Scars
4 Capítulo 3 - Enchanted
Notas iniciais
Edward POV.
Eu estava extremamente curioso sobre duas coisas. Primeiro: queria entender Isabella, queria descobrir o que ocorrera com ela, queria poder me aproximar dela, e, por mais estranho que pareça, queria tirar aquela dor dela, queria poder fazer com que ela sorrisse verdadeiramente. Segundo: eu queria entender por que me sentia assim.
Não conseguia tirá-la de meus pensamentos. Eu revivia o momento que a vi pela primeira vez a cada momento.
Os orbes castanhos que não saíam de minha cabeça estavam ali. Eu sempre fui bom em ler as expressões das pessoas, mas não conseguia entender essa mulher. Os olhos frios, gélidos, sofridos... O rosto sem demonstrar qualquer expressão... O corpo colado ao meu, perfeitamente desenhado. Ela era linda.
Eu nem a conhecia; só a tinha visto duas vezes. Uma por uma foto 3x4 ainda por cima. Passei a mão direita em meu cabelo, deixando-o ainda mais bagunçado. Esse mistério todo estava me matando.
- Você está bem? – indaguei-a. Ela se afastou de mim, desviando seus olhos. Não, eu queria entender, queria compreender... Inferno! Por que eu estou ligando tanto?
Isabella... Por que eu não consigo tirar você de minha mente?
- Sim – disse ela. Ela tinha uma voz linda. – Obrigada.
Ela se virou, parecendo querer sair dali o mais rápido possível, mas eu segurei seu pulso esquerdo. Ela puxou seu braço rapidamente, e se encolheu... Como se eu tivesse apertado um machucado.
Será que eu a tinha ferido? Não. Não era possível; eu posso tê-la puxado pelo pulso, mas o toque fora o mais delicado possível, como se ela fosse quebrável.
E, de alguma maneira, eu sabia que ela era.
- Desculpe-me – disse eu. – Sou Edward Cullen.
Eu já sabia que ela se chamava Isabella Swan, mas eu realmente queria que ela me dissesse. Ao contrário do que pensei, ela apenas acenou e correu dali.
Respirei fundo e bufei logo em seguida. Eu devia estar ficando maluco. Devia mesmo.
Levantei-me. Eu precisava me encontrar com ela de novo, precisava vê-la... Será que ela caminhava todos os dias?
Vesti uma roupa leve e saí, correndo imediatamente, em um leve ritmo. Estava atento em cada rua, cada esquina.
Meia hora depois, eu já havia perdido as esperanças. Estava pensando em voltar para casa, quando a vi.
Isabella usava roupas simples; uma calça jeans e uma blusa de moletom. Seu cabelo estava preso em coque e alguns fios escapavam dele. Ela mordia o lábio inferior, como se estivesse nervosa com algo. Ela estava, sim, simples, mas completamente linda.
Só quando eu estava perto dela, é que percebi algo errado. Isabella se encostou a uma árvore e parecia que ela estava... tremendo?
- Você está bem? – indaguei-a, sem saber se me aproximava ou não. Quis tocar sua testa, ver se ela estava com febre; quis examiná-la, para ver se ela estava doente. Eu podia arrumar uma desculpa, eu sou médico mesmo... Será que seria difícil?
Isabella deu um pulo, parecendo se assustar. Ela me viu e respirou fundo, tentando controlar o tremor que ainda tomava conta de seu corpo.
- Estou – disse. – Tenho que ir.
Impedi-a de continuar, segurando-a pelos ombros. Ela tremeu ao meu toque, ainda não parecendo totalmente bem.
- Qual é o problema? – perguntei gentilmente.
- Ah – suspirou -, nada. Só... Só cansada. Eu estou me mudando, então...
- Se mudando? – soltei, sem conseguir me segurar. Será que ela estava mudando de cidade assim tão rápido?
- É. – Ela se afastou de mim, parecendo mais controlada. Encarei seu rosto, esperando que ela me dissesse mais, completamente encantado com ela. Ela não podia ir embora, podia?
- Mudando de cidade? – perguntei. Não era da minha conta, mas, de alguma forma, eu precisava saber.
- Não – mordeu o lábio inferior, desviando seus orbes castanhos dos meus. – Morava com meus pais e decidi que posso ter meu próprio apartamento.
Respirei fundo, sem entender o alívio que tomara conta de mim.
- Tenho que ir – murmurou e se virou. Fiquei vendo-a se afastar.
Eu precisava me aproximar dela, precisava arrumar alguma maneira de fazer com que ela aceitasse que eu me aproximasse.
Bella POV.
Eu segui normalmente para o trabalho no dia seguinte, decidida a me mudar da casa de meus pais. Eu os amava, e muito, mas não iria conseguir fingir que tudo estava bem por muito tempo. Precisava de um lugar só meu.
Na hora do almoço, procurei por um apartamento; não foi difícil achar. Trabalhei o resto da tarde, e, assim que meu expediente acabou, troquei de roupa, colocando uma roupa mais simples. Fui até o apartamento e dei uma olhada nele. Não era imenso; tinha apenas um quarto, mas estava bom demais para mim.
Decidi que fecharia negócio no dia seguinte e segui de novo para casa. Andava distraidamente, quando uma lembrança me invadiu.
- Você realmente pensou que daria certo? – gritou ela, ainda distante de mim. Mesmo não estando perto, mesmo não me batendo ou algo do tipo, suas palavras causaram ainda mais dor. Como eu pude ter sido tão burra? — Acha que isso vai prendê-lo a você?
Ela riu ao ver que lágrimas escorriam de meus olhos, se divertindo perversamente com aquilo. Encolhi-me, esperando pelas próximas palavras. As palavras que eu sabia que me machucaria ainda mais.
Antes que eu me desse conta, eu estava tremendo descontroladamente, encostada em uma árvore. Fechei os olhos, tentando me acalmar. Como eu desejava poder me cortar agora, sabendo que só aquilo aliviaria a dor.
E então, eu o ouvi. Pela segunda vez.
O modo como sua voz quebrou o silêncio, o modo com que o toque em meu ombro me fez acalmar de certa forma... Quem ele era? Como alguém podia despertar essas sensações? Eu sabia que fazia muito... Não, eu me negava a pensar nisso.
Vi-me conversando com ele, como se fôssemos amigos. Quando me dei conta do que fazia, afastei-me dele, dizendo que teria que ir embora.
Eu o tinha visto uma vez, e na segunda já conversava assim com ele?
Cheguei a minha casa e subi rapidamente para meu quarto. Não sentia mais necessidade de me cortar, pela primeira vez em anos. Fazia quase cinco anos que eu me cortava diariamente... Isso era estranho, era diferente.
Olhei algumas coisas do trabalho, tentando afastar meus pensamentos. Olhei meu diário ao meu lado e respirei fundo. Olhei minha última anotação e tremi; faltava um mês exato para meu aniversário. Um mês... E quase um mês para que completasse exatos nove anos.
Peguei uma caneta e suspirei pesadamente.
Precisava escrever um pouco.
Sexta feira, 13 de agosto de 2010.
Será que é irônico hoje ser sexta feira 13 e faltar um mês para meu aniversário? Eu não entendi o que aconteceu quando o tal do Edward Cullen tocou meu ombro... Não parei completamente de tremer, mas melhorei. E bastou alguns minutos de conversa com ele – que fluiu perfeitamente bem -, para que eu me acalmasse completamente.
Eu devo estar mais louca do que já sou... Não posso me aproximar de ninguém, simplesmente não posso.
Guardei o diário cuidadosamente debaixo do travesseiro, e voltei minha atenção para o trabalho.
Permaneci ali até que minha disse que quase estava na hora de jantar; disse a ela que estava sem fome, e ela suspirou.
- Bella – disse suavemente -, eu te entendo, mas pode, por favor, jantar conosco essa noite? Teremos visitas, querida, e eles logo chegarão.
Olhei minha mãe, sem saber o que fazer. Ela praticamente implorava com o olhar.
- Ok – tentei sorrir. – Quando eles chegarem, descerei.
- Obrigada, Bella.
Continuei com a mesma roupa; não me considerava desarrumada, e não trocaria de roupa apenas para agradar aos convidados. Provavelmente, essa seria a única vez que eu os veria, já que, em breve, estarei em meu apartamento, e visitas não serão mais necessárias. Eu sempre estive sozinha; por mais que esteja cercada de pessoas, eu sempre me sinto sozinha.
Ouvi a campainha tocar e respirei fundo. Continuei por ali mais algum tempo, até que batidas à porta tiraram-me de meus devaneios.
- Entre – murmurei, ainda jogada em minha cama.
Foi uma grande surpresa para mim quando vi a Sra. Hale ali. Ela sorriu um pouco.
- Sua mãe pediu que eu a chamasse, Srta. Swan.
- Obrigada – disse, levantando-me. – Pode ir, estarei descendo em um minuto.
Ela assentiu e se retirou, parecendo levemente magoada, como se esperasse que eu virasse uma grande amiga dela. Eu queria permitir isso, mas não podia.
Fui ao banheiro e fitei minha face no banheiro, tentando colocar um sorriso ali. Tentei me lembrar da última vez que sorri verdadeiramente, mas logo fugi das memórias; elas não me faziam bem.
Saí de meu quarto e desci as escadas rapidamente, olhando para o chão.
- Bella. – Virei o rosto, ao ouvir a voz de meu pai, e encontrei uma família ali. Meus olhos percorreram a sala e eu mordi o lábio inferior ao vê-lo ali. – Esses sãos os Cullen e os Hale.
Meu pai me apresentou a todas, menos a Sra. Hale, que eu já conhecia. Apenas cumprimentei-os rapidamente, ficando extremamente nervosa ao tocar a mão do tal do Edward; uma corrente elétrica percorreu meu corpo, e eu logo me afastei, desejando que ele não tivesse sentido aquilo.
- Então, é ela que trabalha com você, filha? – A Sra. Cullen perguntou. Então... ela era mãe de Alice? Cullen... Edward e Alice eram irmãos?
- Sim, mãe – respondeu, sorrindo um pouco.
Pedi licença educadamente, antes que eles começassem a conversar comigo. Vi os olhares de meus pais, mas eu os ignorei. Fui até a cozinha e respirei fundo; logo eu não teria que passar mais por isso.
Edward POV.
Fiquei imensamente feliz quando minha mãe avisou que jantaríamos na casa dos Swan; era uma boa oportunidade para ver a Isabella mais. Alice também pareceu feliz. Rose e Emmett também foram convidados, claro. Rose estava feliz com a gravidez de dois meses e uma semana, sempre dizendo que não via a hora de ter o filho nos braços.
Cumprimentei os pais de Bella. Eu sabia da existência deles, mas nunca os tinha visto. Sempre que eles iam jantar na minha casa, ou meus vinha aqui, eu estava trabalhando. Claro que meus pais, Alice, Jazz, Rose e Emm já os conhecia.
Os pais da Isabella disseram que ela logo desceria, então ficamos na sala esperando. Alice foi chamá-la, quando Renée pediu, dizendo que ela estava demorando muito.
Alguns minutos depois a baixinha voltou, dizendo que Isabella logo desceria. Eu estava extremamente nervoso, ansioso para vê-la; será que ela iria sorrir?
Não consegui conter o sorriso quando a vi descendo as escadas. Ela usava as mesmas roupas que eu a vi usando há mais ou menos uma hora. Sorri com seu apelido. Bella. Combinava perfeitamente com ela.
Quando nossas mãos se tocaram, senti uma estranha corrente elétrica, sem saber se Bella tinha sentido isso também. Ela logo pediu licença, e eu vi os olhares aflitos que os pais dela trocaram.
- Desculpem-nos por isso – Charlie sussurrou. – Tem sido difícil para ela.
Logo fomos jantar. Bella voltou, permanecendo extremamente calada, mal tocando em seu prato. Mal consegui comer, querendo saber o que ela estava pensando, se ela estava se sentindo mal...
Estávamos quase acabando de comer a sobremesa, Bella ainda calada, evitando todo e qualquer tipo de conversa, quando Rose disse que a gravidez a deixava estranha.
- Mas o médico disse que era normal. – Meus pais e os pais de Bella ficaram extremamente rígidos, sem saber o que dizer. Eles riram sem graça.
Observei Bella, vendo que ela tremia descontroladamente.
- Eu... – murmurou, ainda tremendo. Ela escondeu as mãos debaixo da mesa, como se aquilo fosse acalmá-la. – Eu... Eu...
Carlisle se levantou quase que imediatamente, assim como os pais de Bella. Ele se aproximou dela. Bella se pôs de pé, tentando sorrir.
- Está... tudo bem – murmurou. Ela tremia ainda mais do que tremeu mais cedo. – Vou...
Congelei, vendo-a correr para da sala de jantar.
- O que eu fiz? – indagou Rose, parecendo nervosa. – Eu sinto muito, Renée e Charlie. Eu falei algo errado?
- Não, querida – Renée disse, aflita. – Bella só está um pouco doente, acredito. Ela não tem comido muito bem desde que chegou aqui.
- Vou falar com ela – Charlie disse. – Do jeito que ela está... Não quero nem pensar no que pode acontecer.
- Se quiser eu vou, Charlie – interrompi.
Ele assentiu. Saí dali, vendo que a porta da rua estava aberta. Vi Bella correndo para longe, e, sem pensar em mais nada, corri atrás dela.
(...)
Não sei o quanto corri, mas fiquei aliviado quando Bella parou, ofegando. Ela ainda tremia e parecia extremamente desesperada; ela iria explodir a qualquer momento.
- Bella? – chamei-a. Ela estacou, virando-se lentamente. – Seu pai pediu que eu viesse ver se estava tudo bem.
- Estou bem – murmurou, fechando seus olhos. – Pode voltar para casa, eu...
- Pode me falar se estiver se sentindo mal – interrompi-a. – Eu sou médico, sabe?
- Estou bem, tenho que ficar bem.
Aproximei-me dela. Bella parecia tão distraída, que só percebeu que eu me aproximava quando pousei minhas mãos em sua cintura e a puxei para um abraço.
Eu não disse nada. Simplesmente fiquei ali, esperando que ela parasse de tremer. Perdi-me em seu cheiro. Tão doce, tão delicado... tão Bella.
- Está melhor? – perguntei, alguns minutos depois.
- Sim – suspirou. – Não quero voltar para casa agora.
- Podemos sair, se você quiser – disse. Eu não queria me despedir dela agora.
Ela se separou de mim, encarando-me, como se eu tivesse dito algum absurdo.
- Tipo... um encontro?
- Não precisa ser um encontro – dei de ombros, notando como a indiferença dela, o modo que ela sempre queria se esquivar, me machucou.
- Tudo bem.
Seguimos em silêncio até sua casa. Ela não esperou que eu abrisse a porta do carona para ela. Fomos em silêncio até Port Angeles.
Eu queria entender por que, do nada, Bella começava a tremer; queria compreender por que ela ficava daquele jeito. Queria, principalmente, saber o que a afligia.
Observei sua expressão serena, ela parecia mais calma agora. Seus olhos pareciam distantes, frios, opacos, cheios de dor...
Que tipo de dor ela sentia? O que acontecera com ela de tão intenso que a fazia ser assim, tão distante e tão fria? Como uma mulher linda e tão frágil como ela, podia ter conhecido tanta dor e tanto sofrimento?
E, principalmente, como uma mulher que eu vi tão poucas vezes, que mal dirigiu a palavra para mim, que mal me olha, que mal conheço, conseguiu me deixar assim tão... encantado?
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