Scars

6 Capítulo 5 - Accident


Notas iniciais
40 usuários acompanham esta história e foram notificados por e-mail: Mione_Granger_9, tamy_black, Biazitcha, Sandra Santos, nezita, reginafil, Aline XU, Sandrinhahp, vcassi, chaimsohn, camcwb, nan_dinha, Carolmaeve, danivena, valcullen, raaisouza, milenamc, Friida Cullen, GEGEd3, ni_, re_twililight, Danity, nataalianunes, Ana Cullen Blac, JessicaC, patmel, ally_123, dayanemosher, camcwb, MaryPattz, isaq, Isis_F, romina, kiki24, ge_h, franfurtado, Sus, Free, Cokinhus, Meeh Cullen

Bella POV.


Nos dias que se passaram, Edward e eu ficamos mais próximos. E eu realmente estava me sentindo bem estando com ele.

Deixei que Alice se aproximasse de mim também; conversávamos todos os dias, apesar de não sermos amigas direito ainda, estávamos nos dando bem. Sorri um pouco, enquanto corria, deixando que a chuva escorresse pelo meu corpo. Vi Edward correndo do outro lado da rua e acenei, indo de encontro a ele.

- Não devia correr com chuva – repreendeu-me. – Pode lhe fazer mal.

- Olha quem fala – revirei os olhos.

Cruzei os braços, antes que ele pudesse ver as cicatrizes nos meus pulsos.

- Bella – Edward murmurou. – Preciso dizer uma coisa a você.

- Diga – dei de ombros.

- Eu... – respirou fundo. – Eu estou apaixonado por você.

Because Of You – Kelly Clarkson

Arregalei os olhos, sem saber o que dizer.

Eu estou apaixonado por você. Eu estou apaixonado por você. Eu estou apaixonado por você.

Não. Isso é errado, não é?

Edward continuou me encarando, e eu esperava que a qualquer momento ele fosse começar a rir, dizendo que tudo não passava de uma brincadeira.

Encarei-o, sem verdadeiramente vê-lo. Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, a lembrança me invadiu com força.

- Então, Bella, tenho que te falar algo.

Eu ri de leve, encarando meu melhor amigo. Faziam apenas alguns meses que nos conhecíamos, mas eu sentia como se eu o conhecesse há anos.

- Diga.

- Bem... – ele mexeu os braços, como fazia sempre que estava nervoso. – Eu... Hm... Não vai sair correndo, por favor.

- Eu não vou correr – revirei os olhos. – Diga logo.

- Eu estou apaixonado por você.

- Bella? – A voz de Edward penetrou em meus ouvidos, despertando-me de meus devaneios.

Percebi que eu tremia. Percebi que eu tremia muito.

- Eu... – murmurei. – Eu preciso ir para casa. Eu preciso...

Comecei a andar para trás, sem saber o que exatamente fazer. Eu precisava de minha lâmina, precisava de um alívio. Eu já não agüentava mais ter aquelas lembranças. Daria tudo para me esquecer do passado.

- Bella, eu... – Edward se aproximou um pouco, parecendo arrependido do que tinha dito.

- Não! – gritei, para ele não se aproximar. – Eu... Depois te ligo, ok?

Saí correndo dali, deixando que as lágrimas, enfim, rolassem pelo meu rosto. Não chorava na frente de ninguém, mas quando eu estava sozinha... Era impossível evitar.

Cheguei ao meu prédio, agradecendo pelo porteiro não estar lá. Entrei em meu apartamento e deixei que os soluços chegassem. Fui até meu banheiro e peguei a lâmina, já apertando-a contra meu pulso. Eu precisava me libertar da dor, eu precisava esquecer...

Aos poucos, os tremores de meu corpo foram diminuindo, assim como os soluços. Respirei fundo, enquanto lavava os cortes recentes.

Eu já estava mais calma.

Deitei-me em minha cama, sem conseguir esquecer-me das palavras de Edward. Ele não podia estar apaixonado por mim. Com certeza deve ter confundido as coisas. Sim. Confusão. Ele logo se daria conta de que só queria minha amizade. E tudo ficaria bem.

Por que será que eu não conseguia me convencer disso?

Suspirei pesadamente, enrolando-me nas cobertas. Eu precisava dormir. Talvez, quando acordasse, eu percebesse que tudo não passou de um sonho.

Edward POV.

Eu vi Bella se afastar de mim, sentindo meu coração se apertar. Eu queria muito poder voltar atrás e nunca ter dito aquilo. Ela não me amava. Ela nunca iria me amar.

Deus! Existe alguém mais burro e idiota que eu?

Agora eu teria que conviver com esse sentimento até que eu conseguisse esquecê-lo. Teria que lidar com isso.

Caminhei até minha casa, sem ligar para a chuva. Talvez pegar uma gripe forte fosse o que eu merecia. Eu tinha sido rápido demais. Bella tinha seus problemas, suas defesas...

Idiota, burro!

Tomei um banho quente, tentando organizar meus pensamentos.

Será que ela estaria bem? Será que ela ficaria bem?

Respirei fundo e me deitei na minha cama, sem querer ir jantar. Eu tinha sido um burro e um estúpido por ter dito para Bella que eu estava apaixonado.

Na certa, ela estava pensando que eu era um louco. Sim. Ela provavelmente não vai querer me ver nunca mais.

Se eu pudesse voltar no tempo, nunca teria dito aquelas palavras.

Bocejei e me enrolei melhor nas cobertas. Fechei os olhos, odiando-me por só conseguir pensar em Bella.

(...)

Acordei cedo no outro dia, mesmo não tendo que ir trabalhar. Já estávamos caminhando para o fim de agosto, e ainda não tinha nem um mês que eu estava de férias. Bufei, impaciente. Eu queria poder voltar ao meu trabalho.

Tomei café rapidamente, antes de sair de casa. Decidi passar um pouco na galeria. Eu ia lá às vezes, e dessa vez, poderia usar como desculpa para ver como Bella estava. Quando cheguei, Alice ainda não estava lá. Bella estava concentrada, lendo alguns papéis. Sorri involuntariamente. Ela estava linda.

- Bom dia, Bella – cumprimentei-a, com medo de sua reação.

Ela me olhou e mordeu o lábio inferior. Como eu queria poder tocar aqueles lábios!

- Bom dia, Edward – disse, por fim. – Alice já deve estar chegando.

Eu não vim ver Alice, pensei. Mas não podia dizer isso, então apenas assenti.

Sentei-me um pouco afastado dali, ainda observando Bella. Ela atendeu algumas pessoas, conversou com outras, pediu algumas coisas pelo telefone... Tão linda.

Era impossível não se apaixonar por ela.

- Bom dia, flores do dia! – Alice chegou, rindo. Bella sorriu um pouco para ela. Elas estavam se aproximando mais agora.

- Bom dia, anã – ri da careta dela. Abracei-a rapidamente. – Só passei aqui para ver como andam as coisas. Não gosto de me sentir um a toa em casa.

- Pode ficar aqui e ajudar se quiser – disse Alice. – Você não entende nada, mas pode ficar e atender ao telefone. A nossa secretária passou mal, então Bella e eu estamos nos virando aqui.

- Vou adorar – sorri. Vi que Bella corou um pouco, e ofeguei. Como ela conseguia ficar a cada vez mais linda?

Atendi aos telefonemas, enquanto Bella e Alice conversavam sobre a galeria. A manhã passou de forma rápida, e logo era hora do almoço.

- Jasper vai passar aqui – informou para mim. – Quer ir almoçar conosco?

- E ser vela? – ri. – Não, obrigado.

- E você, Bella, quer? – Virei-me, ansioso pela resposta dela. Se ela aceitasse, eu poderia dar uma desculpa e mudar de ideia.

- Não, Alice, obrigada – sorriu. – Preciso ir para casa.

Eu queria convidá-la para almoçar, mas tinha medo de que ela recusasse. Prometi a Alice que voltaria depois do almoço e saí dali ao mesmo tempo em que as duas saíram.

Jasper apareceu e nos cumprimentou. Bella acenou para ele e para Alice, antes de começar a andar.

- Quer almoçar no meu apartamento? – perguntou, virando-se do nada. – Eu preciso conversar com você.

- Tudo bem – murmurei, andando ao seu lado.

Não demorou para que chegássemos ao seu apartamento. Bella fez um almoço simples e rápido. Almoçamos em silêncio.

- Edward – disse, depois que terminamos de comer. – Eu sinto muito por ontem. É que eu fui pega de surpresa.

- Eu entendo – suspirei. – Não deveria ter dito aquilo... É só que, quando dei por mim, já tinha falado.

- Ok – murmurou. – Eu... Só preciso de um tempo para pensar em tudo isso, mas não queria que deixássemos de sermos amigos.

Assenti. Ela e eu sabíamos que eu queria ser mais do que um amigo, mas eu estava disposto a ser pelo menos isso de Bella. Eu a queria como mulher, mas iria respeitá-la.

- Por que você sempre está de blusa de frio? – indaguei, notando que em nenhum momento ela tirou a blusa, mesmo que, por algum milagre divino, estava fazendo calor hoje.

- Eu sinto frio – disse, mordendo o lábio inferior. Percebi que era uma mentira. Por que ela mentiria sobre isso?

- Ah, sim – fingi acreditar.

Eu queria e muito saber o que havia acontecido no passado de Bella, queria saber o que a deixou assim.

- Vou escovar os dentes e lavar o rosto – ela me disse, assim que voltei do banheiro. Bella me arrumara uma escova de dentes nova que ela tinha guardada. – Pode ficar a vontade.

Andei por toda a sala de seu apartamento, observando tudo com cuidado. Vi uma foto perto da televisão e a peguei.

Bella parecia ter uns dezesseis anos. Ela sorria – um sorriso verdadeiro – abraçada aos pais.

Comparei essa foto com a Bella de hoje. Eu nunca a vira sorrir dessa maneira. Nunca a vira com os olhos brilhando dessa forma. Deus! O que será que aconteceu com a Bella que a fez ficar assim?

Coloquei a foto de volta no lugar e respirei fundo. Eu queria entendê-la, queria saber o que havia de errado com ela, queria curá-la. Queria deixá-la livre de tudo. Inclusive das cicatrizes do passado.

- Então, vamos?

Aconteceu rapidamente. Não percebi que Bella estava perto de mim, e me virei, fazendo com que nossos corpos se chocassem. Ela começou a cair e eu tentei segurá-la, mas acabou que nós dois caímos no chão. Eu por cima dela.

Nunca a vi de tão perto assim. Eu podia sentir o gosto de seu hálito em minha boca. Podia ver seus traços delicados, embora ela tivesse olheiras. Deduzi que Bella não conseguia dormir bem desde que algo acontecera. Eu queria perguntar o porquê, e aquele poderia ser um ótimo momento, mas eu me perdi totalmente quando seus lábios se entreabriram.

A ponta de meu polegar foi parar em seu lábio inferior, acariciando-o delicadamente. Perdi-me na imensidão dos olhos. Eu queria ver aquele brilho de quando ela tinha 16 anos. Queria pedir a ela que sorrisse verdadeiramente, como sorria antigamente.

Aproximei meu rosto ainda mais do seu, beijando seu queixo delicadamente. Eu queria dar a ela a chance de escapar, mesmo desejando imensamente que ela não me afastasse. Eu precisava sentir o gosto de seus lábios, eu precisava prová-los.

Meu coração batia rapidamente em meu peito, e acelerou ainda mais, quando meus lábios encostaram-se nos dela. Eu fechei os olhos, aproveitando as sensações, curtindo aquele momento.

Bella POV.

Eu sentia meu coração martelando em meu peito, e não conseguia entender o motivo. Os lábios de Edward moveram-se com muita delicadeza nos meus, mas eu não sabia exatamente o que fazer. Deixei-me levar pelo beijo, enquanto a língua de Edward brincava com a minha. Ele gemeu baixinho quando mordi seu lábio inferior, para logo depois voltar a beijá-la, minhas mãos indo parar nos cabelos de Edward.

Talvez fosse um erro, mas eu queria aquilo.

Por que, enquanto eu estava ali, beijando-o, provando de seu sabor, deixando-me levar, eu sentia que havia algo diferente. Não sabia o que exatamente, mas havia.

As mãos de Edward desceram e se mantiveram em minha cintura. Aprofundei ainda mais o beijo, puxando-o mais para mim.

Estávamos em um mundo só nosso, em um momento só nosso. Talvez fosse um erro, repeti para eu mesma, mas tê-lo ali, comigo, saber que alguém gosta de mim, quer cuidar de mim... Eu não me sentia assim há quase nove anos.

Então, cedo demais, talvez, o telefone tocou. Edward deu um pulo, afastando-se bruscamente de mim. Levantei-me, corada, e corri até o telefone.

- Alô? – disse, sem conseguir olhar para Edward.

- Bella, querida, sou eu. – Suspirei, ao escutar a voz de minha mãe.

- Oi, mãe, tudo bom?

- Sim, escuta. Tenho que ser rápida – disse. Estranhei, mas fiquei em silêncio. – Jacob voltou.

- Voltou? – murmurei.

- Sim, querida – suspirou. – Só queria te avisar. Fique bem, ok? Eu te amo.

- Tudo bem. Eu também, mãe.

Desliguei o telefone e respirei fundo. Jacob tinha voltado. Era, realmente, muita sorte minha.

- Algum problema, Bella? – Edward me indagou.

- Não – suspirei. – Desculpe-me por... aquilo.

- Eu que lhe devo desculpas – murmurou. Assenti.

- Vamos?

Descemos e caminhamos até a galeria em silêncio.

- Ainda bem que vou pegar meu carro hoje – comentei, para acabar com aquele silêncio. – Não aguento mais ficar andando.

Edward riu.

- Vai pegar aonde? – indagou-me.

- Port Angeles.

- Se quiser, posso te levar até lá no meu carro – sugeriu. – Aí você pega o seu e voltamos.

- Hm... – pensei por alguns minutos. Não tinha problema, tinha? – Por mim, tudo bem. Obrigada.

- Não há de quê – riu.

(...)

Edward me pegou em casa mais tarde, já em seu carro. Ele abriu a porta do carona para mim, sorrindo.

- Você está linda – disse.

- Obrigada – corei.

- Então – começou, já dirigindo -, pensei que pudéssemos jantar em Port Angeles.

- Tudo bem – assenti.

O resto do caminho foi feito em silêncio. Não era desconfortável. Eu gostava de me perder em meus próprios pensamentos.

Tive medo de que Edward confundisse tudo, que achasse que eu daria uma chance para nós, mas não daria. Eu iria ficar sozinha o resto de minha vida. Edward poderia encontrar alguém que fosse capaz de amá-lo sem ter medo do passado.

Assim que chegamos, Edward me acompanhou e eu peguei meu carro. Dirigi até um restaurante próximo dali e estacionei. Desci e esperei por Edward, que estacionava na vaga atrás da minha.

Jantamos em meio a risadas, enquanto Edward narrava como fora sua infância. Contei pouca coisa da minha, e ele realmente parecia fascinado com cada coisa que eu contava. Ele riu muito quando eu contei dos tombos que levava, e das milhares de vezes que fui parar no hospital.

Saímos do restaurante assim que terminamos de comer a sobremesa.

- Isabella Swan?

Olhei para o homem alto e moreno a minha frente e ofeguei.

- Jacob? – murmurei.

Jacob Black é um dos poucos, que não são da família, que sabem de meu passado. Ele sabe o que aconteceu, sabe porque eu sou assim, porque eu me afasto das pessoas. E, mesmo assim, ele deu em cima de mim durante toda a faculdade.

- Vejo que está boazinha novamente – murmurou, olhando para Edward parado ao meu lado.

- Jacob, por favor, vá embora – pedi.

- Estou impressionado, Bella – continuou ele, ignorando meu comentário. – Cadê o discurso de toda a vez que eu lhe pedia uma chance? Vejo que era só comigo, não é? Já que o primeiro que aparece você dá bola!

- Jacob, por favor – implorei.

- Esqueceu-se do passado, Bella? – indagou-me. – Esqueceu-se do quanto você ficou mal?

Fechei os olhos, respirando fundo. Eu não podia permitir que Jacob me deixasse assim. Não podia.

Voltar para Forks não parecia ter mais o menor sentido. Mas eu tinha que voltar. Permaneci a viagem toda calada, tentando não desabar, tentando não me lembrar de tudo o que tinha acontecido na minha vida. Agora não parecia ter sentido algum.

Lembro-me de Jacob, filho de um amigo do meu pai, ter nos buscado no aeroporto. Lembro-me dos olhares dele para mim, enquanto nos levava até a minha casa. Eu estava presente somente em corpo, porque não conseguia me concentrar em mais nada.

Minha vida parecia tão sem sentido agora.

Abri os olhos, vendo que nada mudara. Percebi que eu tremia muito. Edward nos olhava, chocado. Ele tentou se aproximar de mim, mas eu o afastei.

- Está tudo bem – menti, tentando me controlar.

- Teve alguma lembrança, Bella? Lembrou-se dele?

- PARA, JACOB! – gritei, já correndo até meu carro. Não liguei para as pessoas que me olhavam, não liguei para Edward que gritava meu nome. Apenas dei partida no carro, tentando controlar os tremores que me invadiam.

Respirei fundo, enquanto dirigia.

E, então, tudo aconteceu.

Não percebi que um motorista invadiu a pista contrária e ia bater em meu carro. Fechei os olhos com força, desejando que fosse rápido e que não fosse doloroso.

- BELLA!

Notas finais
n/a: Não me matem! *risos*. Sei que vocês têm motivos: Bella correndo do Edward, beijo interrompido, Jacob aparecendo, acidente da Bella. Uau. Superei-me. ASHUIAHSIUAHSU. Eu realmente gostei desse capítulo. Espero que vocês também tenham gostado :} Então, amores, postei uma one hoje, que tal darem uma passadinha lá? ;] O nome dela é Do Not Resuscitate. Acho que é só isso, por hoje. Então, que tal vocês recomendarem, huh? Vou ficar bem feliz :] Kisses, Deh.