Scars

5 Capítulo 4 - In Love


Notas iniciais
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Bella POV.


Edward dirigia silenciosamente ao meu lado. Não sabia o que conversar com ele, não sabia como dizer, mas eu tinha que agradecer.

- Obrigada – murmurei, alguns minutos depois.

Edward pareceu surpreso com isso. Então olhou-me, avaliando-me.

- Por...? – Ele realmente parecia confuso.

- Por ter ido atrás de mim – suspirei. – Não tenho sido uma pessoa amigável.

Encostei minha testa no vidro do carro, evitando encarar Edward. Parecia que ele lia minha alma.

- Não há de quê – sussurrou, parecendo surpreso. – Chegamos.

Estávamos em frente a um bar. Não parecia muito cheio.

- Se quiser, posso levá-la a um restaurante.

- Não, aqui está bom. Não estou com fome.

Adentramos ao bar. Sentei-me em uma das cadeiras e vi que Edward sentava ao meu lado. Ele digitou algo no celular e depois sorriu para mim.

- Mandei uma mensagem para meu pai – disse. – Para avisar que você está comigo.

Respirei fundo e somente assenti. Pedi apenas um pouco de água. Edward pediu cerveja, seus olhos em mim o tempo todo.

Tomei um gole de minha água, sem saber se devia ou não iniciar uma conversa.

- Por que você é assim, Bella? – A voz de Edward despertou-me de meus devaneios. – Por que não deixa que as pessoas se aproximem de você?

- Porque... – suspirei. – Porque sim.

Eu via que ele esperava que eu fosse me abrir, que eu fosse contar toda a minha história, mas eu não podia; não podia deixar que as pessoas soubessem de minha desgraça. Não queria que elas se aproximassem de mim por pena.

Edward não puxou mais assunto, e eu agradeci mentalmente por isso. Bebia minha água calmamente, sem querer voltar para casa.

- Se quiser – murmurei -, pode ir para casa. Eu não estou com vontade de ir embora agora.

- Nem eu.

Olhei-o totalmente surpresa, não imaginava que ele fosse querer ficar ali. Encarei seus orbes verdes, sua boca perfeitamente desenhada, seu maxilar tenso, as linhas e expressões de seu rosto. Desviei meus olhos rapidamente, ao perceber que o estava analisando.

- Por que você é assim, Bella? – repetiu a pergunta de outrora.

Olhei em seus olhos, tentando pensar em uma desculpa, mas seu olhar me encantou tanto, que tive que dizer a verdade.

- Não posso confiar nas pessoas – ri, sem humor algum. – Isso me custou muito, Edward.

- E você acha que vai conseguir superar, seja lá o que tenha acontecido com você, sozinha?

- As pessoas não entendem – murmurei. – Não quero que ninguém se aproxime se mim por causa de pena. Não preciso que as pessoas sintam pena de mim.

Abaixei meu rosto, odiando-me por me sentir tão fraca. Eu daria tudo para me esquecer do passado, daria tudo para ser feliz novamente.

- Eu não entendo. – Sua voz tirou-me de meus devaneios. – Ninguém é igual a ninguém, Bella. Você pode ter sido traída no passado, mas isso não significa que todos vão fazer isso com você.

- Eu realmente não quero pagar para ver. – Seus olhos me sondavam, parecia que ele queria realmente saber o que havia acontecido comigo, mas eu não era capaz de contar.

Edward POV.

Eu precisava entendê-la, precisava saber o que tinha acontecido para ela ser assim.

- Eu realmente não quero pagar para ver.

Continuei olhando-a, tentando entender por que ela era assim, o que tinha acontecido para que ela se fechasse em seu próprio casulo.

- Bella, eu vou ser sincero com você – murmurei. – Ficar sozinha, se isolar, maltratar as pessoas... Fazer tudo o que você faz, não vai tirar essa dor de você.

Vi seus olhos se arregalarem.

- Ninguém nunca tinha dito isso... assim antes – sussurrou. – Meu psicólogo tentou, por quatro anos, fazer com que eu me aproximasse de minha família. Ele disse que eu precisava do apoio dela, que eu podia confiar em meus pais, mas eu não podia deixar que eles me vissem daquele jeito. Não posso permitir que eles saibam que eu me co... Esquece.

Apesar de estar extremamente curioso, louco para saber o que ela iria dizer, respeitei-a. Bella nunca falara tanto, e eu estava encantado em saber mais dela.

- É só o que eu penso – dei de ombros. – Em minha opinião, você deveria deixar que as pessoas se aproximassem de você. Veja minha irmã, Alice, ela está louca para conversar com você mais, se tornar sua amiga, e, você...

- Dispenso – mordeu o lábio inferior. – Obrigada, Edward, nunca tinha pensado por esse lado. Quer dizer, eu tinha, mas não sei. Ouvindo outra pessoa, que não tem obrigação nenhuma de conversar comigo, dizer isso... Obrigada.

- Não há de quê – sorri, esperando um sorriso, nem que fosse um pequeno. Mas Isabella não sorriu; talvez ainda fosse cedo para isso.

- Pode me levar para casa agora? – pediu. – Eu realmente estou cansada.

- Tudo bem.

Eu não estava pronto para me despedir ainda dela, mas a levaria para casa, como ela pedira. A viagem de volta foi silenciosa, Bella parecia perdida em seus próprios pensamentos. Só pareceu despertar quando estávamos na rua da sua casa.

- Boa noite, Edward – disse. – Obrigada mais uma vez.

- Não foi nada – sorri.

Ela saiu e eu só parti depois que ela estava segura em casa. Respirei fundo, tentando entender o que me atraía naquela garota, por que eu não conseguia me afastar dela, por que eu só queria ficar próximo a ela...

Tomei um banho rápido assim que cheguei a minha casa, sem encontrar as respostas para tantas perguntas.

Havia uma, absurda demais para ser verdade.

Eu não podia estar me apaixonando.

Não podia estar amando Isabella Swan.

Bella POV.

Meus pais estavam sentados na sala, me esperando. Respirei fundo, as palavras de Edward ecoando em minha mente.

- Mãe, pai – murmurei. Eles me olhavam, esperando que eu desabasse a qualquer momento. Segurei um revirar de olhos; eles não me conheciam. Não mais.

- Você está bem, querida? – minha mãe perguntou, na certa sem saber o que fazer ou o que dizer.

- Sim – menti. – Edward conversou bastante comigo, e eu realmente sinto muito por ter estragado o jantar de vocês.

- Oh, Bella, não se preocupe com isso – disse meu pai. – Só nos importamos com o seu bem estar.

- Obrigada – sorri um pouco. Eles pareceram espantados com isso.

Dei um beijo no rosto de cada um.

- Boa noite – sussurrei, antes de subir as escadas. Retirei a roupa que eu usava, já no banheiro. Olhei meu pulso, eu não me cortei hoje. Apesar dos tremores, não me cortei. Eu me senti bem com a presença de Edward, mesmo isso sendo infinitamente errado. Tomei um banho quente, porém rápido. Coloquei uma roupa confortável, e me deitei, agradecendo por não trabalhar no dia seguinte.

- Você só pensa nisso! – gritei, sem conter a fúria. Eu estava cansada de ser colocada em segundo plano.

- Porque eu preciso pensar! – gritou de volta, seu rosto vermelho. – Eu pensei que você entenderia, Bella, mas acho que me enganei.

- Eu entendi – gritei ainda mais alto, lágrimas de fúria rolando pelo meu rosto. – Você sempre diz “essa vai ser a última vez”, mas tem um ano que escuto isso! Um ano!

- Eu não preciso que venha comigo, não preciso!

Abri os olhos, ofegante, tentando conter o tremor de meu corpo. Olhei o relógio, assustando-me por perceber que era tão tarde. Pulei da cama, e relaxei um pouco, quando percebi que era sábado, que eu não tinha que trabalhar. Rumei para o banheiro, já me preparando para fazer algo que virara minha rotina: cortar-me.

(...)

Decidi que me mudaria nesse fim de semana mesmo. Depois que saí do banho, mais calma, arrumei-me apressadamente. Precisava fechar o contrato ainda hoje. Não tinha muito o que fazer, já que o apartamento tinha móveis, e eu também não o estava comprando, estava alugando.

Surpreendi-me por estar um clima mais quente em Forks. Desci as escadas rapidamente, desejando resolver logo o assunto do apartamento.

- Vai sair, querida? – mamãe me perguntou, quando peguei um copo de suco e engoli rapidamente.

- Sim – dei de ombros. – Estou olhando um apartamento para mim.

- Bella, sabe que não tem que sair daqui – disse meu pai.

- Eu sei, pai, mas eu realmente preciso de um lugar só meu, entendem?

Eles assentiram. Forcei um sorriso para eles e me afastei.

- Até mais tarde.

Saí pelas ruas de Forks, sem andar depressa. Peguei-me procurando Edward pelas ruas e me repreendi por isso. Eu não devia estar procurando-o dessa forma, mesmo não podendo negar que me senti bem com ele.

Conversei com a dona do apartamento. Ela me disse que eu poderia me mudar quando quisesse, e eu paguei adiantado, pegando o contrato e o recibo. Decidi que me mudaria naquele mesmo dia, e, um pouco mais animada, comecei a voltar para casa. Só teria que fazer minhas malas e pronto. Teria que olhar um carro e logo; não queria ficar pedindo o carro de meus pais emprestado. Cheguei a casa deles e comecei a arrumar minhas coisas. Não eram muitas, e eu poderia fazer tudo em uma viagem só. Minha mãe tentou fazer com que eu ficasse, mas eu disse a ela que eu realmente precisava de um lugar para mim.

- Quer ajudar com as malas? – indagou-me. – Eu posso te levar para lá de carro.

- Não precisa, mãe – abracei-a rapidamente. – Deixe um beijo para o papai; em breve eu venho visitá-los.

Peguei minhas malas, com um pouco de dificuldade, e fui até andando até meu prédio. Passei no supermercado e comprei algumas coisas básicas, apenas para fazer algo para meu almoço.

- BELLA!

Senti meu coração falhar uma batida, para logo se recuperar com o dobro de velocidade. Congelei no lugar, vendo Edward correr até a mim.

- Oi – cumprimentou-me, sorrindo. – Precisa de ajuda?

- Ah, oi. Não precisa, obrigada.

Ele revirou os olhos e pegou minhas malas.

- Hei, eu posso carregá-las – protestei, mas ele não me deu atenção. Carregava minhas malas como se elas não pesassem nada. Continuei somente com as sacolas do supermercado.

- Então, onde vai morar? – indagou-me, enquanto caminhávamos.

- No único prédio de Forks.

Ele riu, sua risada ecoando pela rua. Sorri um pouco, surpreendendo-me com isso. Não foi um sorriso falso.

Edward entrou no apartamento comigo, colocando as malas na sala. Ele observou tudo, sorrindo. Será que ele sabia que ficava ainda mais lindo quando sorria torto assim?

- Belo lugar. Bom, eu já vou – disse. – Se precisar de alguma coisa...

- Quer almoçar aqui? – perguntei, antes que me desse conta disso. – Eu não sou uma boa cozinheira, mas sei fazer algumas coisas.

Ele pareceu satisfeito com o pedido e aceitou. Seguimos até a cozinha. Ele perguntou se poderia ajudar, mas eu recusei, dizendo que ele poderia ficar só olhando.

- Então, quantos anos você tem? – Edward me perguntou, enquanto eu começava a preparar o arroz.

- Vinte e sete – disse. – Por quê?

- Só querendo saber – deu de ombros. – Fez vinte e sete ou faz vinte e oito?

- Faço vinte e oito – respondi. – E você?

- Fiz vinte e oito no dia 20 de junho – sorriu. Olhei-o, enquanto pegava os ingredientes necessários para uma macarronada.

- Eu não comemoro aniversário mais – suspirei, sem entender por que eu estava falando daquilo com ele.

- Hm... – murmurou apenas.

Continuei fazendo o almoço, respondendo – na medida do possível – as perguntas de Edward.

Edward POV.

Eu aceitei o convite para o almoço, ansioso para passar mais tempo com ela. Fiz perguntas básicas a ela, sua idade, quando percebeu que tinha vocação para designer... Nada que fosse difícil de entender.

- Você trabalha no que? – indagou-me, quando o almoço estava quase pronto.

- Sou formado em medicina – ri -, mas no momento estou de férias.

Bella somente assentiu, pegando a carne no forno.

- Pronto. Não sei se está muito bom, mas espero que você goste.

Sorri para ela, desejando mais que nunca entender por que eu estava tão atraído por Isabella Swan.

(...)

Os dias começaram a se passar rapidamente, e Bella e eu nos aproximamos muito. Conversávamos sobre quase tudo; ela ainda não me contara o porquê de ser daquele jeito.

Eu não devia ficar tão perto dela assim. Devia me afastar, porque era errado estar perto dela assim. Eu estava em casa, à toa. Cansado de meus pensamentos sempre nela, troquei de roupa. Eu precisava correr, precisava me esquecer.

Precisava me esquecer que estava apaixonado.

Precisava me esquecer que estava apaixonado por ela.

Isabella Swan.

Não me importei com a chuva caindo sobre mim, apenas corri, sem saber o que fazer com aquele sentimento.

Será que eu deveria dizer a ela?

Estava correndo há algum tempo, quando a vi. Bella também corria, parecendo distraída. Quando me viu, acenou, atravessando a rua.

- Não devia correr com chuva – repreendi-a, sem me segurar. – Pode lhe fazer mal.

- Olha quem fala – revirou os olhos.

Ela estava encolhida, os braços cruzados seguramente em seu peito. Era uma das raras vezes que eu via Bella usando uma camiseta; ela geralmente sempre usava blusa de frio.

- Bella – murmurei. Eu não devia dizer, não devia mesmo. Mas era tarde demais. – Preciso dizer uma coisa a você.

- Diga – deu de ombros, as mãos ainda cruzadas.

- Eu... – respirei fundo. – Eu estou apaixonado por você.

Notas finais
n/a: Não me matem por terminar nessa parte! *risos* Eu sei que fui má e tudo o mais, mas tinha que terminar o capítulo nessa parte. HAHA’. Então, amores, o que vocês acham que a Bella vai fazer? Comentem muito, vocês logo vão saber. Ah, antes de me despedir, gostaria de dizer-lhes algumas coisas. Acredito que uma coisa vai acontecer no próximo capítulo que vai aproximar ainda mais Edward e a Bella. Acredito. E, se tudo correr conforme o que estou planejando, o segredo dela vai ser revelado no oitavo capítulo, mais ou menos isso. Eu realmente gostei bastante desse capítulo. Bella está mais receptiva ao Edward, se sente bem perto dele e tal :] Gostei bastante das palavras que o Edward disse para ela no bar, serviu muito para que a Bella acordasse um pouco. Enfim, acho que é isso. Que tal recomendarem e comentarem bastante, huh? Kisses, Deh. / Frii <3