Scars Of Love
26 Capítulo 25
Notas iniciais
(Isabella)
Fui para a frente da janela, cabisbaixa, de punhos cerrados. As lágrimas corriam no meu rosto como um rio. Petrus não tinha feito qualquer movimento desde o que eu tinha dito.
— Porquê…Porque é que eu… Que eu ainda… Te amo…? – questionei num sussurro, com os dentes cerrados.
Virei-me para trás e os olhos de Petrus estavam marejados de lágrimas, embora ele não as brotasse.
— Isabella… – e dito isto, desfaleceu.
Corri para perto dele e ajoelhei-me no chão. Estava mais pálido do que antes e a sua pulsação estava fraca.
— Petrus! Petrus! – gritei. – Acorda, Petrus!
Simão entrou atarantado no quarto devido aos meus gritos. Eu tinha ficado em estado de choque. Dei por mim a ser impedida por Kiba, que já tinha regressado a casa, de ir com ele para o hospital. Simão e Rita acompanharam-no. Saí bruscamente dos braços de Kiba e corri para o jardim. A lua estava cheia, embora o céu estivesse enevoado. Já não tinha forças para chorar. Estava ajoelhada no chão, a tremer de frio, mas mesmo assim não queria sair dali. Ninguém tinha vindo atrás de mim. Fiquei feliz por isso. Queria estar sozinha. De repente, a imagem da minha Rainha apareceu diante de mim.
— Levanta-te! Não chores mais! Ele precisa de ti! – depois destas palavras desapareceu no vento.
Eu nada disse. As palavras ecoavam na minha cabeça. Levantei-me e vesti-me adequadamente para uma viagem um tanto longa até ao hospital. Como a casa se localizavam mesmo na costa da ilha e o hospital no centro da cidade, a viagem até lá ainda seria um pouco demorada, isto é, se eu fosse com uma velocidade moderada, o que provavelmente não iria acontecer. O telefone tocou e, nesse preciso momento, senti um pequeno ardume na minha tatuagem.
— Menina Isabella! Menina Isabella! – Daniela corria atrás de mim feita doida. – Menina Isabella… – disse ela ofegante. – O Simão ligou agora do hospital com notícias.
— Anda, desembucha rapariga!
— Bem, o Petrus, por enquanto está inconsciente, mas os médicos já disseram que ele acorda em breve.
Não dei uma resposta. Subi para a mota e acelerei o mais que consegui, até mais do que era permitido. Desviei-me dos carros de uma forma bastante perigosa, fiz da estrada uma pista. Para encontrar um lugar para estacionar foi um degredo! Rita estava à entrada do hospital à minha espera.
— Rita como é que ele está?
— Depois vês. Entra. Está aqui o cartão.
— O Simão?
— Não sei onde é que ele se meteu, mas não está o quarto do Petrus.
Anui. Demorei algum tempo a encontrar o quarto. Vê-lo naquela cama de hospital foi horrível.
“Ao menos isso…” – pensei. – “Pelo menos é só soro.”
Acho que foi a primeira vez que o vi a dormir com uma camisola, fosse de que tipo fosse. A cor da sua face ainda não tinha voltado ao normal, mas o seu rosto tinha uma expressão calma. Peguei na cadeira que estava no canto do quarto e sentei-me junto à cama. Parecia um filme com um final previsível. Porém, naquele caso, o dia seguinte não tinha nada de calculável.
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