- Chegámos – disse Dean. Depois de uma hora de caminho silencioso, Dafne achava que ele andava a gozar com a cara dela. — E nem penses em abrir a porta!

- Porquê? – arqueou uma sobrancelha

- Porque, quem te vai abrir a porta, sou eu! – disse com um sorriso.

Depois de lhe ter aberto a porta, estava tão linda, ela ficava bonita de qualquer maneira.

Entraram no restaurante, ele reservara uma mesa. Ela sentia-se tão especial, como se alguém realmente se importasse com ela.

Sentaram-se à mesa, esperando pelo empregado.

- Então diz-me, existe algo que queiras saber? – ela fê-lo baixar o cardápio, que ele já tinha levantado para ver o que havia para comer.

- Am o quê? – ele estava mesmo à toa com aquele pergunta.

- Não te faças de totó, para me trazeres a sair, existe algo que queiras saber sobre mim? Nenhum tipo me leva a sair desde que saibam que eu cuido da Flora. – disse ela ao tentar esconder as lágrimas que lhe apareciam.

Ele agarrou-lhe a mão.

- Eu não sei quem são os idotas que não querem sair contigo porque cuidas da Flora – começou – eu sei que gosto de falar contigo, fazes-me sentir, que afinal não é o nada que faço aqui. Desde que te vi, eu saía da cama, fazia o meu trabalho, e voltava-me a deitar, falava com o Sammy e nada. Agora acordo, a pensar se te vou ver a sorrir! E eu não sei o que me fizeste… Mas a verdade é que gosto. Mas…

Oh, lá vinha o tal “mas”… Dafne tinha lágrimas nos olhos e sorria. Apesar de tudo ela sabia o que “mas” significava.

- Sim, o que tu fazes não nos permite estar mais tempo juntos que umas horas… — ela largou a mão dele – Mas, e se hoje esquecermos isso? Honestamente, isso não me vai por melhor. E é só por isso que queres sair comigo? – limpou as lágrimas dos olhos.

- Bem e digamos que és mesmo muito gira…. – ela corou, o empregado apareceu.

Dean pôs a sua postura correcta.

- Boa noite, o que vão desejar? Acabou de pedir a menina em casamento? – ele sorriu. Era um homem alto e esguio.

- Não! – disseram os dois, a única diferença foi que Dafne corou ainda mais e o Dean limitou-se a rir.

Pediram a comida e o empregado voltou para a cozinha e disse que dentro de minutos lhes levaria o comer.

- Sabes que toda a gente está a olhar para nós? — Dean começou a olhar em volta, ela continuou – É verdade, porque pensam que somos um casal apaixonado… — Ele bebeu agua que tinha no copo.

Só depois de ter dito aquelas palavras, é que ela chegou à verdadeira verdade, nem isso eles poderiam ser. Ele caçavasabe-se lá o que que ninguém imagina que poderá ser real, e ela, é acusada de homicídio, que não cometeu e trabalha numa loja. Não podia haver mais alguém que tivesse tao pouco em comum. Bem, ele pensa que foi um fantasma a matar aquelas pessoas, não é assim tao diferente.

- Então e como é que uma miúda como tu, acaba num vila? Vocês agora não gostam de cidades e fama e essas coisas todas?!

Ela pousou o copo.

- Sabes o que eu gosto? De silencio, de sossego. Imagina, na vila ninguém me chateia, pensava eu não é? Mas, não é atribulada, não tem nada que me faça preocupar, é uma espécie de paz e sossego….

Como ele a compreendia… Era tudo o que não tinha tido. Mais uma razão para não estar com ela, se andasse com ela,isso seria uma coisa que ela não teria…

- Olha, a nossa comida vem aí… — ele estava cheio de fome.

- Obrigada Dean… — disse

- Porquê? Por dizer que a comida vem aí? – riu.

- Não, por hoje… — ela sorriu

E aí, ele percebeu, ela nunca tinha tido um encontro daqueles, aliás, será que alguma vez tinha tido um encontro. Ele estava-lhe a dar algo que ele sabia significar muito para ela, e mesmo assim, ela sabia que não podia ser mais que umas visitas, umas noites, uns abraços. E aceitava-o, pura e simplesmente.

Jantaram e saíram do restaurante. Este ficava numa cidadezinha.

- Gostavas de dar uma volta, ou queres voltar já para casa? – ele ofereceu-lhe o seu braço

- Bem, visto que estás assim vestido eu não posso mesmo recusar pois não? – ela derreteu com o pedido.

- Bem, já olhaste bem para mim, quer dizer, sou irresitivel, eu sou mesmo bom pá! — ele estava a ser irónico

Caminharam em direcção ao parque.

- Tem bastante gente já viste… — Dafne observava umas meninas a brincarem e pensava na sua infância, e outros rapazes que jogavam ao berlinde – Também brincaste assim?

Ele apenas desviou a cara, e não lhe respondeu. Dafne percebeu que a infância dele, deve ter sido toda passada a combater o oculto.

- Eu nunca tive tempo para brincar como aqueles miúdos, eu aprendi a trabalhar com uma arma, mais rápido que muitas crianças aprendem a escrever… — ele olhava para os rapazes.

- Lamento – disse Dafne.

- Não lamentes – disse ele, indo buscar a mão dela para a apertar. – Sendo assim, também me ensinou a dar muito mais valor às coisas, e às amizades, ao contrario do que as pessoas realmente fazem.

Ela encostou a cabeça dela ao braço dele.

Ele tinha razão, ela lembrara-se daquela vez em que discutira com o pai, porque ele não a deixara sair à noite, porque tinha de passar mais tempo com os pais, e ela achou isso uma total injustiça, ela queria sair com os amigos. Agora, trocaria aquele discussão toda, pelo passatempo preferido do pai, se o pudesse jogar com ele.

Chegaram a uma zona do parque, onde só se viam casais, podendo-se contar eles os dois, como um casal à mesma. Estavam juntos, e sozinhos…

- Queres-te sentar aqui? Eu não estou habituada a andar de sabrinas, por isso os meus pés estão-se a queixar um pouco… — Ele sorriu-lhe e depois sentou-se, ela sentou-se ao lado dele. – Obrigada…

Passaram uns quantos homens com mau aspecto.

Ela tremeu e ele sentiu que era medo, agarrou-a. Ela olhou para ele, e ele simplesmente não resistiu. Era mais forte que ele.

Ele beijou-a. Ela não se negou. Ele continuou com aquele beijo. Ela agarrou-lhe as abas do casaco e puxou-o mais para si. Se o podia ter, ela não ia dizer não, ela esperava aquele beijo à tanto tempo, e era exactamente como ela o imaginava na cabeça. Era longo, grande e cheio de desejo. Ele queria aquele beijo tanto como ela. E esse pensamento, deixava-a radiante.

- Des… Desculpa… — Ela rapidamente o largou e olhou para o colo, tinha tanta vergonha, ela não era daquele tipo…

- Não gostaste? — Dean estava confuso, ela agarrava-o e depois largava-o, mulheres…

- Não, não foi isso, mas estamos no meio da rua e nao é muito educado sabes?

- Se estivéssemos num quarto por exemplo, não faria mal… — ele deu-lhe um sorriso malandro.

- Não é isso… Bem, vamos embora? – ela queria-o, mas tinha medo de uma vergonha. E ele via a fome que ela lhe transmitia

Ele levantou-se, e ajudou-a a levantar.

Ele já tinha percebido todo aquele receio dela, ela era virgem.

Entraram no carro, e em vez de guiar para casa, guiou para um motel, alugou um quarto.

- Para que fizeste isso? – perguntou ela enquanto entravam no quarto.

- Porque quero fazer amor contigo, tu não queres? – ele tirava o casaco, e ajudava-a a tirar a echarpe que trazia. Ela estava a tirar as sabrinas. E a pensar no alivio que era.

- Bem… E se não gostares do meu corpo, e se eu não souber… e se não foi bom para ti? E se for tudo um grande erro?

Bem, ela era difícil!

- Querida, eu aposto que em ti vou gostar de tudo — beijava-lhe o pescoço – e todos temos de aprender não é? – estava-lhe a desapertar o vestido.

Como que por reacção, ela começou a despertar-lhe a camisa, e a ver aqueles abdominais em que tanto desejava tocar.

Não descolavam a boca um do outro, apenas se desejavam. Eles no momento acharam que ninguém se podia desejar tanto, como estes dois se desejavam.

E naquela noite, fizeram amor. Como se mais nada importasse.

Quando acabaram, Dafne sentia-se tão especial, tao amada. Ela sempre sonhara em perder a virgindade com alguém que ela fosse estar sempre ao pé. Ela sabia que com Dean não era assim, mas ela chegou a uma conclusão. Mesmo sabendo que nunca podiam ter mais do que noites juntos. Ela estava-se apaixonar por ele. Dean caira logo no sono, Dafne encostara-se a ele e por fim, adormecera.

Quando Dean acordara, Dafne estava acabar de se vestir, e a sua cara não era das mais felizes que se viam por aí.

- Hei, acalma-te – sorria Dean

- Despacha-te! Toma banho, já o fiz, e despacha-te. Já é tarde. Aliás devíamos ter chegado ontem à noite! – Ele sentara-se num cadeirão.

Ele levantara-se e fora para a casa de banho, será que ela não gostara? Bem, ontem À noite, tinha parecido tudo menos isso…

Ele acabou de se despachar. Enquanto ele se vestia, Dafne pensava em que secalhar aquilo não passaria de uma diversão para ele, e no fim ela não significava mais nada do que uma noite. E se toda a intenção dele fosse essa?!

Mas, quando olhava para ele, via o Dean que lhe dizia que tudo ia ficar bem, que lhe deu a mão quando Mr. MacFarland morreu, era apenas a s suas facetas mais adoráveis que ela viu. Para ela não havia mais Dean a não ser aquele.

Ele estava à porta

- Vamos? – sorria-lhe, não tinha posto a gravata, e ela achava aquilo muito sexy

- Sim vamos — quando chegou à porta deu-lhe mais um beijo, e foi preciso muita força de vontade para o largar.

Deram saída do motel e foram de volta a PandoraVille.