender, pois a mulher fechou-lhe a porta na cara, e Dafne percebeu que não valia pena continuar, pois a mulher não ia ficar com a menina.

Foi para casa, mal falava com a menina, e quando esta lhe perguntava qualquer coisa apenas respondia sim ou não.

Quando Flora se deixou dormir para a sesta, Dafne pensava que ia rebentar, ela não os matou, mas ela também não tinha provas em como não o tinha feito. E então lembrou-se ela tinha jantado com Dean e Sam, devia valer alguma coisa, pelo menos para provar a ultima noite. A outra, ela ainda tinha de pensar…

Ligou-lhes. Nenhum atendeu, deixou mensagens e esperou que eles aparecessem, afinal o que andariam eles a fazer à tarde? Eles disseram que não iam sair de PandoraVille. Mas ela também não podia deixar a casa para falar com Bride e perguntar-lhe o que ela realmente achava .

Ao fim de uma hora bateram à porta, era Adam… Outra vez.

- Olá – suspirou ela

- Olá –sorriu ele – E que tal deixares-me entrar?

- Hum… Eu podia fazer isso, mas o que ficou combinado foi irmos sair, não foi andares a entrar a na minha casa – pôs a mão na ombreira da porta, para o impedir de entrar.

Ele puxou-a para ela.

- Largares-me era mesmo muito giro, por isso, podes fazê-lo – ela empurrou-o para trás.

- Não te devias dar com aqueles dois… -advertiu

- E quem és tu para me dizeres o que fazer? – urg! Machismo, odiava disso

- Eu se fosse a ti não fazia isso princesa, tu precisas de mim, afinal pensa bem, tu precisas de mim, sou filho do xerife, posso ajudar-te a que as pessoas acreditem que não os mataste….

- E não fui eu, e as pessoas tem de acreditar em mim realmente, não por influencias… — Ela tinha vontade de o desfazer em bocadinhos

Ele entrou em casa, sem permissão, como se fosse dele.

Ela estava a mandá-lo sair, quando ouviu uma voz.

- Acho que ela já te mandou sair não já? Por isso sai!

Dafne congelou, era a voz de Dean, ele estava ali, ele tinha ouvido as mensagens dela, e nada no momento a fez mais feliz.

Ele agarrou-a de forma possessiva e ela nunca se sentiu tão grata a ninguém, por o que lhe haviam feito.

Ela olhou para trás, Sam estava a agarrar na porta para ele sair.

- Depois não digas que não te avisei – disse Adam indo embora por obrigação — Não te venhas queixar a mim.

Saiu.

Dafne agradeceu-lhes mentalmente pelo seu timing perfeito.

- Que se passou? – Sam olhava para ela, que olhava para as mãos de Dean, que a seguravam

- E se nós não tivéssemos vindo mais cedo?! – ela não conseguia falar – Dafne responde-me! – ele estava a ficar chateado.

- Toda a gente pensa – balbuciou

- Toda a gente pensa o quê Dafne? – Dean usou uma voz cuidadosa, mas também uma voz que exigia uma resposta, uma voz imperativa

- Ela não está… — Sam não foi capaz de acabar a frase

- Toda a gente pensa que eu matei as duas pessoas – disse muito rápido, quase que nem se conseguiram aperceber do que ela disse.

Sentou-se no chao e desatou a chorar.

Os irmão sentaram-se a seu lado e abraçara-na, confortaram-na.

Que podia ela fazer? Pensou por fim.