Scars Of Love
27 Capítulo 26
Notas iniciais
(Isabella)
Passado pouco tempo, Simão entrou no quarto. Muito surpreendido por eu estar a segurar a mão de Petrus, não disse nada por momentos, aliás, fui eu quem começou a conversa.
— Simão, a minha voz tem uma ação curativa para com os da minha espécie, tu sabe-lo, eu não posso fazer nada?
— Não, Menina Isabella. A menina só pode curar feridas que sejam causadas pelas vozes ou instrumentos dos da sua espécie. As feridas que o Petrus tem foram causadas por lâminas e o corte que ele tem o abdómen por pouco que não foi fatal, o ferimento é bastante profundo.
Lembrei-me que quando calçava as minhas botas, colocava sempre duas facas, uma em cada bota. Tinha treinado bastante a pontaria e manobras de combate com facas quer elas fossem longas ou pequenas. Treinava às escondidas, pois isso não fazia parte do meu treino com Kiba. Pensei que ali no hospital elas poderiam dar jeito, caso alguém aparecesse…
— Simão achas que ele vai acordar?
— Os médicos disseram que sim…
— Sabes bastante bem que eu não confio em médicos.
— Eu sei, mas não podemos fazer mais nada. Temos de esperar. O médico que está a seguir o Petrus disse que ele acordaria em breve.
— Eu sei…
Simão começou a dirigir-se para mim, parecia que me queria dizer alguma coisa.
— Menina Isabella…?
— Diz Simão… – estava impaciente.
— Até tenho medo de perguntar…
— Deixa-te de rodeios!
— Quer que eu fique aqui durante a noite ou fica a menina?
— Eu fico.
Os olhos de Simão arregalaram-se de admiração, mas logo se recompôs e se despediu. Olhei para o relógio que estava em cima da branca e pequena mesa-de-cabeceira. Marcava duas horas da manhã.
“O tempo passou muito depressa.” – pensei.
Não tinha sono, mas se passasse a noite toda naquela pequena cadeira, no dia seguinte ia ter uma valente dor de costas. A grande poltrona que estava junto da janela para os doentes ia servir perfeitamente. Aconcheguei-me o melhor possível e encostei a cabeça. Prendi os cabelos e olhei o céu. Continuava sem qualquer sinal de estrelas e era noite de lua nova. Passadas poucas horas acabei por adormecer.
Acordei com barulho no quarto. O sol estava a nascer. Pensei que ele fosse demorar mais a acordar.
— Para que é que te estás a mexer se já sabes que não podes?
— Desculpa… Mas já não consigo estar mais na mesma posição.
Levantei-me da poltrona e fiquei de frente para a janela.
— Eu sei que não é o local nem o momento, mas posso saber para que é que desafiaste a Valéria? Tu por acaso tinhas a noção dos riscos que ias correr? Quer dizer, agora já tens…
Gemeu ao tentar levantar-se. Dirigi-me para junto dele para o ajudar e arranjar as almofadas. Gemeu novamente.
— Eu só te queria mostrar que estou inocente. Eu nunca te quis trair, eu nunca te quis magoar, eu nunca… eu nunca quis fazer-te essa marca.
O meu corpo tremia todo.
“Como é que ele pode estar a dizer tal coisa?” – pensei.
— Se nunca quiseste, porque é que o fizeste? – perguntei-lhe friamente.
Ele estremeceu.
— Estás a tratar-me como há uns anos atrás… – disse ele num tom triste. – Eu dou-te total razão, eu devia ter sido mais cuidadoso, mas nunca pensei que os planos do Luther fossem estes.
— O que é que tu estás para aí a dizer?!
— No dia em que me encontraste no quarto com a Valéria, eu tinha sido enfeitiçado pelo seu canto. Consegui acordar antes do feitiço estar completo, mas o seu efeito já estava de tal modo avançado que não consegui repudiar. Quando te enfrentei no bosque também estava sobre o seu comando. A única pessoa que ouço é a Valéria, naquele momento não existe mais ninguém. A minha mente é só nevoa, não me lembro de nada nem ninguém.
Então era por isso que ele não reagia mesmo que eu dissesse alguma coisa, era por isso que o olhar dele era tão baço. Mesmo assim, não demonstrei o que sentia ou que o pensava.
— Sim, tens razão devias ter tido mais cuidado.
Virei-me novamente para ele, encostei-me e coloquei as minhas mãos nos bolsos.
— Isabella?! – até então tinha estado a olhar o chão. Levantei a cabeça e fitei-o. Tinha quase a certeza do que ele ia perguntar. – Quem é aquele tal Kiba?
“Ele é mesmo transparente.” – pensei.
— Ele é um lobisomem que foi mandado pelo Rei do Fogo para me treinar, para aumentar a minha força, a minha habilidade e ganhar resistência física. – a sua cara era de desconfiado. De certeza que estava a pensar outra coisa. – Pode não parecer, mas estou feliz por estares bem.
A sua cara mostrava admiração.
— Isabella perdoa-me por favor. – tentou mexer-se e gemeu novamente.
— Eu já te disse que não sou ninguém para perdoar. Bem, eu tenho de ir a casa, trocar-me e trazer-te algumas coisas. Vê se descansas.
Ao sair do hospital, liguei ao Simão para ir preparando as coisas e Kiba veio ao telefone.
— Precisamos de ter uma conversa séria. – disse.
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