Scars
12 Capítulo 11 - Because You Loved Me
Bella POV.
Permanecemos um tempo ali, apenas nos curtindo, curtindo o silêncio. Eu sentia um alívio enorme por ter contado tudo para Edward.
- Eu te amo – murmurei.
- Eu também – sorriu um pouco. – Acho melhor irmos para casa, Bella.
Eu estava morrendo de sono, e, Edward, percebendo isso, pegou-me no colo.
Fechei os olhos e me permiti dormir.
(...)
Because You Loved Me – Céline Dion
Quando abri os olhos, percebi que estava no quarto que dividia com Edward. Ele estava deitado de lado, sua mão em minha barriga. Inevitavelmente, sorri. Eu o amava tanto, mas tanto! E era incrível acreditar que ele me amava também, que ele me queria também, apesar de tudo.
Por todas aquelas vezes que você me apoiou
Por toda a verdade que você me fez enxergar
Por toda a alegria que você trouxe para minha vida
Por tudo de errado que você transformou em certo
Por todo sonho que você tornou realidade
Por todo o amor que encontrei em você eu serei eternamente grata, meu bem
Você é quem me sustentou
Nunca me deixou cair
Você é quem me acompanhou, através disso tudo
Delicadamente, saí da cama. Segui até o banheiro, onde tomei um banho demorado, deixando que a água me acalmasse.
Eu me sentia... leve. Eu havia contado tudo ao Edward, havia o deixado abrir todas as barreiras que eu havia construído, outrora. E ele não tinha sentido nojo de mim, pelo contrário, prometeu cuidar de mim. De nós.
Você foi minha força quando eu estive fraca
Você foi minha voz quando eu não podia falar
Você foi meus olhos quando eu não podia ver
Você enxergou o melhor que havia em mim
Me ergueu quando eu não conseguia alcançar
Você me deu fé porque você acreditou
Eu sou tudo o que sou porque você me amou
Mas, mesmo assim, não conseguia deixar de me sentir culpada. Se eu não tivesse brigado com Jason naquela época, meu bebê estaria comigo... E eu não seria culpada pela morte do Jason também.
Respirei fundo, antes de sair do banho. Hoje era sábado, nem Edward e nem eu trabalhávamos. Depois de me enxugar e passar meu hidratante, coloquei meu roupão e segui até o closet. Optei por shorts, uma camisa mais larga, e coloquei tênis. Eu iria até a padaria.
Você me deu asas e me fez voar
Você tocou minha mão e eu pude tocar o céu
Eu perdi minha fé, você devolveu-a de volta pra mim
Você disse que estrela nenhuma estava fora de alcance
Você me apoiou e eu fiquei de pé
Eu tive seu amor, eu tive isso tudo
Sou grata por cada dia que você me deu
Talvez eu não saiba tanto, mas eu sei que isto é verdade
Eu fui abençoada porque fui amada por você
Depois de pronta, escrevi um bilhete para Edward, avisando-lhe que não pretendia demorar. Coloquei o celular e o dinheiro no bolso, e saí de casa.
Ainda era cedo.
Edward POV.
Senti a cama vazia assim que acordei. E eu achei isso estranho, já que nesses dias, Bella sempre acordava depois de mim, e ainda ficava enrolando um pouco na cama.
Levantei-me e segui até o banheiro; ela não estava ali. Procurei-a pela casa, e já estava começando a ficar preocupado, quando vi um bilhete perto do telefone. Sorri. Bella sabia que eu iria querer ligar para ela.
Você foi minha força quando eu estive fraca
Você foi minha voz quando eu não podia falar
Você foi meus olhos quando eu não podia ver
Você enxergou o melhor que havia em mim
Me ergueu quando eu não conseguia alcançar
Você me deu fé porque você acreditou
Eu sou tudo o que sou porque você me amou
Edward,
Senti vontade de comer pão doce, e fui até a padaria buscar.
Não se preocupe. Estou com o celular, e saí a pé! E me sinto ótima, também.
Amo você,
B.
Ainda sorrindo, peguei o telefone, discando para o celular de Bella.
- Bom dia, princesa – cumprimentei-a.
- Oi, oi – riu. – Acabei de chegar a padaria, mas vai demorar um pouquinho. O pão ainda não está pronto.
- Tudo bem. Quer que eu vá até aí?
- Eu estou bem, Edward, de verdade. E nem vou carregar peso nem nada. Já já chego com nosso café. Vá tomando banho enquanto isso.
- Ok. Qualquer coisa, me ligue.
Desliguei e segui até o banheiro do nosso quarto.
Você sempre esteve lá para mim
O vento carinhoso que me levava
Uma luz no escuro, brilhando seu amor na minha vida
Você tem sido minha inspiração
Em meio a mentiras você foi a verdade
Meu mundo é um lugar melhor por sua causa
Enquanto tomava banho, pensei em tudo o que Bella havia me contado. Agora sim eu podia entender o porquê de ela ser assim, tão fechada. Ela se culpava por tudo o que tinha acontecido. E, agora, eu queria poder fazer algo para ajudá-la, algo para livrá-la de tudo.
Eu realmente quero poder cuidar de todas as suas feridas.
Eu a amo. Chamei-a para morar comigo não só por causa do bebê. Eu quero poder construir uma vida com ela, ter uma família, uma casa nossa. Eu quero poder compartilhar minha vida com ela.
Você foi minha força quando eu estive fraca
Você foi minha voz quando eu não podia falar
Você foi meus olhos quando eu não podia ver
Você enxergou o melhor que havia em mim
Me ergueu quando eu não conseguia alcançar
Você me deu fé porque você acreditou
Eu sou tudo o que sou porque você me amou
Só que Bella tinha de estar completamente curada; tinha de conseguir seguir totalmente em frente.
E eu estou disposto a ajudá-la.
Bella POV.
Desliguei o celular, sorrindo. Eu sabia que Edward iria querer ligar. Ele é sempre tão carinhoso, tão preocupado. E eu amo isso nele.
Antes, eu que cuidava de todo mundo. E, agora, eu tenho alguém para cuidar de mim. E isso me deixa feliz. Edward vive me surpreendendo. Seja com palavras doces, seu modo preocupado, ou até um simples sorriso.
- Oi, Bella. – Eu conhecia aquela voz. Congelei imediatamente. Virei-me calmamente e suspirei.
- Olá, Jacob – disse, tentando ficar calma.
Eu pensei que ele fosse continuar a fazer o que estava fazendo ali, mas Jacob continuou parado a minha frente, olhando-me. Seu olhar variava entre meu rosto e minha barriga.
- Fiquei sabendo que estava grávida... – murmurou.
- Sim, eu estou – revirei os olhos. – Não que isso seja da sua conta, mas...
- Você não tem medo, Bella? – perguntou. – Não tem medo de que o Edward faça o mesmo que o Jason fez com você? Os Cullen são bem ricos e influentes.
- Os Cullen são bons, Jacob – respondi, ríspida. – E nem ouse comparar o Edward ao Jason, por favor. Você não sabe de nada, então cuide da sua vida.
Virei-me, já pegando o pão doce e pagando.
- Desculpe-me, Bella – Jacob disse, seguindo-me enquanto eu saía da padaria. – Eu só... Você nunca deixou que eu me aproximasse, e conhece o Cullen a bem menos tempo do que me conhece, e já está até morando com ele!
- Não escolhemos por quem nos apaixonamos, Jacob – revirei os olhos. – E, mesmo se escolhêssemos, acredite, eu nunca iria escolher você. Por favor, me deixe em paz.
Ele pareceu perceber que eu não iria mais conversar com ele, porque respirou fundo, e me deu as costas. Eu suspirei pesadamente, e segui até a minha casa e de Edward.
(...)
Estava arrumando a mesa para o café, quando Edward apareceu, usando uma bermuda jeans e uma camiseta preta. Seus cabelos estavam molhados.
- Oi – disse-me, se aproximando. Ele me deu um selinho. – Algo errado?
- Nada – suspirei. Eu ainda estava um pouco irritada com o que Jacob havia dito, mas era só.
- Eu te conheço suficientemente bem, Bella – sorriu. – Mas se você não quiser falar, tudo bem.
- É só que eu vi... – hesitei. – Eu vi o Jacob na padaria.
- Oh! Eu sabia que você não deveria ter ido sozinha! Ele fez alguma coisa com você? Você está passando mal? Dê-me um minuto, vou pegar minha maleta e eu mesmo te examino. Preciso medir sua pressão, e...
- Edward! – ri. – Eu estou bem, sério. Só irritada. Ele é um idiota.
- Ah, claro. – Ele respirou fundo, parecendo aliviado. – Mas, mesmo assim, deixe-me medir sua pressão.
- Tudo bem, se isso for fazer você ficar mais calmo.
Edward me examinou, ficando extremamente satisfeito quando viu que eu estava bem. Nós tomamos café, e eu quase morri de tanto comer pão doce. Estava tão bom.
Depois que terminamos, Edward e eu arrumamos a cozinha.
- Sabe, deveríamos contratar alguém para te ajudar com a casa – disse, assim que terminamos.
- Por quê? – indaguei-o.
- Porque é uma casa grande e você está grávida.
Somente assenti. Eu conhecia Edward o suficiente para saber que não adiantaria discutir com ele.
Seguimos até o quarto, e passamos a tarde assistindo filmes. Eu acabei cochilando, e pela primeira vez, em dias, sonhei.
Pela primeira vez em anos, não senti o que senti quando o olhava. Não senti o amor me preencher, nem a vontade de abraçá-lo e dizer que tudo estava bem. Eu não o amava mais; eu nunca o tinha verdadeiramente amado.
Eu olhei para Jason, sentindo cada pelo do meu corpo arrepiar. Medo. Eu estava com medo do que ele fosse dizer. Medo de ele me culpar, dizer que o bebê e ele estavam mortos por minha causa.
Só que ele só ficou ali, me olhando, o sorriso sarcástico no rosto.
- Bella?
Eu abri os olhos e ofeguei, feliz por ter sido só um sonho.
- O que foi? – Edward perguntou. Percebi que o filme havia acabado de acabar.
- Um pesadelo – murmurei, tremendo um pouco. Há alguns meses, eu teria corrido até o banheiro e me cortado, para aliviar a dor. Agora, porém, apesar de ainda querer não sentir aquela dor, não senti vontade de me cortar.
- Shhh... Foi só isso, um pesadelo. Eu estou aqui, e tudo está bem. – Edward me abraçou gentilmente, acarinhando meus cabelos. – Quer me contar com o que você sonhou?
- Não. — Abracei-o ainda mais apertado. – Tudo está bem agora.
-xx-
Um mês e algumas semanas depois...
Em uma semana, eu completaria cinco meses de gestação.
Não sabíamos o sexo ainda. Quando tentamos ver, o bebê estava com as pernas cruzadas, o que fez Esme brincar, dizendo que era uma menininha.
Então, por isso, Edward e eu ainda não havíamos comprado nada para o quarto do bebê. Daqui a duas semanas eu teria outra consulta, e se tivéssemos sorte, poderíamos partir direto para Seattle e comprar algumas coisas.
Sorri e me olhei no espelho. Eu e Alice iríamos até Port Angeles para fazermos compras. Eu simplesmente precisava de roupas. A minha barriga já estava com um tamanho considerável, e minhas roupas simplesmente quase não cabiam mais. Depois, iríamos até a casa de Rosalie e Emmett. Rose queria nos mostrar o quarto de seu filho. Ela estava com os nove meses de gestação já completos; o bebê poderia nascer a qualquer momento.
Então, como Edward vivia dizendo para eu descansar bastante, iríamos pela manhã a Port Angeles, e de lá iríamos para a casa de Rosalie e Emmett. Assim eu estaria de volta para casa antes que Edward voltasse de seu plantão.
- Já vou indo, Bella. – Edward apareceu na porta do quarto e sorriu ao me ver. – Você está linda.
- Obrigada – ri. Peguei minha bolsa e andei até ele, dando-lhe um beijo. – Tenho que usar o que ainda me cabe.
- Não abuse muito – disse, me abraçando. – Se a Alice não quiser te trazer na hora que você quiser, ligue-me, e eu dou um jeito de matá-la.
- Eu vou ficar bem – sorri. – Pode ir trabalhar sossegado.
- É. Não costumo trabalhar aos sábados, mas troquei o plantão com um amigo, assim poderei acompanhar você na próxima consulta e, quem sabe, comprar os móveis do nosso bebê.
- Eu sei. Pode ir sossegado, senhor Cullen. Se eu sentir qualquer coisa eu te ligo.
- Ótimo. – Eu me aproximei e o beijei novamente. – Tomou seu café, senhorita?
- Sim. Tomei café, comi a fruta que você descascou, tomei as vitaminas. Está tudo certo.
Ele riu.
- Vou indo. – Deu-me mais um beijo. – Amo você.
- Eu também.
Permaneci em casa mais alguns minutos, e logo Alice apareceu, toda sorridente. Estávamos no shopping, quando o celular dela tocou. Era Edward, dizendo para me levar para casa assim que eu pedisse.
Eu não consegui esconder o sorriso.
Eu o amava tanto! E, mesmo ainda tenho os pesadelos, e vivendo com a culpa, eu me sentia melhor.
- Sabe, Alice – comecei –, depois que o bebê nascer, vou procurar um psicólogo.
- Sério? – indagou.
- Sim – sorri. – Eu quero poder viver bem, com Edward, com nosso filho, e sei que tenho que vencer algumas coisas ainda.
- Eu fico imensamente feliz por você, Bella.
- Obrigada, Alice – ri. – Vamos? Eu estou louca para ver o quarto do bebê da Rose e do Emm.
(...)
Rosalie estava sentada no sofá de sua casa, quando chegamos. Ela estava com a barriga enorme, e Emmett estava ao lado dela, rindo de alguma coisa que passava na televisão.
Eles nos cumprimentaram, e me fizeram sentar um pouco, porque Edward havia ligado e pedido. Depois, Rose se levantou com a ajuda de Alice, e nós três seguimos até o quarto do bebê.
- É lindo, Rose – eu disse, sorrindo. – Não vejo a hora de começar a decorar o quarto do meu bebê.
- Não conseguir ver o sexo ainda? – perguntou, sorrindo.
- Não – ri. – Esperamos ver na próxima consulta, daqui a duas semanas.
- E eu quero logo meu bebê nos braços!
- Já escolheram o nome?
- Temos alguns em mente, mas decidimos resolver assim que vermos o rosto do nosso filho.
Eu pretendia ir embora antes de Edward chegar em casa, mas acabou que ele mesmo me buscou, assim que saiu do serviço. Nós jantamos na casa dos meus pais, e depois seguimos para nossa casa.
Edward não deixou que eu carregasse as sacolas. Mandou que eu tomasse banho, enquanto ele guardava tudo para mim. Eu assenti, sem conseguir discutir com ele. Sabia que ele só queria cuidar de mim e do bebê.
Então, tomei um banho quente, coloquei um pijama confortável, e me joguei na cama. Depois que Edward tomou banho, ele se juntou a mim, e ficamos ali, abraçados, o resto da noite.
(...)
Dois dias depois, Alex Connor Cullen nasceu, pesando três quilos e trezentos gramas, e medindo 53 centímetros. Alex tinha os olhos de Rosalie, e só, porque o resto era todo de Emmett.
Edward e eu fomos visitá-los. Emmett estava todo feliz, exibindo um sorriso enorme, já planejando os jogos que levaria o filho, os jogos que compraria para ele... Rosalie somente sorria, feliz por finalmente ter sua família.
Não ficamos muito. Meus pés estavam ficando inchados facilmente, e minhas pernas doíam. Então, eu ficava deitada durante a noite, procurando descansar.
No dia seguinte, Edward teve que dar um plantão. Eu estava de folga, então depois que tomei café – Edward nunca saía para trabalhar sem me dar café –, voltei para o quarto, tomei um banho, e fiquei deitada na cama durante a manhã.
Na hora do almoço, Edward ligou, querendo saber se eu estava bem, e se já tinha almoçado. Ficamos conversando por alguns minutos, mas ele logo teve que voltar a trabalhar.
Eu planejava ir visitar Esme durante a tarde, por isso, troquei de roupa, e liguei para avisar ao Edward. Ele pediu que eu tomasse cuidado e que ligasse para ele assim que eu chegasse lá. Eu avisei que iria andando. Não era longe, somente alguns minutos, e eu estava precisando fazer caminhada.
Antes de sair, senti vontade de ir ao banheiro. O bebê estava crescendo, e isso estava pressionando minha bexiga. Então, eu ia ao banheiro com uma frequência impressionante.
Passei na cozinha para beber água, quando ouvi a campainha tocar. Estranhei, mas depois acabei sorrindo. Edward devia ter pedido a mãe que viesse me ver, assim eu não precisaria sair de casa.
Fui até a porta e a abri.
- Elle? – murmurei, chocada. Ela olhou para minha barriga e sorriu um pouco.
- Oi, Bella – disse, finalmente. – Precisamos conversar.
Fale com o autor