Voltou a mexer no computador, precisava atualizar seu blog, se não perderia os frequentadores dali, começou a escrever.

"Bom dia, humanos, vocês devem estar estranhando, eu, Mellanie, que sempre costumo postar durante a madrugada ou á noite, estou aqui ás..." ela olhou para o relógio do computador. "... nove em ponto da manhã, e o mais estranho ainda, eu estou sem sono! Ainda me sinto um pouco mal pela morte de minha mãe mas eu conheci alguém que anestesiou a minha dor, Ryan Haines (18), nós nos conhecemos num lugar bem... estranho. Foi no cemitério, ele me pegou chorando no túmulo de minha mãe e me chamou de garotinha virgem do ensino médio quando eu lhe disse minha idade, bem, ele só ficou legal quando se tocou que eu parecia a falecida namorada dele, mas eu pouco me importo, agora eu tenho um amigo! Também conheci uma garota no mesmo lugar, a roupa dela era meio estranha, mas eu descobri que era uma fantasia depois de ouvir a história dela, Scarlet Streisand (15), ela tem um passado bem obscuro, cuidado, Scarlet! Acabei dormindo no cemitério, com Ryan, mas, por favor, maliciosos, não pensem besteira, nós não fizemos nada, e no dia seguinte ele me deu um buquê de rosas vermelhas, sim, ele é um cara legal. Cheguei aqui, á casa de minha tia, que é minha atual casa agora, e descobri um quarto cheio de coisas antigas, encontrei um diário, Isabel Hale era o nome da proprietária, é da minha família, mas eu nunca a vi, nem ao menos ouvi falar dela, um dia vou desvendar este mistério. Hoje á tarde combinei de sair com Ryan, espero que chegue logo, pois já sinto a falta dele... isso é tudo por hoje, agora vou me trancar no banheiro e tomar um banho para relaxar, tchauzinho!"

Ela terminou de escrever e fechou o notebook, levantando-se da cama, passou as mãos em seu rosto e pegou seu celular no bolso de uma das malas, sua toalha e escova de dentes, dez ligações perdidas, todas de sua tia ontem á noite depois que ela havia saído, ela balançou a cabeça negativamente, saindo do quarto, desceu as escadas novamente, lá estava Elena, que a olhou em silêncio enquanto ela entrava no banheiro, Mellanie trancou a porta como sempre e foi até o espelho, olhando sua aparência, era, sem dúvidas, a aparência de alguém que fugiu de casa. Tirou suas roupas com agilidade, deixando todos os seus cortes á mostra, olhou para seus pulsos, já estava em processo de cicatrização, logo elas desapareceriam e tudo o que restaria ali seriam marcas, marcas que trariam más lembranças, ela levantou as mãos, removendo o colar que envolvia seu pescoço, jogou-o sobre a pia e, por fim, ligou o chuveiro, entrando em seguida debaixo dele, levantando seu rosto para que a água caísse mais livremente, fechou os olhos, a água era muito fria, mas ela havia colocado assim de propósito, para que ela pudesse despertar, estava meio sonolenta, ficou alguns minutos assim, depois tomou seu banho, com shampoo, condicionador e sabonete. Ao terminar escovou os dentes, depois envolveu a toalha em seu corpo, saindo do banheiro rapidamente para que ninguém a visse daquela maneira, correu para seu novo quarto, fechando a porta e trancando-a com a chave, que por sorte, já estava na porta, Mellanie revirou suas malas procurando qualquer roupa para vestir, a grande maioria de suas roupas eram pretas então podiam ser facilmente confundidas. Então, escolheu uma blusa simples de mangas e gola compridas, uma saia não muito curta de renda e uma meia calça, vestiu-se, não se esquecendo de seu colar que auxiliaria na intenção de esconder suas cicatrizes, voltou a deitar na cama, suspirou.

Pouco tempo depois, Elena subiu as escadas rapidamente, enquanto chamava o nome de sua sobrinha, Mellanie cerrou os punhos.

"O que você quer aqui? Pensei que não queria ter contato com um monstro!" ela exclamou, sentando-se de costas para a porta, olhava para a janela, aquele maldito sol que iluminava todo seu quarto mesmo que a janela fosse fechada, o céu estava da cor de sempre nas tardes de Arizona, azul-claro, as nuvens haviam desaparecido, não choveria mais, a escuridão, o frio havia ido embora. Ela abaixou a cabeça, odiava aquilo tudo.

"Estive conversando com Tania, aquela amiga de sua mãe, lembra-se?" a voz de Elena estava mais próxima agora, ela estava parada na porta do quarto de Mellanie, uma mão segurava a outra com os dedos entrelaçados a sua frente, com uma expressão um pouco hesitante. Mellanie não se virou, apenas apoiou seus joelhos na cama, inclinando-se, manteve o rosto abaixado ao puxar a cortina com as duas mãos, tampando o sol que poderia prejudicar sua pele branca, suas mãos não se abriram para soltar a cortina, ela suspirou.

"E daí? Vou me livrar do pesadelo de viver com você e ir morar com ela?" ela soltou as cortinas, apoiando suas mãos sobre suas coxas

."Não, Mellanie, você não tem escolha, ou você mora aqui ou vai viver em um reformatório, é isso que eu gostaria de falar com você." o tom de voz de Elena tornou-se mais rude, Mellanie podia ouvir agora os passos dela, se aproximando, levantou seu rosto para a cortina branca com algumas manchas de caneta que ela mesmo havia feito há alguns anos atrás ao ouvir a palavra "reformatório".

"Não temo ás suas ameaças, e eu poderia muito bem morar sozinha." ela riu de leve ao finalizar a frase.

"Conversei com Tania a seu respeito, disse sobre os seus comportamentos... depois conversei mais com seu tio, todos tiveram a mesma opinião, Mellanie, você deve aceitar isso... você não é normal." agora Mellanie ouvia as palavras dela bem abaixo de seu ouvido, ela estava á beira de sua cama.Mellanie se virou para ela, irritada, apoiando suas mãos na cama.

"EU NÃO SOU NORMAL? SUA DESGRAÇADA, SAIA IMEDIATAMENTE DO MEU QUARTO ANTES QUE EU COMETA UM ASSASSINATO!" ela levantou uma de suas mãos, apontando seu dedo indicador para a porta, o ódio era facilmente visto em seus olhos.

"Olhe só! Você já ficou histérica do nada! Me espere terminar de falar." Elena exclamou, ainda falando com seu tom rude.

"Não olhe para mim, não olhe para mim!" Mellanie caiu de costas em sua cama, apertando as mãos em seus olhos com força, enquanto balançava a cabeça negativamente.

"Se você não melhorar este seu comportamento, infelizmente teremos que tomar as medidas drásticas que eu já te falei!" ela aumentou seu tom de voz, olhando para Mellanie. Parou.

"Bem... o recado está dado." ela se virou, retirando-se do quarto.

"POR QUE VOCÊ NÃO ME MATA DE UMA VEZ?" Mellanie gritou em seguida, sem se mover.

Mellanie tirou as mãos dos olhos, pousando-as aos seus lados, olhou para o teto, com a respiração um pouco ofegante, talvez sua tia tivesse razão e ela fosse uma problemática depressiva que deveria ser simplesmente jogada em um reformatório, virou-se na cama, ficando de bruços, colocou o travesseiro sobre sua cabeça, os soluços iniciaram antes das lágrimas das más lembranças mais uma vez escorrerem de seus olhos, há algum tempo atrás ela se perguntara se havia cena pior do que o velório de sua mãe, então ela se lembrou do desespero ao ver que ela não respirava mais. Era madrugada e Mellanie havia tido mais um de seus pesadelos com Nate, ela sempre os compartilhava com sua mãe, e ela a confortava sempre, embora nunca contasse o motivo dele ter ido embora, e sempre era a qualquer hora, á noite, durante o dia ou madrugada, sua mãe não se importava em ser acordada. Mellanie deu passos lentos de seu quarto até o quarto de sua mãe, não acendeu a luz, se aproximou da cama, ajoelhando-se e sacudindo-a levemente com uma de suas mãos enquanto a chamava. Nada. A garota franziu as sobrancelhas e continuou a sacudí-la, cada vez com mais intensidade, depois de um curto tempo ela resolveu checar sua pulsação. Nada de novo. Imediatamente ela correu até o telefone, chorando convulsivamente ao discar o número de sua tia, implorando para que ela viesse ajudá-la, a pior parte chegou bem depois, quando os médicos chegaram e declararam que ela não voltaria... estava morta.

"NÃO!" Mellanie gritou sozinha, empurrando o travesseiro, impedindo que essas lembranças reaparecessem em sua cabeça.

"Não... não... não" ela se sentou, sussurrando enquanto colocava as mãos no rosto novamente. "Ryan..." abaixou suas mãos, olhando para o relógio de seu celular ao seu lado, faltavam apenas três minutos para as dez horas, cedo demais, ainda faltavam quatro horas. Quatro horas. "Por que eu não marquei mais cedo?" pensou. Depois desse tempo pensando ela havia tomado uma decisão, deveria sair dali o mais rápido possível, mas sair sem volta, ela não conseguiria ficar alguns dias a mais sendo tratada daquela maneira a qual não era acostumada naquela casa, com certeza faria alguma besteira, olhou para a janela tampada pela cortina mais uma vez, havia tido mais uma idéia e sorriu consigo mesma, saltou da cama, saindo do quarto e começando a descer as escadas imediatamente, esperava que Liesel já estivesse acordada.Ao terminar de descer as escadas encontrou seu tio, sentado no sofá lendo seu jornal tranquilamente, a mesma imagem que ela tinha dele aos seus seis anos, ele, definitivamente não havia mudado nem um pouco, sempre antisocial e recatado, eram poucas as vezes que Mellanie havia escutado sua voz, afinal nunca havia conversado muito bem com ele por sua extrema timidez. Ela o olhou.

"Liesel já está acordada?" perguntou ela, colocando as mãos na cintura, um pouco envergonhada.

"Está no quarto dela." ele respondeu, sério e sem mudar a sua expressão ou desviar o olhar do jornal em suas mãos, ele apenas mudou a página, lançando uma rápida olhadela para Mellanie, mas voltando imediatamente para seu jornal, que parecia ser mais interessante do que qualquer outra coisa que estivesse ao seu redor.

Mellanie, novamente tomada pela timidez, corou um pouco e não disse mais nada, recorrendo imediatamente ao quarto de Liesel, que era ao lado da escada, a porta de madeira velha com os fechos enferrujados estava fechada, Mellanie não hesitou em abrir mesmo sem bater, sabia que isso irritaria Liesel ao extremo e ela adorava vê-la irritada. Liesel estava apenas de roupa íntima mexendo em seu guardarroupa, provavelmente havia acabado de sair de um banho, ela imediatamente puxou o cobertor de sua cama para se cobrir com um olhar assustado, virando-se para a frente, bufou ao ver Mellanie, que riu baixinho.

"O que faz aqui, Mellanie?" ela disse, num tom de desânimo.

"Calma, prima. Vim fazer um acordo com você." Mellanie se sentou sobre a cama dela, cruzando as pernas e apoiando as mãos sobre os joelhos, lançando um sorriso doce, mas ao mesmo tempo cínico para Liesel.

"Agora? Desse jeito?" Liesel ainda segurava o cobertor sobre seu corpo, seu tom de voz parecia um pouco mais irritado.

"Relaxa, pode se trocar, Liesel, eu não vou te devorar, posso ter meu jeito meio estranho, mas eu não vou te comer." ela balançou a cabeça negativamente ao terminar de falar e olhou para suas mãos em seus joelhos, agora com um sorriso divertido.

"Diga logo o que você quer." ela não se moveu, apenas a fitava, um pouco desconfiada, levantou uma das sobrancelhas.

"Te propor algo, ué, o que mais poderia ser?" Mellanie imitou Liesel, levantando uma de suas sobrancelhas também, rindo em seguida, descruzou suas pernas, apoiando suas mãos na cama, inclinando seu rosto para Liesel. "Me ajude a fugir" ela disse baixo, apenas um pouco mais alto do que um sussurro.

"P-por que eu deveria?" Liesel disse na mesma altura, agora um pouco assustada e desconfiada.

"Por que eu estou mandando." Mellanie franziu suas sobrancelhas, apontando o dedo indicador para si mesma, abaixando-o em seguida, fuzilando-a com aquele olhar que ela sabia que Liesel cederia.

"Se por acaso eu não te ajudar a fugir..." Liesel mordeu seu lábio inferior, abaixando seu rosto, intimidada pelo olhar de Mellanie, encostou-se contra a parede, suspirou e voltou a olhá-la, séria.

"Eu vou te odiar pra sempre, mais do que já odeio." ela continuou falando baixo, em um tom que ela sabia que fazia Liesel ficar insegura, aquele tom de adolescente rebelde sempre funcionava com todos, era incrível.

"Não! Eu não quero isso, não gosto de intrigas com minha família, você sabe que eu sempre quis que ficássemos em paz, Mellanie." ela disse, colocando as mãos sobre seu rosto, segurando o cobertor com seus cotovelos. "A minha família... é... simplesmente... tudo para mim." ela levantou seu rosto, havia lágrimas em seus olhos, Mellanie balançou a cabeça negativamente, perguntando-se como ela poderia ser tão emocional.

"Ah... você não sabe o quanto vamos ser amigas se você me ajudar, Liesel!" Mellanie lançou o seu mesmo sorriso convincente e simpático de sempre, voltando a sua posição anterior, olhando para a porta. "Mas antes de combinarmos qualquer coisa, vista-se." ela atirou uma roupa qualquer que estava sobre a cama em Liesel, sem voltar a olhar para ela, Liesel segurou a roupa com uma das mãos, utilizava a outra ainda para esconder-se "E como eu acho que minha amizade não é muito valiosa, vou incentivar tia Elena á deixar você namorar com Will." Mellanie sorriu, levantando-se e virando-se para ela.

Quinta pequena observação: Will fora o primeiro namorado de Liesel, eles terminaram pois Elena havia descoberto sobre os dois e o julgou muito velho para namorar sua filha, mas os dois continuavam se amando, mesmo escondido de Elena.

"Como você sabe dele?" Liesel disse, mais baixo ainda, após um minuto de silêncio.

"Um passarinho me contou." Mellanie levantou as sobrancelhas, aproximando-se mais de Liesel, ficando a centímetros de seus lábios se tocarem, Liesel intimidou-se um pouco. "Ah, mas isso conversamos melhor depois, aliada." ela inclinou seu rosto, fazendo o inimaginável, mordendo o lábio inferior de Liesel e puxando-o, em seguida chupando o mesmo, a garota permaneceu parada, cerrando seus punhos, sem reação, abriu as mãos, levando-as para trás tentando encontrar a parede. "O que é? Você nunca beijou?" perguntou Mellanie, baixo, sorrindo de lado.

"Eu... não gosto de mulheres." suspirou Liesel, olhando para baixo, Mellanie levantou seu queixo. "Hum... eu não tenho muita experiência... mas... você é a minha prima querida, não tenho por que temer." Mellanie avançou novamente, selando os lábios nos de Liesel, que permaneceu imóvel, fechando os olhos com força.

"Mellanie... é melhor você sair. Eu não quero isso... é estranho. É nojento." Liesel falou entre o beijo, mas sem evitá-lo.

"Mellanie? Liesel?" era a voz de Elena, na porta do quarto, não havia visto o beijo das duas.

Mellanie afastou-se imediatamente e foi em direção a porta, sua tia a olhou, confusa, mas sem perguntar nada, em seguida olhou para Liesel, Mellanie saiu do quarto dela, as dúvidas rondavam na cabeça de Liesel, que permaneceu congelada quando ela saiu, sussurrando três vezes seguida a palavra "aliada?". Quanto ao beijo, Mellanie estava acostumada com isso, e só o havia feito para assustar Liesel, ela gargalhou do lado de fora enquanto caminhava de volta até seu quarto, subindo lentamente cada degrau, parou na metade, inclinando-se para trás enquanto segurava no corremão para olhar o relógio que ficava na parede, eram dez e meia. Ainda. Ela cerrou os punhos, voltando a subir os degraus, agora um pouco mais aceleradamente, chegou em seu quarto, sentando-se em sua cama novamente, encolhendo suas pernas e olhando para a janela, afastando as cortinas, começou a olhar para o céu, pensando. Fugiria daquela casa o mais rápido possível, segurou seu pingente de crucifixo, apertando-o com força, fechou os olhos por um momento, depois virou seu rosto para trás, olhando as rosas que Ryan havia lhe dado, não estavam com um aspecto muito bom, pois ela havia esquecido de colocá-las na água, mesmo que ela colocasse as flores na água elas não demorariam muito para secarem, ainda mais naquele calor, aquelas flores eram simplesmente simbólicas do... bem, talvez cavalheirismo de Ryan e o afeto que havia sentido por Mellanie, mas quando as rosas morressem... a agradável maneira que Ryan estava tratando Mellanie também morreria? Não, isso era apenas as insanidades que rondavam pela cabeça da garota, que naquele momento, estava sendo descrita como a louca da família por sua tia para a amiga de sua mãe no telefone. Ela se inclinou para pegar uma flor do buquê, depois voltou a posição anterior, começando a despedaçá-la pétala por pétala, não era um "mal-me-quer e bem-me-quer", estava simplesmente despedaçando-a sem motivo algum, talvez para seu entertenimento, sentia-se entediada e gostaria que o tempo passasse logo, parecia que ela não via Ryan há semanas, cada uma das pétalas foram caindo em seu colo e algumas deslizando para a cama, agora ela estava virada do lado contrário da janela e o sol batia em sua costas, fazendo suas madeixas negras, onduladas e úmidas brilharem mais. Ela se afastou, sentando-se rente a cabeceira da cama, deixando os raios solares baterem direto em parte de sua cama e no chão. Mellanie mal notou que Liesel havia chegado ali.

"Prima, vamos conversar... direito... sobre aquilo." ela se aproximou, vestia agora um short jeans e uma blusa simples decotada e cor-de-rosa.

"Estou ouvindo." Mellanie, terminando de despedaçar a rosa, quebrou o caule, olhando para Liesel, sabia que ela iria dizer sobre o beijo.

"Você é lésbica?" ela se ajoelhou no chão, apoiando os braços na cama, olhando para Mellanie, franziu as sobrancelhas.

"Não." ela disse, voltando sua atenção para o caule quebrado da rosa em suas mãos.

"Tá. Então por que me beijou? E o que você quis dizer com aliada? Você gosta de mim, Mellanie?"

"Hã... eu não te beijei, foi um selinho. Vai dizer que nunca fez isso com suas amigas? Eu quis dizer aliada, pois ajudaremos uma a outra. E não, Liesel, eu não gosto e nem estou a fim de você." Mellanie revirou os olhos.

"Ok. Eu não costumo beijar minhas amigas, e você mordeu minha boca, o Will faz isso." ela mordeu o lábio inferior.

"Perdão." ela riu de leve."Hã... ok." Liesel suspirou, imediatamente mudando de assunto. "E falando nele, como você sabe do Will?"

"Ouvi sua mãe falando com minha mãe a última vez que viemos aqui, pouco antes dela morrer." ela apoiou as mãos em seus joelhos, mantendo seu olhar em Liesel."Ah... e... hã... o que você acha?" Liesel falou em seu tom de voz baixo e inseguro.

"Babaquisse da sua mãe, como sempre, meu primeiro namorado eu tive com uma idade á menos que você. Eu tinha quatorze, ele tinha dezenove." Mellanie deu de ombros, lembrando-se de Tyler, seu primeiro namorado estranho, mimado e infantil.

"Eu não me lembro disso! Como ele era? Qual era o nome dele? Me conte!" Liesel começou a falar em um tom mais seguro agora, sorrindo.

"Tyler. Ele era bem estranho, mas eu era louca por ele na época, sempre o venerava por ele ser o mais bonito da escola, ele havia repetido algumas vezes, mas ainda assim era super popular... eu devia ter visto o conteúdo, ele era egoísta e extremamente infantil, ás vezes parecia que era eu quem tinha dezenove na época..." Mellanie riu, abaixando sua cabeça, lembrando-se. "Por isso agora eu te pergunto... esse Will... vale a pena?" ela levantou o rosto para ela novamente.

"Vale! Prima, ele é perfeito, quando eu olho pra ele eu vejo..." Liesel falava em um clichê tom de paixonite.

"Me chame de Mellanie." ela a interrompeu, franzindo as sobrancelhas.

"Ok, Mellanie. Ele é inteligente, simpático... ah, são tantas qualidades! E eu gosto dele de verdade, o ruim... é que minha mãe não entende isso" ela fez um beicinho.

"Já tentou conversar com ela?" Mellanie perguntou.

"Eu não posso... se eu toco no nome dele na presença dela, ela já começa a gritar e me magoar com as palavras dela." ela abaixou a cabeça.

"Você realmente ama o Will? Disposta á fazer o que for preciso para ficar com ele?" Mellanie lançou mais uma pergunta.

"Sim." foi só o que ela disse.

"Fuja com ele." Mellanie olhou para a frente.

"O que? Mellanie, eu não posso fazer isso! O que seria de nós dois? Ele faz faculdade, eu estou no ensino médio e ele ainda nem tem um emprego fixo! E outra, os pais dele são velhos e como todos os filhos mais velhos já saíram de casa é ele cuida deles, ele nunca toparia isso e... " Liesel se empolgou, começando a falar sobre aquele cara, Mellanie fechou seus olhos, estava um pouco sonolenta e sem vontade de saber tudo o que ela tinha para contar, então a interrompeu.

"Tá, tá, chega de falar. Conversamos sobre isso depois então, sai do meu quarto, vai." Mellanie abriu seus olhos, levantando-se da cama, Liesel ficou um pouco confusa, permanecendo parada. "Está esperando o que? Vamos, evapora! E se comentar algo sobre o que conversamos com alguém eu conto tudinho para sua mãe que você ainda namora o Will, além de arrancar a sua cabeça e mentir que foi você quem me beijou." ela apontou para a porta, mordendo seu lábio inferior para conter uma risada.

"T-Tudo bem." Liesel se levantou, abaixando sua cabeça por um momento, depois se recompôs, virando as costas e se retirando do quarto, Mellanie voltou a se jogar na cama, olhou para o relógio de seu celular mais uma vez, onze e trinta e seis, faltava pouco tempo para seu tão esperado encontro com Ryan, ela teria que lembrar a si mesma de nunca mais se permitir ficar um momento sequer longe dele, ele era o único que a compreendia, lhe fazia bem. Mas nessas quatro horas e trinta e seis minutos ela queria só descançar mais um pouco, não fazia idéia do horário que havia adormecido na noite passada, mas tinha necessidade de ter estas quatro horas de sono ao menos, já que não conseguiria dormir á noite. Mellanie fechou seus olhos, apoiando as mãos sobre seu peito, o barulho dos passos de Liesel nas escadas martelavam em sua cabeça, podia ouvir a leve assoviando lá de fora e batendo contra as árvores, ouvia a voz de sua tia quase inaudível lá de baixo, aqueles sons a incomodavam, ela não entendia o por que, mas eles penetravam em sua mente como se fossem facas bem afiadas, ela tampou os ouvidos, fechando os olhos com mais força e tentando ignorar aqueles barulhos, focou sua atenção nas batidas irregulares de seu coração, abaixando suas mãos, ela conseguia ouvir os seus próprios batimentos. Concentrando a atenção ali, após um curto período de tempo ela conseguiu adormecer, fazendo todos os sons desaparecerem por completo.