Scars

11 Capítulo 10 - World Trade Center


Notas iniciais
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Edward POV.

Por favor, Edward, não me deixe perder mais um bebê.

Por favor, Edward, não me deixe perder mais um bebê.

Por favor, Edward, não me deixe perder mais um bebê.

Por favor, Edward, não me deixe perder mais um bebê.

- Edward? EDWARD!

Eu pisquei os olhos e fitei Alice a minha frente.

- O que? – murmurei, nervoso.

- Está tudo bem – sorriu. – Bella e o bebê estão bem.

Estão bem.

Eles estão bem.

Mas... então, por que eu ainda me encontro extremamente paralisado? Porque, as palavras de Bella, antes de ela desmaiar, ficaram martelando em minha mente.

Bella já ficara grávida antes. Bella perdera seu filho.

Deus!

O que tinha acontecido no passado dela?

- Edward. – Alice suspirou, fazendo com que eu percebesse que ela estava ali. – Olha, fique calmo, ok? Está tudo bem. Foi só um susto.

Assenti.

- Vou vê-la – murmurei, levantando-me. – Eu preciso vê-la.

Enquanto caminhava até o quarto de Bella, sem nem prestar atenção em Alice ou em qualquer outra pessoa que estivesse ali, suspirei. Lembrava-me de tê-la pegado no colo, enquanto a mulher continuava parada ali na porta, parecendo assustada. Não tive tempo de dizer para que ela saísse ou qualquer outra coisa. Apenas dirigi o mais rápido que pude até o hospital, chocado demais para fazer qualquer outra coisa. Eu era médico, mas... Deus!

Não me deixe perder mais um bebê.

Lembrava-me também de tê-la entregado para o meu pai, explicando rapidamente que ela colocara as mãos no ventre e desmaiara. E, então, vendo como eu estava nervoso, ele me impediu de segui-los.

Cheguei a porta do quarto de Bella, suspirando pesadamente. Era tanta coisa, tanta mesmo.

- Edward. – Assustei-me, pulando um pouco, ao ouvir a voz de meu pai. Virei-me e ele estava ali. – Está tudo bem. Foi só um susto, o seu filho e a Bella estão bem.

- Eu sei, pai – disse. – É só que... Bom, a Bella me disse uma coisa antes de desmaiar.

- O que ela disse? – indagou.

- Ela disse: não me deixe perder mais um bebê – murmurei. Desviei os olhos de meu pai, passando as mãos no cabelo nervosamente. Pude ouvi-lo respirar fundo.

- É. É isso mesmo que você está pensando, Edward. – Vi-o se aproximar e colocar a mão em meu ombro. – A Bella, há nove anos, perdeu um filho.

- Como...?

- Não sou eu quem deve falar sobre isso com você – disse-me suavemente. – Apenas não a pressione, ok? Ela precisa descansar.

- Tudo bem. Posso ficar com ela, não posso?

- Claro – sorriu. – Ela acordou tem alguns minutos, e não para de perguntar por você.

- Obrigado, pai.

Ele apenas assentiu. Abri a porta do quarto de Bella, e sorri um pouco. Ela me olhou também, sorrindo.

- Oi – sussurrou.

- Oi. – Aproximei-me lentamente, sentando-me na beirada de sua cama. – Como vocês estão?

- Cansados, mas bem.

Assenti, sem saber o que dizer. Eu sabia que não devia falar nada com Bella agora.

- Edward – suspirou. Eu a olhei. – Bem, eu sei o que falei antes de desmaiar, e sei que você deve estar totalmente confuso em relação a isso. Então, eu ia te contar hoje mesmo. Acho que está na hora.

- Hoje não – neguei. – Você precisa descansar, ok? Não precisa se preocupar com nada, Bella. Eu vou esperar. Eu só fiquei um pouco assustado.

Bella suspirou e mordeu o lábio inferior.

- Eu fico esperando... – sussurrou, tão baixo que mal pude ouvi-la. – Fico esperando que a qualquer momento você ache que eu sou problema demais, e aí eu vou te perder.

- Bella! Não, você não vai me perder. Eu te amo.

Ela assentiu, ainda parecendo preocupada.

- Tudo bem – sorriu triste. – Depois falamos disso, então.

Aproximei-me dela e beijei sua testa lentamente. Minhas mãos foram até seu ventre e eu o acariciei.

- Eu amo você – murmurei, meus lábios ainda nos dela. – Eu vou ficar com você, independente do seu passado, Bella. Eu disse e repito: vou cuidar de você e do nosso bebê.

- Obrigada, Edward – sussurrou. – Obrigada por não desistir de mim.

Eu somente fiquei ali, acariciando seus cabelos, até que ela adormeceu.

Bella POV.

Eu permaneci no hospital mais dois dias. Descobri que estava grávida de dois meses, e meu bebê estava bem. Fora só um susto.

Agradeci mentalmente a Deus. Eu não suportaria perder mais um bebê.

Carlisle e a médica obstetra que me atenderam pediram que eu tomasse certos cuidados até o terceiro mês de gravidez. Eu concordei com tudo. Tudo para meu filho ficar bem.

Foi Edward que me buscou, apesar de meu pai e minha mãe pedirem que eu ficasse em casa com eles. Não queria dar trabalho para ninguém; eu era capaz de cuidar de mim mesma sozinha.

- Bella – disse, enquanto dirigia –, acho que deveríamos olhar uma casa para nós dois morarmos juntos.

- Edward, eu... – suspirei. – Eu vou ficar bem.

- Eu me preocupo com você, me preocupo com o bebê. E seu apartamento só tem um quarto, então...

- Tudo bem.

- Obrigado – sorriu.

Eu sabia que teria de conversar com Edward – e muito em breve –, mas eu queria descansar um pouco, parar de pensar que Elle tinha voltado. A irmã de Jason.

O que ela poderia querer comigo?

Edward me ajudou a descer do carro e me obrigou a deitar.

- Eu estou te atrapalhando de trabalhar.

- Eu estou de folga hoje – disse-me suavemente, enquanto colocava uma bandeja cheia de comida na cama. — E amanhã também. Tinha um plantão amanhã, mas troquei, porque quero que você e eu olhemos a casa o quanto antes.

- Edward... – comecei, mas ele erguei a mão, impedindo-me de continuar.

- Eu quero cuidar de você – sorriu. – De você e dele. – Suas mãos correram livremente pelo meu ventre.

- Obrigada – dei-lhe um selinho.

- Ótimo – riu. – Agora, trate de comer tudo, senhorita.

Eu sorri para Edward. Eu não o merecia. Ele era bom demais para alguém como eu.

Edward POV.

Nos dias que se seguiram, Bella e eu visitamos diversas casas. Eu dizia a ela para ela não se preocupar, que eu a compraria sozinha, mas ela insistia em dividir. Por fim, achamos uma. Bella a achava excessivamente grande, mas eu a achei perfeita. Ela também não pôde negar que havia gostado (http://www.wilsonimoveis.com.br/imagens/casa03/3.JPG).

E então, Alice, Bella, Rose, Renée e minha mãe, começaram a decorar o ambiente. Em menos de um mês tudo estava pronto; só faltava o quarto do bebê.

Bella completou os três meses e Rose os sete. As duas passavam horas conversando, e fazendo compras também.

- Tomara que seja uma menina – minha mãe disse, sorrindo. – Assim teremos logo um casal de netos.

Eu sorri com isso e Bella também.

Não havíamos tocado mais no assunto do que acontecera no seu passado, mas eu sabia que ela logo me contaria. Por mais que eu quisesse saber, estava respeitando o espaço dela.

Mudamo-nos para nossa casa uma semana depois. Bella voltara a trabalhar – mesmo a contragosto – e eu continuava trabalhando. Tirava folga nos dias que tínhamos consulta, porque queria acompanhar cada passo da gravidez do meu filho.

A barriga de Bella começara a crescer, ainda era pequena, mas estava lá. Ela passou a comprar revistas e livros sobre gravidez e filhos. Eu nunca a vira tão feliz. Ela estava na décima terceira semana, contando os dias – e eu não duvidava se ela começasse a contar as horas e os segundos.

Alice a obrigara a sair do trabalho mais cedo, e eu a agradecia sempre por isso. Trazia Bella em casa e, às vezes, passava até algum tempo com ela.

Só que encontrei-a sozinha naquela noite, sentada no sofá da sala, as mãos na barriga, os olhos fechados. Ela os abriu assim que ouviu o barulho da porta sendo fechada, e, ao olhar em seus orbes, soube imediatamente que havia algo errado.

- O que houve? – perguntei, me aproximando. – Você está se sentindo mal?

- Não – sorriu triste. – Estou bem.

- Então, o que foi? – Aproximei meu rosto e colei os nossos lábios por alguns segundos. – Qual é o problema?

- Eu... – suspirou. – Acho que devemos sair... Está na hora de te contar sobre o meu passado.

- Você tem certeza? Eu não quero que se sinta pressionada. Quero que me conte quando e se você estiver pronta.

- Eu quero contar – afirmou. – Edward, nós estamos morando juntos. Vamos ter um filho. Talvez não fiquemos juntos para sempre, mas esse filho nos unirá de alguma forma para sempre, entende? E... Eu confio em você, Edward. Eu só tive medo antes...

- Tudo bem. Vou tomar uma ducha rápida e iremos sair, ok?

- Sim.

Dei-lhe mais um beijo e segui até o nosso quarto, pronto para tomar um banho.

Bella POV.

Eu sentia que esse era o momento. Tinha medo, não posso negar, de Edward ter nojo pelo modo que fui ingênua, ou achar que eu era problema demais, que, provavelmente, eu nunca conseguiria ser totalmente feliz.

Mas como explicar a ele que eu me sentia melhor só com a sua presença?

Como explicar que ele foi o único que se aproximou de mim, quebrando minhas barreiras? O único que parece não se importar com as minhas cicatrizes?

Decidi trocar de roupa. Não sabia onde iríamos, então não podia ficar de shorts e camiseta.

Troquei-me rapidamente (http://www.polyvore.com/bella_sc/set?id=24312521). Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo, e decidi pegar meu diário. Nele tinha todos os relatos. De tudo o que tinha acontecido comigo, desde que conheci Jason.

Fiquei esperando por Edward na sala. Quando ele apareceu, tentei sorrir, mas não consegui muito bem. Ele ainda perguntou se eu não queria deixar para outro dia, mas eu insisti que fosse naquele dia.

Eu queria logo acabar com todo esse segredo, todo esse suspense.

Eu nunca tinha falado abertamente sobre o assunto com ninguém. Somente quem viveu comigo naquela época sabe. Nem mesmo com o meu psicólogo eu falei.

Entretanto, eu queria falar com Edward. Eu sentia que poderia confiar nele.

Eu queria que ele soubesse tudo a respeito da minha vida.

Edward não saiu de Forks, como pensei que ele faria. Levou-me até a campina, pegando uma manta e um cobertor; colocou a manta no chão e sentou, puxando-me para seu colo e me envolvendo com o cobertor. Virei-me, de modo que ficasse de frente para ele.

- Então... – suspirei. – Peço que me escute primeiro, por favor. Depois, deixarei você falar.

Ele somente assentiu.

- Tudo acabou há nove anos – comecei. – Foi há nove anos que eu conheci as piores dores que alguém pode conhecer... Mas, na verdade, tudo começou quando eu tinha quase dezoito anos.

“Eu estava de férias. Era julho e logo seria meu último ano na Forks High School. Tudo para mim seria normal, eu estava louca para me formar, maluca para começar a faculdade... Eu era adolescente, tinha meus sonhos, tinha minha vida, era feliz, tinha meus amigos...”

Respirei fundo, sentindo os olhos de Edward em mim. Não quis olhá-lo, eu tinha medo de sua reação, medo de que ele não quisesse ficar comigo depois de tudo.

- Eu era o orgulho de meus pais – continuei. – Tirava boas notas, não gostava de festas, baladas, essas coisas... E, então, eles chegaram a cidade. Os Collin. Era um casal de irmãos. Elle e Jason. Foram a novidade durante dias, mas, sinceramente, não liguei. Até Jason começar a se aproximar de mim.

“Eu nunca tinha namorado, havia só ficado com um ou dois garotos. Minhas amigas brincavam comigo, por eu ter dezessete anos e nem ligar muito para namorados e coisas do tipo. Eu vivia prometendo para eu mesma que eu queria ser independente, ter meu próprio dinheiro, antes de me deixar levar.

“Só que o Jason era insistente. Ele continuou, nos próximos dias, a tentar ser meu amigo, e, por fim, eu acabei cedendo. Eu só queria amizade, nunca pensei em começar a namorá-lo. Eu não o enxergava dessa forma. Aproximei-me de Elle também. Ela começara a sair com um de meus amigos, o Tyler. Não durou muito, mas foi o suficiente para nos aproximarmos.

“Eu fiquei feliz com a amizade dos dois. Elle se tornara a minha melhor amiga e Jason o meu melhor amigo. Eu estava feliz, junto de todos que eu amava. As aulas começaram e eu logo completei 18 anos e eles insistiram em me fazer uma festa. No dia seguinte, Jason pediu para que eu saísse com ele, que ele tinha algo importante para me falar. Eu fui. E hoje desejo nunca ter ido.”

Minhas mãos tremiam um pouco, e eu respirei lenta e profundamente, procurando acalmar-me. Edward segurou minhas mãos nas dele e as apertou suavemente. Eu sorri um pouco para ele.

Edward POV.

- Naquele dia – suspirou –, ele me levou até perto de sua casa, dizendo que tinha algo para falar. Não imaginava o que seria, não mesmo. Mil coisas passaram pela minha mente, mas nada se comparou quando ele me disse aquilo. Naquele dia, Jason se disse apaixonado por mim.

Tremi um pouco, pensando em outro cara apaixonado pela minha Bella. Era irracional, e eu tentava ignorar essa parte. Eu queria realmente saber o que tinha acontecido.

- Eu me senti confusa, não sabia o que pensar – admitiu e depois suspirou. – Deixei-me levar. Acabamos nos beijando e logo estávamos namorando. Éramos o casal da Forks High School. Eu estava feliz, meus pais também, apesar de me dizerem para eu ir devagar. Desejo poder voltar ao tempo e tê-los escutado, mas quando dizem que só aprendemos com o erro... é a mais pura verdade.

“Elle se dizia feliz por nós dois, mas eu sentia que os pais dele não estavam. Eu não via muito o pai de Jason, Joey, porque ele tinha um posto importante em Nova York, e ele e a mulher, Jade, eram divorciados, então, eu devo ter visto o Sr. Collin umas duas vezes.

“Só que mesmo tendo o visto pouco, eu sabia que ele não estava feliz com o relacionamento. Jason brigou com o pai diversas vezes ao telefone, e eu ficava tão... triste pela família dele achar que eu não era o esperado para ser a companheira do herdeiro, mas ficava feliz por ter Jason me defendendo, escolhendo ficar comigo ao invés de ir atrás dos pais dele.”

- Como alguém pode tê-la recriminado por sua classe social? – perguntei, sem conseguir me conter. Eu não conhecia esses Collin, mas não gostava deles, simplesmente pelo fato de eles terem machucado minha Bella.

- Edward – sorriu. – Eu não era pobre, mas, entenda, os Collin tinham várias empresas, filiais e tudo o mais.

- Eu não concordo com isso – rosnei. – Acho isso um absurdo...

- Você prometeu que iria esperar que eu terminasse de contar.

- Ok – bufei.

Bella acariciou minhas mãos gentilmente, antes de continuar.

- E, então, os problemas começaram. Acredito que o Sr. Collin queria nos separar, porque começou a solicitar várias viagens de Jason ao redor do mundo. Brigamos muito por causa disso, ele sempre me prometia que era a última vez, mas não era. Mal nos víamos, mesmo que estudássemos na mesma escola.

“Eu tentei compreender de todas as maneiras, juro que tentei. Afinal, era para o futuro dele, e, provavelmente, para o meu, o nosso, o de nossos filhos. Só que era demais. Jason começou a me ignorar, e quando eu perguntava porquê, ele dizia que estava cansado, esgotado, e que eu era uma à toa que não trabalhava.

“Eu sentia falta daquele Jason carinhoso, que conheci no começo de tudo. Só que eu – ao contrário de todo mundo – não conseguia enxergar problema algum, entende? Eu estava obcecada por ele, e meu corpo me afastava da dor de perdê-lo, por isso passei a aceitar tudo o que ele dizia.

“Eu, sinceramente, pensava que as coisas iriam melhorar, que era só uma fase, e o Jason romântico e carinhoso voltaria para mim. Só que eu estava enganada, porque tudo só tendia a piorar.”

Bella respirou fundo, e eu percebi que ela tremia um pouco.

- Jason disse que teria de viajar nas férias de verão. – Ela passou as mãos nervosamente pelo cabelo e suspirou pesadamente. – Ele dizia que estava ajudando o pai em Nova York, Manhattan, onde as raízes da empresa ficavam, e eu, boba, não questionei.

“Jason, Jade e Elle voltaram faltando cinco semanas para partimos para as nossas faculdades. Eu e ele iríamos juntos para a universidade de NY, estava tudo planejado. Pensei que tudo melhoraria, mas Jason começou a me pressionar para fazer sexo. Ele passou três dias atirando-me argumentos, dizendo que iria procurar outra garota... Eu não queria perdê-lo, então, me entreguei a ele.”

Estremeci. Forcei meus olhos a se fecharem, tentando não imaginar nada. Não. Se um dia eu visse esse Jason, eu o mataria com minhas próprias mãos.

- Foi... – suspirou. – Foi doloroso. Ele não foi nada carinhoso. Foi nossa primeira e única vez. Depois daquele dia, eu custei a ver o Jason. Ele não me ligava, não entrava em contato, e eu ficava desesperada, correndo atrás dele igual a uma idiota.

“Nada poderia piorar, a não ser o fato de que, alguns dias antes de irmos para NY, eu descobrir que estava grávida. Descobrimos que as aulas iriam se atrasar um pouco, então, compramos passagem para dia quinze de setembro.

“Meus pais ficaram um pouco chateados quando eu lhes contei sobre a gravidez, mas disseram que iriam me apoiar. Eu acabei decidindo não começar a faculdade, iria começá-la no próximo ano. Fui, naquele dia mesmo, contar tudo para o Jason, pensando que ele iria me apoiar, mas me enganei.

“Ele jogou na minha cara que engravidei de propósito, apenas para conseguir o dinheiro dele. Disse-me coisas horríveis, brigou e gritou comigo. Por fim, disse que nunca assumiria aquela criança, que teria nojo dela, por ela ser filha de uma pessoa ingênua e sem classe, como eu.”

Eu senti minha boca se abrindo, sem conseguir acreditar. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Bella continuou a falar.

- Fiquei desolada – murmurou, lágrimas caindo de seus olhos. Eu as limpei, permanecendo em silêncio, o ódio e a raiva fervendo. – Procurei por Elle, pensei que ela me apoiaria, que brigaria com o irmão, mas... ela, minha melhor amiga, riu de mim.

“Ela disse coisas horríveis. Jogou-me fotos, mostrando Jason cada hora com uma garota diferente, enquanto eu pensava que ele ajudava o pai com as empresas. Mostrou-me as fotos do verão, ele no Caribe, cercado de garotas. Trocando beijos, risadas... Beijos e risadas que antes eram dirigidos a mim.

“Ela disse tanta coisa, Edward. Ela jogou tanta coisa na minha cara, dizendo que para Jason eu era apenas uma diversão, que ela sempre soube disso. Ela riu quando chorei, riu quando falei que ela seria tia, que ela tinha que ter compaixão... E ela somente ria e ria.

“Decidi ir atrás do Jason, exigir que ele amasse pelo menos o filho. Eu estava assustada, iria completar dezenove anos, seria mãe, não tinha emprego, estava começando a faculdade... Fui atrás dele. Peguei um avião, e quando cheguei em Manhattan, no dia onze de setembro de 2001, aluguei um carro. Estava dirigindo, iria demorar para eu chegar às torres gêmeas. Em uma delas estava localizado um escritório do pai de Jason.”

Onze de setembro de 2001. Torres gêmeas. Estremeci, imaginando o que iria acontecer.

- E então, ouvi a notícia no rádio. Os ataques as torre gêmeas. Naquele momento, senti uma forte tontura, um aperto no ventre, minha cabeça parecia que iria explodir... Lembro-me de perder o controle do carro... E tudo ficou escuro.

“Acordei dois dias depois, no dia que eu completava dezenove anos. Exigi informações, desesperei-me. E, ali, naquela cama do hospital, meus pais e o médico me contaram que Jason havia falecido.

“Desmaiei novamente. Era muita coisa para assimilar. Quando acordei, continuei a perguntar sobre o meu bebê. E descobri que tinha sofrido um aborto espontâneo. Não foi por causa da batida, embora ela tenha sido um pouco forte. Eu não agüentei tanta pressão, tanto sofrimento, e perdi o bebê.”

Vi-a morder o lábio inferior, enquanto lágrimas ainda corriam livremente pelo seu rosto. Continuei ali, apertando sua mão com uma mão, enquanto a outra usava para limpar suas lágrimas.

- Alguns dias depois, quando eles não acharam o corpo – sussurrou –, teve o enterro. Eu não consegui chorar, eu só ficava ali, vendo tudo, porque vendo, eu tinha que admitir que tudo era real.

“Pensei que o sofrimento teria acabado, mas não. A irmã dele me acusou, diante da família dele no cemitério, que a culpa era minha. Disse que Jason não estaria naquele dia em Manhattan, que ele teria voltado para Forks alguns dias antes, se não fosse por mim.

“Então, foi minha culpa. Por minha culpa perdi o bebê e o pai dele... Enfim, não queria voltar para Forks, mas a minha mãe e meu pai me fizeram voltar. Foi Jacob Black que nos buscou, ele sabe de toda a história, já que morava aqui na época.

“Permaneci em casa por alguns dias, e todas as noites eu tinha pesadelos. Decidi sair daqui e fui fazer faculdade. Fechei-me. Eu não conseguia sorrir, não conseguia acreditar em ninguém. Para mim, se aproximar das pessoas, era sinônimo de dor. Porque, de alguma maneira, todos iriam me fazer sofrer.

“Jacob Black foi para a mesma faculdade que eu, e passou todos os anos me chamando para sair. Por isso que, naquele dia, ele disse aquelas coisas...”

- Bella – murmurei –, eu realmente...

- É por isso que tenho medo das pessoas – cortou-me. – Tenho medo de sentir toda aquela dor de novo... Só que você apareceu, você quebrou minhas barreiras, fez-me mostrar minhas feridas e cicatrizes.

“Eu freqüentei psicólogos, tentei me embebedar, fiz de tudo para a dor ir embora. Foi por isso que comecei a me cortar. Eu não me abri nunca assim com ninguém, Edward. Nunca. Meus pais sabem o que aconteceu por alto, eu nunca lhes dei os detalhes.

“Você é a primeira pessoa que sabe de tudo. Porque eu confio em você... E eu quero que tenhamos uma vida juntos, sem segredos nem nada do tipo. Apesar de achar que você não vai me querer agora.”

- Por que você diz isso? – indaguei-a, sem conseguir acreditar que ela estava me dizendo aquilo.

- Porque eu fui ingênua, tola e burra – suspirou. – Porque fui culpada da morte de duas pessoas.

- Você não foi culpada de nada – murmurei, segurando seu rosto entre minhas mãos. – Não foi. E eu não vou a lugar algum, meu amor. Eu te amo. E fico imensamente grato por você ter confiado em mim, por ter me contado tudo.

- Obrigada – disse. – Eu pensei que seria demais para você. Que você não agüentaria alguém tão problemático como eu.

- Bobinha – ri –, quantas vezes vou ter que dizer que me importo com você? Que te amo e quero cuidar de você?

- Obrigada.

Eu a abracei forte, aspirando seu cheiro.

- Eu prometo, Bella – sussurrei alguns minutos depois. – Prometo que vou curar todas as suas feridas.

Notas finais
n/a: Enfim, o tão esperado capítulo chegou. Então, amores, muitos de vocês adivinharam? HAHA :} Vocês podem ver agora porque a Bella é assim. Os cortes são um meio de aliviar a dor e a culpa que ela sente. Não vou muito dizer agora, só que são mais dois capítulos + epílogo para a fanfic acabar. Não pensem que no próximo capítulo a Bella vai estar saltitante e feliz; apesar de ela ter contado tudo para o Edward, e estar bem melhor, ela ainda precisa se livrar de toda essa culpa. E, também, tem a Elle. Ela apareceu aquele dia no apartamento da Bella, lembram-se? Então, o que vocês acham que a fariam voltar para Forks, que a fariam procurar pela Bella? Espero comentários de todos, amores :} Já estou trabalhando no penúltimo capítulo, e acredito que ele vai ter algumas revelações. É isso. Ah, antes de ir, queria pedir para vocês darem uma passadinha na minha fanfic nova *-* O nome dela é Innocence, e está postada aqui mesmo no Nyah. Espero comentários de vocês. Kisses Deh C. PS.: Capítulo não betado. Minha beta teve alguns problemas e não pôde betar. Desculpem-me pelos erros.