Scary Deep Love
5 A descoberta
- O que posso fazer? – questionou-se, tinha a cara tapada com as mãos e chorava, chorava muito – Estas pessoas, por mais que eu lhes diga que não fui eu, elas não vão acreditar, e é isso que me deixa pior.
- Dean temos de lhe dizer – Sam gesticulava esta frase com os lábios, e olhava para ele, com um olhar que dizia que era da maxima importância contar-lhe o que eles realmente faziam.
Agentes do F.B.I não ficam a acalmar uma rapariga, que a única coisa que sabe aparentemente fazer, é chorar.
- Sammy não! — Dean tinha falado demasiado alto.
- Não o quê? – Inquiriu ela, com aquela cara a que Dean rapidamente se tinha habituado.
- Nada nada – acrescentou Dean rapidamente.
- Dafne, nós temos de te contar uma coisa… — Sam suspirava, aquilo custava-lhe dizer.
- Ah, vocês também pensam que fui eu? – Ela tinha duas lagrimas a cair, e Dean limpou-lhas.
- Nunca — disseram juntos. Aquela palavra “nunca”, soube-lhe tão bem, era como se realmente eles gostassem dela, eles sabiam
Sinceramente, ela já andava a ficar enjoada, quando eles diziam tudo ao mesmo tempo. Era fofo, ela não o negava, mas conseguia ser extremamente stressante.
Eles eram tao diferentes, e ao mesmo tempo, pareciam iguais. Eles deviam estar a vida toda juntos.
- Podem contar? Eu não sou nenhuma criança – ela limpou as lágrimas e sorriu. O sorriso mais forçado do mundo.
- Bem, acreditas em fantasmas? Basicamente, no paranormal? – Sam fizera a pergunta, mas Dean ansiava pela reposta. Ele queria ser algo mais na vida dela. Apesar de saber, que muito dificilmente o seria, ela era uma rapariga que não encarava estas coisas. Não vivia a vida no limite. Apenas via o que queria, o que desejava, não lhe competia a ela, fazer aqueles tipos de “trabalhos” aliás, poucas pessoas deviam saber que era verdade.
- Bem… — inspirou – depois de esta noite, creio que já acredito em tudo… E eu senti uma presença, apesar de não ver, e de ninguém acreditar em mim, e ainda se rirem na minha cara, bem acho que sim.
- Acreditas? – Dean ficou pasmado a olhar para ela. A força e a coragem que demonstrava, quando mais ninguém se limitava a ajudá-la. Quando ninguém queria ajudar.
- Se não tenho mais nada onde me agarrar, e já estou feliz por vocês saberem que a culpa não é minha, então sim, estou muito feliz. Mas porque é quês andam a perguntar isto?
- Porque bem, nós não somos do F.B.I, o que nós fazemos mesmo, é matar fantasmas, zombies, lendas. Percebes? – Ela tinha vontade de rir, mas no olhar deles, ela via que eles estavam a falar muito a sério. Por isso, não riu.
- E como fazem isso? Aliás, como sabem que foi um fantasma, ou uma coisa assim parecida que os matou? – Já não chorava, tentava ser forte, mas tremia, aquilo era novo, era um mundo completamente à parte da realidade. Se é que agora a realidade ainda existia para ela. O que era a realidade? Era o que ela agora se perguntava.
Tambem chegou a descobrir que existem mesmo algumas lendas que se falam, e demónios. E que as pessoas podem ser possuídas por estes.
O seu estomago dava voltas, e voltas. Não conseguia parar. E de uma certa maneira, tudo aquilo lhe soava bem. Agora compreendia porque nunca podia sonhar em ter Dean e ele nunca podia ser seu. Tudo tinha a sua razão.
Eles foram embora.
No dia seguinte Dafne estava a trabalhar, era de manhã e Flora dormia sentada numa cadeira.
Dafne riu. Tinha baba a escorrer-lhe pela face.
Bride tinha recebido uma chamada, fora a casa e ainda não voltara. Dafne achava que as pessoas não iam à loja, por Bride a ter contratado, e isso fazia-a sentir-se mal e com uma séria vontade de se despedir. Mas, precisava daquele emprego.
Entrou na loja Claude Figgins, comprou uma alface e azeite.
- Diga-me uma coisa Miss Hall, você realmente não quer sair com o filho do xerife, o Adam?
Estranho, ela não lhe perguntava se esta tinha realmente morto aquelas duas pessoas. Estranho, pensou. Para convencida… Tinha de vir algo de lá.
- Não, de facto não, não demonstro qualquer interesse em alguém que me quer dizer com quem devo falar ou não, e que chantageia. – disse ela com desprezo.
- Mas ele é o rapaz mais bem visto da cidade, quer dizer. Uma rapariga da vila daria tudo para sair com ele – disse ela desconfiada
- Bem digamos que não sou mesmo daqui não é? – disse ela sarcasticamente.
A velha saiu, com uma cara ofendida e fez um som que indica superioridade, ao qual Dafne não resistiu rir de.
Duas horas mais passaram e Bride não dava de si. Dafne começava a ficar preocupada e a pensar se deveria ligar ou não.
Enquanto arrumava uns caixotes e repunha o stock a campainha que dá sinal de entrada tocou, Dafne que estava de cócoras a ajustar umas prateleiras, levantou-se e viu Dean.
E bem, ele estava deslumbrante, ela tinha de o admitir. Vestia um smoking, e vinha com um sorriso na cara, que derretia qualquer uma. Mas que cabeça era aquela? Ela prometera só se envolver em trabalho e na irmã. Mas com ele por perto, quem conseguia. Ele dirigia-se para ela. Dafne sentiu a pontada do ciúme ao pensar, para quem é que ele se vestia tão bem.
- Olá – disse ele com o seu típico sorriso
- Olá… Ui, assim vestido não perdes nada, quem é ela? — disse ela num ar brincalhão para disfarçar a vil pontada de ciúme.
- Na verdade, és tu – Ela não conseguia perceber o quão embaraçado ele se sentia? Ele era Dean Winchester, ele não fazia destas coisas. Elas simplesmente vinham a correr atrás dele.
- Ahaha, bela piada, não gozes comigo. Não tem piada. – ela fazia uma cara qe dizia por favo, não tenho mais idade para estas coisas. E no fundo de si, sentia-se tão bem.
Outra pessoa entrara na loja.
Boa, só o que lhe faltava. Era Bride… Ela ia ouvir das boas por estar a “namorar” no trabalho.
- Dafne, é verdade o que ele diz, onde achas que estive este tempo todo? A ajudar esta abécula a escolher um fato decente para te vir convidar. Ele queria vir normalmente… Homens… — suspirou – não me venhas com conversas que ele não está decente!
Oh não, Dafne não ia com aquelas conversas. Ela queria era ser indecente com ele naquele momento. Abanou a cabeça.
- Mas porque querem que eu saia com ele? – questionou, pensando que nenhum homem podia ficar tão bem num smoking quanto ele — A Bride conhece-os?
- Desde que nasceram quase… E bem querida, tu precisas de relaxar, andas enervada com esta situação toda, por isso vamos à tua casa, vais escolher um bonito vestido e depois vão sair. Ele espera por ti na sala, não existe qualquer problema -. Nota mental, nunca pedir a Bride para lhe arranjar um encontro surpresa, será que alguém podia se mais sensual que ele?
- Eu não posso! – disse
- Porquê? – Bride simulou uma taque de coração
- Porque caso não tenham reparado, a Flora não tem idade para ficar sozinha em casa… — encolheu os ombros.
Bride exalou alivio por todos os seus poros.
- Por isso é que eu e o Sam vamos ficar hoje à noite com ela – sorriu.
- De certeza? – ficou admirada
- Absoluta.
Bride empurrou-os para fora da loja e trancou-a antes que fosse tarde demais. Flora dormia no colo de Dean.
Quando chegaram a casa, Sam estava sentado no alpendre, à espera deles. Entraram em casa, Flora acordou, e por isso ficou com os rapazes na sala, enquanto Bride ajudava Dafne a escolher o vestido. Elas pareciam não se decidir, ou por isto… Ou por aquilo. Até que finalmente, encontraram um, era azul cor do mar, ia até ao joelho de Dafne, e era de alças finas. Ela calçou umas sabrinas pretas, e usou uma mala preta a condizer com uma echarpe preta transparente. Bride ajeitou-lhe o cabelo.
Quando apareceu na sala eles ficaram de boca aberta.
- Estou mal não é? Eu sabia – havia um certo desgosto na sua voz.
- Não mana! Estás linda! Olha lá Dean, ela está mais bonita que tu e tudo – A menina comparava-os de forma a fazer sorrir a irmã, e conseguiu.
- Sim está, sem duvida que está – Dean nem conseguia olhar. Ela estava mesmo muito bonita. E ia sair com ele, com ele! Mesmo depois de saber o que ele fazia como trabalho.
- De certeza que não te importas de ficar com a Bride e o Sam? – Ela ajoelhara-se para ficar da altura de Flora.
- Não, Mrs. Murray e o Sam são simpáticos… E tu está sbonita, as princesas têm de sair! – Bride sorria para elas. Dafne tinha tanto orgulho na menina.
Dean ajudou-a a levantar, deu-lhe o braço, ela agarrou-se e saíram para o carro, em direcção ao restaurante.
É uma loucura, pensou Dafne. Mas era algo que queria fazer.
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